capítulo final 21/21 - final julho de 2026
As eleições de 1988 e o enfrentamento à visão local do
neoliberalismo.
Movimentos sociais locais nos anos 80 com apoio de militantes
de esquerda. Um deles foi o Movimento
Popular Pé no Chão, desenvolvido no Jardim Alvorada, bastante populoso.
Neste movimento teve o forte apoio das CEBs Comunidades Eclesiais
de Base da Igreja Católica, assim como da Pastoral Operária.
Era comum o poder público cooptar lideranças de associações
de bairros e assim estas não tinham poder de pressão sobre o poder municipal.
Já as entidades com lideranças de esquerda não eram
cooptadas e atuavam para cobrar o poder público no que fosse de interesse da
população.
O mandato do prefeito Ricardo Barros com seu ímpeto de
privatizações, alavancou na comunidade ações e movimentos populares contra
essas medidas e nisso o PT que era bem entrosado na defesa dos cidadãos,
cresceu bastante junto à população e ganhou robustez eleitoral.
Página 293 - Os
primeiros mandatos comparando com Londrina e Ponta Grossa, o PT de Maringá
andou mais lento. Em Londrina em 1992 o
PT elegeu o prefeito. Em Cascavel em
1990, elegeu um deputado estadual e em Ponta Grossa, o candidato a prefeito
pelo PT chegou em segundo lugar na eleição.
Em Maringá, o PT elegeu o primeiro vereador da sigla,
Emerson Nerone, da oposição bancária ao sindicato dos bancários conservador
local.
O vereador Nerone era
oriundo da RCC Renovação Carismática Católica.
O candidato do PT à prefeitura era o advogado e pequeno
empresário José Claudio Pereira Neto e seu vice, Claudemir Romancini. Numa eleição polarizada entre o grupo
neoliberal e o grupo de oposição liderado pelo PMDB, o próprio empresariado
buscava uma via alternativa e Maringá elegeu o Jairo Gianotto, do PSDB para
prefeito.
Página 297 – A hora da estrela
Em 2000, pelo porte do eleitorado, Maringá passou a ter eleição em dois turnos
para prefeito. No mandato do Gianotto,
o da “pacificação”, este tentou usar essa estratégia (se dizer pacificador)
para evitar oposição ao seu mandato.
“Propagava-se a insidiosa lógica de que fazer oposição ao
governo era trabalhar contra o município”.
Nova eleição municipal e desta vez a chapa do PT para a
prefeitura era com José Claudio e seu candidato a vice, o Professor de história
Ivo Caleffi.
No final do mandato do Gianotto – PSDB, estourou o escândalo
de corrupção na prefeitura, que já vinha ocorrendo a dez anos.
Houve debate entre os candidatos a prefeito e isso ocorreu
após o escândalo de corrupção que atingiu os caciques da política local e seus
partidos.
O candidato do PT capitalizou a postura ética de si e confrontou
com a prática política viciada dos seus concorrentes.
José Claudio e a “Política de Cara Limpa”. Alinhou na campanha seus projetos, muitos
que já foram testados em outras prefeituras em mandatos petistas com pleno
sucesso.
Maringá de então tinha o CODEM Conselho de Desenvolvimento
Econômico de Maringá, ligado à entidade empresarial ACIM Associação Comercial e Industrial de Maringá. Forte representante da classe empresarial
local. Nessa campanha o PT com José
Claudio, que articulou com a classe empresarial para que esta comandasse uma
secretaria da prefeitura com trânsito junto ao empresariado, conseguiu apoio
deste grupo e isso ajudou no sucesso para que o PT emplacasse como emplacou seu
primeiro mandato de prefeito de Maringá.
O PT de Maringá, “pela identidade de compor uma alternativa
ao PCB, com a qual despontou a liderança em movimentos sociais”. ... militância do PT ....”ajudou na formação de movimentos
populares capazes de interferir na pauta política municipal”.
Esteve presente também nas pautas nacionais como Diretas Já;
pela nova Constituição (de 1988); pelos direitos dos trabalhadores; gratuidade
do ensino ...
Posfácio por Ademir Demarchi, um dos pioneiros do PT local....
no desfecho da fala dele e deste livro:
...”política é algo que faz parte da vida cotidiana,
praticada todos os dias em tudo que se faz, ainda que se corra o risco de vir
parar em um livro.”
FIM. 10-07-2026
Leitor:
Eng. Agrônomo Orlando Lisboa de Almeida – zap 41 999172552 – Curitiba PR
Grato aos leitores. P.S –
livro da cabeceira com resenha: Os
Retirantes – José do Patrocínio
(abolicionista)