capítulo 6
“Em 1961, Bonifácio Martins foi um dos organizadores do II
Congresso de Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná, cuja abertura contou
com a presença de líderes nacionais das lutas no campo como Francisco Julião, e
de um representante oficial do presidente da república (João Goulart).
Tinham o confronto da FAP Frente Agrária Paranaense,
organizada pelo Bispo católico local, Dom Jaime Luiz Coelho (que eu, leitor, conheci)
A FAP organizou um evento para se contrapor na mesma data o
II Congresso dos trabalhadores articulado pela base destes. Houve confronto e uma verdadeira guerra
campal entre as partes.
Em 1960 a esquerda socialista concorreu com chapa completa
na eleição municipal em Maringá, desde prefeito até vereadores. Nesta eleição, Bonifácio foi reeleito
vereador. O candidato a prefeito que concorreu
e não se elegeu pela esquerda foi o advogado Jorge Ferreira Duque Estrada
ligado ao PTB.
... anos 60, tempos tensos... ...”os debates sobre a expansão de
direitos deparava com o os interesses dos proprietários rurais influentes... e se
inseria no contexto da elevação da disputa ideológica daqueles anos da Guerra
Fria, quando o discurso anticomunista era escudo para deter as reformas sociais”.
A repercussão imediata do golpe de 1964.
Anos 60, e o governo de João Goulart, de esquerda, buscando
implantar as chamadas “reformas de base”.
Estas que eram rechaçadas pelos conservadores.
“Na lógica da Guerra Fria, programas reformistas e
nacionalistas eram suspeitos de encobrir objetivos comunistas”.
Nesse contexto, o vereador Bonifácio era visto como o
vereador comunista. Ele constatou que
havia manifestação de rua em Maringá hostil a ele. Assim, resolveu se refugiar e proteger a sua
família. Tinha a esposa e duas filhas
pequenas, uma delas ainda de colo.
Em apoio aos golpistas que instituíram o regime militar de
1964, maringaenses chegaram a tentar colocar fogo na Radio Atalaia de Maringá “cujo
proprietário era amigo do presidente João Goulart, o Jango.”
Por ocasião do golpe civil-militar de
1964, até em Mandaguaçu PR, houve passeata do pessoal da direita em apoio ao
golpe. “Marcha da Família com Deus,
pela Liberdade”.
Em Maringá, passeata da direita tinha gente querendo e
ameaçando atear fogo na residência do médico Salim Haddad. Policiais de plantão protegeram o local e
dispersaram os manifestantes.
O então bispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho fez
declarações no jornal Folha do Norte do Paraná, dia 02-04-1964 com o
título: “Patriotismo dos brasileiros
sempre foi bafejado pela religião”.
Pelo censo de 1960, na época da ditadura de 1964, Maringá
teria 104.131 habitantes. Antes mesmo
da posse do primeiro presidente militar em abril de 1964, a junta militar
instituiu o AI 1 Ato Institucional número um que retirava atribuições do
Congresso Nacional. “reduziram drasticamente
os poderes do Congresso Nacional”.
Cassaram mandatos de políticos eleitos e implantaram os IPM
Inquéritos Policiais Militares para perseguir e prender quem eles achavam que
fosse contra a ditadura.
A Câmara Municipal de Maringá tentou cassar o mandato de
Bonifácio, mas não encontrou amparo legal para isso. Não efetivou a cassação, mas deu posse ao suplente
dele, já que o vereador perseguido se evadiu para não ser preso.
Bonifácio , que perdeu o mandato em 1964, se mudou para São
Paulo para recomeçar a vida como contador.
Tinha firma aberta e atuante no ramo em São Paulo, porém em 1972 ... “quando já havia sido julgado como réu
revel, foi preso e cumpriu pena”.
Continua no capítulo 7