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sábado, 23 de maio de 2026

Cap. 7 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor: Professor REGINALDO BENEDITO DIAS

 capítulo 7                                        maio de 2026

 

         Processo, julgamento e reparações

         ... trechinho de um argumento da defesa do vereador na Justiça:

         “... a justiça vale-se da jurisprudência para esposar a tese de que, em si mesmo, o ato de portar uma ideologia não era crime”.

         ,,, “Fazia parte da lógica do novo regime considerar qualquer atitude oposicionista – partidária, sindical, estudantil, parlamentar – como crime contra a segurança nacional”.

         Lembrando que tudo que fosse suposto crime contra a segurança nacional era julgado no âmbito da Justiça Militar na época da ditadura.

         Em agosto de 1979 foi promulgada a Lei da Anistia.   O vereador Bonifácio foi anistiado com base nessa lei.

          Posteriormente, uma lei de 1995 ampliou os termos da lei da anistia a favor dos réus e a lei de 2002 inclusive prevê reparo econômico aos atingidos pelo regime militar.

         ABAP Associação Brasileira de Anistiados Políticos.    Com base na lei, Bonifácio requereu judicialmente reparo econômico e foi atendido com uma indenização em um só pagamento, no teto do que a lei previa:  960 salários mínimos vigentes na época.

         Mais adiante passou a atuar na Comissão Nacional da Verdade, ancorada em lei.   Nesse contexto, em 2013 o Congresso Nacional restituiu simbolicamente o cargo de presidente ao  João Goulart que foi cassado em 1964 com o golpe.

         Em março de 2014, o Congresso Nacional promoveu a reparação e restituição simbólica do cargo para 173 deputados cassados no ato da implantação da ditadura de 1964 no Brasil.

         Respaldado pela Comissão da Verdade, no Paraná se criou...  “ núcleo local do Forum Paranaense em Resgate da Liberdade, Memória e Justiça”.

         (eu, leitor, participei por volta do ano 2010 quando residia em Maringá PR, de várias reuniões do citado Fórum.   Depois participei aqui em Curitiba de mais umas duas reuniões sempre com depoimentos de pessoas que foram perseguidas pela ditadura militar).

         Bonifácio faleceu em 2011 e em 2014, no bojo do trabalho do Fórum Paranaense, conquistou o direito de haver uma sessão na Câmara de Maringá, na qual se restituiu a ele (in memoriam), o cargo de vereador, sessão solene na qual ele foi representado pelas suas duas filhas.

         Considerações Finais deste capítulo

         A anistia foi tardia e em etapas e muitos dos penalizados pela ditadura vieram a falecer antes de serem anistiados.

         ... “Tudo isso subsidia uma reflexão sobre a transição brasileira da ditadura para a democracia, que, além de lenta, em muitos sentidos, resta intranquila”.

         Capítulo 3 -  Os trabalhadores e a esquerda na resistência à ditadura militar: a greve geral de outubro de 1968 em Maringá PR

         Greve dos bancários, trabalhadores rurais, trabalhadores das indústrias de alimentos...    “Tratou-se de tentativa de articulação de uma greve geral, fato que significava na forma e no conteúdo, resistência e enfrentamento à política da ditadura militar.”

         ... época de arrocho salarial etc.

         “A AP Ação Popular, uma das mais representativas organizações daquela geração, contribuiu decisivamente para todo o processo de mobilização da greve”.

         Ditadura militar, movimentos sociais e as esquerdas na década de 1960.

         Reformas de Base.   “Tingido pelas cores do nacionalismo econômico, esse movimento reivindicava entre outros, a reforma agrária e reforma universitária. 

         Setor estudantil e neste, a UNE União Nacional dos Estudantes como expoente nessa frente de luta.

         Setor agrário tinha como expoente a CONTAG Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

         ... O PCB Partido Comunista Brasileiro sustentava a concepção de que a revolução brasileira deveria ocorrer em duas etapas: a nacional-democrática e a socialista.

         O PCB antes era Partido Comunista do Brasil e com esse nome tinha a conotação de subordinação do comunismo internacional.  Dai o partido mudou para PCB Partido Comunista Brasileiro.     O PCB  ...”fazia a defesa dos métodos legais e eleitorais para a consolidação das mudanças estruturais.    ...”seu objetivo de se integrar ao sistema partidário vigente no Brasil”.

 

         Continua no capítulo 8

terça-feira, 19 de maio de 2026

Cap. 6 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor Professor REGINALDO BENEDITO DIAS

capítulo 6

 

         “Em 1961, Bonifácio Martins foi um dos organizadores do II Congresso de Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná, cuja abertura contou com a presença de líderes nacionais das lutas no campo como Francisco Julião, e de um representante oficial do presidente da república (João Goulart).

         Tinham o confronto da FAP Frente Agrária Paranaense, organizada pelo Bispo católico local, Dom Jaime Luiz Coelho   (que eu, leitor, conheci)

         A FAP organizou um evento para se contrapor na mesma data o II Congresso dos trabalhadores articulado pela base destes.    Houve confronto e uma verdadeira guerra campal entre as partes.

         Em 1960 a esquerda socialista concorreu com chapa completa na eleição municipal em Maringá, desde prefeito até vereadores.    Nesta eleição, Bonifácio foi reeleito vereador.   O candidato a prefeito que concorreu e não se elegeu pela esquerda foi o advogado Jorge Ferreira Duque Estrada ligado ao PTB.

         ... anos 60, tempos tensos...      ...”os debates sobre a expansão de direitos deparava com o os interesses dos proprietários rurais influentes... e se inseria no contexto da elevação da disputa ideológica daqueles anos da Guerra Fria, quando o discurso anticomunista era escudo para deter as reformas sociais”.

         A repercussão imediata do golpe de 1964.

         Anos 60, e o governo de João Goulart, de esquerda, buscando implantar as chamadas “reformas de base”.   Estas que eram rechaçadas pelos conservadores.

         “Na lógica da Guerra Fria, programas reformistas e nacionalistas eram suspeitos de encobrir objetivos comunistas”.

         Nesse contexto, o vereador Bonifácio era visto como o vereador comunista.   Ele constatou que havia manifestação de rua em Maringá hostil a ele.  Assim, resolveu se refugiar e proteger a sua família.   Tinha a esposa e duas filhas pequenas, uma delas ainda de colo.

         Em apoio aos golpistas que instituíram o regime militar de 1964, maringaenses chegaram a tentar colocar fogo na Radio Atalaia de Maringá “cujo proprietário era amigo do presidente João Goulart, o Jango.”

     Por ocasião do golpe civil-militar de 1964, até em Mandaguaçu PR, houve passeata do pessoal da direita em apoio ao golpe.    “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”.

         Em Maringá, passeata da direita tinha gente querendo e ameaçando atear fogo na residência do médico Salim Haddad.   Policiais de plantão protegeram o local e dispersaram os manifestantes.

         O então bispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho fez declarações no jornal Folha do Norte do Paraná, dia 02-04-1964 com o título:  “Patriotismo dos brasileiros sempre foi bafejado pela religião”.

         Pelo censo de 1960, na época da ditadura de 1964, Maringá teria 104.131 habitantes.    Antes mesmo da posse do primeiro presidente militar em abril de 1964, a junta militar instituiu o AI 1 Ato Institucional número um que retirava atribuições do Congresso Nacional.    “reduziram drasticamente os poderes do Congresso Nacional”.

         Cassaram mandatos de políticos eleitos e implantaram os IPM Inquéritos Policiais Militares para perseguir e prender quem eles achavam que fosse contra a ditadura.

         A Câmara Municipal de Maringá tentou cassar o mandato de Bonifácio, mas não encontrou amparo legal para isso.   Não efetivou a cassação, mas deu posse ao suplente dele, já que o vereador perseguido se evadiu para não ser preso.

         Bonifácio , que perdeu o mandato em 1964, se mudou para São Paulo para recomeçar a vida como contador.   Tinha firma aberta e atuante no ramo em São Paulo, porém em 1972  ... “quando já havia sido julgado como réu revel, foi preso e cumpriu pena”.

 

         Continua no capítulo 7

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cap.5 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor da UEM - Reginaldo Benedito Dias

 cap. 5                                        15-05-2026

         Novas manifestações de sindicalismo

         “No início de agosto de 1979, radiograma da polícia civil de Maringá comunicava à Secretaria de Segurança Pública:  Imprensa anuncia vinda esta cidade dia 22 de setembro próximo Luiz Inácio da Silva, vulgo Lula, líder sindical do ABC”.

         ... a convite do Sindicato dos Bancários de Maringá.   Tempos do chamado “novo sindicalismo”.   Vieram para Maringá expoentes do sindicalismo de São Paulo como Luiz Gushiken e Jacob Bittar.   O Lula acabou não vindo porque surgiu demanda no Congresso Nacional e ele teve que atender e não pode estar em Maringá naquela ocasião.

         Houve congresso de sindicalistas na época e desaguou em 1983 na fundação da CUT Central Única dos Trabalhadores.    Os sindicatos de trabalhadores do Paraná praticamente não aderiram à CUT.     (Nos anos 80 eu, leitor,  atuava no BB em Umuarama PR e lá já nessa fase inicial da CUT, a oposição sindical cutista se elegeu para o sindicato dos bancários local e tem permanecido por décadas nessa linha).

         Capítulo 2   Maringá no nascimento da ditadura civil-militar de 1964: análise do processo movido contra o Vereador Bonifácio Martins

         Preâmbulo:     Em 1964 a ditadura  causou a cassação do mandato do Bonifácio e ele se evadiu para não ser preso.

         Em 2014, após o trâmite da Comissão da Verdade, pautada em lei, os integrantes da Câmara Municipal de Maringá em ato simbólico, restituiu o mandato do vereador Bonifácio Martins para a legislatura da qual ele foi cassado.

         Na época da cassação o vereador chegou a ser condenado e preso.   Ele bem depois de ser solto, em 2011 aos 88 anos de idade veio a falecer.

          Itinerário Político

         Bonifácio era natural de Taquaritinga SP e aos 33 de idade, veio para a então “cidade menina” que era a Maringá de 1955.   Ele tinha parentes em Mandaguari PR e veio a passeio em 1953 e se encantou com a região e a pujança da cafeicultura local.

         Era contabilista e exerceu essa profissão em Maringá até o fim da vida.

         Ele foi eleito em dois mandatos consecutivos.   Estava ainda na fase de se estabelecer em Maringá, mas já em 1956, recebeu um convite do líder comunista Gregório Bezerra, pernambucano, para se candidatar a vereador. 

         Gregório Bezerra ficou um ano em Maringá, sendo que três meses morou na casa de Bonifácio Martins.

         Gregório Bezerra era no Recife e região um ativista comunista que se tivesse ficado por lá, teria sido preso.

         “Há vestígio da presença do PCB Partido Comunista do Brasil em Maringá desde 1947, ano da fundação oficial da cidade”.

         O PCB teve logo após a II Guerra Mundial um período, no Brasil, de relativa liberdade.   Uma janela de 1945 a 1947 quando a URSS União Soviética tinha se aliado de forma marcante ao Ocidente para derrotar a Alemanha na fase do nazismo.

         Nesse intervalo 1945 a 1947 os adeptos do comunismo focaram suas ações no campo via formação de associações e sindicatos de trabalhadores.

         O chamado Levante de Porecatu-PR está nesse contexto e época.    “Nesse período o PCB voltou à legalidade”.   Bonifácio, então estudante em São Paulo, antes da vinda para Maringá, que era simpatizante do socialismo, atuou na política estudantil.   Foi Secretário da União Paulista dos Estudantes Secundaristas.”

         “Participou das lutas pela nacionalização do petróleo e assessorou algumas lutas de trabalhadores rurais por direitos”.

         Quando ele veio para Maringá, Bonifácio já era “fichado” na DOPS Delegacia da Ordem Política e Social.   (o agente de repressão do regime)

         ...”foi denunciado pelos Correios em 1952, acusado de receber propaganda comunista”.

         Bonifácio jovem, chegou a participar de eventos com o escritor Caio Prado Júnior, respeitado intelectual de esquerda da época.

         Veio o tempo da chamada Guerra Fria.  Comunismo contra capitalismo e no governo Dutra, o Brasil passa a perseguir os militantes e os líderes sindicais e dos demais movimentos populares.

         Bonifácio se elegeu vereador pelo PR Partido Republicano mas certamente sua campanha teve ajuda de integrantes do PCB que na época era ilegal no Brasil.

         Na vereança, sua profissão de contabilista ajudava muito.   No mandato, cuidou também das causas populares incluindo a organização sindical.

         Foi vice presidente da UGTM em Maringá, a União Geral dos Trabalhadores de Maringá.

         Na época os trabalhadores rurais tinham relação de emprego muito precária.   Era rotina receberem “vale armazém” como parte do salário.   O vale era aceito em determinados armazéns, sem chance de escolha.   Apelidavam os vales de boró.     (mais adiante em certas regiões eram chamados de orelha de jegue)

         Continua no capítulo 6

sábado, 9 de maio de 2026

Cap.4 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

 Cap. 4

 

       No setor estudantil era forte na época o movimento dos estudantes secundaristas na região. Faziam passeatas contra a ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar. Um destes grupos era o MEL Movimento Estudantil Livre.

Teve dirigente do MEL preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador do estado Paulo Pimentel.

Havia movimentação de professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser sindicalizados nem fazer greve. Buscavam fazer “paralização coletiva” para reivindicar. (greve com outro nome)

Outubro de 1968 e a luta dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor. Maringá esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento classista em Curitiba. Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.       

         Relatório do DOPS faz um perfil da forma que os delegados deles enxergavam o ambiente, citando o vice prefeito Renato Bernardi.   Seria uma pessoa bem articulada e de bom trânsito inclusive com os ativistas.

         “Um espaço público nevrálgico era a Biblioteca Municipal de Maringá, qualificada pelo relatório do DOPS como ponto de encontro entre os comunistas dito intelectuais e outros da velha guarda”.

     “O agente do DOPS mapeou os frequentadores e fichas de leitura da biblioteca.... e pelas companhias dessas pessoas”.    Página 60

     A Operação Marumbi e os inquéritos contra o PCBR e o POC

      POC Partido Operário Comunista.   Envolvia inclusive lideranças estudantis e andaram lançando à noite, panfletos com o título de Ação Camponesa.

         Um líder do POC, Geraldo Magela, com sede em Apucarana, deu depoimento ao livro Resistência Democrática bem após o fim da repressão.

         Em 1971 continuam as ações dos militantes de esquerda contra a ditadura civil-militar.   

         Panfletos....  “Abaixo a ditadura militar de traição nacional!  Por um governo independente, democrático, popular”.

         Os panfletos foram catalogados nos registros da repressão do regime militar.   Em 1975 Maringá sofre mais ação da repressão militar na forma da Operação Marumbi.

         “A literatura especializada informa que o aparato repressivo após a vitória do MDB Movimento Democrático Brasileiro nas eleições de 1974, desencadeou uma ofensiva contra o PCB, partido que curiosamente havia optado pela resistência pacífica e não havia se envolvido em ações armadas contra o regime militar”.

         A chamada Operação Marumbi estava ligada ao IPM Inquérito Policial Militar 745.   “A operação envolvia detenções em 12 cidades do Paraná com dezenas de indiciados”.   Entre estes, cinco de Maringá:  Laercio de Figueiredo Souto Maior, Leonor Urias de Mello Sousa, Antonio Elias Cecilio, Salim Haddad e Gregório Parandiuck.

         Em 1977 os cinco acusados foram absolvidos.     O MDB era marcante na resistência democrática contra a ditadura.   Em Maringá, foi no período um município destacado não embate contra a ditadura.   Destaque para o deputado federal local, Renato Celidônio que antes da ditadura era filiado ao PTB, lembrando que quando ocorreu a ditadura (1964), os militares extinguiram todos os partidos e criaram dois:  a ARENA Aliança Renovadora Nacional e o MDB Movimento Democrático Brasileiro.  A ARENA de apoio aos militares e o MDB, de oposição.

         Em 1969, o deputado federal do MDB, Renato Celidonio foi cassado com base no AI 5 da ditadura, criado em 13-12-1968.    Renato Celidonio “engenheiro agrônomo e cafeicultor em Maringá, era homem de estilo político moderado”.

         De 1968 em diante, o MDB, de oposição à ditadura, venceu três das quatro eleições municipais para prefeito.

         Nessa época o político Silvio Magalhães Barros atuava na política em Maringá.

         UEM Universidade Estadual de Maringá.   Criada em 1970.  Em 1972, mesmo sendo pública, cobrava mensalidade dos alunos.   Após anos de luta dos estudantes, conseguiram que o ensino na universidade pública fosse gratuito.   Essa gratuidade na UEM foi conquistada só em 1988.


continua no capítulo 5

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cap. 3 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) autor: Professor REGINALDO BENEDITO DIAS - #UEM

 capitulo 3

 

         Varios foram indiciados no IPM Inquérito Policial Militar, cinco foram condenados.   Dois cumpriram pena, sendo eles, Bonifácio Martins e José Rodrigues dos Santos.

      Pelo lado da direita católica, o livro destaca a atividade do padre Osvaldo Rambo que era o braço direito do Bispo Dom Jaime Luiz Coelho que criaram a FAP Frente Agrária Paranaense para se opor aos sindicalistas de esquerda.

         Apesar da repressão e do desmantelamento da esquerda com o golpe civil-militar de 1964, outras entidades voltam a militar na região nas áreas de trabalhadores rurais e do movimento estudantil.

          “No território do município, está documentada a atuação da AP Ação Popular e do PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário.    A AP com o advogado Edesio Passos e à frente do PCBR, a professora Zélia Passos.”

         O ano de 1968

         ... houve ebulição do movimento sindical, incluindo sindicatos rurais, dos bancários e da indústria de alimentos.    Houve greve de várias categorias em 1968 e a comunidade constituiu grupo de apoio aos grevistas.   Estudantes também no apoio aos grevistas.   O padre Orivaldo Robles ajudou nessas atividades de apoio aos grevistas que estavam sempre na mira do DOPS.

         Causava preocupação às autoridades policiais, inclusive o jornal O Jornal de Maringá que fazia amplas reportagens em apoio aos movimentos populares e sindicais.

         A AP Ação Popular era defensora da estratégia da revolução camponesa.  O jornal Libertação era editado pela AP na região de Maringá.

         O governo militar com a edição do AI 5 apertou ainda mais o cerco às lideranças dos movimentos populares.  Nesse bojo conseguiram tirar da região os militantes da AP que tiveram que se deslocar para outro estado.

     Disto resultou que teve que ocorrer em 1970 a mudança das lideranças da AP em Maringá e região.

         “Os expoentes da AP dessa nova fase (1970) foram o casal Licurgo Nakazu e Elzira Vilela, oriundos de São Paulo.

     Na nota de rodapé da página 55, consta que a professora Tania Tait, dos quadros da UEM Universidade Estadual de Maringá tem livro publicado no tema das lutas populares de Maringá dessa época.

         A repressão ao líderes da esquerda foi forte na ditadura militar e estes ficaram sem espaço para novos movimentos.   Só em 1979, com a Lei da Anistia, foram os que eram fichados pelo DOPS, anistiados.

         Antes de 1970, Maringá tinha três faculdades.  Em 1970 começou a implantação da UEM Universidade Estadual de Maringá.

         No setor estudantil era forte na época o movimento dos estudantes secundaristas  na região.  Faziam passeatas contra a ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar.  Um destes grupos era o MEL Movimento Estudantil Livre.

         Teve dirigente do MEL preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador do estado Paulo Pimentel.

         Havia movimentação de professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser sindicalizados nem fazer greve.   Buscavam fazer “paralização coletiva” para reivindicar.   (greve com outro nome)

         Outubro de 1968 e a luta dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor.   Maringá esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento classista em Curitiba.     Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.

 

                   Continua no capítulo 4

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Cap. 2/6 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (Maringá PR) - autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

     Cap 2    Sobre o panfleto do PCB  “na versão local, são incorporadas as assinaturas de personalidades de Maringá, incluindo o prefeito Inocente Villanova e o empresário Angelo Planas, talvez o maior líder comunitário do período, ao lado de nomes que, presumivelmente, fariam parte do corpo de militantes e simpatizantes do PCB.

     O autor do livro destaca que caberia mais averiguação sobre os fatos.   O PCB lutava contra a ditadura Vargas e resta dúvida se realmente o citado prefeito e o empresário de fato teriam apoiado os panfletários do PCB. 

     Nota de rodapé.   Em 1953, o empresário Angelo Planas liderou a criação da Associação Comercial e Industrial de Maringá.

     Citado com data de 18-08-1954, carta do delegado de polícia de Maringá comunicando que por “ação preventiva da polícia” não houve um comício em Maringá da Liga de Emancipação Nacional.     “Criada em 1954 a liga defendia a nacionalização das fontes de energia elétrica e da distribuição de petróleo, a reformulação da política econômica e uma reforma agrária para o desenvolvimento do Brasil”.    

     “Era composta por nacionalistas de esquerda, sobressaindo os comunistas”.

     Representação eleitoral e formação do sindicalismo

     Em 1956 um jovem morador novo de Maringá, contador, foi encorajado a se candidatar a vereador com o apoio do destacado líder do PCB Gregório Bezerra.    Se candidatou e foi eleito vereador.   Era o contabilista Bonifácio Martins.   Ele se elegeu pelo Partido Republicano, mas se supõe que foi pelo apoio do PCB.

     Nessa época o PCB tinha ações focadas em apoiar levantes de camponeses e posseiros e sindicalização de trabalhadores rurais.

     Em Maringá, o PCB ajudou a criar a UGTM em 1956, União Geral dos Trabalhadores de Maringá.  No passado já tinham organizado a UGT de Londrina Pr.     

     O Jornal de Maringá em 1957 já combatia a UGTM como uma iniciativa comunista.

     A proliferação de sindicatos fez os bispos da região criarem uma entidade de direita para o setor – a FAP Frente  Agrária Paranaense.

     Em agosto de 1961 os sindicatos de trabalhadores da região iam fazer (e fizeram) um congresso em Maringá e os bispos da região para se contrapor, fizeram para as mesmas datas um evento católico reunindo as lideranças da direita, inclusive parte dos estudantes.    Houve confrontos entre as partes.

     “Em 1962 um fato bastante rumoroso.    A polícia prendeu e abriu processo contra o jornaleiro João Rodrigues Rino acusado de vender revistas e jornais esquerdistas”.    Tudo isso está documentado nos arquivos da polícia da época.

     Era tempo do governo do Presidente João Goulart, o Jango, que era de esquerda.

     A “Operação Limpeza” e os primeiros anos da ditadura de 1964.

     A ditadura de 1964 atingiu sindicalistas inclusive na Operação Limpeza, sustentada pelo AI 1, Ato Institucional número 1.

     O médico maringaense Salim Haddad foi um dos considerados comunistas que ficou marcado como tal pelos conservadores.

     “Ameaçaram invadir e incendiar a minha casa...”  disse o médico.

     Laercio Souto Maior usava a crônica jornalística na “resistência à ditadura”.

     Nessa época de início da ditadura de 1964 em Maringá, entre outros jornais, havia o periódico A Folha do Norte do Paraná que foi fundada pelo Bispo local.

     Em Maringá e Mandaguaçu, quando ocorreu o golpe civil-militar de 1964, houve da parte dos apoiadores do golpe, passeatas da “Marcha da Familia com Deus e Pela Liberdade”.     Alavancada pela Igreja.

 

                   Continua no capitulo 3 


 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cap. 1/6 - fichamento do livro - A FACE ESQUERDA DA CIDADE (Maringá PR) - autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

        Editora - UEM - Universidade Estadual de Maringá, 2ª edição - 340 páginas


          Prefácio do Professor de História Angelo Priori

          O livro abrange o período de 1947 a 2.000

          Sobre o tema, o Professor Reginaldo já publicou vários livros e é reconhecido como relevante autoridade na trajetória da Ação Popular.

          "A cidade de Maringá, em termos de cultura política, sempre perfilou em um campo mais conservador".   Exceção foi após a corrupção no governo do prefeito Jairo Gianoto, quando o PT elegeu um prefeito com quase 70% dos votos.   Eleito no caso o prefeito José Claudio Pereira Neto.

          "Que o livro inspirem novas gerações a se engajarem, questionarem e continuarem a construção de uma Maringá mais justa e solidária para todos".

          Prefácio da primeira edição.     Professor Sidnei J. Munhoz

          ...  apresentação.

           ... ditadura civil-militar... (1964).    Cita o livro O Anjo Torto do autor Emir Sader, edição de 1995

          Brasil ,,, "esquerda - década de 1920 -  PCB Partido Comunista do Brasil."

         O PT surge na época da luta pela redemocratização.     Definido por Emir Sader o PT como "esquerda democrática".

          A UEM Universidade Estadual de Maringá foi fundada no auge da ditadura militar.

           DOPS Delegacia de Organização Política e Social.   Era o orgão da repressão política.

           IPM Inquérito Policial Militar.   Usavam nas ações de repressão.

          Capítulo 1 -   A cidade sob vigilância:  Maringá nos arquivos do DOPS do Paraná entre 1947 e 1982.

          "Em julho de 1991... o governo do Paraná determinou a transferência da documentação do DOPS ao Departamento Estadual do Arquivo Público e liberou o acervo à consulta pública".   Isto depois da constituição de 1988 e de forma pioneira no Brasil.

           Eram 692.546 arquivos que se referiam ao período de 1920 a 1989.

          "Em 1938 a companhia colonizadora começou a vender terras na área que viria a ser Maringá PR.  Companhia de Terras Norte do Paraná.   Em 1942 começou a se formar o núcleo urbano que daria origem à cidade de Maringá.  Na data de 10-05-1947 foi quando o projeto de Maringá ficou pronto e começou a venda de lotes urbanos  no local.   A sede da cidade ficou junto da estrada de ferro que veio no contexto da colonização.    Esta data ficou sendo o aniversário de fundação de Maringá.   Antes dessa data, o povoado local era da jurisdição de Londrina PR e em 1947 passou a ser um distrito de Mandaguari por um curto período até 1951.    Em 1954 Maringá já era sede de comarca sendo que no projeto da cidade já estava determinado que esta seria um polo regional.

          Tempos da Guerra Fria e a propaganda contra o comunismo.

           "Como regra, os primeiros apontamentos do DOPS relacionados ao território de Maringá focalizavam os comunistas...    cita relato policial de 1948 da formação nesse ano como distrito de Maringá a Sociedade Beneficente dos Trabalhadores do Paraná.   No livro são citados os nomes da diretoria da nova entidade.    ..."todos já conhecidos na região como adeptos do credo vermelho..."

           Já o autor deste livro, baseado em pesquisas documentais...   "Não foram localizados indícios que ofereçam suporte às afirmações do delegado" ... que registrou os nomes como sendo adeptos do comunismo...

          O PCB organizou uma Liga Camponesa em algumas cidades da região.

           Os anos de formação do município de Maringá PR

          Por volta de 1940 a lista do DOPS com nomes supostamente ligados ao PCB de Mandaguari continha 29 nomes.  Um número alto se comparado ao de Londrina com 40 nomes, sendo esta uma cidade já bastante povoada.    Supõe  o autor que na lista de Mandaguari havia nomes de vários moradores de Maringá.

           O primeiro que aparece na lista de Maringá pelo DOPS (entre 1948 e 1951) foi Gregório Sepúlveda.   O DOPS prendeu ele com jornais comunistas "Voz Operária".

          Em 1953 circulou na região um panfleto intitulado Campanha Nacional pró Imprensa Popular.   Continha nome de apoiadores famosos.   Seria produzido pelo PCB.   No folheto constavam como apoiadores, intelectuais e artistas dentre eles Jorge Amado, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer etc.


                    segue no capítulo 2/6                                   01-05-2026