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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Cap.19;19 (final) - um pouco mais longo. OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO - abolicionista - 1879

          (capítulo final um pouquinho mais longo...)

         Um certo dia a Mundica, rival da Eulália, passou ao lado da janela do bordel sabendo que Eulália estava lá e gritou palavras de ódio contra ela.  Gritou e se foi, mas deixou Eulália estupefata e sabendo que poderia haver outras investidas da tal.

         Eulália e a dona da casa sabendo que Mundica voltaria com suas provocações, resolveram se mudar, tendo consciência de que pela mudança perderiam clientes, mas não podiam se indispor com os vizinhos.

         Elas na mudança apesar de até então se manterem de bem com a vizinhança.     As moças da vizinhança tinham ciúme de ver os trajes bonitos das colegas de prostituição de Eulália, sem saber da condição delas.

         - “Vão bem vestidas.

         - E sérias

         - Parece boa gente.

         - Mas não levam homem consigo.

         - Talvez seja gente de fora, mulheres de engenheiros que tem chegado.

         - Tem ar.

         Procurando casa, Eulália e a companheira andavam pela cidade.   No meio do povo apareceu Mundica e pegou-a pelo braço e partiu para agressão.  Juntou gente, deu polícia e elas foram detidas.   Depois disso a dona do bordeu que procurava discrição para não afetar seus negócios dispensou Eulália.   Esta que não teve jeito de consertar o que estava decidido.  Ficou sem teto e sem emprego.

         Cap XIII

         Feitosa não abandonou a vontade de eliminar o vigário Paula mas havia um problema.  Pelos artigos que ele postou em jornais sobre seu desafeto, todos sabiam da rixa entre ambos.   Se algo acontecesse ao Paula que era do clero, seria fácil saber que era a mando de Feitosa.

.....

         Surge na capital a narrativa de que a grande cruz na praça da capital estava minando água, o que indicaria o milagre do Céu e a volta das chuvas.

         Foi um reboliço na capital.  Romarias, rezas, procissões e tudo o mais.

           Só que as chuvas mesmo não vieram por longo tempo a mais.

         ...

         Feitosa após muita procura encontrou Rogerio Monte e sua filha Irena, esta que era sua paixão.

         Queria pedir perdão por ter perseguido Rogerio injustamente porque o povo da paróquia,  incitado por Paula que acusou Rogério pelo crime contra Feitosa.    Crime na verdade, do próprio vigário Paula por ciúme.

         Rogério estava muito doente e foi levado para a serra para tratamento.   Irena também estava muito doente, mas apoiada por Feitosa, recebeu tratamento médico.

         Rogério Monte, antes rico, morreu na miséria.   Irena reencontra, hospitalizada e frágil, seu antigo amor – Feitosa.

         No mesmo dia, Rogerio teve um enterro digno com apoio do Feitosa e Irena se reencontrou com seu amado.

         Capítulo XIV

         Mundica, no mais baixo degrau da perdição, acabou levando as irmãs dela para o mesmo lodo.  E vivia procurando Eulália para tirar o sossego dela e indispor ela contra a vizinhança.

         Eulália, mal de saúde e quase sem clientes, antes que não pudesse mais sustentar as irmãs, conversou com elas e as encorajou a migrarem no primeiro navio que partisse de Fortaleza.   O sonho da maioria que partia era o Rio de Janeiro onde chovia e parecia ser o paraíso na terra.

         Povo da capital vendo retirantes migrando, embarcando em navios precários.    ...”entochá-los a marchar”.    (se mandarem)

         - “Mesmo porque, se houver um naufrágio, ninguém sente... tanto faz que eles morram de fome ou afogados, no fim é sempre morrer”.

         Na embarcação precária embarcava a família de Eulália sem ela ter a chance de se despedir.

         Capítulo XV

         Eulália com forte febre e as três colegas da casa preocupadas.  Umas pensam em se livrar dela.  Uma pondera:

         - “Mas não se morre assim como um cão, sem mais nem menos”.

         Preocupação inclusive com a voz do povo...  o que diria este sobre o caso.

         “Mas por isso não havemos de por na rua uma companheira que arde em febre”.   Resolveram levar Eulália carregada nos braços na calada da noite e deixá-la na porta da Casa da Misericórdia.

         Antes de Eulália ter a febre, ela foi avistar de longe a partida do navio com sua família, o que a deixou tão triste que a febre a pegou com força.

         No dia do embarque, Eulália ouviu uma conversa entre dois da capital conversando sobre a solução para se livrar dos retirantes.  Que fossem embora.

         Apostaram dez contra um que o navio sucateado alugado pelo governo para embarque dos retirantes não aguentaria a viagem e iria a pique.

         Disseram que o governo alugava navios para isso, por preço alto, sempre dos amigos dos poderosos que tinham influência no governo.

         As colegas de Eulália carregando ela nos braços para a Casa de Misericórdia são avistadas por policiais que as abordaram e exigiram explicação.   Depois determinaram que era para elas largarem a doente deitada na praça e que se ela conseguisse sobreviver, durante o dia alguém a levaria para o socorro.

         No outro dia cedo, no meio do povo circulando, passam pela praça o vigário Paula e seu amigo padre.   Ambos fazendo planos para arranjar uma paróquia para Paula que estava bem cotado por ser pronto a dar unção aos enfermos nas praças.     Teria uma paróquia e boa renda e até os dois combinaram que Paula daria uma porcentagem como comissão ao amigo.

         ........................

         Marcado o casamento de Irena com Feitosa.    Irena tinha o forte desejo de rever sua amiga de infância, Eulália, que ela nem sabia se estava viva ou não.

         Irena pede ao noivo duas tarefas e ele aceita por amor, mesmo sem saber quais eram.   A primeira era que ele procurasse Eulália até a encontrar e a segunda era que ele perdoasse o vigário Paula, evitando inclusive que Feitosa cometesse um crime por vingança.

         Ela alegou sobre o perdão a Paula:  “Que a consciência de Paula o punisse pelos males que fez.   Assim o casal poderia se unir e viver feliz e em paz.

         A resposta dele:   - “Tu assim queres, seja feito”.

         Irena:   “Como eu seria feliz se pudesse hoje ver Eulália”.  Era o dia do casamento de Irena.

         .....   No palácio, o presidente da província batendo papo com um amigo político e vendo o povo na praça.    E o presidente diz:   “Sua Majestade só quer o bem do país.  Verá; não entra um conservador para a nova Câmara...”

         O casamento foi na igreja da capital e os noivos, após a cerimônia, saíram por outro lado porque há a tradição local segundo a qual, voltar pelo caminho que fez para ir se casar não deve ser o mesmo da volta para não dar azar.

         No caminho, na praça, viram um defunto sendo amarrado à vara de transporte para o enterro de indigente.   O defunto era Eulália.   Reconhecida a pessoa, Irena ajoelhou e ficou em prantos ao lado do cadáver.

         Descobriram que Eulália ainda carregava consigo o punhal com as iniciais do vigário Paula gravadas no cabo.   Era a prova do crime dele.

....................

         E no jornal do dia na capital, a notícia de que Paula como bom vigário, foi agraciado com uma paróquia na região como prêmio por ele se dedicar a dar unção a muitos retirantes...

 

                            Fim                           07/10/2026

                                                         resenhaorlando.blogspot.com.br

 

         Próxima resenha:    CHAT GPT EXPLICADO – Autor: Helbert Costa

    (“O guia definitivo sobre esta e outras inteligências artificiais)   conta na capa.                     Prefácio do palestrante Clóvis de Barros Filho

domingo, 4 de outubro de 2026

Cap. 18/19 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - original de 1879


         Na visita do comissário, ele pediu vinho a dona Ana e esta disse que não tinha.   Ele falou que era para ela mandar uma das sobrinhas ir pegar no depósito no abarracamento.   Lá ele atendeu Chiquinha e arrastou a asa pra ela, que ficou indignada e se retraiu.   Ele percebeu e disse que aquilo era só um teste para ver a reação dela.  Pediu para ela não contar o ocorrido à tia dela.

         O comissário fez questão de levar dona Ana para percorrer o abarracamento onde ela viu horrores da miséria.  Fome, doenças e mortes.  Depois disso ele pretendia, a troco de proteção, seduzir as sobrinhas dela.

         Dona Ana arranjou um jeito de evitar o pior, mentiu dizendo que sua sobrinha não era mais virgem e tinha um amante e isto fez ele perder o interesse por ela.   Depois disso, durante a noite ela e as sobrinhas fugiram do abarracamento.

         Capítulo X – página 255.

         Estavam no ano de 1878 convivendo com a seca feroz.    Troca de governo e a província ficou sem sintonia com o novo governo.  Assim sem verba, o presidente da província do Ceará resolveu jogar para o governo federal a responsabilidade sobre os retirantes que eram dezenas de milhares.

         O caos aumentou em muito e as mortes por fome e doenças escalou.

         ...”desdobraram-se cenas as mais pungentes. A morte era a menos horrorosa de todas elas”.

         “O leilão da honra tornou-se um fato comezinho entre os desgraçados”

     ...”No meio da onda geral de perdições, que inundava a cidade, aparecia agora a mísera Eulália”.

         ...”O primeiro pensamento que ocorreu a ela foi atirar-se ao mar:  a morte apareceu-lhe como o último desforço, porque dela sobreviria a Paula o remorso”.

         Pensando em seguida na tia e nas irmãs mais novas, mudou de ideia.

         “Quis viver para elas e para a sua vingança”.

         Enfim Eulália conseguiu encontrar a tia e suas irmãs.  Mas a tia não a perdoou e disse que se Eulália queria ficar junto das irmãs, ela se retiraria do convívio da família.   Nessa situação, Eulália resolveu ela mesma se retirar e arranjar jeito de ajudar a família se mantendo à distância.

         Na miséria, pousando debaixo dos cajueiros da capital, dormindo em rede, Eulália teve um dia pelas ruas a acolhida de uma senhora que se mostrou solícita.    No desenrolar da conversa a mulher deixou claro que ali se vivia da prostituição.    E que Eulália sendo jovem e bonita, poderia viver bem do ofício e ter meios de pagar o sustento da família que estava no risco de ser despejada da casa que lhe dava pensão e que estava com os pagamentos atrasados.

         Eulália não viu saída e foi aderir à proposta da dona do prostíbulo.  Tudo para proteger as irmãs da fome e do risco da prostituição.

         Cap.   XI

         Feitosa entrou na igreja e contou para o padre agora amigo do vigário Paula, que este tentou assassiná-lo na paróquia onde moraram.  Os dois padres em confidência anterior revelaram que seduziram moças.   Mas o padre chamou Paula para uma explicação do relato de Feitosa.    Concordou que ambos, ele e o Paula, erraram no passado, mas só Paula tentou um assassinato.

         Paula pegou na mão da imagem de Cristo e jurou com a mão na chaga que esse relato não era verdadeiro.    O padre amigo de Paula, repetiu o gesto dele, jurou e riu pela forma banal que ambos encaravam os fatos.  Ambos da mesma laia.

         O padre alertou Paula que Feitosa um dia poderia entrar no Palácio Episcopal para ajustar contas com ele.

         Cap. XII.  Página 271

         Eulália num momento de ódio e desejo de vingança pensou em pegar o punhal de Paula, que ela carregava escondido desde que achou o mesmo caído no chão na noite em que Paula atacou à traição Feitosa.    Ela pensou em ir à igreja e cravar o punhal em Paula seguidas vezes.  Mas pensou nas irmãs que dependiam dela e mudou de ideia.

         - “Não, eu não as condenarei a tal sorte, serei infame para lhes salvar a vida.”

         A dona do prostíbulo combinou como seria o lado financeiro entre ambas.   A dona fornecia casa e comida e do que Eulália faturasse na prostituição, seria dividido em três partes.   Duas para a dona da casa e uma parte para Eulália.   

         Eulália era muito solicitada pelos clientes, o que deixava a patroa feliz com o ganho, mas ela continuava triste com essa vida.

 

         Continua no capítulo 19/19 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cap.17/19 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - escrito em 1879

                                                 01-10-2026 

         Eulália estava na praça e vê uma velha em trapos e que seria agora viciada em cachaça e ruim da memória.

         As pessoas da rua zombavam dela e Eulália reconhece que se tratava da dona Antonia, que no passado foi cozinheira do vigário Paula e que ela conhecia os detalhes do crime cometido por ele.

         Antonia nas ruas, conta aos transeuntes que sabia de tudo, do crime do vigário Paula e que este acusava Rogério Monte pelo crime, que depois o povo ficou sabendo que o criminoso era Paula e ele teve que fugir da paróquia.

         A velha procurava na capital, por Feitosa que foi vítima da tentativa de assassinato e que prometeu recompensa a quem achasse o criminoso para ele se vingar.   Um conto de reis de recompensa.

         Eulália ficou comovida ao ver o estado atual de Antonia.    Se esta encontrasse Paula na capital, o que seria dele?

         Eulália andando pela capital e avista o vigário Paula conversando com o vigário da capital.    Ficou em dúvida sobre abordá-lo ou não.        

         ... “o principal responsável pelas desgraças de sua família e de seus amigos”.

         Os vigários em diálogo.  O da capital tinha lido no jornal sobre o crime de Paula e do caso dele com Eulália e disse ao Paula.   Este que respondeu que tudo aquilo era mentira contra ele.

         O vigário da capital viu Eulália que estava por perto observando mas que não tinha chegado até eles.   O vigário disse ao colega que a moça que estava ali perto era uma bela morena.   E que ela seria retirante.    “As palavras do companheiro transpassaram como punhais e faziam com que o remorso sangrasse-lhe o coração”.

         Paula, tendo perto de si Eulália, sem abordá-la, fica no terror:   será que ela o acusou à polícia?

         O vigário  percebeu que Paula ficou muito impressionado ao ver Eulália e desconfiou que ele a conhecia.

         Paula se retirou de perto de Eulália e dobrou a esquina se esquivando dela.   Eulália deixou-o ir...

         “ – Deixá-lo ir, há de parar diante da sua própria ingratidão”.

         Eis que perto do palácio episcopal, Paula, tendo por perto Eulália que ele evitou  encarar, encontra agora a desvairada Antonia que foi cozinheira dele e conhecia o crime dele.    

         Daí Eulália joga na cara dele a pergunta diante de Antonia.    “- Não a conhece também, sr vigário?”.     A agora doida Antonia não reconhecia mais Eulália nem Paula, devido ao estado atual dela.

         Eulália cercou Paula para confrontá-lo pelos crimes e ele, sabendo que Antonia não se lembrava mais de nada e não era ameaça a ele, disse a Eulália que ela poderia ter furtado o punhal dele e oferecido o mesmo para alguém cometer o crime atribuído a ele.  Eulália ficou sem chão.  Desolada.

         Ele jogou umas moedas de cobre aos pés dela dizendo que era para pagar o que ele a ela devia e se retirou.  Terrível humilhação.    “E afastou-se tranquilamente, deixando Eulália imóvel de indignação.”

...    A tia Ana e as irmãs de Eulália foram aceitas num abarracamento para retirantes na capital, ainda sem encontrar com ela.

         O comissário local se postava como chefe de família exemplar e falava sempre em nome da fé em Deus e o amor aos irmãos...    Assim, alegando lotação nos alojamentos, mandou alojarem Ana e as sobrinhas num local melhor e mais reservado.   Não por bondade, mas com segundas intenções.  Os próprios retirantes que já conheciam a má fé do comissário zombavam da sorte das novas alojadas porque já conheciam as intenções do comissário.

 

         Continua no capítulo 18/19

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Cap. 16/19 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - livro original de 1879

capítulo 16/19

         Terceira Parte do Livro – volume 2 –

         A capital

         “As mulheres estavam em tão completo estado de miséria que algumas delas mal podiam guardar a compostura e defender o pudor”.

         Enterros frequentes e o féretro segue em redes, não em caixões.  

         A amiga Irena e o pai moravam na capital em condição de retirantes e Eulália ainda não teve tempo de ir procurá-la.

         Eulália e o pensamento de que a Tia Ana não a perdoaria pelo caso com o vigário e o abandono do lar e sair na condição de retirante.

         Em certo momento ela pensou que a tia pudesse ponderar:  “Eulália errou, mas não era uma pessoa perversa”.

         A família de Eulália passando fome na capital e pedindo esmola nas ruas.

...............   

         Irena, super debilitada, caminhava com o velho pai oferecendo renda que ela fazia para tentar algum recurso para se alimentarem.  Pouco resultado nesse trabalho.  

         O único escravo que o pai dela, Rogério Monte tinha e que ia vender para pagar dívidas, acabou morrendo.   Assim ele ficou sem meios para pagar seus credores e ficou na miséria.   Na miséria, e agora, cego.   Ele acabou mudando de nome porque o acusaram no seu povoado de onde migrou, alegando que ele era o acusado pelo crime contra o Feitosa.

         Na viagem de barco para chegar até a capital, ainda ele e a filha foram furtados.  A tripulação do barco roubou a bagagem e piorou as condições deles.

         O pior dos mundos.   Pobre, cego, faminto, em terra estranha, tendo que defender a filha bem jovem e bonita da sanha contra os retirantes.

         Na capital Irena foi tentar vender renda para um cidadão que dava esmola aos retirantes.  Ele comprou as rendas mas não desconfiou que ela era sua ex namorada e filha do acusado pelo povo, de ter tentado assassiná-lo.

         Na verdade, como se sabe, quem tentou de fato matar Feitosa foi o vigário Paula, por ciúme, achando que Feitosa namorava escondido Eulália e não Irena.   Paula na calada da noite atacou Feitosa com um punhal na época e virou caso de polícia.

         Feitosa agora na capital ajudando os retirantes acampados pela cidade e passando fome.   Ajudando e procurando Rogério Monte por saber que o mesmo foi acusado injustamente e através de uma carta, ficou sabendo que o verdadeiro criminoso era o vigário Paula e que a polícia perseguia Rogerio por conta do engano.

         Feitosa desabafa    ...”tomarei contra o nosso algoz (vigário Paula) a mais terrível vingança”.

         O Vigário Paula, bem abatido, foi até a igreja na capital em busca de abrigo e o padre local não lhe deu muita atenção.  Só o atendeu quando soube que Paula era padre.   E queria falar com o Bispo.    O padre levou-o até o Bispo.

         O bispo ficou com pena do vigário Paula que estava bem maltratado pelo trecho percorrido como retirante.  O bispo não sabia do crime de Paula e deu abrigo a ele com conforto na sede do prelado onde morava o bispo.

         O vigário contou a mentira sobre o crime ocorrido na paróquia dele.  Disse também que ele, vigário, foi o primeiro a acusar o Rogerio Monte pelo crime.   O povo acreditou nisso na época porque Rogério, empobrecido, naqueles dias seguintes, foi para a capital, mas o motivo era se acertar com seus credores nos negócios.

         ..............    Eulália que ficou quinze dias internada na Santa Casa da capital depois de ter uma febre.   A freira do hospital segurou ela por mais uns dias lá até porque ela não tinha para onde ir e Eulália ajudava a cuidar de outros doentes pobres.

         Continua no capítulo 17/18 (ou 19) 

domingo, 13 de setembro de 2026

Cap.15/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) livro original é de 1879

         

         O novo presidente da província do Ceará, diante do tumulto nas regiões flageladas, resolveu suspender os recursos para o interior e concentrou o atendimento na capital ou nas cidades próximas da capital para poder ter mais controle do gasto e da efetividade da ajuda.

         Isso forçou os retirantes a longas jornadas.    No sufoco, os retirantes se rebelaram e saquearam armazéns de distribuição para ter com que partir como retirante em busca de socorro contra a fome.

         Num confronto com o bando de Pedro que buscava vingança, os dois líderes perderam a vida em combate.  Pedro e Onça, este que era um destacado membro do grupo de Virgulino que por sua vez era do bando dos Viriatos.

         Quando Virgulino ficou sabendo que sua companheira Maria, no desespero da fome matou um dos dois filhos e comeu parte da carne e alimentou o outro filho, ele decidiu que iria retirá-la da prisão e mataria ela a facadas.

         O companheiro dele ponderou.   Se matar ela, você vai ser preso e seu filho menor ficará sem proteção.  A decisão é sua.

         Virgulino e um companheiro montando um plano para retirar Maria da prisão e evitar o linchamento dela por conta da revolta que o caso criou na população local.    Ela afinal era a mãe que matou o próprio filho...

         O plano foi – disfarçados - incentivarem os abarracados que já estavam revoltados com a suspensão da ajuda do governo a se rebelarem e saquearem os armazéns de alimentos.  Que também invadissem a delegacia e soltassem os presos.

         Assim se fez.  Os retirantes saquearam os armazéns, soltaram os presos e colocaram fogo na delegacia.   Maria ficou muito queimada e Virgulino levou ela nas costas para longe da multidão.   O filho ficou ainda mais queimado e morreu ao lado do pai que nada pode fazer.   Nisso chega a polícia para prendê-lo e ele pega o resolver e dá um tiro no próprio ouvido.

         Unidos e abastecidos, os retirantes seguiram rumo a Baturité.   Para lá também seguiram Eulália e em seguida o vigário Paula.

         Região de serras e de menor efeito das secas.   Cita até cafeeiros, lavouras de cana, mandioca e áreas de pastagem de gado.

         Novo alento na caminhada.    – “Pode seguir em paz, daqui a Baturité ninguém morre de fome”, informou um morador desta região.

         Eulália animada com a esperança de reencontrar a família, mas veio o receio da tia Ana não aceita-la pela forma dela deixar a família e partir envergonhada pela gravidez com o vigário.

         Ela não consegue dormir direito pensando nos riscos que sua tia e suas irmãs viviam na marcha como retirantes diante das agruras da pobreza e desalento.

         Ela chegando em Baturité, pergunta ao que puxa o comboio.     “- Vou saber notícias da cidade”.   Ele responde:  - “Lá embaixo está uma pandemia... a doença tem atacado muita gente.   É onde a doença faz seu roçado.  É a fome”.

         Pela estrada a seguir depois de Baturité, só há para comer frutos do caraguatá e raiz de mandacaru.

         Eulalia ouviu a notícia de que mais de cem mil retirantes lotavam a capital do Ceará.   Em Baturité ela toma o trem para capital.

         ...  Pessoas miseráveis em volta do trem mendigando.   Meninas entre os retirantes, de doze a treze anos e já na perdição.   

         “- Aqui a perdição faz concorrência à fome”.

 

         Continua no capítulo 16/18

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cap. 14/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - baseado em livro de 1879

 

         Mundica denuncia Eulália que queria dividir a provisão para socorrer a família dela, seria pagar o bem com o ódio.

         Amália, irmã de Mundica, diz que sabe que sua irmã não roubou o dinheiro do socorro aos retirantes e sabe que Eulália também não o fez.

         No Quixadá-CE a justiça interrogando Maria, companheira de Virgulino.  Ela e os filhos passando o rigor da fome acabou num momento de desespero cometendo um crime.    No interrogatório diz que foi ela que matou o filho mais velho, mas que foi a fome que matou o filho.  O desespero da fome.

         Maria diz à autoridade:   - “Para mim é um benefício morrer, contanto que amparem aquele infeliz que está lá dentro”.

         No interrogatório...  “Vossa mercê não sabe o que é para um coração de mãe ouvir chorar os filhos com fome – exclamou a desventurada”.

         No delírio da fome, Maria se lembrou do caso de uma mãe no Crato que numa situação extrema de fome, matou e comeu um dos filhos e alimentou os outros filhos.   Era perder um para poupar os outros filhos.

         Foi a situação de Maria.  Salvar da morte  por fome adotando uma medida extrema.

         Na audiência do delegado, Maria confirmou como foi o ato de matar o filho por estarem prestes a morrerem de fome.  Cortou dois gravetinhos, um maior e outro menor.  Fechou os olhos, jogou-os no chão e pegou um dos dois.  Se fosse o maior, sacrificaria o filho maior.   Pegou de olho fechado do chão o graveto maior e o sacrifício foi no filho maior.

         Os curiosos que assistiam a sessão pediam a morte de Maria.   Nisso aparece Eulália no meio dos revoltosos com o outro filho de Maria e disse ao povo.   Se matarem ela, matam o filho dela que fica no desamparo.  Isto fez o povo recuar.   A frase de Eulália:  “- Não matem essa desgraçada, porque matam com ela um inocente”.

         O povo foi se espalhando.   Nisso entra em cena Mundica, agarrando Eulália pelos braços e acusando ela do roubo do dinheiro do comissário para atendimento aos retirantes.    Mundica achava que o dinheiro foi roubado por Eulália ou que ela recebeu  ajuda do vigário Paula.   Acusações sem provas.

         O delegado viu o gesto nobre de Eulália apresentar o filho de Maria e evitar que o povo a linchasse e perguntou a Mundica.   – “Qual prova você tem de que essa mulher roubou o dinheiro?”.   Mundica não tinha prova.  Por outro lado, Eulália não queria citar que o dinheiro veio pela ajuda do Virgulino que era do bando dos Viriatos.    Virgulino cuja família no passado foi acudida na fome pelo pai de Eulália e que fez a ajuda a ela por gratidão.

         Eulália tentando dormir numa pensão de duas mulheres da prostituição por falta de oportunidade na vida.   Foi o único lugar onde deixariam ela pousar, por ser uma mulher sem um companheiro.

         Eulália tentando dormir na pensão e recebe a inesperada visita do vigário Paula, o que a deixou perplexa.   Ele implora para que ela corresponda ao amor que ele diz ter por ela.    –“Perdoe-me, Eulália, o meu arrependimento é sincero...”.     Ela responde: ... “Deixe-me em paz:  eu tenho vindo bem na miséria, não me queira perverter de novo.   As minhas aflições são outras”.

         - “Mas de repente o castelo de areia dourado se esboroa, em vez da amante apaixonada de outrora, encontra com uma mulher ultrajada, com a mãe ameaçada, que não recua diante da sua cólera explosiva...”

         - “Quem tem razão é a senhora – bradou Paula; eu sou quem é o culpado.  Adeus!”

         Eulália queria no outro dia ir embora do povoado mas não teria onde pousar, mesmo tendo recurso para pagar.  Ninguém daria abrigo a uma mulher desacompanhada.

 

                            Continua no capítulo 15/18

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Cap. 13/18 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista)

                                             07-09-2026

         O vigário Paula avisou o anfitrião que partiria em dois dias.

         Após a missa, o comissário fez uma reunião reservada só com o vigário e nem o sacristão pode participar.    O povo ficou sabendo que houve a reunião e imaginou que seria algo grave, mas não sabia que era sobre o sumiço do dinheiro para acudir os retirantes.

         Na voz do povo...  “enquanto a Mundica estiver aqui, o povo inteiro repetirá que ela é a senhora do comissário”.

         O vigário depois da reunião contou de forma reservada o caso ao sacristão.   Disse que o comissário acusa a Mundica do roubo e que vai no abarracamento fazer ela confessar e devolver o dinheiro.

         O vigário Paula, que quer prejudicar Mundica, está faceiro e disse que vai para o abarracamento para ver a cena.   Diz:  “Eu é que não perco a festa”.

         Depois dos guardas, por ordem do comissário, revistarem tudo e nada encontrarem, este perguntou a Mundica que estava em pranto, onde estava a latinha com o dinheiro.  Ele antes tinha mostrado a latinha a ela.

         Ela negou saber onde estava o dinheiro.  Disse que não roubou.

         “Bem – bradou ele – dirigindo-se aos guardas – panham-me para fora a chicote esta ladra”.

         A multidão vaiando ela.  Por ordem do comissário, a família dela também foi posta pra fora do abarracamento.  Tinham que tomar algum rumo.

         Eulália perguntou aos retirantes por sua família e avisaram que haviam partido fazia uns quatro dias.

         O cenário da seca.    “A nudez substituira a vegetação, e o verão deixara um rastro negro sobre os lugares outrora cultivados, como se fora uma lápide sobreposta aos mortos plantios”.

         Com parte do dinheiro que ganhou de Virgulino, Eulália contratou um guia.  Eram vinte léguas a percorrer à pé.  (120 km) até Quixadá-CE.

         A tia Ana de Eulália e suas irmãs mais novas estavam sofrendo no trecho.   Chiquinha lembra o caso da família que no aperto pela fome, matou a besta que carregava as cargas para servir de alimento para aplacar a fome.

         Dona Ana lembrou que elas não tinham uma besta.   Chiquinha olhou para o cão fiel companheiro, o Amigo.  O cão abaixou o olhar ao ouvir seu nome.

         ...”É uma necessidade, exclamou Chiquinha, enxugando as lágrimas.

 - Não é verdade, Amigo?    ... O cão soltou um latido festivo.    “Dir-se-ia que neste movimento o Amigo fazia um oferecimento da sua vida à família e que lhes suplicava até a honra desse holocausto”.

         ... a sobrinha menor, de quatro anos acorda.     – “Não posso mais, eu morro de fome”.

         Chiquinha amarrou uma corda no pescoço  do cão e pendurou ele na casa abandonada e logo ele estava morto por enforcamento.   O jeito foi matar a fome com a carne do cão Amigo.

         Eulália e seu guia chegam perto de uma casa abandonada e decidiram tentar o pouso no local.   O guia foi até a casa e lá encontrou Mundica e a família dela derrotada pela fome.

         O guia reconheceu Mundica e pela miséria, percebeu que ela não tinha roubado o dinheiro do socorro aos retirantes.    Ela falou para o guia, ao retornar ao povoado, para ele explicar isso para o povo.

         O guia recomendou a Eulália para não chegar à casa por saber do ódio de Mundica por ela.   Mas Eulália por compaixão, pediu ao guia par dividir ao meio o que tinham para poder socorrer a família de Mundica.  

         Mundica responde ao guia de Eulália, chamando-a de camborça e recusa com veemência ajuda dela.

         Mundica achava que o dinheiro de Eulália teria sido dado pelo vigário Paula, ex amante dela e daí o ódio.    Não imaginava que o dinheiro veio pela gratidão de Virgulino que era do bando dos Viriatos mas que no passado foi amparado na fome pela caridade do professor, pai de Eulália.

         Mundica conversando com a irmã Amélia diz que ao chegarem em Quixadá, por vingança ela vai denunciar Eulália para ela explicar onde conseguiu o dinheiro para essa caminhada com provisões e guia.

 

                            Segue no capítulo 14/18