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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Cap.19/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)

 capítulo 19/20                                    08-07-2026

 

         No projeto original do Novo Centro haveria uma visão mais abrangente da forma de ocupação daquela área nobre e cara.    A pressão do setor imobiliário acabou por se impor e saiu um adensamento de construções convencionais com ampla proliferação de edifícios perfilados.

         (aqui como leitor que residi por dez anos em Maringá – 2001/2010 – me lembro até de uma tirinha no Jornal O Diário, de autoria do saudoso cartunista Lukas.   Pela proximidade entre os prédios no Novo Centro, ele desenhou duas donas de casa, uma emprestando uma xícara de açúcar pela janela com a vizinha do prédio ao lado).

     O prefeito sucessor do Ricardo Barros foi eleito com 50,2% dos votos válidos enquanto o candidato apoiado pelo Ricardo ficou em terceiro lugar com pífios 6,71% dos votos.    ( página 263)

         A Carvanalização da Política

         O autor usa um conceito expresso pelo Antropólogo Roberto da Matta (em obra de 1986) sobre a estrutura da festa das inaugurações pelos grevistas.

         Em resumo, as festas “convencionais” em público há palco para os graúdos, dentre eles, os políticos e de outro lado, o povão fica na plateia para aplaudir.    Já no carnaval, se quebra essa regra.

         No carnaval “a regra é liberar as fantasias.   Em sentido restrito, fantasia é roupa: em sentido amplo, é sonho que se vive nessa extraordinária temporalidade”.

         O autor aqui relembra que os servidores públicos se arvoraram no direito de em passeata ir aos locais das obras públicas e inaugurá-las como sujeitos das ações, num paralelo com o conceito de Roberto da Matta.

         É usual em inauguração de obras públicas haver disputa de “paternidade da obra”, de quem diz que fez a obra.

         No rito do enterro simbólico do prefeito Ricardo Barros em 31-12-1992, último dia do mandato dele, houve concentração de grevistas na praça ao lado da prefeitura; um caixão de verdade, vazio, emprestado de uma funerária foi conduzido pela multidão até o cemitério onde foi depositado numa cova aberta e coberta com terra.    Depois de completado o ato simbólico, retiraram o caixão, deram um trato nele e devolveram à funerária.

         Considerações finais deste capítulo

     Toda a trajetória da greve de 1992 dos servidores públicos locais...”O plano simbólico sobrepôs-se à expectativa de ganhos materiais” aos grevistas.

         Como escreve em 1986 o Antropólogo Roberto da Matta:   “o momento da fantasia carnavalesca é aquele em que se vive um sonho acordado, em que se passa da condição de ninguém para a condição de alguém”.

         “No contexto das inaugurações, significava converter-se em sujeito da celebração e da produção daquilo que se celebrava”.

         Capítulo 8   A Trajetória do PT em Maringá:  da fundação à conquista da prefeitura.

          29-10-2000, José Claudio Pereira Neto, do PT, foi eleito prefeito com 70% dos votos.

         Trajetória do PT local.

         Começa no início dos anos oitenta e chega ao poder no ano 2000.    ...

“Isso supõe o exame de sua intervenção e na organização social e a interface com sua progressão nas urnas”.

         A presença da esquerda em Maringá.   (página 274)

         “O primeiro diretório do PT em Maringá foi em 1981”.   ...

         Colonização do Norte do Paraná e Expansão da população em todo o estado entre 1940 e 1960:

         1940 -  O Paraná tinha 1.236.276 habitantes

         1960 – O Paraná tinha 4.277.763 habitantes.

         Após o Estado Novo que foi uma ditadura e em 1946 o Brasil conquistou nesse ano seu status democrático.  Teve inclusive uma nova constituição em 1946.  Havia pluripartidarismo.

         Maringá fundado em 1947 teve um tempo de vivência democrática até 1964 quando houve o golpe militar.

         Maringá teve sua primeira eleição para prefeito em 1952 e houve sucessivas alternâncias de partidos vencedores até 1960.   Em 1952 ganhou o PTB; em 1956 foi o PSP (Partido Social Progressista); em 1960 o PSD Partido Social Democrático.

         Por outro lado, há vestígios de ações do PCB em Maringá desde a fundação do município.   Resta fazer mais estudos e levantar documentos.

         A esquerda na região atuando na organização dos trabalhadores rurais e urbanos e o Bispo Dom Jaime Luiz Coelho criando a FAP Frente Agrária Paranaense  “com objetivo de oferecer uma alternativa organizativa e proteger os católicos do perigo vermelho”.

         Década de 1970, geada forte em 1975, dizimou a cafeicultura do Paraná.   Muita gente migrou para as cidades e muitos agricultores migraram para o Centro Oeste do Brasil com foco no Mato Grosso e Rondônia.

         Em 1975 houve a Operação Marumbi, da repressão política que prendeu ativistas de esquerda inclusive em Maringá e região.

 

                                      Continua no capítulo final 20/20

domingo, 5 de julho de 2026

Cap.18/20 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS - (UEM)

capítulo  18/20                julho de 2026

 

         Capítulo da história de uma relação conflituosa

         O sindicato dos servidores, SISMMAR, foi inaugurado na época (1988) do início do mandato do Ricardo Barros.    O sindicato se filiou à CUT Central Única dos Trabalhadores.

         No nível nacional a CUT era “um dos principais polos de resistência à perspectiva de privatização dos serviços públicos”.

         Antes de 1988, por conta da ditadura, servidor público não podia ter sindicato.   Foi a Constituição de 1988 que trouxe esse direito aos servidores públicos.

         Slogan da diretoria do SISMMAR – “independência e luta”.

         ... “uma análise do discurso da administração municipal revela que o sindicato era representado como um braço político de forças que tendiam a desqualifica-la.    A CUT, por exemplo, era reiteradamente identificada como um partido político.   A distância de horizontes evidenciou-se pela relação conflituosa que se estabeleceu”.

         Período de inflação alta e perdas salariais, 1989/1990/1991, houve greves dos servidores públicos municipais.

         Atrasos nos pagamentos dos servidores em 1992.   O sindicato adotou um cartaz em praça pública com os dizeres:   Estamos com X dias de atraso no recebimento do salário.      Atraso de salários e greves em consequência.

         O jornal Diário do Norte do PR e a notícia com termo pesado:   “servidores invadem prefeitura pelo 13º salário”.  (em 1992)

         Greve com ocupação inclusive do entorno do gabinete do prefeito.   Nessa ocasião,  o prefeito escapou pulando a janela do prédio da prefeitura para fugir dos grevistas.     (página 250)

         Capítulo – Quem construiu o Novo Centro?

         O autor cita o poema de Bertolt Brecht “Perguntas de um trabalhador que lê” – escreveu:   “Quem construiu Tebas de Sete Portas?.   Nos livros estão os nomes de reis.  Arrastaram eles os blocos de pedra...?”

         Parafraseando o poema, em relação às obras do Novo Centro.  Quem construiu o Projeto foi o prefeito ou foram os trabalhadores?...     ... pois no caso os trabalhadores inclusive, além de construir, inauguraram a obra...

         A Administração pública colocava seguidas matérias em jornais sobre sua atuação.   Destaca que as obras viárias do Novo Centro seriam “obras esperadas por quarenta anos...  

         Só que no caso, quarenta anos era praticamente a idade do município, o que era um exagero do gestor.

         “A definição do traçado da linha férrea serviu de baliza para a companhia colonizadora elaborar, em meados da década de 40, o plano urbanístico de Maringá.”   (Luz, 1997).    “A estação ferroviária era a referência para o estabelecimento do eixo monumental, que se estendia, em uma linha perpendicular à ferrovia até a área destinada ao Centro Cívico”.

         (página 258  do livro)

         (Por isso que temos no espigão o chamado Maringá Velho com o Fim da Picada.   Era anterior à ferrovia e esta “trouxe” o centro para o local atual ao lado da estação do trem que depois deixou de existir)

         Só em 1954 é que os trens começaram a operar em Maringá.  

         O Código de Posturas de Maringá é de 1953.   E na parte viária urbana cita...   “Entre outras coisas o Código proibia amansar animais bravios e correr em disparada pelas ruas e povoações com cavalos”.

         A cidade cresceu bastante e rápido e não demorou para as manobras dos trens passarem a prejudicar o trânsito.

         Em1967 Maringá fez um Plano Diretor e este já cogitava de fazer obras para contornar a questão dos trens na zona urbana.

         Em 1976 o prefeito João Paulino, ainda na fase de candidato,  propôs a) – a retirada do pátio de manobra da ferrovia e a estação de carga e descarga para o novo pátio em área próxima de Paiçandu-PR; b) – rebaixamento do leito ferroviário na região do Novo Centro”.

         Já o prefeito Said Ferreira (1983-1988) encomendou o chamado “Projeto Ágora” para o Novo Centro ao Arquiteto Oscar Niemayer.    O projeto do Niemayer está resumido no livro – página 260.

         A prefeitura criou uma empresa pública para urbanização, a URBAMAR em lei de 1985.    A missão da Urbamar seria viabilizar as obras do Novo Centro.   Angariar recursos, delinear os projetos e tirar as obras do papel.

         Continua no capítulo 19/20 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Cap. 17/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

 capítulo 17/20

 

         ...”Caso se tratava de prestação de serviços, essa medida dependia apenas da não renovação do contrato com as empresas na gestão das escolas”.

         O grupo político que fazia oposição à gestão liberal ganhou a eleição com 2/3 dos votos.   Eleita a coligação tendo à frente o PMDB com Said Ferreira prefeito.

         A pá de cal nessa privatização veio ainda no mandato do prefeito Ricardo Barros, quando a justiça em duas instâncias decidiu para que fosse encerrado o sistema das chamadas “escolas cooperativas” nos moldes já citados.

         No despacho da justiça, o sistema “feria a tradição e a Constituição Federal”.

         Crepúsculo do governo liberal local.  Dezembro, pagamentos atrasados aos servidores e estes em greve.   Ocupação da prefeitura...

         “Para se esquivar do choque com os grevistas, o prefeito Ricardo Barros chegou a evadir-se por uma janela da prefeitura que não estava controlada pelos grevistas”.   (página 233 do livro).

         Nessa, o prefeito que esperava inaugurar obras de forma pomposa no fim da administração não teve essa chance.   As obras foram inauguradas pelos servidores, sem pompa.    A nova administração pôs fim às privatizações do governo liberal.

         Capítulo – “Muito além da propaganda”

         Os estudos feitos pela Secretaria Municipal da Educação provaram que a privatização só trouxe resultados negativos incluindo elevação de custos, degradação de patrimônio público, ações trabalhistas, maior evasão escolar e menor índice de aprovação de alunos.

         Considerações Finais deste capítulo

         Os tumultos dessa administração trouxeram de positivo, o maior grau de interesse da população para debater a coisa pública.   “Foi alterada a qualidade do processo eleitoral, normalmente marcada por promessas de obras e não pelos debates de modelo de gestão”.

         ...”a sociedade civil foi desafiada a mostrar não apenas sua capacidade de elaboração intelectual, mas de influenciar nos rumos da sociedade política”.

         ...”percebe-se como o neoliberalismo é herdeiro do liberalismo clássico.  Em um caso e no outro, constata-se a aversão às ações coletivas das organizações populares e a imposição de políticas em nome do mercado”.   (texto do autor e negrito do leitor).

         ...”Não houve, pois, gestão pública não estatal, mas gestão privada do bem público”  - no caso das escolas.

         A gestão pública pode requerer reformas...   “O grande desafio é matizar que reforma é exigida pela realidade e verificar qual é a maneira de contemplar melhor o interesse público”.

         Capítulo 7 – A carnavalização da política na inauguração do Novo Centro

         Preâmbulo

         O que veio a se chamar Novo Centro era um grande espaço vazio no centro de Maringá onde antes era ocupado pelos trilhos da ferrovia e os pátios da estação.

         Obra viária pronta, mas os servidores em greve, inclusive com a ocupação da prefeitura que estava com atraso nos salários dos servidores.

         O prefeito não conseguiu dar as caras na inauguração.   Esta que foi feita pelos grevistas e o sindicato deles.   Isto em dezembro de 1992.

         ...”a cerimônia combinou humor, teatro e protesto, efetivando um evento, se não inédito, pouco usual na vida do País”.

         No dia 31-12-1992, dia do encerramento do mandato do Ricardo Barros, os servidores em greve – com salários atrasados – fizeram o enterro simbólico dele em passeata até o cemitério.     (página 242)

         Uma avenida a ser inaugurada estava prevista para levar o nome de Silvio Barros, que foi prefeito no passado e era o pai do Ricardo Barros.   Os servidores mudaram o nome da avenida e chegaram a colocar placa com o nome de Antonio Tortato que era um servidor público falecido recentemente.

(suponho que essa avenida depois passou oficialmente a se chamar Avenida Horário Raccanello, que foi Advogado inclusive dos sindicatos locais)

        

         Continua no capítulo  18/20

domingo, 28 de junho de 2026

Cap.16/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ - PR) - Autor REGINALDO BENEDITO DIAS

 capítulo 16/20

 

         Nessa época (1989) o PT local propunha o transporte público municipal e não por concessionária.

         A prefeitura trouxe a proposta de passe integrado dos ônibus urbanos da cidade.

         Em 1989, privatizada em Maringá a coleta e destinação do lixo como primeira ação de privatização local.    A gestão municipal dizia que o serviço privatizado seria de melhor qualidade e mais barato.

         “Na perspectiva de resistência ao projeto de privatização, foi constituído...   o Fórum Maringaense de Defesa do Patrimônio Público em 1989.

         O Fórum apresentava estudos e argumentos que se contrapunham ao discurso do prefeito que era da linha Liberal.

         ...Fórum que  “lembrava a natureza social do serviço, que deveria, por sua essencialidade ser gerido diretamente pelo poder público.”

         Três ex prefeitos de Maringá  apoiavam o Fórum:  João Paulino, Adriano Valente e Said Ferreira.

         Após esfriar um pouco o debate, em 1990 a prefeitura conseguiu privatizar a coleta e destinação do lixo no sistema “terceirização”.

         A mobilização popular não conseguiu barrar a terceirização, mas causou um desgaste na gestão municipal e atrasou o cronograma.   Não passou em branco o caso.

         Capítulo:     A gestão privada da rede pública de ensino no município:  novo paradigma de serviço público ou novo modelo de privatização?

     Entre 1991 e 1992 a prefeitura generalizou a terceirização do ensino municipal.    

       .... apresentar o modelo de privatização e algumas controvérsias geradas a seu respeito.

         O Fórum Maringaense de cunho popular analisou e colocou os pontos negativos da privatização da gestão das escolas municipais locais.

         Tendia a sucatear a infraestrutura das escolas para maximizar o lucro dos gestores privados, apelidados de “gestão cooperativa” e poderiam contratar professores sem se preocupar com qualidade pra reduzir custos e lucrar mais.

     O curto e teimoso caminho da privatização do ensino local.

         Eram 23 escolas que compunham a rede municipal, sendo 15 na zona urbana e 8 na zona rural.

         Paradoxalmente, a gestão Ricardo Barros, logo que assumiu, publicou que as escolas do município, antes do seu projeto de privatização já seria de boa qualidade.

         “Diante de tais afirmações, pergunta-se por quê privatizar?”.

         Quando apenas uma das escolas já estava no regime privado de gestão, a administração pública já lançou informes sobre o sucesso da iniciativa, o que era uma avaliação com conclusões a priori.   Típico de discurso ideológico, “que falou mais alto do que os debates educacionais propriamente ditos”.   (página 225)

         Contra a privatização, os movimentos sociais se manifestaram em várias ocasiões.   Os meses finais de 1991 foram movimentados.   Houve inclusive passeata de professores contra a privatização.   Até o ilustre educador Paulo Freire que cumpria nesse dia uma agenda na UEM esteve na passeata dos professores, reforçando as ações da luta contra a privatização.

         Além das passeatas e outros protestos, houve em 1991 um abaixo assinado com 19.000 assinaturas contra a privatização das escolas municipais em Maringá PR.

         Chegou o período eleitoral e encontrou a prefeitura com sua gestão liberal com a finança quebrada.   Ao ponto de nem conseguir pagar em dia as despesas das escolas ditas “cooperativas”.     O grupo político do prefeito perdeu a eleição e essas privatizações teriam forte peso nisso.

 

         Continua no capítulo 17/20

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cap.15/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS


As lutas estudantis renderam até criação de apresentações artísticas, recorrente o tema da repressão, do rigor das normas e da inflexibilidade da reitoria.
Criaram até paródia da música Saudosa Maloca que foi criada pelos Demônios da Garoa. "Vamo pro meio da rua apreciá a repressão ... Deus fez a gente / o diabo, o reitor ... bacana moçada / moçada querida / que um dia se uniu / para o resto da vida... Joga o reitor pra lá, meu bem / UEM, UEM..."
O agito em plena ocupação da reitoria era feito inclusive com shows, assembleias etc.
"Trata-se de uma inversão de grande alcance, tanto do ponto de vista pragmático quanto simbólico. Pode-se dizer, enfim, que a universidade foi posta de ponta-cabeça". Acadêmicos no comando...
Houve um processo administrativo aberto pela UEM sobre a ocupação da reitoria, mas no curso do mesmo, após o desfecho da ocupação... "a ocupação não gerou nenhuma punição".
"Dada a trajetória da universidade, tratava-se de uma decisão com forte simbolismo".
A nova gestão no DCE optou pela prática.... "levou à adoção do sistema de diretoria colegiada, sem cargos hierárquicos".
Na citada diretoria colegiada o nome do autor deste livro que era estudante de então figura entre os diretores. (página 209)
Essa diretoria criou o primeiro congresso dos estudantes via DCE.
1986/ Gestão "Nossa Chapa Chama Você"
Eleição para reitor e os estudantes já tinham conquistado em ter participação, no voto, para eleger o reitor.
O peso dos votos era então 1/3 para cada setor: alunos, funcionários e docentes.
O nome mais votado era encaminhado em lista sêxtupla para o governador que se comprometeu e honrou, homologando o nome mais votado da lista como o novo reitor.
Essa modalidade foi para o Estatuto da UEM.
1987/ Gestão "Senti Firmeza"
... resumo da luta. ... "em direção da universidade pública, democrática e gratuita".
Antes da gratuidade, as mensalidades que os estudantes pagavam representava 8% das despesas da UEM. Em 1987 foi assinada pelo governador do PR a lei que instituiu a gratuidade das Universidades estaduais do PR.
Considerações finais deste capítulo ..
Capítulo 6 - A Privatização do ensino em Maringá: história de uma experiência contraditória e polêmica.
Preâmbulo
Fase da chamada "Administração Liberal" da prefeitura municipal de 1991 a 1992.
... o historiador/pesquisador... "deve abrir as portas da equidade da sua postura." "É manifestando que ele se neutraliza...
.."exige uma rigorosa interlocução com as fontes, condição sem a qual seria produzido apenas um discurso e não uma análise"
Da origem da privatização às chamadas escolas cooperativas
Em 1989, o prefeito Ricardo Barros (PFL) anunciou "que a prioridade imediata da sua récem empossada administração era promover ampla privatização dos serviços públicos".
Em 1989 Maringá fundado em 1947 tinha pouco mais de quatro décadas apenas de existência e já era a terceira maior cidade do PR.
continua no capítulo 16/20

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Cap.14/20 ´- fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)

 capítulo 14/20                junho de 2026

 

“Na segunda metade da década de 1970 houve, em âmbito nacional, a articulação da sociedade civil e o desencadeamento de mobilizações em favor da redemocratização do país”.     Reação... 

No fim da década de 70, houve a revogação do AI5; restabelecido o pluripartidarismo.   Lembrando (como leitor) que na ditadura só permitiram dois partidos, a ARENA Aliança Renovadora Nacional, de apoio aos militares e o MDB Movimento Democrático Brasileiro, de oposição e que era a junção dos partidos antigos que eram contra a ditadura militar.

Conquistamos também na época a Lei da Anistia.   Nesse contexto “o movimento estudantil voltou à cena política em 1977”.

...”Importante desdobramento foi a reconstrução da UNE (1979) e UPE (1980)”.

Nos Diretórios Acadêmicos da UEM  esta   “referendou o limite máximo de 1/5 para a representação dos alunos nos colegiados acadêmicos”.

No ano de 1978 ainda se cobrava mensalidade e taxas dos estudantes e esta era uma das lutas destes.   Luta pelo ensino gratuito.

O governador Ney Braga  (indicado pelo governo militar – sem voto popular) em visita oficial a Maringá e os estudantes com faixas de reivindicações em 1979.  Faixas:   “Abaixo o aumento, queremos congelamento”; “Temos cursos mas não temos recursos”...

,,,estudantes dialogando, conseguiram apoio na Câmara dos Vereadores local.   Entre os líderes estudantis de então está o Umberto Crispin de Araujo que depois seguiu carreira política na cidade.

Alguns dos líderes estudantis da época:   Crispim, Silvio S. Iwata...

3 – Da criação do DCE Diretório Central dos Estudantes à conquista da gratuidade.     Primeiros anos do DCE da UEM.   Influência dos estudantes de esquerda.    “A hegemonia foi disputada, principalmente, entre estudantes ligados ao PCB, PC do B, aos chamados autênticos do PMDB e ao PT”.

Entre as pautas, ensino gratuito e redemocratização do Brasil.

1981:  Gestão – “Vibração”

Mesmo bem depois da revogação do DL 477 que a ditadura criou com foco na repressão ao movimento estudantil e professores, a direção da UEM manteve em vigor termos que permitiam ser usados para punir lideranças estudantis.

1982 – Gestão  “Travessia”

“Em 1982, na escala ampla da sociedade, o calendário da abertura política teve como capítulo mais importante a eleição direta para governadores dos estados e presidente, suspensa desde o pleito de 1965 pela ditadura”.

Escolha do reitor por lista sêxtupla e homologada pelo governador.

1983 – Gestão:  “Outras Palavras”

Em 1983, entre outras lutas estudantis, estes buscaram construir centros acadêmicos por curso, o que a lei na época não permitia.   Criaram de fato, vários Centros Acadêmicos na UEM em 1983.   

Se consolidou a prática de atuação nos Centros Acadêmicos e se fortaleceu a política estudantil local.    Em 1983 os estudantes de vários cursos se articularam e conseguiram eleger chefes de vários Departamentos da UEM.

1984 – Gestão – “Próximos Passos”

Os estudantes da UEM se engajaram na campanha nacional pelas Diretas Já.  Busca de eleição no voto popular para presidente e governadores dos estados.

Na busca de congelamento do preço das refeições no RU Restaurante Universitário e na busca da gratuidade do ensino, os estudantes chegaram a ocupar a Reitoria da UEM após decisão em assembleia.   Houve ameaça de ação policial para desocupação, mas as negociações acabaram por resultar na desocupação da Reitoria e na conquista de verba estadual para manter congelado o preço das refeições no RU.

...”ocupação do RU pelos estudantes....  (página 208) “Para não perder seu principal instrumento de pressão, os grevistas passaram a pernoitar nas instalações ocupadas.   Vivendo o processo integra, os estudantes debatiam política, realizavam assembleias, dividiam tarefas e responsabilidades, preparavam refeições, namoravam e dormiam no espaço”...

Visando, antes dessa desocupação, desmobilizar os estudantes, a UEM tinha decretado um recesso temporário e assim buscava desarticular os grevistas.     ...”teve o efeito contrário paradoxalmente de reservar ao movimento todo o território convertido em uma grande comunidade estudantil”.

continua no capítulo 15/20

sábado, 13 de junho de 2026

Cap. 13/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor REGINALDO B. DIAS - UEM

 capítulo 13/20                                junho de 2026

 

A reforma oficial buscou  reduzir de 1/3 para no máximo 1/5 a participação dos estudantes no colegiado das universidades.   Tirar força dos estudantes e muito mais do que isso.

...”aos Diretórios Acadêmicos, firmou-se a necessidade de submeter os seus regimentos e acertos de contas à aprovação da respectiva administração universitária”.

Em dezembro de 1968, foi editado o draconiano AI5 que aumentava a repressão.   Em seguida vem se somar o Decreto Lei 477 de fevereiro de 1968 que era arrasador em relação aos estudantes e professores...  proibia passeatas, paralizações, movimentos...

Punição de professores poderia chegar a desligamento da universidade por até cinco anos e no caso de alunos, por até três anos em caso de infração.

Na época do golpe de 1964 os estudantes secundaristas tinham à frente da UPE União Paranaense dos Estudantes, lideranças conservadoras.  O Centro Acadêmico Roberto Simonsen (o CARSI) de Maringá PR apoiou o golpe de 1964 e fez moção escrita do apoio em assembleia.

Em 1965, no jornal Folha Econômica do Departamento de imprensa do CARSI, artigo com elogio à política do presidente Castello Branco, “que proporcionava ao país ingressar no equilíbrio, na disciplina e na restauração”.

O CARSI mudou o estatuto e passou a ser DARSI, se subordinando ao colegiado da faculdade.

Há dados registrados do DARSI aplaudir o AI5 da ditadura.     ...”damos nosso crédito às autoridades federais pelo procedimento”.

         Dos três diretórios estudantis criados em Maringá entre 1961 e 1967, respectivamente das áreas de Economia, Direito e Filosofia, Ciências e Letras, os dois primeiros que surgiram nos anos 60 na linha conservadora.  Já o Diretório Acadêmico David Carneiro, da área de Filosofia, Ciências e Letras, teve lideranças de esquerda e que participaram inclusive do evento da UNE em Ibiuna SP e foram presos.   Na época a UNE estava proscrita e fez o congresso de forma clandestina.

Foram lideranças do Diretório de Filosofia, Ciências e Letras, que somaram com os demais movimentos populares na greve de 1968 em Maringá.

Os primórdios do movimento estudantil em Maringá nos anos 60.

Núcleo surge no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal.   Tempos do professor padre Lebret.

“Não se tratava de uma organização política, mas de um trabalho que, visando à promoção humana, debatia a origem das desigualdades sociais e da miséria e temas afins”.

(como leitor, me faz lembrar dos anos 80 e a Teologia da Libertação e as CEBs Comunidades Eclesiais de Base, sendo que participei destas iniciativas no interior do Paraná, mais especificamente em Umuarama PR)

Nas CEBs, era o Ver, Julgar e Agir.     Incomodou toda a classe política da época e esta pressionou a Igreja Católica ocasionando um recuo desta.

         Voltando ao tema de Maringá.     “Uma ação prática dos estudantes do Colégio Dr Gastão Vidigal foi o levantamento sociológico na Vila Mandacaru, uma das mais pobres da cidade”.

         Outro grupo da cidade composto de lideranças jovens, se articulou na que chamavam de “Organização” que incluía estudos focados no marxismo.

         Os estudantes e a formação da UEM Universidade Estadual de Maringá.

         Maringá e a acelerada urbanização e modernização, traz no bojo a criação da UEM.    Em 1969 é criada a UEM.    No projeto do governo militar, a busca do crescimento da economia.   Havia capital e matéria prima e faltava mão de obra qualificada  “inclusive para elaboração de projetos para esse rumo”.

         Em 1969, o mesmo ato do Governo do estado que criou a UEM, criou também a UEL de Londrina e a UEPG de Ponta Grossa PR.

         As universidades citadas, surgiram já no período da ditadura e o perfil era de atender às metas do capital, sem levar em conta o debate com a comunidade.

         Lei em vigor, extingue os Centros Acadêmicos da UEM e transforma os mesmos de DA Diretórios Acadêmicos, submissos às universidades.

         ...”cujos regimentos deveriam ser aprovados pelos órgãos de deliberação competentes da universidade.    Prescreveu ainda o caráter cívico, assistencial e cultural dos diretórios e vedou as ausências coletivas aos trabalhos escolares”.

         “As eleições dos Das deveriam ser dirigidas pela administração da UEM.”

         O rigor das normas...    “eram bastante reduzidos os espaços regulamentados para a participação estudantil”.

         Quando a UEM foi fundada, o regime militar tinha desarticulado a UNE e as UPEs estudantis dos secundaristas.

 

         Continua no capítulo 14/20