Total de visualizações de página

domingo, 13 de setembro de 2026

Cap.15/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) livro original é de 1879

         

         O novo presidente da província do Ceará, diante do tumulto nas regiões flageladas, resolveu suspender os recursos para o interior e concentrou o atendimento na capital ou nas cidades próximas da capital para poder ter mais controle do gasto e da efetividade da ajuda.

         Isso forçou os retirantes a longas jornadas.    No sufoco, os retirantes se rebelaram e saquearam armazéns de distribuição para ter com que partir como retirante em busca de socorro contra a fome.

         Num confronto com o bando de Pedro que buscava vingança, os dois líderes perderam a vida em combate.  Pedro e Onça, este que era um destacado membro do grupo de Virgulino que por sua vez era do bando dos Viriatos.

         Quando Virgulino ficou sabendo que sua companheira Maria, no desespero da fome matou um dos dois filhos e comeu parte da carne e alimentou o outro filho, ele decidiu que iria retirá-la da prisão e mataria ela a facadas.

         O companheiro dele ponderou.   Se matar ela, você vai ser preso e seu filho menor ficará sem proteção.  A decisão é sua.

         Virgulino e um companheiro montando um plano para retirar Maria da prisão e evitar o linchamento dela por conta da revolta que o caso criou na população local.    Ela afinal era a mãe que matou o próprio filho...

         O plano foi – disfarçados - incentivarem os abarracados que já estavam revoltados com a suspensão da ajuda do governo a se rebelarem e saquearem os armazéns de alimentos.  Que também invadissem a delegacia e soltassem os presos.

         Assim se fez.  Os retirantes saquearam os armazéns, soltaram os presos e colocaram fogo na delegacia.   Maria ficou muito queimada e Virgulino levou ela nas costas para longe da multidão.   O filho ficou ainda mais queimado e morreu ao lado do pai que nada pode fazer.   Nisso chega a polícia para prendê-lo e ele pega o resolver e dá um tiro no próprio ouvido.

         Unidos e abastecidos, os retirantes seguiram rumo a Baturité.   Para lá também seguiram Eulália e em seguida o vigário Paula.

         Região de serras e de menor efeito das secas.   Cita até cafeeiros, lavouras de cana, mandioca e áreas de pastagem de gado.

         Novo alento na caminhada.    – “Pode seguir em paz, daqui a Baturité ninguém morre de fome”, informou um morador desta região.

         Eulália animada com a esperança de reencontrar a família, mas veio o receio da tia Ana não aceita-la pela forma dela deixar a família e partir envergonhada pela gravidez com o vigário.

         Ela não consegue dormir direito pensando nos riscos que sua tia e suas irmãs viviam na marcha como retirantes diante das agruras da pobreza e desalento.

         Ela chegando em Baturité, pergunta ao que puxa o comboio.     “- Vou saber notícias da cidade”.   Ele responde:  - “Lá embaixo está uma pandemia... a doença tem atacado muita gente.   É onde a doença faz seu roçado.  É a fome”.

         Pela estrada a seguir depois de Baturité, só há para comer frutos do caraguatá e raiz de mandacaru.

         Eulalia ouviu a notícia de que mais de cem mil retirantes lotavam a capital do Ceará.   Em Baturité ela toma o trem para capital.

         ...  Pessoas miseráveis em volta do trem mendigando.   Meninas entre os retirantes, de doze a treze anos e já na perdição.   

         “- Aqui a perdição faz concorrência à fome”.

 

         Continua no capítulo 16/18

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cap. 14/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - baseado em livro de 1879

 

         Mundica denuncia Eulália que queria dividir a provisão para socorrer a família dela, seria pagar o bem com o ódio.

         Amália, irmã de Mundica, diz que sabe que sua irmã não roubou o dinheiro do socorro aos retirantes e sabe que Eulália também não o fez.

         No Quixadá-CE a justiça interrogando Maria, companheira de Virgulino.  Ela e os filhos passando o rigor da fome acabou num momento de desespero cometendo um crime.    No interrogatório diz que foi ela que matou o filho mais velho, mas que foi a fome que matou o filho.  O desespero da fome.

         Maria diz à autoridade:   - “Para mim é um benefício morrer, contanto que amparem aquele infeliz que está lá dentro”.

         No interrogatório...  “Vossa mercê não sabe o que é para um coração de mãe ouvir chorar os filhos com fome – exclamou a desventurada”.

         No delírio da fome, Maria se lembrou do caso de uma mãe no Crato que numa situação extrema de fome, matou e comeu um dos filhos e alimentou os outros filhos.   Era perder um para poupar os outros filhos.

         Foi a situação de Maria.  Salvar da morte  por fome adotando uma medida extrema.

         Na audiência do delegado, Maria confirmou como foi o ato de matar o filho por estarem prestes a morrerem de fome.  Cortou dois gravetinhos, um maior e outro menor.  Fechou os olhos, jogou-os no chão e pegou um dos dois.  Se fosse o maior, sacrificaria o filho maior.   Pegou de olho fechado do chão o graveto maior e o sacrifício foi no filho maior.

         Os curiosos que assistiam a sessão pediam a morte de Maria.   Nisso aparece Eulália no meio dos revoltosos com o outro filho de Maria e disse ao povo.   Se matarem ela, matam o filho dela que fica no desamparo.  Isto fez o povo recuar.   A frase de Eulália:  “- Não matem essa desgraçada, porque matam com ela um inocente”.

         O povo foi se espalhando.   Nisso entra em cena Mundica, agarrando Eulália pelos braços e acusando ela do roubo do dinheiro do comissário para atendimento aos retirantes.    Mundica achava que o dinheiro foi roubado por Eulália ou que ela recebeu  ajuda do vigário Paula.   Acusações sem provas.

         O delegado viu o gesto nobre de Eulália apresentar o filho de Maria e evitar que o povo a linchasse e perguntou a Mundica.   – “Qual prova você tem de que essa mulher roubou o dinheiro?”.   Mundica não tinha prova.  Por outro lado, Eulália não queria citar que o dinheiro veio pela ajuda do Virgulino que era do bando dos Viriatos.    Virgulino cuja família no passado foi acudida na fome pelo pai de Eulália e que fez a ajuda a ela por gratidão.

         Eulália tentando dormir numa pensão de duas mulheres da prostituição por falta de oportunidade na vida.   Foi o único lugar onde deixariam ela pousar, por ser uma mulher sem um companheiro.

         Eulália tentando dormir na pensão e recebe a inesperada visita do vigário Paula, o que a deixou perplexa.   Ele implora para que ela corresponda ao amor que ele diz ter por ela.    –“Perdoe-me, Eulália, o meu arrependimento é sincero...”.     Ela responde: ... “Deixe-me em paz:  eu tenho vindo bem na miséria, não me queira perverter de novo.   As minhas aflições são outras”.

         - “Mas de repente o castelo de areia dourado se esboroa, em vez da amante apaixonada de outrora, encontra com uma mulher ultrajada, com a mãe ameaçada, que não recua diante da sua cólera explosiva...”

         - “Quem tem razão é a senhora – bradou Paula; eu sou quem é o culpado.  Adeus!”

         Eulália queria no outro dia ir embora do povoado mas não teria onde pousar, mesmo tendo recurso para pagar.  Ninguém daria abrigo a uma mulher desacompanhada.

 

                            Continua no capítulo 15/18

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Cap. 13/18 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista)

                                             07-09-2026

         O vigário Paula avisou o anfitrião que partiria em dois dias.

         Após a missa, o comissário fez uma reunião reservada só com o vigário e nem o sacristão pode participar.    O povo ficou sabendo que houve a reunião e imaginou que seria algo grave, mas não sabia que era sobre o sumiço do dinheiro para acudir os retirantes.

         Na voz do povo...  “enquanto a Mundica estiver aqui, o povo inteiro repetirá que ela é a senhora do comissário”.

         O vigário depois da reunião contou de forma reservada o caso ao sacristão.   Disse que o comissário acusa a Mundica do roubo e que vai no abarracamento fazer ela confessar e devolver o dinheiro.

         O vigário Paula, que quer prejudicar Mundica, está faceiro e disse que vai para o abarracamento para ver a cena.   Diz:  “Eu é que não perco a festa”.

         Depois dos guardas, por ordem do comissário, revistarem tudo e nada encontrarem, este perguntou a Mundica que estava em pranto, onde estava a latinha com o dinheiro.  Ele antes tinha mostrado a latinha a ela.

         Ela negou saber onde estava o dinheiro.  Disse que não roubou.

         “Bem – bradou ele – dirigindo-se aos guardas – panham-me para fora a chicote esta ladra”.

         A multidão vaiando ela.  Por ordem do comissário, a família dela também foi posta pra fora do abarracamento.  Tinham que tomar algum rumo.

         Eulália perguntou aos retirantes por sua família e avisaram que haviam partido fazia uns quatro dias.

         O cenário da seca.    “A nudez substituira a vegetação, e o verão deixara um rastro negro sobre os lugares outrora cultivados, como se fora uma lápide sobreposta aos mortos plantios”.

         Com parte do dinheiro que ganhou de Virgulino, Eulália contratou um guia.  Eram vinte léguas a percorrer à pé.  (120 km) até Quixadá-CE.

         A tia Ana de Eulália e suas irmãs mais novas estavam sofrendo no trecho.   Chiquinha lembra o caso da família que no aperto pela fome, matou a besta que carregava as cargas para servir de alimento para aplacar a fome.

         Dona Ana lembrou que elas não tinham uma besta.   Chiquinha olhou para o cão fiel companheiro, o Amigo.  O cão abaixou o olhar ao ouvir seu nome.

         ...”É uma necessidade, exclamou Chiquinha, enxugando as lágrimas.

 - Não é verdade, Amigo?    ... O cão soltou um latido festivo.    “Dir-se-ia que neste movimento o Amigo fazia um oferecimento da sua vida à família e que lhes suplicava até a honra desse holocausto”.

         ... a sobrinha menor, de quatro anos acorda.     – “Não posso mais, eu morro de fome”.

         Chiquinha amarrou uma corda no pescoço  do cão e pendurou ele na casa abandonada e logo ele estava morto por enforcamento.   O jeito foi matar a fome com a carne do cão Amigo.

         Eulália e seu guia chegam perto de uma casa abandonada e decidiram tentar o pouso no local.   O guia foi até a casa e lá encontrou Mundica e a família dela derrotada pela fome.

         O guia reconheceu Mundica e pela miséria, percebeu que ela não tinha roubado o dinheiro do socorro aos retirantes.    Ela falou para o guia, ao retornar ao povoado, para ele explicar isso para o povo.

         O guia recomendou a Eulália para não chegar à casa por saber do ódio de Mundica por ela.   Mas Eulália por compaixão, pediu ao guia par dividir ao meio o que tinham para poder socorrer a família de Mundica.  

         Mundica responde ao guia de Eulália, chamando-a de camborça e recusa com veemência ajuda dela.

         Mundica achava que o dinheiro de Eulália teria sido dado pelo vigário Paula, ex amante dela e daí o ódio.    Não imaginava que o dinheiro veio pela gratidão de Virgulino que era do bando dos Viriatos mas que no passado foi amparado na fome pela caridade do professor, pai de Eulália.

         Mundica conversando com a irmã Amélia diz que ao chegarem em Quixadá, por vingança ela vai denunciar Eulália para ela explicar onde conseguiu o dinheiro para essa caminhada com provisões e guia.

 

                            Segue no capítulo 14/18

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cap.12/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - original de 1879

                                                      04-09-2026

         Inácio da venda poderia ser atacado pelo bando do Pedro ou se o povo soubesse que ele tinha relação com o bando dos Viriatos, seria desmoralizado pelo seu povo.

         Diante disso tudo, o bando dos Viriatos decidiu que a venda do Inácio tem que desaparecer dali e que ele poderia mais tarde voltar a ter uma venda em outro povoado onde ele fosse desconhecido.

         O bando dos Viriatos decidiu que iria tentar liquidar com o bando do Pedro que levou uma surra por ter desviado produtos de saque quando estava no bando dos Viriatos.   Pedro declarou guerra ao bando antigo.

         Os erros do Pedro incluíam o desvio de parte dos saques e depois se descobriu que foi ele quem atacou Eulália na estrada como retirante.

         “Mais de sessenta companheiros do bando dos Viriatos seguiram com Pedro e declararam guerra ao bando rival”.

         Inácio recebeu a visita de um emissário do bando de Pedro.  Depois o chefe do bando dos Viriatos, ao saber disso, alertou Inácio:

         - “Eu não o poupava.  Quem ao inimigo poupa, nas mãos lhe morre.  Cabia-lhe bem um tiro nas costelas”.

         O emissário foi amarrado e ficou prisioneiro do Inácio.  Depois de muita prosa, Inácio serviu a ele um jantar, só que adicionou veneno que logo matou o emissário de Pedro.

         Virgulino tratando na Venda de Inácio os preparativos para partir e como ficaria a situação de Inácio que estaria na mira do grupo de Pedro.

         Virgulino acertou que levaria Eulália, sua protegida porque a família dela no passado ajudou a família dele quando era retirante.  Questão de gratidão.

         Eulália estava fora da vista dos que conversavam mas ouviu a prosa.  Apesar dos riscos, estava contente por partir em breve.   Assim foi, partiu Virgulino a cavalo com Eulália na garupa.

         ...”estou pronto a servi-la até a morte”.

     Virgulino diz para Eulália que todos viram as costas para o retirante necessitado e o desespero muitas vezes leva o pai de família a entrar no mundo do crime para sobreviver.

         Ao fim, na despedida, ele completa...  “diga aos meus filhos, se algum dia os vir, que o seu pai comete crimes, porém nem por isso deixa de ser agradecido a quem teve piedade dele”.

         Ao se despedir, Virgulino deu uma bolsinha com moedas de alto valor para Eulália poder sobreviver na caminhada.

         Naquela situação de retirante “deixar a esmola de Virgulino era o mesmo que se suicidar”.  Era fome e risco de vida por todo lado.

         No abarracamento à noite, o povo retirante dormia e Mundica ficava lá.  Tarde da noite, com um agente do comissário, ela ia até a casa do amante comissário.   Voltava com a mesma escolta antes de clarear o dia.

         Numa noite foram seguidos pelo vigário Paula que queria se vingar de Mundica, sua ex amante.   Ele entrou escondido na casa do comissário e roubou a lata com o dinheiro que era para atender os retirantes.  A culpa iria para Mundica que tinha naquela noite visto a lata e soube que era dinheiro para atender os retirantes.

         O vigário Paula escondido  tinha escutado a prosa do casal e ficou sabendo da lata com o dinheiro e roubou para ficar ela como praticante do crime.  Assim ele punia a ex amante.

         O vigário Paula depois disso avisou o colega que o hospedava, que dali a dois dias iria partir para outro povoado.   O anfitrião, de boa fé, lhe cedeu um cavalo e um ajudante para a caminhada.

 

                            Continua no capítulo 13/18

sábado, 29 de agosto de 2026

Cap.11/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO - (abolicionista) - escrito em 1879

   

         Depois da briga por causa da disputa da água e o ódio da Mundica por dona Ana, tia da rival dela pelo vigário, dona Ana resolveu abandonar o grupo.

         ...”Na manhã seguinte... deixaram o pouso insultadas e indefesas”.

         Capítulo VI        Mundica ficou famosa pelos barracos que aprontou na caminhada.  Ela já tinha até um novo caso.  Era amante do comissário local.   A fama dela despertou a curiosidade inclusive do vigário local.   Este pediu para o comissário lhe apresentar Mundica.

         Na prosa ela diz:   - “Contam sempre demais, senhor vigário; deve-se sempre partir ao meio o que se ouve”.

         O vigário em companhia do comissário ao visitar Mundica, conheceu a família dela que tinha inclusive uma irmã mais nova, também bonita, que causou interesse do vigário local.  Era a Amelinha.

         ... “É uma família de formosuras – ponderou judiciosamente o vigário...”

         O vigário pergunta ao comissário se Amelinha também já era mulher.

         ... “não sei, o que me parece é que ela não é, porque não pôde; porém mais dia menos dia...”

          - “É; em tempos de calamidade, é muito difícil que a pobreza possa conservar-se pura”.

         “Quando a necessidade bate pela porta da frente a virtude sai pelos fundos”.  ...

         “De brio eram, a Dona Ana e a tal Chiquinha e essas morrerão à fome antes que cedam a honra”.

         ...   falas do comissário com o vigário.   “É verdade que, de uma hora para outra, muda-se tudo, e a Chiquinha não deixa de ser bonita”.   Boa noite.

         Um retirante bate à porta do vigário Belmiro, se dizendo vigário também e pedindo pouso.   Para provar que é vigário, apresentou uma carta de recomendação.    Teve tratamento bom, com galinha ensopada no jantar.

         Milho agora deixou de ser só ração de animais e passou a ser alimento quase único para os retirantes.

         O vigário local serviu até vinho do Porto para o seu colega.

         E ele sabia do caso entre Mundica e o vigário visitante.

         Sobre o peso de consciência do vigário Paula.    ...”e a imaginação, tremendo juiz que não dorme, que não se suborna, desdobrava-lhe quadros medonhos como resposta”.

         ... uma mãe faminta na caminhada.    “deitava nos lábios da criança o seio nu, mas este estava mais árido do que um rochedo, e o quadro era triste, porque era a esterilidade amamentando um esqueleto”.

         O vigário Paula tinha vontade de se vingar de Mundica, sua ex amante e esta por sua vez tinha vontade de se vingar de Eulália por quem o vigário era apaixonado.

         O Onça do bando dos Viriatos chega do Crato e traz más notícias do bando.   O Pedro, que era bem complicado e queria formar seu próprio bando, foi pego desviando objetos saqueados pelo bando no Crato.   Apanhou do bando e se descobriu que ele foi quem atacou Eulália na estrada, ela que era protegida pelo seu bando.  Uma traição.

         Pedro foi expulso, criou o seu bando e jurou vingança aos Viriatos.   Poderia ser por meio de ataque armado ao bando ou por denúncia à justiça.  Seria um estrago para os Viriatos.

         Para o vendeiro Inácio que tinha passado honrado e por pressão do bando recebeu dinheiro para ficar sendo dono de fachada do local sob o controle do bando dos Viriatos, a situação complicou.   O bando determinou que ele tinha que fechar a venda e sumir para outro povoado e lá abrir novo negócio.

                   Continua no capítulo 12/18 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Cap. 10/18 - fichamento do vol 2 do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - baseado em 1879

capítulo 10/18

 

         A mulher da venda do Inácio que cuidava de Eulália perguntou se ela tinha alguém que poderia ajudá-la.   Eulalia diz que não e que tem vergonha por ter engravidado do vigário.

         - “Prefiro morrer a causar-lhes mais tormentos, para mortificar-me e entristecê-los já fiz o bastante: deixei-lhes a lembrança de minha vergonha”.

         Ana quer já no dia seguinte à chegada na venda do Inácio, partir sem saber que Eulália, sua sobrinha, estava em recuperação no mesmo local.

         Inácio não recomenda a partida, dizendo que são cinquenta quilômetros a distância (oito léguas) para o próximo povoado e tem muitos riscos.

         ... “pode algum desalmado atrever-se e as senhoras não tem um homem para defendê-las”.     Ana diz:   Precisamos chegar no Ceará – lá teremos abrigo.

         Na partida delas, Inácio entregou na mão da criança as joias que tinha recebido em pagamento da comida sem que Ana percebesse.

         A mulher e filhos do Virgulino estavam em posição mais adiante na caminhada que Ana iria fazer.

         Consta que o povo sem comida, chupava o fruto da “croatá”(mesmo que caraguatá), que seria uma planta da família do abacaxi e que causava inchaço nas pessoas se fosse consumida em excesso.

         Urubus no trecho da caminhada.  Num local, estavam se alimentando da carcaça de uma pessoa ao relento da estrada.   Causou pavor nos caminhantes.

         Os caminhantes já no escurecer, procuram alguma árvore para se abrigar à noite.    No abrigo debaixo da árvore, uma maçaranduba, entre tantas pessoas adultas e crianças, uma criança que só chorava pela fome.    A mãe ao lado desmaiada e a outra criança maior um pouco, tentando fazer a menor mamar na mãe desmaiada.

         Souberam que o pai dessas crianças tinha morrido no trecho e era a carcaça que os urubus estavam devorando.

         A mulher de Virgulino acudiu a criança que perdeu a mãe e por estar também amamentando, passou a dividir a amamentação com a criança que perdeu a mãe.    E resolveu não seguir o grupo e esperar que passasse por ali alguém que pudesse acudir nessa situação de ter mais uma criança para cuidar e alimentar.

         Na calada da noite uma velhinha que estava abrigada debaixo da árvore se levantou escondida e foi na rede, retirou as duas órfãs e levou para um local escondido e sufocou ambas nos panos que levou.   Depois trouxe-as já mortas e colocou de novo na rede.

         A mulher de Virgulino que estava cuidando das órfãs ficou indignada. Quando ela viu que as crianças estavam mortas, deu o alarme de que alguém as matou por asfixia.

         Todos se vigiavam para ter a parte que lhes cabia, incluindo o acesso à água.   Tudo bem racionado e dois guardas com chicotes controlando os retirantes.

         Mundica, a amante do vigário, ficava perturbando as retirantes e vigiando para tretar com as pessoas.   Um dia ela se atracou com uma senhora que dividia sua pouca porção de água com as crianças que choravam de sede.

         Os guardas pagos para manter a ordem no grupo, usavam chicotes para bater em casos de desentendimentos.

         Eles deram razão a Mundica numa briga dela fora da razão, porque sabiam que ela tinha influência com o vigário que era um dos que controlavam a ajuda do governo para os retirantes e pagavam os guardas.

         Dona Ana, irmã do falecido professor Queiroz, seguia no grupo com as duas sobrinhas e o cão Amigo.

                   Continua no capítulo 11/18 


um exemplar da planta caraguatá citada neste capítulo.    Conheço essa planta.

sábado, 22 de agosto de 2026

Cap. 9/16 - fichamento do vol II do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - escrito em 1879

Volume 2 – cap. 9/16                 Capítulo I

         “Em outubro de 1877 a improbidade ostentava-se já na província... e havia comissários do governo que podiam zombar da calamidade...”

         Sem ajuda do governo “A fome deu alarma nas cidades, vilas e povoados...”

         ... o povo fluiu para o litoral onde fica a sede da província – Fortaleza.

         O alvo do povo era chegar até a capital onde está a sede do governo.

         O povoado de B.V. (palco deste romance) segue rumo à capital e o trajeto passa por Quixeramobim, Quixadá, Baturité e depois se chega a Fortaleza.

         Nessa leva de retirantes, era frequente o ataque do bando de Viriato.

         No trecho, a venda  do velho Inácio prosperava a olhos vistos e não era atacada pelo bando dos Viriatos.

         Os do bando falando sobre os riscos e a morte.     “O homem que tem o ofício de roubar, não corre maior perigo do que a morte.   Em que ele é diferente dos outros?”.

         Sobre o bando dos Viriatos, o integrante do bando diz:  

         “Eu fui chama-los para dar-lhes com que alimentar a suas famílias; tomamos dos que tem e não querem dar aos que morrem de fome”.

         ... Sobre a venda de Inácio que o bando não saqueia e mesmo se alimenta e pousa lá.    Diz Inácio a um dos integrantes do bando:

         - “Se houver alguma coisa descobre-se logo que esta venda não é minha.   Já se murmura por vê-la assim”.

         Um do bando, o Diabrete, vem avisar o Onça que vem aí uma mulher sozinha.   Bem asseada.   Onça diz – deixe-a passar em paz”.

         Os do bando usavam uma máscara de couro para não serem reconhecidos.

         Ofereceram pouso para Eulália na casa  de Inácio da Venda por conta do bando.    Os do bando conheciam o povo do povoado e sabia que ela era de família que amparava os desvalidos.

         Virgulino, o chefe do bando, conversou com Eulália e reconheceu ela.  Conhecia os acontecimentos no povoado dela.

         No outro dia cedo Eulália ia partir e Virgulino alertou do perigo.  Ela insistiu.   A família dela tinha dado abrigo aos retirantes e amigos de Virgulino no passado e agora ele queria ajuda-la.

         -“Não tente disfarçar – disse Virgulino – é a morte o que a senhora deseja, para ocultar o seu erro, mas a senhora não pode matar seu filho”.

         -“Nem quero – exclamou a infeliz – Quero salva-lo porque tenho sofrido muito”.

         Um do bando falando a outro sobre a vontade de partir deste lugar feio.

         “Eu quero partir daqui, porque este lugar é mais feio que um olhar de cascavel”...

         Virgulino e um companheiro partiram para tentar alcançar Eulália.  Andaram muito e em certo ponto viram sinais de que alguém foi arrastado da estrada para o mato.   Seguiram o rasto e encontraram ela desmaiada e ferida por ter sido atacada e violentada por alguém.

         Virgulino colocou ela no ombro e a trouxe desmaiada até a Venda para que ela fosse reanimada.

         Nesse grupinho que faz parte do bando dos Viriatos, tem o Virgulino, seu filho Onça e o Diabrete.

         A senha para os diferentes grupos do bando dos Viriatos se reconhecerem era:   “Vivo, luto e venço”.

         A ordem ao grupo:   seguirem para Icó-CE.    Assim fizeram e deixaram Eulália aos cuidados da mulher de Inácio e a garantia de que manteriam o custo disso por conta deles.

         Chegaram uma velha e duas mocinhas até a venda.   Vinham do vilarejo de Eulália.   Pediram comida a troco de algumas joias delas.   Inácio propôs a troca por uma porção módica de bolachas para matar a fome.    Depois o da venda ficou sabendo que a velha era a irmã do Professor Queiroz que tinha morrido e as mocinhas eram as filhas dele, portanto, irmãs mais novas de Eulália.    Elas não se encontraram com Eulália e logo partiram.

         Eulália, quando se restabeleceu do trauma, queria seguir estrada e a família de Inácio não deixou.   Tinha ordem do bando para reter ela ali e o bando pagaria a conta.

 

                            Continua no capítulo 10/18