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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Cap. 10/18 - fichamento do vol 2 do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - baseado em 1879

capítulo 10/18

 

         A mulher da venda do Inácio que cuidava de Eulália perguntou se ela tinha alguém que poderia ajudá-la.   Eulalia diz que não e que tem vergonha por ter engravidado do vigário.

         - “Prefiro morrer a causar-lhes mais tormentos, para mortificar-me e entristecê-los já fiz o bastante: deixei-lhes a lembrança de minha vergonha”.

         Ana quer já no dia seguinte à chegada na venda do Inácio, partir sem saber que Eulália, sua sobrinha, estava em recuperação no mesmo local.

         Inácio não recomenda a partida, dizendo que são cinquenta quilômetros a distância (oito léguas) para o próximo povoado e tem muitos riscos.

         ... “pode algum desalmado atrever-se e as senhoras não tem um homem para defendê-las”.     Ana diz:   Precisamos chegar no Ceará – lá teremos abrigo.

         Na partida delas, Inácio entregou na mão da criança as joias que tinha recebido em pagamento da comida sem que Ana percebesse.

         A mulher e filhos do Virgulino estavam em posição mais adiante na caminhada que Ana iria fazer.

         Consta que o povo sem comida, chupava o fruto da “croatá”(mesmo que caraguatá), que seria uma planta da família do abacaxi e que causava inchaço nas pessoas se fosse consumida em excesso.

         Urubus no trecho da caminhada.  Num local, estavam se alimentando da carcaça de uma pessoa ao relento da estrada.   Causou pavor nos caminhantes.

         Os caminhantes já no escurecer, procuram alguma árvore para se abrigar à noite.    No abrigo debaixo da árvore, uma maçaranduba, entre tantas pessoas adultas e crianças, uma criança que só chorava pela fome.    A mãe ao lado desmaiada e a outra criança maior um pouco, tentando fazer a menor mamar na mãe desmaiada.

         Souberam que o pai dessas crianças tinha morrido no trecho e era a carcaça que os urubus estavam devorando.

         A mulher de Virgulino acudiu a criança que perdeu a mãe e por estar também amamentando, passou a dividir a amamentação com a criança que perdeu a mãe.    E resolveu não seguir o grupo e esperar que passasse por ali alguém que pudesse acudir nessa situação de ter mais uma criança para cuidar e alimentar.

         Na calada da noite uma velhinha que estava abrigada debaixo da árvore se levantou escondida e foi na rede, retirou as duas órfãs e levou para um local escondido e sufocou ambas nos panos que levou.   Depois trouxe-as já mortas e colocou de novo na rede.

         A mulher de Virgulino que estava cuidando das órfãs ficou indignada. Quando ela viu que as crianças estavam mortas, deu o alarme de que alguém as matou por asfixia.

         Todos se vigiavam para ter a parte que lhes cabia, incluindo o acesso à água.   Tudo bem racionado e dois guardas com chicotes controlando os retirantes.

         Mundica, a amante do vigário, ficava perturbando as retirantes e vigiando para tretar com as pessoas.   Um dia ela se atracou com uma senhora que dividia sua pouca porção de água com as crianças que choravam de sede.

         Os guardas pagos para manter a ordem no grupo, usavam chicotes para bater em casos de desentendimentos.

         Eles deram razão a Mundica numa briga dela fora da razão, porque sabiam que ela tinha influência com o vigário que era um dos que controlavam a ajuda do governo para os retirantes e pagavam os guardas.

         Dona Ana, irmã do falecido professor Queiroz, seguia no grupo com as duas sobrinhas e o cão Amigo.

                   Continua no capítulo 11/18 


um exemplar da planta caraguatá citada neste capítulo.    Conheço essa planta.

sábado, 22 de agosto de 2026

Cap. 9/16 - fichamento do vol II do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - escrito em 1879

Volume 2 – cap. 9/16                 Capítulo I

         “Em outubro de 1877 a improbidade ostentava-se já na província... e havia comissários do governo que podiam zombar da calamidade...”

         Sem ajuda do governo “A fome deu alarma nas cidades, vilas e povoados...”

         ... o povo fluiu para o litoral onde fica a sede da província – Fortaleza.

         O alvo do povo era chegar até a capital onde está a sede do governo.

         O povoado de B.V. (palco deste romance) segue rumo à capital e o trajeto passa por Quixeramobim, Quixadá, Baturité e depois se chega a Fortaleza.

         Nessa leva de retirantes, era frequente o ataque do bando de Viriato.

         No trecho, a venda  do velho Inácio prosperava a olhos vistos e não era atacada pelo bando dos Viriatos.

         Os do bando falando sobre os riscos e a morte.     “O homem que tem o ofício de roubar, não corre maior perigo do que a morte.   Em que ele é diferente dos outros?”.

         Sobre o bando dos Viriatos, o integrante do bando diz:  

         “Eu fui chama-los para dar-lhes com que alimentar a suas famílias; tomamos dos que tem e não querem dar aos que morrem de fome”.

         ... Sobre a venda de Inácio que o bando não saqueia e mesmo se alimenta e pousa lá.    Diz Inácio a um dos integrantes do bando:

         - “Se houver alguma coisa descobre-se logo que esta venda não é minha.   Já se murmura por vê-la assim”.

         Um do bando, o Diabrete, vem avisar o Onça que vem aí uma mulher sozinha.   Bem asseada.   Onça diz – deixe-a passar em paz”.

         Os do bando usavam uma máscara de couro para não serem reconhecidos.

         Ofereceram pouso para Eulália na casa  de Inácio da Venda por conta do bando.    Os do bando conheciam o povo do povoado e sabia que ela era de família que amparava os desvalidos.

         Virgulino, o chefe do bando, conversou com Eulália e reconheceu ela.  Conhecia os acontecimentos no povoado dela.

         No outro dia cedo Eulália ia partir e Virgulino alertou do perigo.  Ela insistiu.   A família dela tinha dado abrigo aos retirantes e amigos de Virgulino no passado e agora ele queria ajuda-la.

         -“Não tente disfarçar – disse Virgulino – é a morte o que a senhora deseja, para ocultar o seu erro, mas a senhora não pode matar seu filho”.

         -“Nem quero – exclamou a infeliz – Quero salva-lo porque tenho sofrido muito”.

         Um do bando falando a outro sobre a vontade de partir deste lugar feio.

         “Eu quero partir daqui, porque este lugar é mais feio que um olhar de cascavel”...

         Virgulino e um companheiro partiram para tentar alcançar Eulália.  Andaram muito e em certo ponto viram sinais de que alguém foi arrastado da estrada para o mato.   Seguiram o rasto e encontraram ela desmaiada e ferida por ter sido atacada e violentada por alguém.

         Virgulino colocou ela no ombro e a trouxe desmaiada até a Venda para que ela fosse reanimada.

         Nesse grupinho que faz parte do bando dos Viriatos, tem o Virgulino, seu filho Onça e o Diabrete.

         A senha para os diferentes grupos do bando dos Viriatos se reconhecerem era:   “Vivo, luto e venço”.

         A ordem ao grupo:   seguirem para Icó-CE.    Assim fizeram e deixaram Eulália aos cuidados da mulher de Inácio e a garantia de que manteriam o custo disso por conta deles.

         Chegaram uma velha e duas mocinhas até a venda.   Vinham do vilarejo de Eulália.   Pediram comida a troco de algumas joias delas.   Inácio propôs a troca por uma porção módica de bolachas para matar a fome.    Depois o da venda ficou sabendo que a velha era a irmã do Professor Queiroz que tinha morrido e as mocinhas eram as filhas dele, portanto, irmãs mais novas de Eulália.    Elas não se encontraram com Eulália e logo partiram.

         Eulália, quando se restabeleceu do trauma, queria seguir estrada e a família de Inácio não deixou.   Tinha ordem do bando para reter ela ali e o bando pagaria a conta.

 

                            Continua no capítulo 10/18

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cap.8/8 do volume 1. Fichamento do livro OS RETIRANTES - José do Patrocínio (Abolicionista) livro de 1879

 

         O sacristão em conversa com o vigário.  Diz que o povo local percebe que a “doença” de Eulália vai acabar dentro dos nove meses.   O vigário ficou indignado.   Mas é o que o povo local percebe.    .... “É, fala-se muito neste lugar, senhor vigário:  mas neste caso basta a gente ter olhos e ouvidos”.

         Eulália foi conversar com o vigário para tentar entender seus males e o azedume da tia dela.    Era a gravidez dela o problema.

        ...    O vigário... “Amo-te  ... mais que nunca...

         Mas quero compartir teu sofrimento, amargurar-me na mesma angústia, porque o dia em que todos saberão do teu erro e do meu crime está próximo, Eulália, muito próximo!”

         “- Vou então ser mãe?    .... quanta desgraça, santo Deus!”

         O vigário indica como uma saída para ele no caso, pedindo para Eulália matar a criança.    Ela responde indignada:  “Nunca! Nunca!  ... não cometerei mais este crime.   E saberei defender meu filho contra todos”.

         Ela cogita mudar do povoado.

         “Doida, não vê que a tua ausência não basta para salvar a minha honra?

Ela retruca:   -       E importou o senhor com a minha?    ... não quero ser a assassina do meu próprio filho.   Deixe-me passar...   ... ficou perplexo a ver a jovem afastar-se apressada e altiva”.

         Eulália em casa pega o canivete do crime e no qual há gravado no cabo o nome do vigário Paula.

         Um tropeiro que chega traz notícia de que o Imperador não vai mais mandar ajuda para os retirantes da região.  Isto por conta de falcatruas de pessoas que eram encarregadas de distribuir os socorros aos flagelados.

         E o tropeiro recebe a novidade da barriga de Eulália e sobre a parte do vigário no caso.

         Mundica (Raimunda), filha do sacristão e amante do vigário pede para ele fazer com que Eulália deixe o povoado.   Ele diz que isso é difícil.

         Mundica ameaça o vigário dizendo que se ele não fazer Eulália deixar o povoado, ela espalha para todos que ele é o pai da criança de Eulália.

         “E eu – respondeu o vigário contrariado – hei de reduzir vocês a não ter o que comer, percebeu?”

         O pai de Mundica diz à filha que acha que o vigário, sabendo que não vem mais ajuda aos retirantes, pode ir embora com Eulália.

         Dona Antonia, empregada da casa de  Eulália, espiou na noite e viu o crime do vigário.   Resolveu agora ir pedir pouso na casa do sacristão e contou do crime.    Ela colocou o vigário numa situação complicada.

         Os retirantes famintos se juntaram em frente à casa de Antão e tentavam arrebentar a porta em busca de alimentos para aplacar a fome.

         O vigário mandou bater o sino da igreja e foi lá dispersar a multidão com argumentos sagrados.

         Descobertos os erros e o crime do vigário, o povo foi até a igreja para escorraçá-lo.    Ele se escondeu num compartimento atrás do altar.

         Altas horas da noite, saiu e foi se juntar aos retirantes no engenho.   Foi lá na verdade buscar a proteção dos retirantes que até então recebiam uma migalha de ajuda do povoado e da província.

         Disse ao povo loca que o que tinham contra ele era calúnia.    “É uma falsidade, juro-o à face de Deus – exclamou o vigário...”

         ... eu serei vingado pelo castigo do céu sobre os que não correrem em minha defesa”.

         O vigário tentou jogar os retirantes contra os poderosos do povoado.  Veio a resposta:   - “Não podemos tirar-lhes isto; Deus é mais poderoso para com eles”.

         O vigário fez um discurso para as mulheres e as crianças.  Aí conseguiu o que queria.  Se vingar dos graúdos do povoado.

         ...”a grande massa de andrajosos gritou por uma só voz:   -  “Ao povoado!”.      O vigário orientou...    “a cerca do cemitério fica em caminho, os seus mourões servirão para arrombar as portas”.

         No meio do conflito e do sangue, o vigário pegou um cavalo e saiu a galope em fuga.   Ao passar perto do cemitério, o louco que perdeu a filha por causa da gravidez com o vigário, cercou-o e este caiu do cavalo e entraram em luta.

         Houve no povoado o saque, muitas mortes e feridos de ambos os lados e os feridos abandonaram o povoado em peso.   Os retirantes também depois disso abandonaram o engenho.

 

         Fim deste volume 1.       Continua no volume dois que terá capítulos a seguir.      Gratidão aos que tem acompanhado a leitura.      18-08-2026

domingo, 16 de agosto de 2026

Cap. 7/8 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - original de 1879

 - 

         O vigário visita Eulália e fica sabendo que ela viu a cena à noite quando o Feitosa estava encontrando escondido com Irena, sua amiga.   Ele ficou em polvorosa.

         O pai de Eulália falando com o vigário (sem saber que ele é o criminoso).

         - “Acima da fatalidade está Deus, e eu não sei o que me diz que há uma testemunha do crime”.

         Na conversa entre o professor e o vigário, foi dito que o professor chegou a desconfiar do vigário no caso.

         O vigário falando com Eulália e recordando os quinze anos desde que a conheceu menina e lhe afagava e que ao passar do tempo isso se transformou para ele em paixão proibida.

         O desprezo dela para com o vigário...  “Ele, falando para ela...  “Eu descendo aos poucos aos meus próprios olhos, abismando-me cada vez mais na tristeza...   e de queda em queda passei do ciúme à desesperança, da desesperança ao crime”.

         O vigário pensou que Eulália amava o Feitosa que era o amor da sua amiga Irena.

         Eulália – “Que amor? – O seu amor por Feitosa.

         -É falso! – afirmou Eulália soluçando – Eu não amo Feitosa, nunca o amei!

         ...se o amasse eu teria lhe entregado a prova do crime.

         - Que prova?

         - O canivete-punhal (que ela sabia que era do vigário).

         Na venda do inspetor Antão, uns e outros vinham para beber cachaça e cantar desafios.

         “No dia 12 de junho um novo assunto serviu de pasto à conversa dos cantadores de desafio e a todo o povoado:  a doença incurável do Professor Queiroz.

         Queiroz moribundo faz um pedido ao vigário:

         “- Não abandone a minha desgraçada família.  Jure-me que não a abandonará.

         - Juro, meu amigo, mas nem precisava jurar, é o meu dever”.

         Queiroz morreu.  Eulália desolada.   O vigário:  “- Tenha paciência – murmurou ele procurando consolar a moça: - não ficou de todo só, creia.”

         Durante a  noite do velório, o vigário esperou o momento de ficar só ele e Eulália na sala velando o defunto e veio declarar a Eulália:

         ...”Esses olhos que são meus... que serão meus... para sempre!”

         - “Deixe-me por piedade – murmurou a desventurada tentando em vão desvencilhar-se”.

         - “O Cristo, com a cabeça descaída, parecia chorar por tão monstruosa infâmia”.

         Eulália, aos pés do defunto chorando.

         - “Meu pai! Meu santo pai! Por que não morri eu contigo!”

         O dia começando a raiar e o vigário chama Eulália para ver a beleza do momento.    “Venha ver  como o céu está bonito, Eulália, venha!

         Ela responde com um choro mais forte.

         ...

         O sacristão Mariano conversando com o vigário e desconfiando que a filha do defunto corria risco ao ficar sob a proteção dele.   O vigário ficou muito bravo inclusive porque o sacristão disse que o vigário abusava da filha dele porque ele era pobre e indefeso.   Na ira, o vigário destempera:

         - “Você até enxovalha a igreja... se eu não tivesse pena das suas filhas, hoje mesmo o despedia.  Miserável!

         Marciano, o sacristão, depois do bate boca com o vigário toma a decisão de partir para o Ceará e vai tentar achar Rogério Monte que é o suspeito do crime contra o Feitosa e havia um prêmio alto em dinheiro por informações do suposto criminoso.

         Ao saber da decisão do marido, a mulher do sacristão diz:    - “Como fazer essa viagem, Marciano?...   Era o mesmo que nos condenar a morrer de fome...

         Continua no capítulo 8/8 (final do volume 1)

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cap. 6/9 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista. Livro de 1879

 capítulo 6/9

 

     As amigas Irena e Eulália juntas e no puro lamento.   Uma pelo amor proibido  por conta dele ser de família inimiga da sua e outra por ser assediada pelo vigário que era amigo da família desde que ela era pequena.

     - “Sabe o que hei de fazer, Eulália, sabe o que hei de fazer?   ... Não, não posso dizer”.

         ... Irena diz a Eulália.   “Vou fugir”.

         - Nunca, minha amiga, nunca!  Seria a morte do seu pai.

         -É a esperança do meu amor.

         - Doida!  - soluçou Eulália.

         - Desgraçada é que eu sou.

         ...Rogério Monte via a aflição na filha mas não sabia o que se passava com ela.

         Perguntou para Eulália e esta respondeu com um disfarce:

         - “É a história que lemos de dois noivos que fogem porque os pais se negam a consentir no casamento – respondeu Eulália”.

...     

         Rogério Montes desconfiou que Irena amava Augusto Feitosa.

         “Não é possível que ela ame Augusto.

         - E se fosse?  ...

         - Matava-o – interrompeu Rogério Monte – mas é impossível”.

         ...

         “Somente uns malévolos resmungavam de uma providência que foi tomada pelo vigário, e era que os socorros distribuídos às mulheres deveriam ser recebidos em sua casa”.

         Para dar uma fachada de pureza, o vigário havia criado “uma corporação de virgens no povoado”.    Ele perguntava sobre o socorro ao povo..    – “      Que tal está o serviço?

         - Nem tão bom – respondiam-lhe sinceramente os paroquianos”.

         O sacristão foi reclamar ao vigário que precisava de um aumento de salário.    Que era para manter a família.

         O vigário andando à noite viu um vulto e se armou de uma lasca de madeira e ficou escondido.   O vulto seria uma pessoa que estava tramando a fuga e o vigário pensou que a moça fosse Eulália.   Esta por quem ele tinha enorme ciúme porque a amava.

         Desferiu o bastão e derrubou o rapaz – o Augusto Feitosa.   Só que a trama era de Feitosa estar para fugir com Irena, amiga de Eulália.   Assim sendo, Augusto Feitosa foi atacado por ciúme e por engano, pois o vigário pensava que Feitosa amava Eulália e com ela iria fugir.

         Os vizinhos acudindo o agredido à noite na casa de Queiroz e Eulália, paralisada pela desconfiança – em relação ao vigário.

         Depois que os vizinhos se afastaram, ela foi até a cerca onde houve o ataque e achou, ensanguentado, o canivete-punhal do vigário.

         Eulália escondeu o canivete na sua gaveta de roupas.

         Antão era o encarregado de tentar descobrir quem fez o crime.   Achou que o criminoso seria algum retirante que estava abrigado no Engenho velho.  Achava que no seu povoado não teria suspeito desse assassinato.

     O vigário com o remorso pelo crime praticado.

         - “Perdão! Perdão!  ..... soluçou contritamente.    Eu não sou mau...

         Ocultai a minha vergonha, escondei o meu crime para sempre”.

         O vigário trancado em casa procurando desesperado a arma do crime.   Não achou o canivete e deduziu que deixou cair no local do crime.

         Chegou ao professor Queiroz o boato de que o amigo dele, Rogério Monte, por ter saído da cidade seria o suspeito.   Por outro lado, na verdade ele saiu da cidade para ir acertar com seus credores a forma de pagar suas dívidas.

         Por um lado, Rogério Monte era da  família de desafetos contra os Feitosas e a coincidência do ataque ao Feitosa e a viagem do Rogerio.

         O professor Queiroz ponderou ao inspetor Antão:   “Mas Rogério é incapaz de matar uma mosca e que se quisesse matar o Feitosa, você sabe, atacava-o cara a cara”.

         Queiroz foi pedir para o vigário explicar para o povo que o Monte recebeu uma carta de cobrança e por conta disso viajou.   Que ele não teria nada a ver com o crime.

         O vigário disse que já tentou falar isso com o povo mas não foi ouvido.  O vigário disse que  a mãe do Feitosa jurou perseguir o que atacou o filho dela e acabaria com ele.

 

         Continua no capítulo 7/9

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Cap. 5/9 - fichamento do livro RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista - livro de 1879

 

     A filha tenta consolar o pai sugerindo que ele venda o sitio que não tem dado lucro.  Ele diz  que o sítio não tem dado lucro. Explica que por causa da seca o sitio nada vale e que ninguém pagaria um décimo do valor anterior à seca.
     Rogerio Monte iria para a capital tentar arranjar dinheiro e acertar as dívidas.
     "Estava tomada a sua resolução porque, apesar de não ser soberbo, não teria forças para pedir o lugar em que sempre dera".
     O vigário vai visitar Rogerio e mostrar o ofício do governo da província indicando que tem chegado do interior grande quantidade de retirantes fugindo da seca.    A carta nomeava o vigário, Francisco Queiroz e Rogerio Monte para  o cargo de comissários dos socorros públicos com verba que o governo ia enviar para o povoado.   Buscava assim o governo evitar que o povo fosse todo caminhar para a capital.
     Rogerio responde:   - "Não posso.   As minhas dívidas reduzem-me atualmente a precisar ser socorrido e não quero ser acusado de tirar do governo às ocultas o que ele manda ser dado às claras".
     Rogerio falando com a filha sobre a busca de apoio na cidade.
     - "A frieza dos desconhecidos doerá menos, minha Irena - Concluiu Monte - custará menos tristeza e humilhação".
     Não deixar a busca de solução para amanhã.   - Amanhã estará mais profundo e incurável: a ferida da infelicidade é mais fácil de gangrenar que de cicatrizar".
     O vigário foi levar o pedido do governador ao Professor Queiroz e este também recusou o encargo.   O vigário disse que iria procurar o Antão.
     O interlocutor disse que o viu bem alterado no dia anterior.   O dia após a noite do incêndio no Engenho onde se abrigavam os retirantes.   E acrescentou ao vigário:
     "- Esteve mal o pobre homem; dizia que você o tinha mandado incendiar o Engenho."
     O vigário corroído pela paixão ..."e ao passo que o seu andar rítmico devorava a distância, a celeridade desse turbilhão de formosura e pudor punha-lhe no cérebro a vertigem da perdição".
     "Eulália percebia o esforço do vigário para colocar-se ao seu lado, e por isso mesmo, esmerava-se em malográ-lo, acelerando seus passos."
     No percurso, Eulália passa perto da casa de Mundica, "a rainha da formosura aclamada pelo povoado inteiro" (e que tinha um caso com o vigário).
     Eulália chega na casa da amiga Irena e a encontra em lágrimas.   A amiga conta que o pai dela faliu e que a família vai se mudar para a cidade grande.
     "- Partir! - repetiu Eulália.   E confundiu as suas com as lágrimas da amiga".
     As amigas juntas e o sofrer.   Irena disse que Eulália sofre, mas é diferente dela.   Irena sofre por amor e não poder se unir com seu amado  (que é da família rival de morte com os Feitosas).  Já a amiga não ama o vigário que a ama.
...
     - "Mas então esse vigário continua a faze-la sofrer?
     - Muito, muito!!
     - Oh meu Deus! - ponderou Irena receosamente.   - Quer ver que você o ama!
     - Eu?! - interveio Eulália, profundamente enleada.     - Amo-o sim...como sua filha.   ( o vigario a conhecia desde que ela era uma criança).
     O vigário nomeou Antão como um da comissão para cuidar da distribuição da ajuda do governo aos retirantes.
     Depois o vigário foi procurar o Feitosa para compor a comissão.
     As moças do povoado, as de famílias mais aquinhoadas, foram requisitadas para amparar as crianças carentes e os enfermos.    "Entre essas graciosas belezas, a filha do professor, uma flor de carne que exala perfumes do céu".

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Cap. 4/9 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista). Escrito em 1879

 capítulo 4/9

        

         Sobre ser ofendido e a jura de vingança...  “Corrente ... que nada pode quebrar, porque os seus elos são fundidos com o próprio sangue do condenado”.   ...”tenham raiva dos Viriatos”.

         Cita real como unidade monetária do ano 1879.

         O feiticeiro reclamando aos do povoado que não ajudam os retirantes que estão precariamente alojados no Engenho abandonado.

         “O Sr vigário nem confessa a gente e dá a comunhão; mas a hóstia santa e o gole de água não matam a fome do cristão”.

         “... a presença do pobre não faz dó, mete medo, o rico pensa logo que o infeliz o vem roubar”.

         Ainda o feiticeiro reprovando os do povoado:   “Não posso ver o que se está passando.  Os homens são irmãos e um não deve morrer de fome à porta do outro”.

         Ele, feiticeiro, vinha acudindo os famintos alojados.

         “Eis a razão por que eu não odeio os Viriatos; quem tem medo de dar uma cuia de farinha ao pobre, quem teme que esta obra de caridade lhe traga a fome em casa, é bem quem perca tudo, e venha a sofrer o que os pobres sofrem”.

         Antão, o dono do armazém que estoca e vende alimentos está com medo de um saque por parte dos retirantes alojados no Engenho.    Vai reclamar para o vigário.   Este recomenda ao comerciante, tocar fogo no engenho na calada da noite para os retirantes ficarem sem abrigo e irem embora.

         - “Deitar fogo ao engenho, deixa-los ao tempo”.     O vigário lembra que os retirantes cozinham no local e pode parecer que o incêndio foi por acidente.   Fagulhas dos fogões improvisados no Engenho.

         Na tarde de calor, o vigário tirava uma soneca e vem um portador, pedir para ele dar a unção a um menino enfermo.   O vigário ficou aborrecido e disse que não ia sair num sol daquele e que era para trazerem o moribundo até a igreja para receber a unção.   O portador diz ao vigário:   “Mas o doente não pode também apanhar este sol:  morrerá antes de chegar à igreja”.

         Varias pessoas do engenho se  prontificam a ajudar para levar o moribundo até a igreja.   “A desgraça encontrava ainda a fraternidade dos tempos prósperos...”

         O doente ao chegar carregado   à igreja, morreu.   “olhos de malacacheta..”  (o brilho de um mineral que se apresenta em folhas sobrepostas e que compunha parte dos ferros elétricos do passado.  Mesmo que mica)  https://meu-cosmos.blogspot.com/2018/10/qual-o-papel-da-mica-nos-ferros-de.html

     O vigário usando o nome do Criador para convencer o comerciante Antão a colocar fogo no engenho.    –“A misericórdia de Deus não precisa do braço do homem, Sr Antão.   O povoado será salvo pela graça do Onipotente”.

         “Salvo” no caso seria se livrar dos retirantes famintos...

         ... furtivamente, a caminho do Engenho, Antão encontra um cavaleiro que puxa prosa.  Antão pergunta sobre o povo da região.

         - “E de morte?

         - Está no Aracati o andaço da febre e do desandamento da barriga; cai gente como folha seca”.

         ...   de fato Irena, filha de Rogério Monte, inimigo dos Feitosas, desconfia que o pai ficou sabendo que ela é apaixonada por um Feitosa.

         O pai de Irena ficou transtornado e ela pensou que era por isso, mas a causa era outra.   Ela fica em pranto.    “Vou dizer-lhe tudo:  ele há de perdoar-me:  não quero, não devo casar-me com um Feitosa”.

         Na verdade a aflição do pai de Irena  provinha de uma carta enviada pelo fornecedor para o comércio dele.  Avisava que deixava de fornecer mercadorias e cobrava uma alta conta do que o comerciante devia.

         ...”não era a filha a causa do sofrimento do seu velho pai...”.   Ele teve que enviar bens aos credores.  

         ...”os únicos bens de valor que lhe restavam:  as suas duas mucamas (escravas do serviço doméstico),  os três escravos e a cria que era o encanto da filha”   de Rogerio.

 

         Continua no capítulo 5/9