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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cap. 9/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Professor REGINALDO B. DIAS - UEM

 capítulo 9                            maio de 2026

 

         Setores da AP Ação Popular se incorporaram ao PcdoB em 1973.    Em 1968 quando a AP se articulou na base em Maringá...  “Vivia sob a égide da afirmação da linha chinesa”.

         ...”Enfim, apesar da instalação em um centro urbano, o objetivo era ramificar-se na zona rural e nas lutas aí localizadas”.   (pág. 117)

         ... “Mas a região de Maringá tinha uma tradição de organização e de lutas no campo”.       “Já na década de 1950, o PCB iniciara um processo de organização dos trabalhadores no campo em toda a região Norte do Paraná”.

   ... O PCB deslocou para a região o destacado líder pernambucano Gregório Bezerra.

         As UGT União Geral dos Trabalhadores ainda não eram entidades sindicais reconhecidas.   No Paraná só em 1956 é que surgiram os STR Sindicatos de Trabalhadores Rurais.    No Paraná a formação de sindicatos foi acelerada.   Entre 1956 e 1964 se formaram 86 sindicatos.  

         ...Pauta das reivindicações no II Congresso dos Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná “realizada em 1961:  reforma agrária; imediata aplicação da legislação social aos trabalhadores do campo; efetivo salário mínimo; abolição do vale armazém etc.”

         A preparação da greve.    O militante Edésio Passos era um advogado trabalhista.

         As condições da época e a organização da greve.

         Foi visto que o governo militar promoveu arrocho salarial e as leis trabalhistas eram desfavoráveis aos trabalhadores.   Isto de certa forma tornava mais favorável às lideranças rurais para puxar uma greve.

         “Essa manifestação extrapolou as expectativas dos organizadores, pois houve a participação de diversas entidades sindicais e a presença de cerca de mil pessoas”.

         Empregados do setor de alimentos e dos bancários foram os mais mobilizadores na greve de outubro de 1968 em Maringá.     Em junho de 1968 houve a 1ª Convenção Estadual dos Bancários.   Edésio Passos, militante, se tornou assessor jurídico do Sindicato dos Bancários.

         A AP capitaneada por Edésio Passos era de grande relevância na estruturação das pautas da greve.

         ...”trabalho indigno...,   “ocorre que os operários, com os salários que recebiam, tinham que fazer horas extras, atingindo jornadas de onze horas diárias”.    Jornada alternada quinzenalmente, uma quinzena trabalhando de dia e outra, à noite sempre revezando dessa forma.

         Descanso semanal, duas vezes por mês.

         Uma empresa grande do ramo de processamento de alimentos era a mais visada pelos problemas com os empregados.   A Cia Norpa Industrial, de propriedade de Jutsuji Fujiwara.

         Os sindicatos entraram com reclamações à empresa e à justiça do trabalho.  Nada de resultado.   Só obtiveram ações policiais contra as lideranças dos trabalhadores.

         Houve reivindicação formal, os patrões se recusaram a negociar e então se encaminhou para a greve.  Isto em 1968.

         Greve iniciada em 1° de outubro.  Dia e mês em que se comemora a Revolução Chinesa (de 1949).

         Dos relatórios do DOPS, a polícia do regime militar, sobre a movimentação para a greve.    ...”um relatório avaliou que a situação requeria um policiamento mais ativo e organizado para acompanhar os movimentos sindicais”.

         A dinâmica da greve.

         Maringá tinha agências de 17 bancos.  Destes, 11 paralizaram totalmente.  Pararam por um dia e anunciaram que era uma “greve de advertência”.

         A greve no setor de processamento de alimentos prosseguiu e o patronato não aceitou negociação e começou a demitir grevistas.

         O Bispo Dom Jaime se postou no acampamento dos grevistas e depois conseguiu ser mediador.  Foram sete dias de greve.

         Em 1968 a lei não autorizava sindicatos e os empregados aderiam a uma Associação de direito civil que poderia a qualquer hora serem tornadas ilegais pelo regime militar.

         “Alguns dirigentes da Associação, além do assessor jurídico Edésio Passos, foram denunciados por crime contra a segurança nacional, sob a acusação de terem promovido greve ilegal em serviços essenciais ao Estado”.      Naquele tempo, trabalhador lutando por melhoria nas condições de trabalho era encarado como caso de polícia.

 

         Continua no capítulo 10

terça-feira, 26 de maio de 2026

Cap. 8 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor da UEM - REGINALDO B. DIAS

 capítulo 8                                maio de 2026

 

         .     O PCB  ...”fazia a defesa dos métodos legais e eleitorais para a consolidação das mudanças estruturais.    ...”seu objetivo de se integrar ao sistema partidário vigente no Brasil”.

         Outras iniciativas como o mais radical, o PC do B Partido Comunista do Brasil.   

         Outras forças da esquerda da época.    Organização Revolucionária Marxista – Política Operária – POLOP.

         AP Ação Popular; PSB Partido Socialista Brasileiro

         A AP tinha origem na radicalização da JUC Juventude Universitária Católica.

         A POLOP e a AP defendiam que a mudança de regime não deveria ser por etapas, mas direto para o socialismo.

         O PC do B discordava dos métodos do PCB pois.... “defendia a luta armada como principal caminho de mudanças”.

         Dos radicais, a que teve mais penetração nos movimentos estudantis e sociais na região foi a AP Ação Popular.   Esta que inclusive participou da fundação da CONTAG.  Confederação dos Trabalhadores da Agricultura.

         “Instaurado o golpe civil-militar (1964), a ditadura militar tornou-se instrumento de efetivação de um programa de desenvolvimento excludente, baseado na associação do capital nacional com o multinacional e na concentração de renda”.    (arrocho salarial)

         Na constituição de 1946 havia a lei de greve.  A ditadura endureceu as leis de greve. Proibiu greve do funcionalismo público; dos setores “essenciais” (transporte etc), assim como as de natureza política e social”.

         A ditadura fez a “Operação Limpeza”.    O próprio Estado foi atingido em todos os níveis por meio das cassações de mandatos e “depuração” da burocracia civil e militar.   Incluiu pesquisadores, professores universitários que eram vistos como de esquerda.   (Até o professor sociólogo FHC Fernando Henrique Cardoso saiu do país por conta disso)

         Tudo feito sem critério objetivo...

         “A simples acusação num IPM Inquérito Policial Militar bastava para desencadear uma série de perseguições que podiam incluir prisão e tortura”.

         Antes da ditadura de 1964, empregados com mais de dez anos no mesmo emprego, tinham estabilidade no emprego.   O novo regime criou o FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e assim caia a estabilidade no emprego e isso facilitava a vida dos patrões inclusive para promoverem o arrocho salarial.   Empobrecer ainda mais os mais pobres.

         Segundo o DIEESE Departamento de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicos, órgão de assessoria aos Sindicatos, o achatamento salarial foi muito forte.   Entre 1964 e 1968, o salário real perdeu 30%.    Concentrou a renda para as mãos dos mais ricos.

         O general presidente Médici, na década de setenta “definiu de forma sintomática o chamado milagre econômico quando afirmou que a economia ia bem, mas o povo ia mal.”.

         Tempos do convênio MEC-USAID com os norte-americanos no qual uma reforma no ensino preconizava a expansão do ensino pago e cerceamento dos espaços democráticos.     Inclusive o “desmonte” dos Centros Acadêmicos nas universidades, tirando força do movimento estudantil.

         Anos 50, 60...  “Os paradigmas internacionais, especialmente aqueles oriundos das revoluções chinesa (1949) e cubana (1959) influenciaram essas organizações da esquerda brasileira”.  

         “Se é preciso ter em conta a conjuntura mais ampla da década para entender as opções da esquerda brasileira, deve-se reconhecer que ela se movia no terreno da problemática nacional.”

         As esquerdas não conquistaram certos objetivos revolucionários, mas fizeram frente à ditadura militar.   Houve importantes greves de trabalhadores em Osasco SP e Contagem MG... em Maringá PR, que também tentou uma greve geral em 1968.

         A AP Ação Popular e a definição de Maringá como região estratégica

         ... após o golpe militar... “A AP iniciou um processo de definição por uma linha nitidamente marxista.

         “A AP em 1968, após um tenso processo de disputa interna, optou por uma estratégia inspirada no maoismo e no legado da Revolução Chinesa”.

         ...”O fato é que o marxismo se caracterizava pela valorização do camponês, não só como principal ator na luta pela tomada do poder, mas também como a vanguarda no projeto de construção do socialismo”.

 

         Continua no capítulo 9

sábado, 23 de maio de 2026

Cap. 7 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor: Professor REGINALDO BENEDITO DIAS

 capítulo 7                                        maio de 2026

 

         Processo, julgamento e reparações

         ... trechinho de um argumento da defesa do vereador na Justiça:

         “... a justiça vale-se da jurisprudência para esposar a tese de que, em si mesmo, o ato de portar uma ideologia não era crime”.

         ,,, “Fazia parte da lógica do novo regime considerar qualquer atitude oposicionista – partidária, sindical, estudantil, parlamentar – como crime contra a segurança nacional”.

         Lembrando que tudo que fosse suposto crime contra a segurança nacional era julgado no âmbito da Justiça Militar na época da ditadura.

         Em agosto de 1979 foi promulgada a Lei da Anistia.   O vereador Bonifácio foi anistiado com base nessa lei.

          Posteriormente, uma lei de 1995 ampliou os termos da lei da anistia a favor dos réus e a lei de 2002 inclusive prevê reparo econômico aos atingidos pelo regime militar.

         ABAP Associação Brasileira de Anistiados Políticos.    Com base na lei, Bonifácio requereu judicialmente reparo econômico e foi atendido com uma indenização em um só pagamento, no teto do que a lei previa:  960 salários mínimos vigentes na época.

         Mais adiante passou a atuar na Comissão Nacional da Verdade, ancorada em lei.   Nesse contexto, em 2013 o Congresso Nacional restituiu simbolicamente o cargo de presidente ao  João Goulart que foi cassado em 1964 com o golpe.

         Em março de 2014, o Congresso Nacional promoveu a reparação e restituição simbólica do cargo para 173 deputados cassados no ato da implantação da ditadura de 1964 no Brasil.

         Respaldado pela Comissão da Verdade, no Paraná se criou...  “ núcleo local do Forum Paranaense em Resgate da Liberdade, Memória e Justiça”.

         (eu, leitor, participei por volta do ano 2010 quando residia em Maringá PR, de várias reuniões do citado Fórum.   Depois participei aqui em Curitiba de mais umas duas reuniões sempre com depoimentos de pessoas que foram perseguidas pela ditadura militar).

         Bonifácio faleceu em 2011 e em 2014, no bojo do trabalho do Fórum Paranaense, conquistou o direito de haver uma sessão na Câmara de Maringá, na qual se restituiu a ele (in memoriam), o cargo de vereador, sessão solene na qual ele foi representado pelas suas duas filhas.

         Considerações Finais deste capítulo

         A anistia foi tardia e em etapas e muitos dos penalizados pela ditadura vieram a falecer antes de serem anistiados.

         ... “Tudo isso subsidia uma reflexão sobre a transição brasileira da ditadura para a democracia, que, além de lenta, em muitos sentidos, resta intranquila”.

         Capítulo 3 -  Os trabalhadores e a esquerda na resistência à ditadura militar: a greve geral de outubro de 1968 em Maringá PR

         Greve dos bancários, trabalhadores rurais, trabalhadores das indústrias de alimentos...    “Tratou-se de tentativa de articulação de uma greve geral, fato que significava na forma e no conteúdo, resistência e enfrentamento à política da ditadura militar.”

         ... época de arrocho salarial etc.

         “A AP Ação Popular, uma das mais representativas organizações daquela geração, contribuiu decisivamente para todo o processo de mobilização da greve”.

         Ditadura militar, movimentos sociais e as esquerdas na década de 1960.

         Reformas de Base.   “Tingido pelas cores do nacionalismo econômico, esse movimento reivindicava entre outros, a reforma agrária e reforma universitária. 

         Setor estudantil e neste, a UNE União Nacional dos Estudantes como expoente nessa frente de luta.

         Setor agrário tinha como expoente a CONTAG Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

         ... O PCB Partido Comunista Brasileiro sustentava a concepção de que a revolução brasileira deveria ocorrer em duas etapas: a nacional-democrática e a socialista.

         O PCB antes era Partido Comunista do Brasil e com esse nome tinha a conotação de subordinação do comunismo internacional.  Dai o partido mudou para PCB Partido Comunista Brasileiro.     O PCB  ...”fazia a defesa dos métodos legais e eleitorais para a consolidação das mudanças estruturais.    ...”seu objetivo de se integrar ao sistema partidário vigente no Brasil”.

 

         Continua no capítulo 8

terça-feira, 19 de maio de 2026

Cap. 6 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor Professor REGINALDO BENEDITO DIAS

capítulo 6

 

         “Em 1961, Bonifácio Martins foi um dos organizadores do II Congresso de Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná, cuja abertura contou com a presença de líderes nacionais das lutas no campo como Francisco Julião, e de um representante oficial do presidente da república (João Goulart).

         Tinham o confronto da FAP Frente Agrária Paranaense, organizada pelo Bispo católico local, Dom Jaime Luiz Coelho   (que eu, leitor, conheci)

         A FAP organizou um evento para se contrapor na mesma data o II Congresso dos trabalhadores articulado pela base destes.    Houve confronto e uma verdadeira guerra campal entre as partes.

         Em 1960 a esquerda socialista concorreu com chapa completa na eleição municipal em Maringá, desde prefeito até vereadores.    Nesta eleição, Bonifácio foi reeleito vereador.   O candidato a prefeito que concorreu e não se elegeu pela esquerda foi o advogado Jorge Ferreira Duque Estrada ligado ao PTB.

         ... anos 60, tempos tensos...      ...”os debates sobre a expansão de direitos deparava com o os interesses dos proprietários rurais influentes... e se inseria no contexto da elevação da disputa ideológica daqueles anos da Guerra Fria, quando o discurso anticomunista era escudo para deter as reformas sociais”.

         A repercussão imediata do golpe de 1964.

         Anos 60, e o governo de João Goulart, de esquerda, buscando implantar as chamadas “reformas de base”.   Estas que eram rechaçadas pelos conservadores.

         “Na lógica da Guerra Fria, programas reformistas e nacionalistas eram suspeitos de encobrir objetivos comunistas”.

         Nesse contexto, o vereador Bonifácio era visto como o vereador comunista.   Ele constatou que havia manifestação de rua em Maringá hostil a ele.  Assim, resolveu se refugiar e proteger a sua família.   Tinha a esposa e duas filhas pequenas, uma delas ainda de colo.

         Em apoio aos golpistas que instituíram o regime militar de 1964, maringaenses chegaram a tentar colocar fogo na Radio Atalaia de Maringá “cujo proprietário era amigo do presidente João Goulart, o Jango.”

     Por ocasião do golpe civil-militar de 1964, até em Mandaguaçu PR, houve passeata do pessoal da direita em apoio ao golpe.    “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”.

         Em Maringá, passeata da direita tinha gente querendo e ameaçando atear fogo na residência do médico Salim Haddad.   Policiais de plantão protegeram o local e dispersaram os manifestantes.

         O então bispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho fez declarações no jornal Folha do Norte do Paraná, dia 02-04-1964 com o título:  “Patriotismo dos brasileiros sempre foi bafejado pela religião”.

         Pelo censo de 1960, na época da ditadura de 1964, Maringá teria 104.131 habitantes.    Antes mesmo da posse do primeiro presidente militar em abril de 1964, a junta militar instituiu o AI 1 Ato Institucional número um que retirava atribuições do Congresso Nacional.    “reduziram drasticamente os poderes do Congresso Nacional”.

         Cassaram mandatos de políticos eleitos e implantaram os IPM Inquéritos Policiais Militares para perseguir e prender quem eles achavam que fosse contra a ditadura.

         A Câmara Municipal de Maringá tentou cassar o mandato de Bonifácio, mas não encontrou amparo legal para isso.   Não efetivou a cassação, mas deu posse ao suplente dele, já que o vereador perseguido se evadiu para não ser preso.

         Bonifácio , que perdeu o mandato em 1964, se mudou para São Paulo para recomeçar a vida como contador.   Tinha firma aberta e atuante no ramo em São Paulo, porém em 1972  ... “quando já havia sido julgado como réu revel, foi preso e cumpriu pena”.

 

         Continua no capítulo 7

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cap.5 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor da UEM - Reginaldo Benedito Dias

 cap. 5                                        15-05-2026

         Novas manifestações de sindicalismo

         “No início de agosto de 1979, radiograma da polícia civil de Maringá comunicava à Secretaria de Segurança Pública:  Imprensa anuncia vinda esta cidade dia 22 de setembro próximo Luiz Inácio da Silva, vulgo Lula, líder sindical do ABC”.

         ... a convite do Sindicato dos Bancários de Maringá.   Tempos do chamado “novo sindicalismo”.   Vieram para Maringá expoentes do sindicalismo de São Paulo como Luiz Gushiken e Jacob Bittar.   O Lula acabou não vindo porque surgiu demanda no Congresso Nacional e ele teve que atender e não pode estar em Maringá naquela ocasião.

         Houve congresso de sindicalistas na época e desaguou em 1983 na fundação da CUT Central Única dos Trabalhadores.    Os sindicatos de trabalhadores do Paraná praticamente não aderiram à CUT.     (Nos anos 80 eu, leitor,  atuava no BB em Umuarama PR e lá já nessa fase inicial da CUT, a oposição sindical cutista se elegeu para o sindicato dos bancários local e tem permanecido por décadas nessa linha).

         Capítulo 2   Maringá no nascimento da ditadura civil-militar de 1964: análise do processo movido contra o Vereador Bonifácio Martins

         Preâmbulo:     Em 1964 a ditadura  causou a cassação do mandato do Bonifácio e ele se evadiu para não ser preso.

         Em 2014, após o trâmite da Comissão da Verdade, pautada em lei, os integrantes da Câmara Municipal de Maringá em ato simbólico, restituiu o mandato do vereador Bonifácio Martins para a legislatura da qual ele foi cassado.

         Na época da cassação o vereador chegou a ser condenado e preso.   Ele bem depois de ser solto, em 2011 aos 88 anos de idade veio a falecer.

          Itinerário Político

         Bonifácio era natural de Taquaritinga SP e aos 33 de idade, veio para a então “cidade menina” que era a Maringá de 1955.   Ele tinha parentes em Mandaguari PR e veio a passeio em 1953 e se encantou com a região e a pujança da cafeicultura local.

         Era contabilista e exerceu essa profissão em Maringá até o fim da vida.

         Ele foi eleito em dois mandatos consecutivos.   Estava ainda na fase de se estabelecer em Maringá, mas já em 1956, recebeu um convite do líder comunista Gregório Bezerra, pernambucano, para se candidatar a vereador. 

         Gregório Bezerra ficou um ano em Maringá, sendo que três meses morou na casa de Bonifácio Martins.

         Gregório Bezerra era no Recife e região um ativista comunista que se tivesse ficado por lá, teria sido preso.

         “Há vestígio da presença do PCB Partido Comunista do Brasil em Maringá desde 1947, ano da fundação oficial da cidade”.

         O PCB teve logo após a II Guerra Mundial um período, no Brasil, de relativa liberdade.   Uma janela de 1945 a 1947 quando a URSS União Soviética tinha se aliado de forma marcante ao Ocidente para derrotar a Alemanha na fase do nazismo.

         Nesse intervalo 1945 a 1947 os adeptos do comunismo focaram suas ações no campo via formação de associações e sindicatos de trabalhadores.

         O chamado Levante de Porecatu-PR está nesse contexto e época.    “Nesse período o PCB voltou à legalidade”.   Bonifácio, então estudante em São Paulo, antes da vinda para Maringá, que era simpatizante do socialismo, atuou na política estudantil.   Foi Secretário da União Paulista dos Estudantes Secundaristas.”

         “Participou das lutas pela nacionalização do petróleo e assessorou algumas lutas de trabalhadores rurais por direitos”.

         Quando ele veio para Maringá, Bonifácio já era “fichado” na DOPS Delegacia da Ordem Política e Social.   (o agente de repressão do regime)

         ...”foi denunciado pelos Correios em 1952, acusado de receber propaganda comunista”.

         Bonifácio jovem, chegou a participar de eventos com o escritor Caio Prado Júnior, respeitado intelectual de esquerda da época.

         Veio o tempo da chamada Guerra Fria.  Comunismo contra capitalismo e no governo Dutra, o Brasil passa a perseguir os militantes e os líderes sindicais e dos demais movimentos populares.

         Bonifácio se elegeu vereador pelo PR Partido Republicano mas certamente sua campanha teve ajuda de integrantes do PCB que na época era ilegal no Brasil.

         Na vereança, sua profissão de contabilista ajudava muito.   No mandato, cuidou também das causas populares incluindo a organização sindical.

         Foi vice presidente da UGTM em Maringá, a União Geral dos Trabalhadores de Maringá.

         Na época os trabalhadores rurais tinham relação de emprego muito precária.   Era rotina receberem “vale armazém” como parte do salário.   O vale era aceito em determinados armazéns, sem chance de escolha.   Apelidavam os vales de boró.     (mais adiante em certas regiões eram chamados de orelha de jegue)

         Continua no capítulo 6

sábado, 9 de maio de 2026

Cap.4 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

 Cap. 4

 

       No setor estudantil era forte na época o movimento dos estudantes secundaristas na região. Faziam passeatas contra a ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar. Um destes grupos era o MEL Movimento Estudantil Livre.

Teve dirigente do MEL preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador do estado Paulo Pimentel.

Havia movimentação de professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser sindicalizados nem fazer greve. Buscavam fazer “paralização coletiva” para reivindicar. (greve com outro nome)

Outubro de 1968 e a luta dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor. Maringá esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento classista em Curitiba. Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.       

         Relatório do DOPS faz um perfil da forma que os delegados deles enxergavam o ambiente, citando o vice prefeito Renato Bernardi.   Seria uma pessoa bem articulada e de bom trânsito inclusive com os ativistas.

         “Um espaço público nevrálgico era a Biblioteca Municipal de Maringá, qualificada pelo relatório do DOPS como ponto de encontro entre os comunistas dito intelectuais e outros da velha guarda”.

     “O agente do DOPS mapeou os frequentadores e fichas de leitura da biblioteca.... e pelas companhias dessas pessoas”.    Página 60

     A Operação Marumbi e os inquéritos contra o PCBR e o POC

      POC Partido Operário Comunista.   Envolvia inclusive lideranças estudantis e andaram lançando à noite, panfletos com o título de Ação Camponesa.

         Um líder do POC, Geraldo Magela, com sede em Apucarana, deu depoimento ao livro Resistência Democrática bem após o fim da repressão.

         Em 1971 continuam as ações dos militantes de esquerda contra a ditadura civil-militar.   

         Panfletos....  “Abaixo a ditadura militar de traição nacional!  Por um governo independente, democrático, popular”.

         Os panfletos foram catalogados nos registros da repressão do regime militar.   Em 1975 Maringá sofre mais ação da repressão militar na forma da Operação Marumbi.

         “A literatura especializada informa que o aparato repressivo após a vitória do MDB Movimento Democrático Brasileiro nas eleições de 1974, desencadeou uma ofensiva contra o PCB, partido que curiosamente havia optado pela resistência pacífica e não havia se envolvido em ações armadas contra o regime militar”.

         A chamada Operação Marumbi estava ligada ao IPM Inquérito Policial Militar 745.   “A operação envolvia detenções em 12 cidades do Paraná com dezenas de indiciados”.   Entre estes, cinco de Maringá:  Laercio de Figueiredo Souto Maior, Leonor Urias de Mello Sousa, Antonio Elias Cecilio, Salim Haddad e Gregório Parandiuck.

         Em 1977 os cinco acusados foram absolvidos.     O MDB era marcante na resistência democrática contra a ditadura.   Em Maringá, foi no período um município destacado não embate contra a ditadura.   Destaque para o deputado federal local, Renato Celidônio que antes da ditadura era filiado ao PTB, lembrando que quando ocorreu a ditadura (1964), os militares extinguiram todos os partidos e criaram dois:  a ARENA Aliança Renovadora Nacional e o MDB Movimento Democrático Brasileiro.  A ARENA de apoio aos militares e o MDB, de oposição.

         Em 1969, o deputado federal do MDB, Renato Celidonio foi cassado com base no AI 5 da ditadura, criado em 13-12-1968.    Renato Celidonio “engenheiro agrônomo e cafeicultor em Maringá, era homem de estilo político moderado”.

         De 1968 em diante, o MDB, de oposição à ditadura, venceu três das quatro eleições municipais para prefeito.

         Nessa época o político Silvio Magalhães Barros atuava na política em Maringá.

         UEM Universidade Estadual de Maringá.   Criada em 1970.  Em 1972, mesmo sendo pública, cobrava mensalidade dos alunos.   Após anos de luta dos estudantes, conseguiram que o ensino na universidade pública fosse gratuito.   Essa gratuidade na UEM foi conquistada só em 1988.


continua no capítulo 5

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cap. 3 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) autor: Professor REGINALDO BENEDITO DIAS - #UEM

 capitulo 3

 

         Varios foram indiciados no IPM Inquérito Policial Militar, cinco foram condenados.   Dois cumpriram pena, sendo eles, Bonifácio Martins e José Rodrigues dos Santos.

      Pelo lado da direita católica, o livro destaca a atividade do padre Osvaldo Rambo que era o braço direito do Bispo Dom Jaime Luiz Coelho que criaram a FAP Frente Agrária Paranaense para se opor aos sindicalistas de esquerda.

         Apesar da repressão e do desmantelamento da esquerda com o golpe civil-militar de 1964, outras entidades voltam a militar na região nas áreas de trabalhadores rurais e do movimento estudantil.

          “No território do município, está documentada a atuação da AP Ação Popular e do PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário.    A AP com o advogado Edesio Passos e à frente do PCBR, a professora Zélia Passos.”

         O ano de 1968

         ... houve ebulição do movimento sindical, incluindo sindicatos rurais, dos bancários e da indústria de alimentos.    Houve greve de várias categorias em 1968 e a comunidade constituiu grupo de apoio aos grevistas.   Estudantes também no apoio aos grevistas.   O padre Orivaldo Robles ajudou nessas atividades de apoio aos grevistas que estavam sempre na mira do DOPS.

         Causava preocupação às autoridades policiais, inclusive o jornal O Jornal de Maringá que fazia amplas reportagens em apoio aos movimentos populares e sindicais.

         A AP Ação Popular era defensora da estratégia da revolução camponesa.  O jornal Libertação era editado pela AP na região de Maringá.

         O governo militar com a edição do AI 5 apertou ainda mais o cerco às lideranças dos movimentos populares.  Nesse bojo conseguiram tirar da região os militantes da AP que tiveram que se deslocar para outro estado.

     Disto resultou que teve que ocorrer em 1970 a mudança das lideranças da AP em Maringá e região.

         “Os expoentes da AP dessa nova fase (1970) foram o casal Licurgo Nakazu e Elzira Vilela, oriundos de São Paulo.

     Na nota de rodapé da página 55, consta que a professora Tania Tait, dos quadros da UEM Universidade Estadual de Maringá tem livro publicado no tema das lutas populares de Maringá dessa época.

         A repressão ao líderes da esquerda foi forte na ditadura militar e estes ficaram sem espaço para novos movimentos.   Só em 1979, com a Lei da Anistia, foram os que eram fichados pelo DOPS, anistiados.

         Antes de 1970, Maringá tinha três faculdades.  Em 1970 começou a implantação da UEM Universidade Estadual de Maringá.

         No setor estudantil era forte na época o movimento dos estudantes secundaristas  na região.  Faziam passeatas contra a ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar.  Um destes grupos era o MEL Movimento Estudantil Livre.

         Teve dirigente do MEL preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador do estado Paulo Pimentel.

         Havia movimentação de professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser sindicalizados nem fazer greve.   Buscavam fazer “paralização coletiva” para reivindicar.   (greve com outro nome)

         Outubro de 1968 e a luta dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor.   Maringá esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento classista em Curitiba.     Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.

 

                   Continua no capítulo 4