capítulo 18/20 julho de 2026
Capítulo da história de uma relação conflituosa
O sindicato dos servidores, SISMMAR, foi inaugurado na época
(1988) do início do mandato do Ricardo Barros. O sindicato se filiou à CUT Central Única
dos Trabalhadores.
No nível nacional a CUT era “um dos principais polos de
resistência à perspectiva de privatização dos serviços públicos”.
Antes de 1988, por conta da ditadura, servidor público não
podia ter sindicato. Foi a Constituição
de 1988 que trouxe esse direito aos servidores públicos.
Slogan da diretoria do SISMMAR – “independência e luta”.
... “uma análise do discurso da administração municipal
revela que o sindicato era representado como um braço político de forças que
tendiam a desqualifica-la. A CUT, por
exemplo, era reiteradamente identificada como um partido político. A distância de horizontes evidenciou-se pela
relação conflituosa que se estabeleceu”.
Período de inflação alta e perdas salariais, 1989/1990/1991,
houve greves dos servidores públicos municipais.
Atrasos nos pagamentos dos servidores em 1992. O sindicato adotou um cartaz em praça
pública com os dizeres: Estamos com X
dias de atraso no recebimento do salário.
Atraso de salários e greves em consequência.
O jornal Diário do Norte do PR e a notícia com termo
pesado: “servidores invadem prefeitura
pelo 13º salário”. (em 1992)
Greve com ocupação inclusive do entorno do gabinete do
prefeito. Nessa ocasião, o prefeito escapou pulando a janela do prédio
da prefeitura para fugir dos grevistas.
(página 250)
Capítulo – Quem construiu o Novo Centro?
O autor cita o poema de Bertolt Brecht “Perguntas de um trabalhador
que lê” – escreveu: “Quem construiu
Tebas de Sete Portas?. Nos livros estão
os nomes de reis. Arrastaram eles os
blocos de pedra...?”
Parafraseando o poema, em relação às obras do Novo
Centro. Quem construiu o Projeto foi o
prefeito ou foram os trabalhadores?...
... pois no caso os trabalhadores inclusive, além de construir,
inauguraram a obra...
A Administração pública colocava seguidas matérias em
jornais sobre sua atuação. Destaca que
as obras viárias do Novo Centro seriam “obras esperadas por quarenta
anos...
Só que no caso, quarenta anos era praticamente a idade do
município, o que era um exagero do gestor.
“A definição do traçado da linha férrea serviu de baliza
para a companhia colonizadora elaborar, em meados da década de 40, o plano
urbanístico de Maringá.” (Luz,
1997). “A estação ferroviária era a
referência para o estabelecimento do eixo monumental, que se estendia, em uma
linha perpendicular à ferrovia até a área destinada ao Centro Cívico”.
(página 258 do livro)
(Por isso que temos no espigão o chamado Maringá Velho com o
Fim da Picada. Era anterior à ferrovia
e esta “trouxe” o centro para o local atual ao lado da estação do trem que
depois deixou de existir)
Só em 1954 é que os trens começaram a operar em
Maringá.
O Código de Posturas de Maringá é de 1953. E na parte viária urbana cita... “Entre outras coisas o Código proibia
amansar animais bravios e correr em disparada pelas ruas e povoações com
cavalos”.
A cidade cresceu bastante e rápido e não demorou para as
manobras dos trens passarem a prejudicar o trânsito.
Em1967 Maringá fez um Plano Diretor e este já cogitava de
fazer obras para contornar a questão dos trens na zona urbana.
Em 1976 o prefeito João Paulino, ainda na fase de
candidato, propôs a) – a retirada do
pátio de manobra da ferrovia e a estação de carga e descarga para o novo pátio
em área próxima de Paiçandu-PR; b) – rebaixamento do leito ferroviário na
região do Novo Centro”.
Já o prefeito Said Ferreira (1983-1988) encomendou o chamado
“Projeto Ágora” para o Novo Centro ao Arquiteto Oscar Niemayer. O projeto do Niemayer está resumido no
livro – página 260.
A prefeitura criou uma empresa pública para urbanização, a
URBAMAR em lei de 1985. A missão da
Urbamar seria viabilizar as obras do Novo Centro. Angariar recursos, delinear os projetos e
tirar as obras do papel.
Continua no capítulo 19/20