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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cap. 6/9 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista. Livro de 1879

 capítulo 6/9

 

     As amigas Irena e Eulália juntas e no puro lamento.   Uma pelo amor proibido  por conta dele ser de família inimiga da sua e outra por ser assediada pelo vigário que era amigo da família desde que ela era pequena.

     - “Sabe o que hei de fazer, Eulália, sabe o que hei de fazer?   ... Não, não posso dizer”.

         ... Irena diz a Eulália.   “Vou fugir”.

         - Nunca, minha amiga, nunca!  Seria a morte do seu pai.

         -É a esperança do meu amor.

         - Doida!  - soluçou Eulália.

         - Desgraçada é que eu sou.

         ...Rogério Monte via a aflição na filha mas não sabia o que se passava com ela.

         Perguntou para Eulália e esta respondeu com um disfarce:

         - “É a história que lemos de dois noivos que fogem porque os pais se negam a consentir no casamento – respondeu Eulália”.

...     

         Rogério Montes desconfiou que Irena amava Augusto Feitosa.

         “Não é possível que ela ame Augusto.

         - E se fosse?  ...

         - Matava-o – interrompeu Rogério Monte – mas é impossível”.

         ...

         “Somente uns malévolos resmungavam de uma providência que foi tomada pelo vigário, e era que os socorros distribuídos às mulheres deveriam ser recebidos em sua casa”.

         Para dar uma fachada de pureza, o vigário havia criado “uma corporação de virgens no povoado”.    Ele perguntava sobre o socorro ao povo..    – “      Que tal está o serviço?

         - Nem tão bom – respondiam-lhe sinceramente os paroquianos”.

         O sacristão foi reclamar ao vigário que precisava de um aumento de salário.    Que era para manter a família.

         O vigário andando à noite viu um vulto e se armou de uma lasca de madeira e ficou escondido.   O vulto seria uma pessoa que estava tramando a fuga e o vigário pensou que a moça fosse Eulália.   Esta por quem ele tinha enorme ciúme porque a amava.

         Desferiu o bastão e derrubou o rapaz – o Augusto Feitosa.   Só que a trama era de Feitosa estar para fugir com Irena, amiga de Eulália.   Assim sendo, Augusto Feitosa foi atacado por ciúme e por engano, pois o vigário pensava que Feitosa amava Eulália e com ela iria fugir.

         Os vizinhos acudindo o agredido à noite na casa de Queiroz e Eulália, paralisada pela desconfiança – em relação ao vigário.

         Depois que os vizinhos se afastaram, ela foi até a cerca onde houve o ataque e achou, ensanguentado, o canivete-punhal do vigário.

         Eulália escondeu o canivete na sua gaveta de roupas.

         Antão era o encarregado de tentar descobrir quem fez o crime.   Achou que o criminoso seria algum retirante que estava abrigado no Engenho velho.  Achava que no seu povoado não teria suspeito desse assassinato.

     O vigário com o remorso pelo crime praticado.

         - “Perdão! Perdão!  ..... soluçou contritamente.    Eu não sou mau...

         Ocultai a minha vergonha, escondei o meu crime para sempre”.

         O vigário trancado em casa procurando desesperado a arma do crime.   Não achou o canivete e deduziu que deixou cair no local do crime.

         Chegou ao professor Queiroz o boato de que o amigo dele, Rogério Monte, por ter saído da cidade seria o suspeito.   Por outro lado, na verdade ele saiu da cidade para ir acertar com seus credores a forma de pagar suas dívidas.

         Por um lado, Rogério Monte era da  família de desafetos contra os Feitosas e a coincidência do ataque ao Feitosa e a viagem do Rogerio.

         O professor Queiroz ponderou ao inspetor Antão:   “Mas Rogério é incapaz de matar uma mosca e que se quisesse matar o Feitosa, você sabe, atacava-o cara a cara”.

         Queiroz foi pedir para o vigário explicar para o povo que o Monte recebeu uma carta de cobrança e por conta disso viajou.   Que ele não teria nada a ver com o crime.

         O vigário disse que já tentou falar isso com o povo mas não foi ouvido.  O vigário disse que  a mãe do Feitosa jurou perseguir o que atacou o filho dela e acabaria com ele.

 

         Continua no capítulo 7/9

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Cap. 5/9 - fichamento do livro RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista - livro de 1879

 

     A filha tenta consolar o pai sugerindo que ele venda o sitio que não tem dado lucro.  Ele diz  que o sítio não tem dado lucro. Explica que por causa da seca o sitio nada vale e que ninguém pagaria um décimo do valor anterior à seca.
     Rogerio Monte iria para a capital tentar arranjar dinheiro e acertar as dívidas.
     "Estava tomada a sua resolução porque, apesar de não ser soberbo, não teria forças para pedir o lugar em que sempre dera".
     O vigário vai visitar Rogerio e mostrar o ofício do governo da província indicando que tem chegado do interior grande quantidade de retirantes fugindo da seca.    A carta nomeava o vigário, Francisco Queiroz e Rogerio Monte para  o cargo de comissários dos socorros públicos com verba que o governo ia enviar para o povoado.   Buscava assim o governo evitar que o povo fosse todo caminhar para a capital.
     Rogerio responde:   - "Não posso.   As minhas dívidas reduzem-me atualmente a precisar ser socorrido e não quero ser acusado de tirar do governo às ocultas o que ele manda ser dado às claras".
     Rogerio falando com a filha sobre a busca de apoio na cidade.
     - "A frieza dos desconhecidos doerá menos, minha Irena - Concluiu Monte - custará menos tristeza e humilhação".
     Não deixar a busca de solução para amanhã.   - Amanhã estará mais profundo e incurável: a ferida da infelicidade é mais fácil de gangrenar que de cicatrizar".
     O vigário foi levar o pedido do governador ao Professor Queiroz e este também recusou o encargo.   O vigário disse que iria procurar o Antão.
     O interlocutor disse que o viu bem alterado no dia anterior.   O dia após a noite do incêndio no Engenho onde se abrigavam os retirantes.   E acrescentou ao vigário:
     "- Esteve mal o pobre homem; dizia que você o tinha mandado incendiar o Engenho."
     O vigário corroído pela paixão ..."e ao passo que o seu andar rítmico devorava a distância, a celeridade desse turbilhão de formosura e pudor punha-lhe no cérebro a vertigem da perdição".
     "Eulália percebia o esforço do vigário para colocar-se ao seu lado, e por isso mesmo, esmerava-se em malográ-lo, acelerando seus passos."
     No percurso, Eulália passa perto da casa de Mundica, "a rainha da formosura aclamada pelo povoado inteiro" (e que tinha um caso com o vigário).
     Eulália chega na casa da amiga Irena e a encontra em lágrimas.   A amiga conta que o pai dela faliu e que a família vai se mudar para a cidade grande.
     "- Partir! - repetiu Eulália.   E confundiu as suas com as lágrimas da amiga".
     As amigas juntas e o sofrer.   Irena disse que Eulália sofre, mas é diferente dela.   Irena sofre por amor e não poder se unir com seu amado  (que é da família rival de morte com os Feitosas).  Já a amiga não ama o vigário que a ama.
...
     - "Mas então esse vigário continua a faze-la sofrer?
     - Muito, muito!!
     - Oh meu Deus! - ponderou Irena receosamente.   - Quer ver que você o ama!
     - Eu?! - interveio Eulália, profundamente enleada.     - Amo-o sim...como sua filha.   ( o vigario a conhecia desde que ela era uma criança).
     O vigário nomeou Antão como um da comissão para cuidar da distribuição da ajuda do governo aos retirantes.
     Depois o vigário foi procurar o Feitosa para compor a comissão.
     As moças do povoado, as de famílias mais aquinhoadas, foram requisitadas para amparar as crianças carentes e os enfermos.    "Entre essas graciosas belezas, a filha do professor, uma flor de carne que exala perfumes do céu".

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Cap. 4/9 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista). Escrito em 1879

 capítulo 4/9

        

         Sobre ser ofendido e a jura de vingança...  “Corrente ... que nada pode quebrar, porque os seus elos são fundidos com o próprio sangue do condenado”.   ...”tenham raiva dos Viriatos”.

         Cita real como unidade monetária do ano 1879.

         O feiticeiro reclamando aos do povoado que não ajudam os retirantes que estão precariamente alojados no Engenho abandonado.

         “O Sr vigário nem confessa a gente e dá a comunhão; mas a hóstia santa e o gole de água não matam a fome do cristão”.

         “... a presença do pobre não faz dó, mete medo, o rico pensa logo que o infeliz o vem roubar”.

         Ainda o feiticeiro reprovando os do povoado:   “Não posso ver o que se está passando.  Os homens são irmãos e um não deve morrer de fome à porta do outro”.

         Ele, feiticeiro, vinha acudindo os famintos alojados.

         “Eis a razão por que eu não odeio os Viriatos; quem tem medo de dar uma cuia de farinha ao pobre, quem teme que esta obra de caridade lhe traga a fome em casa, é bem quem perca tudo, e venha a sofrer o que os pobres sofrem”.

         Antão, o dono do armazém que estoca e vende alimentos está com medo de um saque por parte dos retirantes alojados no Engenho.    Vai reclamar para o vigário.   Este recomenda ao comerciante, tocar fogo no engenho na calada da noite para os retirantes ficarem sem abrigo e irem embora.

         - “Deitar fogo ao engenho, deixa-los ao tempo”.     O vigário lembra que os retirantes cozinham no local e pode parecer que o incêndio foi por acidente.   Fagulhas dos fogões improvisados no Engenho.

         Na tarde de calor, o vigário tirava uma soneca e vem um portador, pedir para ele dar a unção a um menino enfermo.   O vigário ficou aborrecido e disse que não ia sair num sol daquele e que era para trazerem o moribundo até a igreja para receber a unção.   O portador diz ao vigário:   “Mas o doente não pode também apanhar este sol:  morrerá antes de chegar à igreja”.

         Varias pessoas do engenho se  prontificam a ajudar para levar o moribundo até a igreja.   “A desgraça encontrava ainda a fraternidade dos tempos prósperos...”

         O doente ao chegar carregado   à igreja, morreu.   “olhos de malacacheta..”  (o brilho de um mineral que se apresenta em folhas sobrepostas e que compunha parte dos ferros elétricos do passado.  Mesmo que mica)  https://meu-cosmos.blogspot.com/2018/10/qual-o-papel-da-mica-nos-ferros-de.html

     O vigário usando o nome do Criador para convencer o comerciante Antão a colocar fogo no engenho.    –“A misericórdia de Deus não precisa do braço do homem, Sr Antão.   O povoado será salvo pela graça do Onipotente”.

         “Salvo” no caso seria se livrar dos retirantes famintos...

         ... furtivamente, a caminho do Engenho, Antão encontra um cavaleiro que puxa prosa.  Antão pergunta sobre o povo da região.

         - “E de morte?

         - Está no Aracati o andaço da febre e do desandamento da barriga; cai gente como folha seca”.

         ...   de fato Irena, filha de Rogério Monte, inimigo dos Feitosas, desconfia que o pai ficou sabendo que ela é apaixonada por um Feitosa.

         O pai de Irena ficou transtornado e ela pensou que era por isso, mas a causa era outra.   Ela fica em pranto.    “Vou dizer-lhe tudo:  ele há de perdoar-me:  não quero, não devo casar-me com um Feitosa”.

         Na verdade a aflição do pai de Irena  provinha de uma carta enviada pelo fornecedor para o comércio dele.  Avisava que deixava de fornecer mercadorias e cobrava uma alta conta do que o comerciante devia.

         ...”não era a filha a causa do sofrimento do seu velho pai...”.   Ele teve que enviar bens aos credores.  

         ...”os únicos bens de valor que lhe restavam:  as suas duas mucamas (escravas do serviço doméstico),  os três escravos e a cria que era o encanto da filha”   de Rogerio.

 

         Continua no capítulo 5/9

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cap. 3/8 - fichamento do livro - OS RETIRANTES -autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista (livro de 1879)

 capítulo 3/8

 

          Capítulo V -   ....”revoadas dos corvos, os hóspedes negros da podridão...”

         Sobre o morto que foi trazido em rede no ombro de dois parentes.     Trazidos para o vigário encaminhar com o rito e depois sepultarem o tal.

         “O velho, coitado, não pode resistir às longas jornadas e nesse dia  pela madrugada tinha morrido, deixando uma ninhada de dez filhos”.

         De onde os forasteiros vieram, tudo desolado... “e há mais de seis meses come-se a farinha ralada do miolo da carnaúba”.

         ...”e da gadaria não resta  mais do que a ossada branca”.

         O vigário avisou que os parentes do morto tinham que pagar pelo enterro.   Tudo que os parentes tinham eram dez tostões para migrarem, fugindo da seca.   O vigário diz:    ...”com dez tostões não se enterra um homem em sagrado”.

         Gado enganando a sede nas poças de água do que restara do Rio Jaguaribe.

         O vigário sempre pensando em Eulália e fumando um cigarro atrás do outro.    O vigário recebeu como pagamento além dos dez tostões da família do falecido, um cordão com um crucifixo.

         Entregou o cordão com o crucifixo pra o sacristão dar à Mundica, filha do sacristão e que era amante do vigário Paula.

         Um grupo de retirantes de outros lugares chega em péssimas condições e pede pouso na igreja.   Algo em torno de cem pessoas.    Um paroquiano diz ao vigário:

         -“É uma obra de caridade dar pousada aos peregrinos – disse o vigário”.

         Um sitiantes que mora no lugarejo é muito caridoso e ajuda a todos que consegue.   Os amigos até acham um exagero dele.

         Dizem a ele até um refrão:   Quem dá o que tem a pedir vem.   Ao que ele responde: - Mas encontra quem lhe dê também.

         O grande defeito de Rogério Monte era o ódio que tinha pelos Feitosas.   Foi um século de guerras entre as famílias.   Eram influentes e mesmo as autoridades não tinham força para acabar com os conflitos entre os rivais.

         ...”O ódio de Monte estava dissolvido em seu próprio sangue”.

         “jogar bisca na casa do Queiroz que era o professor do povoado.

         O drama do vigário que vivia visitando a casa do professor Queiroz e era apaixonado pela Eulália, ela nos seus dezesseis anos.   Ele a conhecia desde menina.    “Não seria sua, não seria de ninguém”.

         Ele tinha como trunfo usar o segredo do confessionário para mantê-la sob seu jugo psicológico.

         A formosa Mundica era filha do sacristão e amante do vigário.

         O professor e amigos jogando bisca na casa dele.

         ...”Irena que era próxima e confidente de Eulália, deliberou continuar clandestinamente a amar Feitosa, apesar da negativa do pai dela”.   Este que guardava ódio pelos Feitosas.

         Irena às vezes tinha vontade de fugir.    As duas na rede, Irena e Eulália.

         “Eu também resolvi ainda agora uma coisa contra o vigário – disse Eulália.  Não o quero aturar mais”.

         ...   Retirantes acampados no antigo engenho imundo.  Gente faminta, tendo agora o problema do tifo, doença contagiosa.

         ...”a fama dos Viriatos dos Cariris tomava grande vulto na voz pública...   quadrilhas de ladrões...

         No  meio da desolação pela seca, havia a ação de bandidos, saqueadores e dentre estes, a tal Quadrilha dos Cariris.    Havia também o temor pelo bando dos Viriatos.

         O Feiticeiro das cobras cascavéis conselho aos retirantes  que estavam no engenho velho descansando por curto tempo em dias.        

         “Há  muita gente que passa por ladrão sem nunca ter furtado nem a porção de açúcar que uma formiga carrega”.

 

         Continua no capítulo 4/8

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Cap.2/8 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista)

 capítulo 2/8 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - livro de 1879

- “E que haveis de fugir de vossas moradas, como a caça acuada, tendo horror ao próprio som de vossas passadas. A seca, porém, nos seguirá os passos...” “onde quer que fujais, lá encontrareis o desabrigo, a fome e a morte.” (diz o vigário).
Início de março (sem chuva desde dezembro). Seca... cita também o Rio Jaguaribe . reduzido a algumas poças. Urubus voando... muitos bichos mortos.
Esperança no dia de São José – 19 de março – que no sertão costuma trazer chuvas.
Palavras do vigário Paula; ... fala do professor Queiroz .... fala do velho criador de gado Rogerio Monte..... a moça Eulália....
“Andar firme e resoluto, ao de leve sacudido, como o ramo do ingazeiro que molha a ponta na correnteza de um rio”.
Eulália junto com o vigário, antigo frequentador da casa desde a infância dela. Ela pede ao vigário para que ele deixe ela participar do grupo de virgens a carregar o andor na procissão que ocorrerá em breve. Ele disse que iria prejudicar os ombros dela.
Ele dá a resposta com um galanteio... se suas amigas perguntarem porque não a convidei para carregar o andor ....”diga-lhes que é porque entre você e a imagem, esta é a que deve carregá-la...”
“... caieiras de entulhos (caieiras era uma palavra que eu ouvia no passado no interior de SP).
O forasteiro que tinha a mania de brincar com um bando de cascavéis para fazer exibição pública. Era considerado um Feiticeiro.
O feiticeiro e as oito cascavéis fazendo espetáculo para os flagelados.
...”sorrisos desenxabidos”...
Na procissão, entre as quatro virgens escaladas pelo vigário para carregar o andor de Nossa Senhora, Irena e Eulália. No dia de São José fizeram a procissão para pedir a benção da vinda da chuva.
Só que neste ano, nesse dia, a chuva não veio. Mal sinal.
Roupas de dia de festa, “aniladas” – lavadas com adição de pedras de anil (azul) para a roupa clara encardida ficar parecendo mais clarinha e limpa.
“E que bem feitos corpos... vestidos afogados, de mangas curtas, deixando ver completamente os seus braços carnudos”. (olhar do vigário)
... “O coração frio do vigário Paula fora aquecido, aos poucos, insensivelmente, como num banho-maria, à luz dos olhos vivos de Eulália”.
“Mais tarde, sobressaltou-se muito: Eulália estava com 16 anos e seu próprio pai falou-lhe em casá-la”.
Só que na verdade o casamento de Eulália tinha que esperar. A mãe dela morreu no parto da caçula da família. Eulália na ocasião jurou que só se casaria quando sua irmãzinha estivesse criada. O vigário sofria por amar Eulália que ele conhecia desde que ela era criança. Por conta desse amor, o vigário chorou dias após ser ordenado religioso. O que o impedia de se casar com Eulália.
O desespero do povo com a seca... “e ao longe, as maçarandubas desfolhadas com os galhos pendentes como os braços de um cadáver levantado pela cintura”.
“Não era mais possível a esperança; urgia tomar destino”.
No desalento das pessoas, o vigário tenta consolar: De hora em hora, Deus melhora.
O sacristão se chama Marciano.
Francisco Queiroz, pai de Eulália, dava aula para crianças na casa dele.
Sobre a seca: ... “as árvores tem o ar de quem se despede.”.
O vigário veio visitar a família Queiroz quando ele estava dando aula para as crianças. As filhas de Queiroz conversaram com o vigário e Queiroz também.
O vigário, confessor de Eulália, parecia saber da queda dela por alguém e sentia muito ciúme. Conversou a sós com ela e deixou ela muito encabulada com as falas dele na casa dela.
Continua no capítulo 3/8

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Cap.1/8 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO


 

         Autor – José do Patrocínio   (Abolicionista)

 

         Eu estava fazendo um trabalho voluntário de organizar a biblioteca do Sindicato do qual sou filiado e dentre os 400 livros que cataloguei no padrão CDD Classificação Decimal de Dewey, o mais comum em bibliotecas, encontrei um livro escrito pelo abolicionista José do Patrocínio.

         Resolvi ler.   Livro publicado originalmente em 1879.  Lendo a edição de 1973 da Editora Três.   Livro com 233 páginas.

         Na parte inicial, uma cronologia sobre o autor.    

         José do Patrocínio nasceu em Campos dos Goytacazes – RJ em 09-10-1853.    Ele era filho de um cônego (religioso católico) com uma escrava liberta.   Passou a infância na fazenda do pai.    Em 1868 passa a morar no Rio de Janeiro, então capital federal.

         Foi bem jovem, aprendiz de farmácia...   em 1871 escreveu seus primeiros artigos em jornais.     Fez faculdade de farmácia entre 1872 e 1874.

         Na época já escrevia e publicava em jornal estudantil, versos abolicionistas.    Já era um militante da causa pela abolição.

         Em 1874 entrou para o jornal A Reforma e dava aula para crianças a troco de cama e comida.

         Em 1877 atua pelo jornal Gazeta de Notícias.   Faz sob pseudônimo, artigos satíricos sobre política.

         O primeiro romance dele:  Mota Coqueiro ou A Pena de Morte.   Livro baseado em fato verídico.

         Em 13-05-1878 parte de navio rumo ao Ceará para fazer reportagens jornalísticas sobre a seca que assolava a região nordeste.

         Escreve artigos sobre a viagem ao Nordeste  “e colhe material para seu segundo romance, O Retirante, escrito em 1879”.       Quem faz esta apresentação sobre o autor, destaca algo relevante:   Patrocínio foi o precursor dos escritores que fizeram relato detalhado de uma seca no Nordeste.   Depois vieram outros escritores também de peso como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos  que abordaram a seca no Nordeste em livro. (li  O Quinze da Rachel e Vidas Secas e outros livros mais do Graciliano Ramos).

         Agosto de 1880 ele, no Teatro São Luis no RJ, subiu à tribuna pela primeira vez em defesa da campanha abolicionista.   Nessa campanha, atuava ao lado de Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa e outros adeptos à causa.    Formaram a Confederação Abolicionista, fundada em 12/05/1883.

         Em 1881 se casou com uma ex aluna.   Seu sogro era capitão e também era adepto das causas abolicionista e republicana.

         Em 1883 viaja com a esposa para a Europa, visitando Lisboa e Paris.

         Na época escreveu o romance Pedro Espanhol em 1887.    Nesse ano, após algum tempo da morte da mãe de Patrocínio, ele se candidata a vereador no RJ.    Nesse ano de 1887 passa a circular seu segundo jornal:   Cidade do Rio.   Insere neste jornal a luta pela abolição dos escravos no Brasil.

         Em 1888 ocorre a abolição da escravatura e 1889, a proclamação da República.    Não demora a nova república e José de Patrocínio passa a criticar o novo regime.

         Residiu em Paris de 1890 a 1892.

         Novamente morando no RJ, é acusado de participar da tentativa de golpe contra o presidente Marechal Floriano, é preso e deportado para Cucuí no Amazonas.    O jornal dele é empastelado, destruído em seus equipamentos, o que era meio comum na época quando jornais surgiam como bandeira de uma causa impactante.   Era perseguido.

         Mais adiante, de novo no RJ, chegou a criar um aeróstato, pois era aficionado por voos.    Mandou vir de Paris um automóvel e teria sido o primeiro cidadão do Brasil a andar de automóvel numa capital ainda cheia de buracos.

         José do Patrocínio morreu em 1905 de tuberculose.

         Um pouco sobre a obra dele:    Escreveu em prosa e poesia e traduziu alguns livros do francês para o português.    O romance dele sobre Pedro Espanhol foi inspirado no passado quando em 1755 houve um terremoto que atingiu a Espanha.   Derrubou inclusive um presídio e os presidiários se evadiram e um deles era o tal Pedro Espanhol, que depois teria vindo para o Brasil onde teria continuado sua saga fora da lei.   Por aqui teria ficado afamado.

         Agora, entrando na parte do livro Os Retirantes após a introdução de um terceiro.

         Procissão com a imagem de Nossa Senhora da Piedade.   Cita o local como B.V.   (talvez para deixar o lugar como genérico na região assolada pela estiagem).

         Ele está no Ceará e lá se desenvolve o tema do livro.    Seca severa e mais demorada ocorreu entre dezembro e março.     ...”ouviam o ronco dos macacos guaribas”...    “Os dias secos e ardentes continuam a devastar o gado, as plantações e as pastagens, ao passo que os rios e os açudes empobreciam”.

         ...”o pânico feriu, de improviso, a energia das populações do sudoeste, assim como a de toda Província do  Ceará”.

         ...”O templo substituiu a consolação pela ameaça, a esperança pelo desconforto”.

                            Continua no capítulo 2/8

domingo, 12 de julho de 2026

Cap.21/21 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ-PR) - autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS - UEM

capítulo final 21/21   - final                 julho de 2026

 

         As eleições de 1988 e o enfrentamento à visão local do neoliberalismo.

         Movimentos sociais locais nos anos 80 com apoio de militantes de esquerda.   Um deles foi o Movimento Popular Pé no Chão, desenvolvido no Jardim Alvorada, bastante populoso.

         Neste movimento teve o forte apoio das CEBs Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, assim como da Pastoral Operária.

         Era comum o poder público cooptar lideranças de associações de bairros e assim estas não tinham poder de pressão sobre o poder municipal.

         Já as entidades com lideranças de esquerda não eram cooptadas e atuavam para cobrar o poder público no que fosse de interesse da população.

         O mandato do prefeito Ricardo Barros com seu ímpeto de privatizações, alavancou na comunidade ações e movimentos populares contra essas medidas e nisso o PT que era bem entrosado na defesa dos cidadãos, cresceu bastante junto à população e ganhou robustez eleitoral.

         Página 293 -    Os primeiros mandatos comparando com Londrina e Ponta Grossa, o PT de Maringá andou mais lento.   Em Londrina em 1992 o PT elegeu o prefeito.   Em Cascavel em 1990, elegeu um deputado estadual e em Ponta Grossa, o candidato a prefeito pelo PT chegou em segundo lugar na eleição.

         Em Maringá, o PT elegeu o primeiro vereador da sigla, Emerson Nerone, da oposição bancária ao sindicato dos bancários conservador local.

O vereador Nerone era oriundo da RCC Renovação Carismática Católica.

         O candidato do PT à prefeitura era o advogado e pequeno empresário José Claudio Pereira Neto e seu vice, Claudemir Romancini.    Numa eleição polarizada entre o grupo neoliberal e o grupo de oposição liderado pelo PMDB, o próprio empresariado buscava uma via alternativa e Maringá elegeu o Jairo Gianotto, do PSDB para prefeito.

         Página 297 – A hora da estrela

         Em 2000, pelo porte do eleitorado,  Maringá passou a ter eleição em dois turnos para prefeito.    No mandato do Gianotto, o da “pacificação”, este tentou usar essa estratégia (se dizer pacificador) para evitar oposição ao seu mandato.

         “Propagava-se a insidiosa lógica de que fazer oposição ao governo era trabalhar contra o município”.

         Nova eleição municipal e desta vez a chapa do PT para a prefeitura era com José Claudio e seu candidato a vice, o Professor de história Ivo Caleffi.

         No final do mandato do Gianotto – PSDB, estourou o escândalo de corrupção na prefeitura, que já vinha ocorrendo a dez anos.

         Houve debate entre os candidatos a prefeito e isso ocorreu após o escândalo de corrupção que atingiu os caciques da política local e seus partidos.

         O candidato do PT capitalizou a postura ética de si e confrontou com a prática política viciada dos seus concorrentes.

         José Claudio e a “Política de Cara Limpa”.    Alinhou na campanha seus projetos, muitos que já foram testados em outras prefeituras em mandatos petistas com pleno sucesso.

         Maringá de então tinha o CODEM Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, ligado à entidade empresarial ACIM  Associação Comercial e Industrial de Maringá.   Forte representante da classe empresarial local.      Nessa campanha o PT com José Claudio, que articulou com a classe empresarial para que esta comandasse uma secretaria da prefeitura com trânsito junto ao empresariado, conseguiu apoio deste grupo e isso ajudou no sucesso para que o PT emplacasse como emplacou seu primeiro mandato de prefeito de Maringá.

         O PT de Maringá, “pela identidade de compor uma alternativa ao PCB, com a qual despontou a liderança em movimentos sociais”. ...    militância do PT  ....”ajudou na formação de movimentos populares capazes de interferir na pauta política municipal”.

         Esteve presente também nas pautas nacionais como Diretas Já; pela nova Constituição (de 1988); pelos direitos dos trabalhadores; gratuidade do ensino ...

         Posfácio por Ademir Demarchi, um dos pioneiros do PT local.... no desfecho da fala dele e deste livro:

         ...”política é algo que faz parte da vida cotidiana, praticada todos os dias em tudo que se faz, ainda que se corra o risco de vir parar em um livro.”

                            FIM.                        10-07-2026

                            Leitor:   Eng. Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida – zap 41 999172552 – Curitiba PR

                              Grato aos leitores.       P.S – livro da cabeceira com resenha:  Os Retirantes – José do Patrocínio        (abolicionista)