FICHAMENTO DE LIVROS E DE PALESTRAS TÉCNICAS/CIDADANIA
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quarta-feira, 24 de junho de 2026
Cap.15/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Cap.14/20 ´- fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)
capítulo 14/20 junho de 2026
“Na
segunda metade da década de 1970 houve, em âmbito nacional, a articulação da
sociedade civil e o desencadeamento de mobilizações em favor da
redemocratização do país”.
Reação...
No
fim da década de 70, houve a revogação do AI5; restabelecido o
pluripartidarismo. Lembrando (como
leitor) que na ditadura só permitiram dois partidos, a ARENA Aliança Renovadora
Nacional, de apoio aos militares e o MDB Movimento Democrático Brasileiro, de
oposição e que era a junção dos partidos antigos que eram contra a ditadura
militar.
Conquistamos
também na época a Lei da Anistia. Nesse
contexto “o movimento estudantil voltou à cena política em 1977”.
...”Importante
desdobramento foi a reconstrução da UNE (1979) e UPE (1980)”.
Nos
Diretórios Acadêmicos da UEM esta “referendou o limite máximo de 1/5 para a
representação dos alunos nos colegiados acadêmicos”.
No
ano de 1978 ainda se cobrava mensalidade e taxas dos estudantes e esta era uma
das lutas destes. Luta pelo ensino
gratuito.
O
governador Ney Braga (indicado pelo
governo militar – sem voto popular) em visita oficial a Maringá e os estudantes
com faixas de reivindicações em 1979.
Faixas: “Abaixo o aumento,
queremos congelamento”; “Temos cursos mas não temos recursos”...
,,,estudantes
dialogando, conseguiram apoio na Câmara dos Vereadores local. Entre os líderes estudantis de então está o
Umberto Crispin de Araujo que depois seguiu carreira política na cidade.
Alguns
dos líderes estudantis da época: Crispim,
Silvio S. Iwata...
3
– Da criação do DCE Diretório Central dos Estudantes à conquista da gratuidade. Primeiros anos do DCE da UEM. Influência dos estudantes de esquerda. “A hegemonia foi disputada, principalmente,
entre estudantes ligados ao PCB, PC do B, aos chamados autênticos do PMDB e ao
PT”.
Entre
as pautas, ensino gratuito e redemocratização do Brasil.
1981: Gestão – “Vibração”
Mesmo
bem depois da revogação do DL 477 que a ditadura criou com foco na repressão ao
movimento estudantil e professores, a direção da UEM manteve em vigor termos
que permitiam ser usados para punir lideranças estudantis.
1982
– Gestão “Travessia”
“Em
1982, na escala ampla da sociedade, o calendário da abertura política teve como
capítulo mais importante a eleição direta para governadores dos estados e
presidente, suspensa desde o pleito de 1965 pela ditadura”.
Escolha
do reitor por lista sêxtupla e homologada pelo governador.
1983
– Gestão: “Outras Palavras”
Em
1983, entre outras lutas estudantis, estes buscaram construir centros
acadêmicos por curso, o que a lei na época não permitia. Criaram de fato, vários Centros Acadêmicos
na UEM em 1983.
Se
consolidou a prática de atuação nos Centros Acadêmicos e se fortaleceu a política
estudantil local. Em 1983 os
estudantes de vários cursos se articularam e conseguiram eleger chefes de
vários Departamentos da UEM.
1984
– Gestão – “Próximos Passos”
Os
estudantes da UEM se engajaram na campanha nacional pelas Diretas Já. Busca de eleição no voto popular para
presidente e governadores dos estados.
Na
busca de congelamento do preço das refeições no RU Restaurante Universitário e
na busca da gratuidade do ensino, os estudantes chegaram a ocupar a Reitoria da
UEM após decisão em assembleia. Houve
ameaça de ação policial para desocupação, mas as negociações acabaram por
resultar na desocupação da Reitoria e na conquista de verba estadual para
manter congelado o preço das refeições no RU.
...”ocupação
do RU pelos estudantes.... (página 208) “Para
não perder seu principal instrumento de pressão, os grevistas passaram a
pernoitar nas instalações ocupadas.
Vivendo o processo integra, os estudantes debatiam política, realizavam
assembleias, dividiam tarefas e responsabilidades, preparavam refeições,
namoravam e dormiam no espaço”...
Visando,
antes dessa desocupação, desmobilizar os estudantes, a UEM tinha decretado um
recesso temporário e assim buscava desarticular os grevistas. ...”teve o efeito contrário paradoxalmente
de reservar ao movimento todo o território convertido em uma grande comunidade
estudantil”.
continua no capítulo 15/20
sábado, 13 de junho de 2026
Cap. 13/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor REGINALDO B. DIAS - UEM
capítulo 13/20 junho de 2026
A
reforma oficial buscou reduzir de 1/3
para no máximo 1/5 a participação dos estudantes no colegiado das universidades. Tirar força dos estudantes e muito mais do
que isso.
...”aos
Diretórios Acadêmicos, firmou-se a necessidade de submeter os seus regimentos e
acertos de contas à aprovação da respectiva administração universitária”.
Em
dezembro de 1968, foi editado o draconiano AI5 que aumentava a repressão. Em seguida vem se somar o Decreto Lei 477 de
fevereiro de 1968 que era arrasador em relação aos estudantes e
professores... proibia passeatas,
paralizações, movimentos...
Punição
de professores poderia chegar a desligamento da universidade por até cinco anos
e no caso de alunos, por até três anos em caso de infração.
Na
época do golpe de 1964 os estudantes secundaristas tinham à frente da UPE União
Paranaense dos Estudantes, lideranças conservadoras. O Centro Acadêmico Roberto Simonsen (o CARSI)
de Maringá PR apoiou o golpe de 1964 e fez moção escrita do apoio em assembleia.
Em
1965, no jornal Folha Econômica do Departamento de imprensa do CARSI, artigo
com elogio à política do presidente Castello Branco, “que proporcionava ao país
ingressar no equilíbrio, na disciplina e na restauração”.
O
CARSI mudou o estatuto e passou a ser DARSI, se subordinando ao colegiado da
faculdade.
Há
dados registrados do DARSI aplaudir o AI5 da ditadura. ...”damos nosso crédito às autoridades
federais pelo procedimento”.
Dos três diretórios estudantis criados
em Maringá entre 1961 e 1967, respectivamente das áreas de Economia, Direito e
Filosofia, Ciências e Letras, os dois primeiros que surgiram nos anos 60 na
linha conservadora. Já o Diretório
Acadêmico David Carneiro, da área de Filosofia, Ciências e Letras, teve
lideranças de esquerda e que participaram inclusive do evento da UNE em Ibiuna
SP e foram presos. Na época a UNE
estava proscrita e fez o congresso de forma clandestina.
Foram
lideranças do Diretório de Filosofia, Ciências e Letras, que somaram com os
demais movimentos populares na greve de 1968 em Maringá.
Os
primórdios do movimento estudantil em Maringá nos anos 60.
Núcleo
surge no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal.
Tempos do professor padre Lebret.
“Não
se tratava de uma organização política, mas de um trabalho que, visando à
promoção humana, debatia a origem das desigualdades sociais e da miséria e
temas afins”.
(como
leitor, me faz lembrar dos anos 80 e a Teologia da Libertação e as CEBs
Comunidades Eclesiais de Base, sendo que participei destas iniciativas no
interior do Paraná, mais especificamente em Umuarama PR)
Nas
CEBs, era o Ver, Julgar e Agir.
Incomodou toda a classe política da época e esta pressionou a Igreja
Católica ocasionando um recuo desta.
Voltando ao tema de Maringá. “Uma ação prática dos estudantes do
Colégio Dr Gastão Vidigal foi o levantamento sociológico na Vila Mandacaru, uma
das mais pobres da cidade”.
Outro grupo da cidade composto de lideranças jovens, se
articulou na que chamavam de “Organização” que incluía estudos focados no
marxismo.
Os estudantes e a formação da UEM Universidade Estadual de
Maringá.
Maringá e a acelerada urbanização e modernização, traz no
bojo a criação da UEM. Em 1969 é
criada a UEM. No projeto do governo
militar, a busca do crescimento da economia.
Havia capital e matéria prima e faltava mão de obra qualificada “inclusive para elaboração de projetos para
esse rumo”.
Em 1969, o mesmo ato do Governo do estado que criou a UEM,
criou também a UEL de Londrina e a UEPG de Ponta Grossa PR.
As universidades citadas, surgiram já no período da ditadura
e o perfil era de atender às metas do capital, sem levar em conta o debate com
a comunidade.
Lei em vigor, extingue os Centros Acadêmicos da UEM e
transforma os mesmos de DA Diretórios Acadêmicos, submissos às universidades.
...”cujos regimentos deveriam ser aprovados pelos órgãos de
deliberação competentes da universidade.
Prescreveu ainda o caráter cívico, assistencial e cultural dos
diretórios e vedou as ausências coletivas aos trabalhos escolares”.
“As eleições dos Das deveriam ser dirigidas pela
administração da UEM.”
O rigor das normas...
“eram bastante reduzidos os espaços regulamentados para a participação
estudantil”.
Quando a UEM foi fundada, o regime militar tinha
desarticulado a UNE e as UPEs estudantis dos secundaristas.
Continua no capítulo 14/20
terça-feira, 9 de junho de 2026
Cap. 12/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor REGINALDO BENEDITO DIAS - UEM
capítulo
12/20 junho de 2026
O movimento estudantil na gênese da UEM Universidade Estadual de Maringá PR Da origem do movimento estudantil de Maringá ao golpe de 1964. Diversas faculdades locais tinham três diferentes Centros Acadêmicos criados em 1961, 1966 e 1967.
A
mudança da geografia humana local em apenas duas décadas: Na região de Maringá,
em 1960, 70% da população vivia na zona rural com predomínio da lavoura
cafeeira que ocupa bastante mão de obra. Duas décadas depois em função do
declínio da cafeicultura e do avanço de culturas mecanizadas como soja, trigo,
milho etc, 78% da população da região já vivia na zona urbana.
Especificamente
em Maringá PR, o evento foi ainda mais marcante segundo a pesquisadora France
Luz. Em 1960 a população urbana era 45,7%. Em 1970, saltou para 82,47% e em
1980, para 95,51%. Essa urbanização mudou as demandas da população e nesse
contexto surgem as diferentes faculdades e depois, a universidade em Maringá.
Anos 60 e o Brasil politicamente conturbado.
O
presidente Janio Quadros renuncia. Pela legislação deveria assumir o vice João
Goulart mas este sofria restrição da elite e do setor militar. Tentou-se
impedir que ele assumisse e criaram um casuísmo, mudando o sistema de governo
para o Parlamentarismo. Isto retirou poderes do presidente e assim João Goulart
assumiu. Ele veio com as propostas sintonizadas com os movimentos sociais pela
reforma agrária e reforma universitária, que eram o arcabouço do que chamou de
reformas de base. Foi derrubado pelo golpe civil-militar em 1964.
Antes
disso, em 1962 a UNE fez uma greve reivindicando ter ao menos 1/3 de
integrantes estudantes nas decisões da congregação das Universidades.
O movimento estudantil diante da consolidação da ditadura.
Contra os movimentos populares e os estudantes, que apoiavam as reformas de base de Joao Goulart, o “Jango”, foi perpetrado o golpe citado. “A ditadura militar então instalada sustentou um modelo de desenvolvimento baseado na associação do grande capital nacional com o internacional e na concentração de renda”. (e arrocho salarial).
A ditadura fez a “Operação Limpeza”, destituindo dos cargos, professores
universitários que fossem contra o golpe, assim como pesquisadores etc. Estas e
outras arbitrariedades sepultaram o sonho das reformas de base com apoio
popular e estudantil.
O
governo militar criou lei que restringiu a UNE e a UEE, esta dos estudantes
secundaristas. Foram criadas novas
entidades com freios e atreladas ao poder público. (lei 4.464 de 09/11/1964). Mais adiante houve um plebiscito em 1965
que buscava a aprovação popular da lei 4.464, mas o resultado foi a mobilização
dos estudantes que foram perseguidos pela ditadura e o plebiscito derrubou a lei
e uniu os estudantes e suas entidades.
No
bojo do golpe militar, o Brasil assinou de forma sigilosa o acordo MEC-USAID
com os USA. USAID Unit States Agency for International Developement.
“O
ápice do processo de enfrentamento com a ditadura militar deu-se em 1968, ano
em que houve grandes mobilizações estudantis em todo o mundo”.
1968
... recrudescimento do regime aqui no
Brasil. “O ano não terminou, no
entanto sem o recrudescimento do regime.
Em outubro, o XXX Congresso da UNE União Nacional dos Estudantes,
realizado clandestinamente em Ibiuna-SP, foi desmantelado, com a prisão de
líderes e participantes. A detenção
atingiu cerca de setecentos estudantes”.
...a
repressão sufocou o movimento estudantil.
Em contraponto aos anseios dos estudantes, o governo impôs uma reforma
universitária buscando seus propósitos.
Isto em 1968.
Continua no capítulo 13
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Cap.11/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ - PR) - Autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS
capítulo 11/20
... “O próprio assessor, padre Orivaldo Robles, colaborou na
articulação de um comitê de apoio aos operários em greve”.
O AI-5 de dezembro de 1968 dispersou o grupo de articulação
dos movimentos sociais e da greve.
Templos da Igreja Popular e a Teologia da Libertação
Convocada pelo Papa
Paulo VI, houve em 1968 a Conferência Episcopal de Medelin “para sistematizar os
ensinamentos do Concílio Vaticano II na América Latina”.
Vários militantes de Maringá que atuaram na defesa dos
trabalhadores e acabaram sendo fichados pelo DOPS por essa causa eram oriundos
de entidade criada pela Igreja Católica para fazer contraponto aos ativistas da
ala socialista.
Sobre o PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
Dissidências do PCB formado pós 1964, criam em 1968 o PCBR.
O PCBR em Maringá.
Comitê zonal deste em Maringá surge em 1969. No contexto cita Tereza Urban, “destacada líder
estudantil paranaense”. Ela foi
dirigente do POLOP.
Sobre a Guerrilha de Porecatu – PR, o autor cita o
historiador Angelo Priori, Professor da UEM, que defende que no caso não se
caracterizava como guerrilha pois a luta era pela posse da terra e não pelo
poder político.
A chamada “Organização” que congregava os militantes de
Maringá tinha minipolos em Paranavai, Ourizona, Paiçandu e Marialva.
“Apolônio de Carvalho tinha a mística de ex-combatente no
levante comunista de 1935 na guerra civil espanhola e na resistência na França.
A repressão
... militantes muito jovens em Maringá. “Moacir Pozza, Licinio Lima e Deisi Feffuni,
aos quais seria atribuída a condição de líderes, tinham 23 anos de idade.
No período da ditadura, os considerados culpados iam a
julgamento com ritos que tentavam disfarçar a arbitrariedade.
“A violência foi disfarçada sob uma capa jurídica, uma
máscara, um simulacro da lei”.
Em
defesa de vários réus no caso, atuou como advogado Horácio Raccanello Filho,
que também era Professor de Direito em Maringá PR
Deisi
Deffune apresentou no processo, como parte da sua defesa, documentos que
atestavam seu desempenho no colegial, depois no curso de Economia e a condição
de funcionária de carreira do Banco do Brasil.
No
curso dos processos ficou claro que se havia intenções revolucionárias nos jovens
enquadrados, nada se efetivou na prática e por isso foram inocentados.
Com
os processos a que respondiam os principais militantes “em 1970 houve a desorganização
do núcleo de ativismo político local, tanto na órbita do PCBR quanto na esfera
da chamada Organização.
Ruth
Ribeiro Lima se doutorou em história e deixou um robusto material editado. A saber:
“Nunca é Tarde para Saber Histórias da Vida”, tese defendida na USP. Aborda a história da guerrilha e coloca a
figura da mulher no contexto.
Considerações
finais deste capítulo
Próximo
capítulo – 5 – O movimento estudantil da UEM e a luta pela universidade
pública, democrática e gratuita.
Preâmbulo
A
UEM foi fundada em 1969. Veio a ser
criada no auge da ditadura, sob os tempos do AI5 e do Decreto Lei 477. Tempos da repressão.
A
UEM só em 1987 conquistou o status de gratuita.
... “a pressão de baixo, exercida por estudantes,
docentes e servidores técnico-administrativos, foi decisiva para promover
mudanças qualitativas na UEM”.
“A
memória das lutas investigadas por este capítulo nem sempre está presente para
as atuais gerações, apesar de sua importância para o estabelecimento de
reflexões acerca da história e dos destinos da instituição”.
“O
movimento estudantil mantém precário contato com sua história. A própria dinâmica do estudante estar numa
etapa transitória da vida, ora como estudante e ora buscando o mercado de
trabalho...” Há descontinuidade da
política acadêmica ao longo do tempo.
Mesmo com as descontinuidades,
houve frutos colhidos das lutas dos estudantes”.
Continua no capítulo 12/20
segunda-feira, 1 de junho de 2026
10/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ - PR) autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)
capítulo 10/20 junho de 2026 (postagem)
A greve no caso se restringiu a duas indústrias de alimentos,
uma greve curta dos bancários ...”pode-se
falar em ensaio, mas não de uma greve geral propriamente dita”.
Nesse tempo (1968) a SANBRA, que atuava na industrialização
do algodão principalmente na região, tinha em sua fábrica de Maringá, 1.300
empregados. Havia preocupação no caso
dos empregados dela aderissem à greve.
Isto não ocorreu.
Considerações finais
...”Em Maringá, viu-se que a luta transitou
fundamentalmente, pelas vias institucionais”.
Greve... “essa forma de luta era uma afronta maior aos detentores do
poder.”
Capítulo 4 -
Juventude, revolução e repressão:
Maringá PR nos anos de chumbo da ditadura.
Preâmbulo - Em 1970 foram indiciadas 15 pessoas
moradoras em Maringá, todas como militantes do PCBR Partido Comunista
Brasileiro Revolucionário.
Houve prisões e os presos foram remetidos para o Quartel da
4ª Companhia de Infantaria em Apucarana PR.
(60 km de Maringá)
A rearticulação das forças da esquerda nos primeiros anos da
ditadura de 1964. O golpe derrubou o governo João Goulart (Jango),
este que era filiado ao PTB.
Dado o golpe, “o plano imediato era abortar qualquer
possibilidade de radicalização à esquerda, real ou presumida pelos detentores
do poder”.
“Operação Limpeza” - “Como
regra, embora o pano de fundo fosse a alegada infração à legislação de
segurança nacional, as acusações eram caracterizadas pela criminalização da
participação na luta cidadã por direitos”
...”promoveu a desarticulação da luta social”.
Após o golpe militar de 1964, as esquerdas tentam avaliar a
caminhada e as falhas ocorridas. “O PCB
assumiu a avaliação de que ocorrera um “desvio esquerdista antes de 1964, ou
seja, uma radicalização sem bases concretas”.
Houve bastante divisão da esquerda após o Golpe
civil-militar.
“Em Maringá, a radicalização política de militantes locais
abriu espaço para interseção com duas dessas organizações, a AP Ação Popular e
o PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário”.
A AP sobre a
liderança de Edésio Passos e Zélia Passos, focou suas ações na organização
sindical a partir de 1967.
A dialética da radicalização da juventude de Maringá
Vários jovens da política estudantil de Maringá que atuaram
na esquerda nos anos 60 e 70 eram oriundos do curso secundário do Colégio Estadual
Dr Gastão Vidigal. Alunos do Curso
Clássico do citado colégio.
Entre os fichados pelo DOPS na época, se destacaram pessoas
que estudaram no referido colégio.
Eu, leitor fiz ligeira busca na IA sobre o que foi o curso
Clássico.
Focado em Humanidades:
línguas e literatura portuguesa, latim e grego.
Línguas estrangeiras – inglês e francês.
Humanidades -
História Geral e do Brasil; Geografia Geral e do Brasil; Filosofia e
Sociologia.
Exatas e Biológicas – Matemática, Ciências Naturais, Física,
Química e Biologia.
Artes e Outros – Educação Física, Educação Artística,
Desenho.
No curso do citado colégio tinha padre e freira entre os
professores. Destaques para o padre
francês Lebret e pela freira Jeanne Gaudin.
“Não se tratava de um agrupamento
político, mas um trabalho de promoção humana.
De concreto, o coletivo realizou um levantamento sociológico na Vila
Mandacaru, uma das mais pobres de Maringá na época. Mediante estudos, pesquisa e ação social,
pretendiam entender os problemas que geravam a miséria”.
A freira adoeceu e voltou para a França e quem a substituiu
foi o padre Orivaldo Robles (que eu,
leitor, conheci em Maringá inclusive em missas na Paróquia Maria Goretti perto
da UEM, isto já nos anos 2010)
Continua no capítulo 11/20
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Cap. 9/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Professor REGINALDO B. DIAS - UEM
capítulo 9 maio de 2026
Setores da AP Ação Popular se incorporaram ao PcdoB em 1973. Em 1968 quando a AP se articulou na base em
Maringá... “Vivia sob a égide da
afirmação da linha chinesa”.
...”Enfim, apesar da instalação em um centro urbano, o
objetivo era ramificar-se na zona rural e nas lutas aí localizadas”. (pág. 117)
... “Mas a região de Maringá tinha uma tradição de
organização e de lutas no campo”. “Já
na década de 1950, o PCB iniciara um processo de organização dos trabalhadores
no campo em toda a região Norte do Paraná”.
... O PCB deslocou para a região o destacado
líder pernambucano Gregório Bezerra.
As UGT União Geral dos Trabalhadores ainda não eram
entidades sindicais reconhecidas. No
Paraná só em 1956 é que surgiram os STR Sindicatos de Trabalhadores Rurais. No Paraná a formação de sindicatos foi
acelerada. Entre 1956 e 1964 se
formaram 86 sindicatos.
...Pauta das reivindicações no II Congresso dos Lavradores e
Trabalhadores Rurais do Paraná “realizada em 1961: reforma agrária; imediata aplicação da legislação
social aos trabalhadores do campo; efetivo salário mínimo; abolição do vale
armazém etc.”
A preparação da greve.
O militante Edésio Passos era um advogado trabalhista.
As condições da época e a organização da greve.
Foi visto que o governo militar promoveu arrocho salarial e
as leis trabalhistas eram desfavoráveis aos trabalhadores. Isto de certa forma tornava mais favorável às
lideranças rurais para puxar uma greve.
“Essa manifestação extrapolou as expectativas dos organizadores,
pois houve a participação de diversas entidades sindicais e a presença de cerca
de mil pessoas”.
Empregados do setor de alimentos e dos bancários foram os
mais mobilizadores na greve de outubro de 1968 em Maringá. Em junho de 1968 houve a 1ª Convenção
Estadual dos Bancários. Edésio Passos,
militante, se tornou assessor jurídico do Sindicato dos Bancários.
A AP capitaneada por Edésio Passos era de grande relevância
na estruturação das pautas da greve.
...”trabalho indigno...,
“ocorre que os operários, com os salários que recebiam, tinham que fazer
horas extras, atingindo jornadas de onze horas diárias”. Jornada alternada quinzenalmente, uma
quinzena trabalhando de dia e outra, à noite sempre revezando dessa forma.
Descanso semanal, duas vezes por mês.
Uma empresa grande do ramo de processamento de alimentos era
a mais visada pelos problemas com os empregados. A Cia Norpa Industrial, de propriedade de
Jutsuji Fujiwara.
Os sindicatos entraram com reclamações à empresa e à justiça
do trabalho. Nada de resultado. Só obtiveram ações policiais contra as
lideranças dos trabalhadores.
Houve reivindicação formal, os patrões se recusaram a
negociar e então se encaminhou para a greve.
Isto em 1968.
Greve iniciada em 1° de outubro. Dia e mês em que se comemora a Revolução
Chinesa (de 1949).
Dos relatórios do DOPS, a polícia do regime militar, sobre a
movimentação para a greve. ...”um
relatório avaliou que a situação requeria um policiamento mais ativo e
organizado para acompanhar os movimentos sindicais”.
A dinâmica da greve.
Maringá tinha agências de 17 bancos. Destes, 11 paralizaram totalmente. Pararam por um dia e anunciaram que era uma “greve
de advertência”.
A greve no setor de processamento de alimentos prosseguiu e
o patronato não aceitou negociação e começou a demitir grevistas.
O Bispo Dom Jaime se postou no acampamento dos grevistas e
depois conseguiu ser mediador. Foram
sete dias de greve.
Em 1968 a lei não autorizava sindicatos e os empregados
aderiam a uma Associação de direito civil que poderia a qualquer hora serem
tornadas ilegais pelo regime militar.
“Alguns dirigentes da Associação, além do assessor jurídico
Edésio Passos, foram denunciados por crime contra a segurança nacional, sob a
acusação de terem promovido greve ilegal em serviços essenciais ao Estado”. Naquele tempo, trabalhador lutando por
melhoria nas condições de trabalho era encarado como caso de polícia.
Continua no capítulo 10