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sábado, 10 de janeiro de 2015

RESENHA DO LIVRO TEMPO BOM TEMPO RUIM - JEAN WYLLYS

PARTE II       (resenha simples, de leitor, sem carater acadêmico) por este blogueiro

     40 – “... entendemos que  a telenovela é representação e, como toda representação, ela não apenas reproduz a realidade, mas também a produz, isto é, desencadeia reações nos telespectadores.”
     41 – “Há quem diga que as tramas das novelas são ‘abstrações’ e, como tais, inócuas.  Não é verdade.  As representações são a matéria-prima do pensamento.  E o pensamento é a ponte do corpo para o ato – no mínimo para o ato lingüístico que é o insulto ou a injúria.  O preconceito social, os discursos de ódio e os crimes contra os homossexuais são complementares.”
     42 – Cita casos de novelas específicas da Globo em que se inseriram “imagens positivas” para evitar o preconceito.
     44 – “De todos os autores da Globo, Aguinaldo Silva é aquele que seguramente representou mais homossexuais em suas novelas, talvez por ter sido, quando jovem, ativista do então incipiente movimento homossexual no Brasil.”
     48 – “Sempre acreditei que, como cidadãos, todos nós podemos intervir na vida política.  Esse é o cerne da democracia e significa pensar a sociedade e participar do debate social como cidadão e trabalhador.  Desde a minha adolescência, procurei atuar politicamente dentro da parte que me cabia: como estudante, jornalista, professor.”
     49 – “Não há socialismo sem a idéia de liberdade.”
     Armar-se em Palavras
     51 – “As palavras transformam o mundo e as pessoas. Tem o poder de machucar e humilhar, assim como de salvar, curar e devolver a dignidade.”
     52 - ...”Signo de Peixes, mas meu ascendente é Aquário, o dono da nova era.  Acho que estou na fronteira entre o amor e a razão.”
     53 – “Só o amor pode fazer com que o inevitável ‘clube da luta’ que é a vida se torne um lugar também de felicidade.”
     Consumir a Cidadania
     61 – “Ser esquerda, hoje, é priorizar as questões ecológicas, incluindo os direitos ambientais entre os direitos humanos, trabalhando em prol do ambiente saudável e sustentável.  É defender as florestas e restringir o agronegócio – não extingui-lo, mas controlá-lo”.    (ele alinha uma série de outras ações que ao modo dele tem a ver com o perfil de esquerda)
     O Lugar do Armário
     64 – “Ainda que o fato de se assumir publicamente não livre o homossexual de toda discriminação, somente a aceitação e a valorização de si mesmo pode servir de apoio a uma resistência eficaz contra as agressões e a estigmatização dos homossexuais em nossa sociedade.”
     65 – Falando de religião cita José Saramago, que era ateu.   “Bíblia é um desastre, cheia de maus conselhos, como incestos e matanças.”    
     66 – Cita frase de Jorge Amado em entrevista a Clarice Lispector:   “Eu escrevo como me agrada; não há escritor mais livre neste país.”
     68 – Santo ou Orixá.   Por pai, tem algo do Candomblé e pela mãe, do catolicismo, mas hoje ele tem uma religiosidade e não uma religião.
     Tempos de Luta
     73 – Sobre as ações dos “guardiões da ordem social”.     Se opõem às reivindicações das minorias.    “A atitude freqüente desses mantenedores da ordem e da moral majoritária consiste em desqualificar os movimentos das minorias por meio de acusações infames e falácias.”
     74 – Cita o filósofo Bordieu e a “dominação masculina”.
     75 – O autor, como Deputado Federal, esteve a convite em conclave no México para dar palestra.  IV Encontro sobre Dissidência Sexual e Identidades Sexuais e Genéricas.

Isto em 2013.

RESENHA LIVRO - TEMPO BOM TEMPO RUIM - JORNALISTA JEAN WYLLYS

PARTE I

RESENHA DO LIVRO – TEMPO BOM TEMPO RUIM
Autor do livro:   Deputado ativista Jean Wyllys
Resenha (simples, sem regra acadêmica) – por Orlando L de Almeida
(Editora Paralela, 1ª edição – 2014 – SP – 190 páginas)

     Ganhei este livro no dia que fui com minha filha Antropóloga assistir na UFPR a palestra com o autor do livro, que foi convidado para a Semana Acadêmica de Comunicação.     Diga-se de passagem, de casa cheia.

     O autor é baiano de Alagoinhas e teve uma infância muito pobre, filho de funileiro de automóveis.   O pai era alcoólatra.  Mãe lavadeira.   Passou fome na infância.
     Página 13 -  Lembra da frase do Maluco Beleza (Raul Seixas)    “É de batalhas que se vive a vida.  Tente outra vez.”  Vale para as batalhas dele ao longo da vida.   Formado em Jornalismo, com mestrado e está se doutorando em Antropologia do Consumo.
     15 – Falando sobre o ciclo da pobreza.   “O que me afastou desse fado foi a leitura, a escola, a educação.”
     15 – Foi coroinha na infância, inclusive para ter acesso ao que ler na biblioteca da igreja.    Foi menor estagiário da CEF Caixa Econômica Federal.
     16 – Estudioso e leitor, na adolescência passou num duro teste seletivo e foi para a Fundação José Carvalho, em Pojuca, região metropolitana de Salvador.  Colégio de excelência.
     16 – Fez Jornalismo na UFBA  Universidade Federal da Bahia.   Fez mestrado e ministrou aulas por bom tempo em universidades.
     17 – Foi para o RJ e continuou lecionando no ensino superior.
     17 – Atualmente (2014), faço doutorado em Antropologia do Consumo na Universidade Federal Fluminense.    (exerce mandato de Deputado Federal também)
     18 – Recordação da infância.    A mãe grávida dele, assistindo da janela da casa do único vizinho do bairro que tinha TV, a novela Carinhoso.    Uma pitada de quebra da dura rotina que ajudou sua mãe a enfrentar a dura realidade.
     20 – A igreja e a  Teologia da Libertação  (as CEBs – Comunidades Eclesiais de Base).   Sua família se ligou às CEBs.  Ele freqüentou a CEB, a Pastoral da Juventude e foi inclusive leitor de Frei Betto.  Militou na política estudantil.  Conheceu o Marxismo.
     20 – Teve influência da Teologia da Libertação.
     21 – Militância no Grupo Gay da Bahia e do Movimento Negro Unificado.
     21 – Algumas disciplinas que já ministrou: Cultura Brasileira, Estudos Culturais, Teoria do Jornalismo e outras.
     22 – Infância – só gostava de brincadeiras de meninas.
     26 -  “... imaginário equivocado acerca da homossexualidade, carregado de preconceitos e  confusamente ligado a noções como marginalidade, clandestinidade e travestismo”.
     26 - ...” num país preconceituoso como o nosso, há uma dificuldade maior para os homossexuais alcançarem a felicidade, todavia, parece-me mais difícil viver na vergonha, fechado no armário”.      (ele participou de um Big Brother -   BBB)
     29 -  O fascínio quando, após a vida de internato, ele entrou numa boate freqüentada pelos homossexuais da capital baiana.  Disse ao amigo:   “O paraíso é aqui”.
     29 – Fala do pertencimento que o público e o local passavam.
     31 – Sua religiosidade.   “lembro-me aqui de João Cabral de Melo Neto, o ateu mais convicto, que rezou no momento de sua morte.”
     31 – Pelo lado do pai, é adepto do Candomblé.  Reclama que os terreiros foram todos empurrados para a periferia por intolerância das pessoas.
     31 - ...” coloco-me contra todo fundamentalismo religioso.  Por isso repito:  tenho uma religiosidade e não uma religião.”
     33 -  Lá por 1980 no interior, ainda na ditadura militar, o povo não tinha consciência do problema da repressão, etc.   Ele leu na biblioteca do Salão Paroquial o livro Brasil Nunca Mais (organizado pelo Bispo Dom Paulo Evaristo Arns), livro que lhe abriu os olhos para o que estava ocorrendo no Brasil.
     34 – Um tal tenente Cruz (em sua terrinha) e a repressão – em Alagoinhas-BA.
     35 – “Sabemos hoje que, durante a ditadura militar, o perigo rondava o conhecimento.”...
     36 – Cita a Comissão Nacional da Verdade e cita a “tagarelice” do ultra direitista Jair Bolsonaro.
     37 – Ele defende o trabalho da Comissão da Verdade.   O povo tem o direito de saber o que se passou.

     38 – A importância da mídia e os riscos dela.               Continua na etapa II em breve

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER – PARTE FINAL


Autor do livro – Schopenhauer

Resenha por :   Eng. Agr. Orlando Lisboa de Almeida  (resenha simples, não acadêmica)

     Página 71 -   “Normalmente as resenhas são feitas no interesse dos editores e não no interesse do público.”
     77 – Sobre o crítico literário anônimo ou que usa pseudônimo.    A eles... “deveriam ser empregados epítetos como: O canalha covarde anônimo diz”...
     82 – Sobre os hegelianos... “Ou então eles tem em vista um modo de escrever espirituoso, com o qual parecem querer ficar loucos”.
     84 -  (ao escrever)  “... a simplicidade sempre foi a marca não só da verdade, mas também do gênio”.
     84 – A primeira regra para bem escrever... “... é que se tenha algo da dizer.”
     90 -  “... embora de fato se deva pensar como um grande espírito, sempre que possível, deve-se falar a mesma linguagem das outras pessoas.  Palavras ordinárias são usadas para dizer coisas extraordinárias.”
     106 – “Pois a língua alemã é a única em que se pode escrever quase tão bem quanto em grego e latim, característica que seria ridículo querer atribuir às outras principais línguas européias, que não passam de dialetos.   Comparado a elas, o alemão tem algo de extraordinariamente nobre e sublime.”
     110 – Criticando um tipo de escritor:   “... basta ao escritor saber o que ele quer e pretende dizer; o leitor que se arranje para acompanhá-lo”.
     112 – “Dizem que Platão redigiu a introdução de sua República sete vezes, com diversas modificações.”
     112 – (base 1850) -  “Até aproximadamente cem anos atrás, sobretudo na Alemanha, os eruditos escreviam em latim.”
     Sobre a Leitura e os Livros
     127 -  ...”os ricos que são ignorantes vivem apenas em função dos seus prazeres e se assemelham ao gado, como se pode verificar diariamente.  Além disso ainda devem ser repreendidos por não usarem sua riqueza e ócio para aquilo que lhes conferiria o maior valor.”
     127 – Parece paradoxal ele não ser contra a leitura, muito pelo contrário, mas num certo contexto coloca a frase para se pensar:     “Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar.  É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura.  No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta?”.
     129 – “Além de tudo, os pensamentos postos no papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos.”
     133 – Cita o epigrama de A.W.Schlegel:   “Leiam com afinco os antigos, os  verdadeiros e autênticos antigos: o que os modernos dizem sobre eles não significa muito.”
     137 – “Há duas histórias: a política e a da literatura e da arte.  A primeira é a história da vontade, a segunda, a do intelecto.   É por isso que a primeira geralmente é angustiante, mesmo terrível: medo, necessidade, engano e assassinatos horríveis, em massa.  A outra, em contrapartida, é agradável e jovial, assim como o intelecto isolado, mesmo quando descreve erros e descaminhos.”
     138 -   Epiciclos.   “Esse epiciclo partia da linha circular levada adiante por Kant até o ponto em que, posteriormente, eu a retomei para fazê-la avançar...”
     143 -   “Gostaria que alguém tentasse escrever um dia uma história trágica da literatura, na qual expusesse como as diferentes nações, cada uma das quais deposita seu maior orgulho nos grandes escritores e artistas que tem a exibir, trataram esses homens durante suas vidas.”    (negrito do resenhista aqui)
     Sobre a Linguagem e as Palavras
     145 – “Sabemos que, do ponto de vista gramatical, quanto mais antigas as línguas, mais perfeitas elas são, e pouco a pouco ocorre uma piora – partindo da elevação do Sânscrito até a baixeza do jargão do inglês, esse traje malremendado de pensamento, feito com retalhos de tecidos heterogêneos.”
     165 – Curiosidade.....   “... uma vez que o colibri só habita o continente americano.”
     166 – O alemão – vários ramos da língua – ramo gótico (um deles).      “O gótico,  proveniente do sânscrito, dividiu-se em três dialetos: sueco, dinamarquês e alemão.”
     166 -  Escavações...  “... em comparação com os achados alemães, que a cultura era muito mais elevada na Escandinávia, em todos os tempos.”          Fim.


sábado, 6 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO - A ARTE DE ESCREVER - SCHOPENHAUER

                 (Segunda, de três etapas)   
  37 -  Ele defendia que os alunos dos cursos superiores para juristas, teólogos e medicina, deveriam ter no primeiro ano, curso de Filosofia.  A partir do segundo ano, ter contato com as matérias específicas dos seus cursos, sendo então para os teólogos, mais dois anos, para os juristas mais três e para a medicina, mais quatro anos de estudos.
                 Pensar por Si Mesmo  - capítulo
     39 – “A mais rica biblioteca, quando desorganizada,  não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada.”
     ... “por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria do seu próprio saber e o domina.  Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sabe, por isso se deve aprender algo; mas também só se sabe aquilo sobre o que se pensou com profundidade”.
     39 -  “...podemos nos dedicar de modo arbitrário à leitura e ao aprendizado; ao pensamento, por outro lado, não é possível se dedicar arbitrariamente”.
     41 -  ...” o excesso  de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola.”   (ler e matutar)
     41- sobre ler sem matutar...  “...pobres de espírito... privando também seus escritos de todo e qualquer êxito.  Como disse Pope:  ‘Sempre lendo para nunca serem lidos’ “.
     42 - ...”que pensa por vontade própria, de modo autêntico, possui bússola para encontrar o caminho certo.”
    42 – compara ler, como conhecer um jardim via gravura, diferente de visitar o jardim ao vivo e a cores.
     43 – Há o pensador que cria e o erudito que “repete”, replica o conhecimento.
     44 – “Ler significa pensar com uma cabeça alheia em vez de pensar com a própria.”
     45 – Pesquisador científico.  “Só que ele precisa de muitos conhecimentos e, por isso, de muita leitura.”    (além da experiência de campo)
     56 – Um provérbio espanhol:   Honra e proveito não cabem no mesmo saco.
    
     Capítulo – Sobre a Escrita e o Estilo

      57 – Elenca três tipos de escritores.   Primeiro, os que escrevem sem pensar.  Segundo, os que pensam enquanto escrevem e terceiro, há os que pensaram antes de se pôr a escrever.   Escrevem apenas porque pensaram.  São raros.
     62 – “Encontro passagens de meus escritos geralmente citadas de modo falso, e apenas meus discípulos declarados constituem uma exceção.”

              Continuará no módulo 3, módulo final, em breve.     06-12-14



     

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER                   (Primeira Parte)     01-12-2014
Autor:  Schopenhauer    (Arthur Schopenhauer – 1788 – 1860)

Resenha feita pelo Eng. Agr. Orlando Lisboa de Almeida
(critério pessoal, sem metodologia acadêmica)

Trata-se de uma edição de bolso da editora L&PM – Porto Alegre – RS – 2014

P.12 – O livro “O mundo como vontade e representação”.   “As principais referências do livro, que ele acabou de redigir em 1818, são Platão e Kant, mas seu pensamento é marcado também pelo estudo da tradição indiana e dos clássicos gregos e latinos”.   ...”foi praticamente ignorado na época...”
     12 -  Ministrou aulas (1820) na Universidade de Berlim e passou a dar aulas no mesmo departamento em que Hegel ocupava uma cátedra.  Hegel era da linha filosófica idealista, diferente da linha de Schopenhauer, que se viu quase sem alunos no final do ano letivo (terminou o turno com quatro alunos apenas).   Abandonou as aulas após esse revés.
     13 – Em 1851 lança o livro Parerga und Paralipomena  (Acessórios e Remanescentes) que lhe dá notoriedade.   Influencia artistas, escritores, filósofos das gerações seguintes como Nietzsche, Wagner, Horkheimer, Thomas Mann, Tolstoi e Sartre, entre outros.
     Sua influência foi marcante inclusive no desenvolvimento da  Psicologia.  Thomas Mann num ensaio sobre o filósofo chega a afirmar que “Schopenhauer, psicólogo da vontade, é o pai de toda a psicologia moderna; dele se vai, pelo radicalismo psicológico de Nietzsche, em linha reta até Freud”.
     14 – Este livro em pauta é parte do Parerga und Paralipomena.    “... diversos aspectos como a erudição, a escrita e o estilo, a leitura e os livros, a língua e as palavras, a filosofia livresca e o pensamento próprio.”
     19 – No capítulo Sobre a Erudição e os Eruditos: 
     “É com esse objetivo que tal geração freqüenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade.  Só o que é breve é novo!   Assim como é a nova geração, que logo passa a emitir seus juízos.”
     20 – A busca mais pela informação, não a instrução.    “Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução...”
     “Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!”
     ...”sinto a necessidade de me perguntar se o homem tinha tanta falta de pensamentos próprios que era preciso um afluxo contínuo de pensamentos alheios.... (leitura).”
     21 - ...”da clareza e a profundidade do saber e da compreensão...”
     21 - ...”um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido.”
     21 – “elaborar novas e grandes concepções fundamentais aquele que tenha suas próprias idéias como objetivo direto de seus estudos, sem se importar com as idéias dos outros.”
     22- “Não é possível alimentar os outros com restos não digeridos, mas só com o leite que se formou a partir do próprio sangue.”
     23 – A ocupação -   ...”se ocupe dele com amor...”
     24 - ...”a inépcia é um direito de todos. Em compensação, comentar a burrice e a maledicência é um crime...”
     24 – “O grande público culto busca viver bem e se distrair, por isso deixa de lado o que não é romance, comédia ou poesia”.   (isto dito em 1851).  
     25 – “A pessoa que ensina a ciência não e a mesma que entende dela e a realiza com seriedade, pois a esta não sobra tempo para ensinar.”
     25 -  (negrito meu)   “...é uma obrigação dos governos, que pagam as academias, encarregá-las de investigar o assunto por meio de uma comissão, como ocorre na França com casos de muito menor importância”.     “Senão, para que existem essas academias que se tornam tão amplas e abrigam tantos imbecis sempre a se vangloriar?”
     27 – “Em todo o caso, o erudito alemão também é pobre demais para ser honesto e honrado”.      ...”qualquer coisa é melhor do que dizer a verdade e contribuir para o trabalho dos outros – são esses o seu procedimento e o seu método”.
     ...”sem nenhuma consideração pelo bem comum...”
....”única coisa com que todos estão de acordo é não deixar que desponte uma cabeça realmente eminente quando ela tende a se destacar....   representaria um perigo para todos ao mesmo tempo”.
     29 -  “...eruditos independentes tem...  vantagens relativas ao reconhecimento por parte da posteridade...  exige certo ócio e uma certa independência”
     29 – Para os medíocres da academia.     “.. a forragem da cocheira dos professores é a mais apropriada para esses ruminantes.”
     29 – “ Cada geração que passa rapidamente alcança, de todo o saber humano, somente aquilo que ela precisa.  Em seguida desaparece.  A maioria dos eruditos é superficial.  Segue-se cheia de esperanças, uma nova geração que não sabe nada e tem de aprender tudo desde o início; de novo ela apanha aquilo que consegue ou aquilo de que pode precisar em sua curta viagem, depois desaparece igualmente.”
     30 – Empreendimento científico - ...”deve-se dedicar apenas a um campo específico, sem dar importância para todo o resto”.   (ele faz ressalvas a isso)    “Com isso veremos eruditos que, fora do seu campo específico, são verdadeiras bestas”.
     31 – “Em contrapartida, a verdadeira formação para a humanidade exige universalidade e uma visão geral...”
     33 – “Isso mostra que os críticos também são uns ignorantes, ou estão mancomunados com os responsáveis pela publicação, ou então com os editores.”
     35 – O autor defende o conhecimento do Latim, do grego, etc.
     “... Bacon de Veralam traduziu ele mesmo seus ensaios para o latim...”
     36 – Ele propõe que deveria estar em lei...
     “A melhora da qualidade dos estudantes... deveria ser determinada...
     Nenhum deles teria permissão para freqüentar a universidade antes de completar vinte anos, idade em que passaria por um examen rigososum nas duas línguas antigas (latim e grego) antes de fazer a matrícula.





domingo, 26 de outubro de 2014

RELAÇÃO DE LIVROS LIDOS DE JULHO-1994 ATÉ DEZ/14

   

     Orlando Lisboa de Almeida     (tenho a resenha de todos em caderno)


01 – Os Amantes                                            Morris West                07-94

02 – A Eneida                                                 Virgílio                       09-94

03 – A Insustentável Leveza do Ser                 Milan Kundera              10-94

04 – Viagens na Minha Terra                          Almeida Garrett           11-94

05 – As Três Marias                                       Rachel de Queiroz       12-94

06 – As Pupilas do Senhor Reitor                    Julio Dinis                    12-94

07 – Venha Ver o Por do Sol                          Lygia F.Telles              01-95

08 – O Pássaro de Cinco  Asas                      Dalton Trevisan            01-95

09 – 79ª Park Avenue                                     Harold Robbins           03-95

10 – Formação dos Cristãos Leigos                Vários autores             05-95

11 – O Caminhão                                           Marguerite Duras         06-95

12 – Selvino Jacques                                       Brigido Ibanhes            08-95

13 – Deus Lhe Pague                                      Joracy Camargo          05-96

14 – Crônicas                                                 Machado de Assis       07-96

15 – Peça de Teatro                                       Frederico G.Lorca       01-97

16 – Civilizações que o Mundo Esqueceu        Aurélio M.G.de Abreu  01-97

17 – Óvnis SOS Humanidade              J.J.Benítez                              02-97

18 – Galáxia Romântica                                  Célio de Alencar *       03-97

19 – Raio X da Mente humana                        Fauze Kfoure               06-07

20 – As melhores Crônicas (Fenab)                Vários Autores *         07-97

21 – Cemitério de Elefantes                             Dalton Trevisan            09-97

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

RESENHA - PALESTRAS – SEMANA ACADÊMICA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UFPr - 2014


Anotações pelo Eng. Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida, 64 anos

Data e local:  13-10-14 no Auditório do Setor de Comunicação Social da UFPr

     O evento contou com vários palestrantes, sendo um deles o Deputado Federal Jean Wyllys do Psol do RJ.     Período da manhã, auditório lotado.
     TEMA – A IMAGEM DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA MÍDIA
     Palestrantes presentes:
Neli Gomes – Movimento Negro   doutoranda em Sociologia  (foi acadêmica por cota)
Xênia Mello – Marcha das Vadias – Advogada
Jean Wyllys – Deputado Federal pelo Psol – RJ
Leonildo José Monteiro – Movimento Nacional da População de Rua

Fala da Neli Gomes – Movimento Negro
Ela foi acadêmica de Sociologia na UFPr através de cotas e atualmente está no doutorado.    É inclusive mãe cujo filhinho de três anos (presente no evento) já sofreu discriminação, inclusive por usar o cabelo estilo afro.    A escola pediu para os pais cortarem o cabelo dele. 
     Fez referência ao Manifesto do Recife em evento de cinema.   O tema era O Negro na TV Pública”.    A população negra é grande no Brasil e na TV o negro aparece em percentual abaixo de 10% no rol de atores na telinha.
     Falou que estudou Sociologia, mas que a Comunicação Social no Brasil em geral estuda a Sociologia baseada mais em autores de fora.   Aborda pouco do nosso meio e nossa cultura.
    Ela disse que episódios de racismo não devem ser vistos como problema dos que são vítimas diretas, mas tem que ser vistos como problema de toda a nossa sociedade.   Se isolar não resolve o problema.  
     Falou do estereótipo no Brasil -  A babá, a ama de leite, preta.   A empregada doméstica e por aí vai.
    
     Fala da Xênia Mello – Movimento das Vadias  -  Advogada
     Os movimentos sociais estão pautados na luta pela superação das opressões sofridas pelas minorias.   Alerta que mesmo dentro de um determinado movimento, há lideranças com visões discordantes sobre formas e meios de ação.
     Ela defende a tentativa de se buscar um Agir na Comunicação pelo Feminismo.  Fala de se chegar a uma mídia comunicativa militante feminista.
     Lembrou que os cargos de decisão (e controle financeiro) na mídia estão nas mãos do homem branco.
     Falou sobre privilégios e exclusão.    Um surdo não costuma ir a eventos, porque não podendo ouvir e não tendo acesso à linguagem de sinais, fica excluído.    
     Ela usa o método de ter o roteiro da fala num caderninho à mão para ficar de forma organizada no tema sem divagação.  É interessante e funcional, parece.
     Em resumo a meta:    Que todas as mulheres sejam livres e respeitadas.



     Fala do Leonildo -  Representante dos Moradores de Rua
          Ele é negro, gay, foi gordo e já usou drogas e morou quase dois anos na rua.   Tem conhecimento na área de enfermagem e trabalha em apoio aos que estão na Situação de Moradores de Rua.     Lembrou do episódio mais trágico em 2004 quando na Praça da Sé em SP houve o assassinato de uma porção de moradores de rua e não se descobriu quem praticou a chacina e não houve punição.
     Disse que em Curitiba tem abrigo para ao redor de 900 moradores de rua, mas a demanda seria ao redor de 4 a 5 mil em situação de morador de rua.     Lembrou que o morador de rua não tem acesso a segurança (dorme na rua), banheiro, alimentação, etc.
     Ele deu um testemunho pessoal dizendo que foi mais bem acolhido no tempo que foi morador de rua, pelos próprios moradores de rua (sem preconceito de cor, de ser homossexual) do que na sua vida social após ter superado a situação de morador de rua.

     Fala do Deputado Federal Jean Wyllys – Psol RJ   (jornalista e ativista)
     A cultura muda no tempo e no espaço.   Diferentes meios de representação.
     Mídia...   oralidade, escrita, representação pictórica, fotografia.
     Os meios de comunicação de massa foram coisas criadas pela humanidade.
     Um pouco da história.      Cultura Judaico-Cristã
     Quando Michelangelo pintou a Capela Sistina ele passou para a narrativa pictórica a que vinha da narrativa oral do povo cristão.     Cultura da dominação masculina, tanto pelo Judaísmo, como Islamismo e Cristianismo.     Patriarcais.
     O homem domina a mulher, tem mais poder.
     O Egito era politeísta e o povo judeu que era monoteísta ficou cativo no Egito por bom tempo.     Depois dos judeus se libertarem do Egito, acabaram caindo sob o jugo dos Romanos, que na época eram politeístas.
     Na fase do Êxodo dos Judeus, ao retornarem do Egito, tiveram que atravessar o deserto com alto risco de vida.    A energia teria sido concentrada para depois, na terra prometida, procriar.    A mulher estaria com a missão de procriar essencialmente.
O prazer no sexo não era levado em conta para a condição feminina.
     O Cristianismo foi “minando” o Império Romano ao ponto de determinado imperador, para continuar a ter o controle sobre o povo, acabou aderindo ao catolicismo e colocando a religião Católica Apostólica Romana como oficial do Império.
     Povos Bárbaros – os que não falavam o latim, que era a língua dos romanos.   Portugal também entra no contexto do catolicismo e do Império Romano.    Assim o colonizador do Brasil trouxe sua visão de mundo para cá e não respeitou as diferentes visões de mundo (culturas, religiões, etc) do povo local.    Destaca que nada disso veio da natureza, mas da ação e das crenças humanas.
     Feudalismo, depois, capitalismo.    Capitalismo com os detentores dos meios de produção e a proletarização dos trabalhadores, etc.    No contexto surgem as correntes políticas, lutas de classes, etc.
     As lutas atuais do feminismo, GLBT, contra o racismo e outras (das minorias) se desdobram das demais lutas.
     Historicamente Jesus foi um grande líder inclusive nas lutas pelas Minorias.   A sociedade excluía leprosos, cegos, coxos, etc.    Ele adotava postura Inclusiva.
     Luta que vem de longe e desemboca na Revolução Francesa, nas democracias, na luta pelos Direitos Humanos.   Indiretamente, na luta do feminismo e das minorias.
     Nessa luta por direitos somos representados pelos meios de comunicação de massa.  A janela que se abriu foi a mídia digital, alternativa, via internet.    A grande mídia apóia o Capitalismo e o hegemônico.   Não apóia os movimentos sociais.
     A sociedade (influenciada pela grande mídia) vê a luta nas ruas como “ameaça à família” no sentido tradicional da família opressora.
     O palestrante lembrou que o que pauta a democracia nos dias atuais é a defesa das minorias.    As minorias são oprimidas e as opressões podem ser cumulativas.   Alguém pode sofrer preconceito cumulativamente por ser pobre, negro, gay por exemplo.
     Ele defende essa Frente de Lutas que não é só do Capitalismo que oprime as minorias.
     Ao final das palestras houve o lançamento do livro Tempo Bom, Tempo Ruim, do palestrante e Deputado Federal Jean Wyllys.      

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