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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Cap. 13/18 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista)

                                             07-09-2026

         O vigário Paula avisou o anfitrião que partiria em dois dias.

         Após a missa, o comissário fez uma reunião reservada só com o vigário e nem o sacristão pode participar.    O povo ficou sabendo que houve a reunião e imaginou que seria algo grave, mas não sabia que era sobre o sumiço do dinheiro para acudir os retirantes.

         Na voz do povo...  “enquanto a Mundica estiver aqui, o povo inteiro repetirá que ela é a senhora do comissário”.

         O vigário depois da reunião contou de forma reservada o caso ao sacristão.   Disse que o comissário acusa a Mundica do roubo e que vai no abarracamento fazer ela confessar e devolver o dinheiro.

         O vigário Paula, que quer prejudicar Mundica, está faceiro e disse que vai para o abarracamento para ver a cena.   Diz:  “Eu é que não perco a festa”.

         Depois dos guardas, por ordem do comissário, revistarem tudo e nada encontrarem, este perguntou a Mundica que estava em pranto, onde estava a latinha com o dinheiro.  Ele antes tinha mostrado a latinha a ela.

         Ela negou saber onde estava o dinheiro.  Disse que não roubou.

         “Bem – bradou ele – dirigindo-se aos guardas – panham-me para fora a chicote esta ladra”.

         A multidão vaiando ela.  Por ordem do comissário, a família dela também foi posta pra fora do abarracamento.  Tinham que tomar algum rumo.

         Eulália perguntou aos retirantes por sua família e avisaram que haviam partido fazia uns quatro dias.

         O cenário da seca.    “A nudez substituira a vegetação, e o verão deixara um rastro negro sobre os lugares outrora cultivados, como se fora uma lápide sobreposta aos mortos plantios”.

         Com parte do dinheiro que ganhou de Virgulino, Eulália contratou um guia.  Eram vinte léguas a percorrer à pé.  (120 km) até Quixadá-CE.

         A tia Ana de Eulália e suas irmãs mais novas estavam sofrendo no trecho.   Chiquinha lembra o caso da família que no aperto pela fome, matou a besta que carregava as cargas para servir de alimento para aplacar a fome.

         Dona Ana lembrou que elas não tinham uma besta.   Chiquinha olhou para o cão fiel companheiro, o Amigo.  O cão abaixou o olhar ao ouvir seu nome.

         ...”É uma necessidade, exclamou Chiquinha, enxugando as lágrimas.

 - Não é verdade, Amigo?    ... O cão soltou um latido festivo.    “Dir-se-ia que neste movimento o Amigo fazia um oferecimento da sua vida à família e que lhes suplicava até a honra desse holocausto”.

         ... a sobrinha menor, de quatro anos acorda.     – “Não posso mais, eu morro de fome”.

         Chiquinha amarrou uma corda no pescoço  do cão e pendurou ele na casa abandonada e logo ele estava morto por enforcamento.   O jeito foi matar a fome com a carne do cão Amigo.

         Eulália e seu guia chegam perto de uma casa abandonada e decidiram tentar o pouso no local.   O guia foi até a casa e lá encontrou Mundica e a família dela derrotada pela fome.

         O guia reconheceu Mundica e pela miséria, percebeu que ela não tinha roubado o dinheiro do socorro aos retirantes.    Ela falou para o guia, ao retornar ao povoado, para ele explicar isso para o povo.

         O guia recomendou a Eulália para não chegar à casa por saber do ódio de Mundica por ela.   Mas Eulália por compaixão, pediu ao guia par dividir ao meio o que tinham para poder socorrer a família de Mundica.  

         Mundica responde ao guia de Eulália, chamando-a de camborça e recusa com veemência ajuda dela.

         Mundica achava que o dinheiro de Eulália teria sido dado pelo vigário Paula, ex amante dela e daí o ódio.    Não imaginava que o dinheiro veio pela gratidão de Virgulino que era do bando dos Viriatos mas que no passado foi amparado na fome pela caridade do professor, pai de Eulália.

         Mundica conversando com a irmã Amélia diz que ao chegarem em Quixadá, por vingança ela vai denunciar Eulália para ela explicar onde conseguiu o dinheiro para essa caminhada com provisões e guia.

 

                            Segue no capítulo 14/18

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cap.12/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - original de 1879

                                                      04-09-2026

         Inácio da venda poderia ser atacado pelo bando do Pedro ou se o povo soubesse que ele tinha relação com o bando dos Viriatos, seria desmoralizado pelo seu povo.

         Diante disso tudo, o bando dos Viriatos decidiu que a venda do Inácio tem que desaparecer dali e que ele poderia mais tarde voltar a ter uma venda em outro povoado onde ele fosse desconhecido.

         O bando dos Viriatos decidiu que iria tentar liquidar com o bando do Pedro que levou uma surra por ter desviado produtos de saque quando estava no bando dos Viriatos.   Pedro declarou guerra ao bando antigo.

         Os erros do Pedro incluíam o desvio de parte dos saques e depois se descobriu que foi ele quem atacou Eulália na estrada como retirante.

         “Mais de sessenta companheiros do bando dos Viriatos seguiram com Pedro e declararam guerra ao bando rival”.

         Inácio recebeu a visita de um emissário do bando de Pedro.  Depois o chefe do bando dos Viriatos, ao saber disso, alertou Inácio:

         - “Eu não o poupava.  Quem ao inimigo poupa, nas mãos lhe morre.  Cabia-lhe bem um tiro nas costelas”.

         O emissário foi amarrado e ficou prisioneiro do Inácio.  Depois de muita prosa, Inácio serviu a ele um jantar, só que adicionou veneno que logo matou o emissário de Pedro.

         Virgulino tratando na Venda de Inácio os preparativos para partir e como ficaria a situação de Inácio que estaria na mira do grupo de Pedro.

         Virgulino acertou que levaria Eulália, sua protegida porque a família dela no passado ajudou a família dele quando era retirante.  Questão de gratidão.

         Eulália estava fora da vista dos que conversavam mas ouviu a prosa.  Apesar dos riscos, estava contente por partir em breve.   Assim foi, partiu Virgulino a cavalo com Eulália na garupa.

         ...”estou pronto a servi-la até a morte”.

     Virgulino diz para Eulália que todos viram as costas para o retirante necessitado e o desespero muitas vezes leva o pai de família a entrar no mundo do crime para sobreviver.

         Ao fim, na despedida, ele completa...  “diga aos meus filhos, se algum dia os vir, que o seu pai comete crimes, porém nem por isso deixa de ser agradecido a quem teve piedade dele”.

         Ao se despedir, Virgulino deu uma bolsinha com moedas de alto valor para Eulália poder sobreviver na caminhada.

         Naquela situação de retirante “deixar a esmola de Virgulino era o mesmo que se suicidar”.  Era fome e risco de vida por todo lado.

         No abarracamento à noite, o povo retirante dormia e Mundica ficava lá.  Tarde da noite, com um agente do comissário, ela ia até a casa do amante comissário.   Voltava com a mesma escolta antes de clarear o dia.

         Numa noite foram seguidos pelo vigário Paula que queria se vingar de Mundica, sua ex amante.   Ele entrou escondido na casa do comissário e roubou a lata com o dinheiro que era para atender os retirantes.  A culpa iria para Mundica que tinha naquela noite visto a lata e soube que era dinheiro para atender os retirantes.

         O vigário Paula escondido  tinha escutado a prosa do casal e ficou sabendo da lata com o dinheiro e roubou para ficar ela como praticante do crime.  Assim ele punia a ex amante.

         O vigário Paula depois disso avisou o colega que o hospedava, que dali a dois dias iria partir para outro povoado.   O anfitrião, de boa fé, lhe cedeu um cavalo e um ajudante para a caminhada.

 

                            Continua no capítulo 13/18

sábado, 29 de agosto de 2026

Cap.11/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO - (abolicionista) - escrito em 1879

   

         Depois da briga por causa da disputa da água e o ódio da Mundica por dona Ana, tia da rival dela pelo vigário, dona Ana resolveu abandonar o grupo.

         ...”Na manhã seguinte... deixaram o pouso insultadas e indefesas”.

         Capítulo VI        Mundica ficou famosa pelos barracos que aprontou na caminhada.  Ela já tinha até um novo caso.  Era amante do comissário local.   A fama dela despertou a curiosidade inclusive do vigário local.   Este pediu para o comissário lhe apresentar Mundica.

         Na prosa ela diz:   - “Contam sempre demais, senhor vigário; deve-se sempre partir ao meio o que se ouve”.

         O vigário em companhia do comissário ao visitar Mundica, conheceu a família dela que tinha inclusive uma irmã mais nova, também bonita, que causou interesse do vigário local.  Era a Amelinha.

         ... “É uma família de formosuras – ponderou judiciosamente o vigário...”

         O vigário pergunta ao comissário se Amelinha também já era mulher.

         ... “não sei, o que me parece é que ela não é, porque não pôde; porém mais dia menos dia...”

          - “É; em tempos de calamidade, é muito difícil que a pobreza possa conservar-se pura”.

         “Quando a necessidade bate pela porta da frente a virtude sai pelos fundos”.  ...

         “De brio eram, a Dona Ana e a tal Chiquinha e essas morrerão à fome antes que cedam a honra”.

         ...   falas do comissário com o vigário.   “É verdade que, de uma hora para outra, muda-se tudo, e a Chiquinha não deixa de ser bonita”.   Boa noite.

         Um retirante bate à porta do vigário Belmiro, se dizendo vigário também e pedindo pouso.   Para provar que é vigário, apresentou uma carta de recomendação.    Teve tratamento bom, com galinha ensopada no jantar.

         Milho agora deixou de ser só ração de animais e passou a ser alimento quase único para os retirantes.

         O vigário local serviu até vinho do Porto para o seu colega.

         E ele sabia do caso entre Mundica e o vigário visitante.

         Sobre o peso de consciência do vigário Paula.    ...”e a imaginação, tremendo juiz que não dorme, que não se suborna, desdobrava-lhe quadros medonhos como resposta”.

         ... uma mãe faminta na caminhada.    “deitava nos lábios da criança o seio nu, mas este estava mais árido do que um rochedo, e o quadro era triste, porque era a esterilidade amamentando um esqueleto”.

         O vigário Paula tinha vontade de se vingar de Mundica, sua ex amante e esta por sua vez tinha vontade de se vingar de Eulália por quem o vigário era apaixonado.

         O Onça do bando dos Viriatos chega do Crato e traz más notícias do bando.   O Pedro, que era bem complicado e queria formar seu próprio bando, foi pego desviando objetos saqueados pelo bando no Crato.   Apanhou do bando e se descobriu que ele foi quem atacou Eulália na estrada, ela que era protegida pelo seu bando.  Uma traição.

         Pedro foi expulso, criou o seu bando e jurou vingança aos Viriatos.   Poderia ser por meio de ataque armado ao bando ou por denúncia à justiça.  Seria um estrago para os Viriatos.

         Para o vendeiro Inácio que tinha passado honrado e por pressão do bando recebeu dinheiro para ficar sendo dono de fachada do local sob o controle do bando dos Viriatos, a situação complicou.   O bando determinou que ele tinha que fechar a venda e sumir para outro povoado e lá abrir novo negócio.

                   Continua no capítulo 12/18 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Cap. 10/18 - fichamento do vol 2 do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - baseado em 1879

capítulo 10/18

 

         A mulher da venda do Inácio que cuidava de Eulália perguntou se ela tinha alguém que poderia ajudá-la.   Eulalia diz que não e que tem vergonha por ter engravidado do vigário.

         - “Prefiro morrer a causar-lhes mais tormentos, para mortificar-me e entristecê-los já fiz o bastante: deixei-lhes a lembrança de minha vergonha”.

         Ana quer já no dia seguinte à chegada na venda do Inácio, partir sem saber que Eulália, sua sobrinha, estava em recuperação no mesmo local.

         Inácio não recomenda a partida, dizendo que são cinquenta quilômetros a distância (oito léguas) para o próximo povoado e tem muitos riscos.

         ... “pode algum desalmado atrever-se e as senhoras não tem um homem para defendê-las”.     Ana diz:   Precisamos chegar no Ceará – lá teremos abrigo.

         Na partida delas, Inácio entregou na mão da criança as joias que tinha recebido em pagamento da comida sem que Ana percebesse.

         A mulher e filhos do Virgulino estavam em posição mais adiante na caminhada que Ana iria fazer.

         Consta que o povo sem comida, chupava o fruto da “croatá”(mesmo que caraguatá), que seria uma planta da família do abacaxi e que causava inchaço nas pessoas se fosse consumida em excesso.

         Urubus no trecho da caminhada.  Num local, estavam se alimentando da carcaça de uma pessoa ao relento da estrada.   Causou pavor nos caminhantes.

         Os caminhantes já no escurecer, procuram alguma árvore para se abrigar à noite.    No abrigo debaixo da árvore, uma maçaranduba, entre tantas pessoas adultas e crianças, uma criança que só chorava pela fome.    A mãe ao lado desmaiada e a outra criança maior um pouco, tentando fazer a menor mamar na mãe desmaiada.

         Souberam que o pai dessas crianças tinha morrido no trecho e era a carcaça que os urubus estavam devorando.

         A mulher de Virgulino acudiu a criança que perdeu a mãe e por estar também amamentando, passou a dividir a amamentação com a criança que perdeu a mãe.    E resolveu não seguir o grupo e esperar que passasse por ali alguém que pudesse acudir nessa situação de ter mais uma criança para cuidar e alimentar.

         Na calada da noite uma velhinha que estava abrigada debaixo da árvore se levantou escondida e foi na rede, retirou as duas órfãs e levou para um local escondido e sufocou ambas nos panos que levou.   Depois trouxe-as já mortas e colocou de novo na rede.

         A mulher de Virgulino que estava cuidando das órfãs ficou indignada. Quando ela viu que as crianças estavam mortas, deu o alarme de que alguém as matou por asfixia.

         Todos se vigiavam para ter a parte que lhes cabia, incluindo o acesso à água.   Tudo bem racionado e dois guardas com chicotes controlando os retirantes.

         Mundica, a amante do vigário, ficava perturbando as retirantes e vigiando para tretar com as pessoas.   Um dia ela se atracou com uma senhora que dividia sua pouca porção de água com as crianças que choravam de sede.

         Os guardas pagos para manter a ordem no grupo, usavam chicotes para bater em casos de desentendimentos.

         Eles deram razão a Mundica numa briga dela fora da razão, porque sabiam que ela tinha influência com o vigário que era um dos que controlavam a ajuda do governo para os retirantes e pagavam os guardas.

         Dona Ana, irmã do falecido professor Queiroz, seguia no grupo com as duas sobrinhas e o cão Amigo.

                   Continua no capítulo 11/18 


um exemplar da planta caraguatá citada neste capítulo.    Conheço essa planta.

sábado, 22 de agosto de 2026

Cap. 9/16 - fichamento do vol II do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - escrito em 1879

Volume 2 – cap. 9/16                 Capítulo I

         “Em outubro de 1877 a improbidade ostentava-se já na província... e havia comissários do governo que podiam zombar da calamidade...”

         Sem ajuda do governo “A fome deu alarma nas cidades, vilas e povoados...”

         ... o povo fluiu para o litoral onde fica a sede da província – Fortaleza.

         O alvo do povo era chegar até a capital onde está a sede do governo.

         O povoado de B.V. (palco deste romance) segue rumo à capital e o trajeto passa por Quixeramobim, Quixadá, Baturité e depois se chega a Fortaleza.

         Nessa leva de retirantes, era frequente o ataque do bando de Viriato.

         No trecho, a venda  do velho Inácio prosperava a olhos vistos e não era atacada pelo bando dos Viriatos.

         Os do bando falando sobre os riscos e a morte.     “O homem que tem o ofício de roubar, não corre maior perigo do que a morte.   Em que ele é diferente dos outros?”.

         Sobre o bando dos Viriatos, o integrante do bando diz:  

         “Eu fui chama-los para dar-lhes com que alimentar a suas famílias; tomamos dos que tem e não querem dar aos que morrem de fome”.

         ... Sobre a venda de Inácio que o bando não saqueia e mesmo se alimenta e pousa lá.    Diz Inácio a um dos integrantes do bando:

         - “Se houver alguma coisa descobre-se logo que esta venda não é minha.   Já se murmura por vê-la assim”.

         Um do bando, o Diabrete, vem avisar o Onça que vem aí uma mulher sozinha.   Bem asseada.   Onça diz – deixe-a passar em paz”.

         Os do bando usavam uma máscara de couro para não serem reconhecidos.

         Ofereceram pouso para Eulália na casa  de Inácio da Venda por conta do bando.    Os do bando conheciam o povo do povoado e sabia que ela era de família que amparava os desvalidos.

         Virgulino, o chefe do bando, conversou com Eulália e reconheceu ela.  Conhecia os acontecimentos no povoado dela.

         No outro dia cedo Eulália ia partir e Virgulino alertou do perigo.  Ela insistiu.   A família dela tinha dado abrigo aos retirantes e amigos de Virgulino no passado e agora ele queria ajuda-la.

         -“Não tente disfarçar – disse Virgulino – é a morte o que a senhora deseja, para ocultar o seu erro, mas a senhora não pode matar seu filho”.

         -“Nem quero – exclamou a infeliz – Quero salva-lo porque tenho sofrido muito”.

         Um do bando falando a outro sobre a vontade de partir deste lugar feio.

         “Eu quero partir daqui, porque este lugar é mais feio que um olhar de cascavel”...

         Virgulino e um companheiro partiram para tentar alcançar Eulália.  Andaram muito e em certo ponto viram sinais de que alguém foi arrastado da estrada para o mato.   Seguiram o rasto e encontraram ela desmaiada e ferida por ter sido atacada e violentada por alguém.

         Virgulino colocou ela no ombro e a trouxe desmaiada até a Venda para que ela fosse reanimada.

         Nesse grupinho que faz parte do bando dos Viriatos, tem o Virgulino, seu filho Onça e o Diabrete.

         A senha para os diferentes grupos do bando dos Viriatos se reconhecerem era:   “Vivo, luto e venço”.

         A ordem ao grupo:   seguirem para Icó-CE.    Assim fizeram e deixaram Eulália aos cuidados da mulher de Inácio e a garantia de que manteriam o custo disso por conta deles.

         Chegaram uma velha e duas mocinhas até a venda.   Vinham do vilarejo de Eulália.   Pediram comida a troco de algumas joias delas.   Inácio propôs a troca por uma porção módica de bolachas para matar a fome.    Depois o da venda ficou sabendo que a velha era a irmã do Professor Queiroz que tinha morrido e as mocinhas eram as filhas dele, portanto, irmãs mais novas de Eulália.    Elas não se encontraram com Eulália e logo partiram.

         Eulália, quando se restabeleceu do trauma, queria seguir estrada e a família de Inácio não deixou.   Tinha ordem do bando para reter ela ali e o bando pagaria a conta.

 

                            Continua no capítulo 10/18

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cap.8/8 do volume 1. Fichamento do livro OS RETIRANTES - José do Patrocínio (Abolicionista) livro de 1879

 

         O sacristão em conversa com o vigário.  Diz que o povo local percebe que a “doença” de Eulália vai acabar dentro dos nove meses.   O vigário ficou indignado.   Mas é o que o povo local percebe.    .... “É, fala-se muito neste lugar, senhor vigário:  mas neste caso basta a gente ter olhos e ouvidos”.

         Eulália foi conversar com o vigário para tentar entender seus males e o azedume da tia dela.    Era a gravidez dela o problema.

        ...    O vigário... “Amo-te  ... mais que nunca...

         Mas quero compartir teu sofrimento, amargurar-me na mesma angústia, porque o dia em que todos saberão do teu erro e do meu crime está próximo, Eulália, muito próximo!”

         “- Vou então ser mãe?    .... quanta desgraça, santo Deus!”

         O vigário indica como uma saída para ele no caso, pedindo para Eulália matar a criança.    Ela responde indignada:  “Nunca! Nunca!  ... não cometerei mais este crime.   E saberei defender meu filho contra todos”.

         Ela cogita mudar do povoado.

         “Doida, não vê que a tua ausência não basta para salvar a minha honra?

Ela retruca:   -       E importou o senhor com a minha?    ... não quero ser a assassina do meu próprio filho.   Deixe-me passar...   ... ficou perplexo a ver a jovem afastar-se apressada e altiva”.

         Eulália em casa pega o canivete do crime e no qual há gravado no cabo o nome do vigário Paula.

         Um tropeiro que chega traz notícia de que o Imperador não vai mais mandar ajuda para os retirantes da região.  Isto por conta de falcatruas de pessoas que eram encarregadas de distribuir os socorros aos flagelados.

         E o tropeiro recebe a novidade da barriga de Eulália e sobre a parte do vigário no caso.

         Mundica (Raimunda), filha do sacristão e amante do vigário pede para ele fazer com que Eulália deixe o povoado.   Ele diz que isso é difícil.

         Mundica ameaça o vigário dizendo que se ele não fazer Eulália deixar o povoado, ela espalha para todos que ele é o pai da criança de Eulália.

         “E eu – respondeu o vigário contrariado – hei de reduzir vocês a não ter o que comer, percebeu?”

         O pai de Mundica diz à filha que acha que o vigário, sabendo que não vem mais ajuda aos retirantes, pode ir embora com Eulália.

         Dona Antonia, empregada da casa de  Eulália, espiou na noite e viu o crime do vigário.   Resolveu agora ir pedir pouso na casa do sacristão e contou do crime.    Ela colocou o vigário numa situação complicada.

         Os retirantes famintos se juntaram em frente à casa de Antão e tentavam arrebentar a porta em busca de alimentos para aplacar a fome.

         O vigário mandou bater o sino da igreja e foi lá dispersar a multidão com argumentos sagrados.

         Descobertos os erros e o crime do vigário, o povo foi até a igreja para escorraçá-lo.    Ele se escondeu num compartimento atrás do altar.

         Altas horas da noite, saiu e foi se juntar aos retirantes no engenho.   Foi lá na verdade buscar a proteção dos retirantes que até então recebiam uma migalha de ajuda do povoado e da província.

         Disse ao povo loca que o que tinham contra ele era calúnia.    “É uma falsidade, juro-o à face de Deus – exclamou o vigário...”

         ... eu serei vingado pelo castigo do céu sobre os que não correrem em minha defesa”.

         O vigário tentou jogar os retirantes contra os poderosos do povoado.  Veio a resposta:   - “Não podemos tirar-lhes isto; Deus é mais poderoso para com eles”.

         O vigário fez um discurso para as mulheres e as crianças.  Aí conseguiu o que queria.  Se vingar dos graúdos do povoado.

         ...”a grande massa de andrajosos gritou por uma só voz:   -  “Ao povoado!”.      O vigário orientou...    “a cerca do cemitério fica em caminho, os seus mourões servirão para arrombar as portas”.

         No meio do conflito e do sangue, o vigário pegou um cavalo e saiu a galope em fuga.   Ao passar perto do cemitério, o louco que perdeu a filha por causa da gravidez com o vigário, cercou-o e este caiu do cavalo e entraram em luta.

         Houve no povoado o saque, muitas mortes e feridos de ambos os lados e os feridos abandonaram o povoado em peso.   Os retirantes também depois disso abandonaram o engenho.

 

         Fim deste volume 1.       Continua no volume dois que terá capítulos a seguir.      Gratidão aos que tem acompanhado a leitura.      18-08-2026

domingo, 16 de agosto de 2026

Cap. 7/8 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - original de 1879

 - 

         O vigário visita Eulália e fica sabendo que ela viu a cena à noite quando o Feitosa estava encontrando escondido com Irena, sua amiga.   Ele ficou em polvorosa.

         O pai de Eulália falando com o vigário (sem saber que ele é o criminoso).

         - “Acima da fatalidade está Deus, e eu não sei o que me diz que há uma testemunha do crime”.

         Na conversa entre o professor e o vigário, foi dito que o professor chegou a desconfiar do vigário no caso.

         O vigário falando com Eulália e recordando os quinze anos desde que a conheceu menina e lhe afagava e que ao passar do tempo isso se transformou para ele em paixão proibida.

         O desprezo dela para com o vigário...  “Ele, falando para ela...  “Eu descendo aos poucos aos meus próprios olhos, abismando-me cada vez mais na tristeza...   e de queda em queda passei do ciúme à desesperança, da desesperança ao crime”.

         O vigário pensou que Eulália amava o Feitosa que era o amor da sua amiga Irena.

         Eulália – “Que amor? – O seu amor por Feitosa.

         -É falso! – afirmou Eulália soluçando – Eu não amo Feitosa, nunca o amei!

         ...se o amasse eu teria lhe entregado a prova do crime.

         - Que prova?

         - O canivete-punhal (que ela sabia que era do vigário).

         Na venda do inspetor Antão, uns e outros vinham para beber cachaça e cantar desafios.

         “No dia 12 de junho um novo assunto serviu de pasto à conversa dos cantadores de desafio e a todo o povoado:  a doença incurável do Professor Queiroz.

         Queiroz moribundo faz um pedido ao vigário:

         “- Não abandone a minha desgraçada família.  Jure-me que não a abandonará.

         - Juro, meu amigo, mas nem precisava jurar, é o meu dever”.

         Queiroz morreu.  Eulália desolada.   O vigário:  “- Tenha paciência – murmurou ele procurando consolar a moça: - não ficou de todo só, creia.”

         Durante a  noite do velório, o vigário esperou o momento de ficar só ele e Eulália na sala velando o defunto e veio declarar a Eulália:

         ...”Esses olhos que são meus... que serão meus... para sempre!”

         - “Deixe-me por piedade – murmurou a desventurada tentando em vão desvencilhar-se”.

         - “O Cristo, com a cabeça descaída, parecia chorar por tão monstruosa infâmia”.

         Eulália, aos pés do defunto chorando.

         - “Meu pai! Meu santo pai! Por que não morri eu contigo!”

         O dia começando a raiar e o vigário chama Eulália para ver a beleza do momento.    “Venha ver  como o céu está bonito, Eulália, venha!

         Ela responde com um choro mais forte.

         ...

         O sacristão Mariano conversando com o vigário e desconfiando que a filha do defunto corria risco ao ficar sob a proteção dele.   O vigário ficou muito bravo inclusive porque o sacristão disse que o vigário abusava da filha dele porque ele era pobre e indefeso.   Na ira, o vigário destempera:

         - “Você até enxovalha a igreja... se eu não tivesse pena das suas filhas, hoje mesmo o despedia.  Miserável!

         Marciano, o sacristão, depois do bate boca com o vigário toma a decisão de partir para o Ceará e vai tentar achar Rogério Monte que é o suspeito do crime contra o Feitosa e havia um prêmio alto em dinheiro por informações do suposto criminoso.

         Ao saber da decisão do marido, a mulher do sacristão diz:    - “Como fazer essa viagem, Marciano?...   Era o mesmo que nos condenar a morrer de fome...

         Continua no capítulo 8/8 (final do volume 1)