capítulo 10/18
A mulher da venda do Inácio que cuidava de Eulália perguntou
se ela tinha alguém que poderia ajudá-la.
Eulalia diz que não e que tem vergonha por ter engravidado do vigário.
- “Prefiro morrer a causar-lhes mais tormentos, para mortificar-me
e entristecê-los já fiz o bastante: deixei-lhes a lembrança de minha vergonha”.
Ana quer já no dia seguinte à chegada na venda do Inácio,
partir sem saber que Eulália, sua sobrinha, estava em recuperação no mesmo
local.
Inácio não recomenda a partida, dizendo que são cinquenta
quilômetros a distância (oito léguas) para o próximo povoado e tem muitos
riscos.
... “pode algum desalmado atrever-se e as senhoras não tem
um homem para defendê-las”. Ana
diz: Precisamos chegar no Ceará – lá teremos
abrigo.
Na partida delas, Inácio entregou na mão da criança as joias
que tinha recebido em pagamento da comida sem que Ana percebesse.
A mulher e filhos do Virgulino estavam em posição mais
adiante na caminhada que Ana iria fazer.
Consta que o povo sem comida, chupava o fruto da “croatá”(mesmo
que caraguatá), que seria uma planta da família do abacaxi e que causava
inchaço nas pessoas se fosse consumida em excesso.
Urubus no trecho da caminhada. Num local, estavam se alimentando da carcaça
de uma pessoa ao relento da estrada.
Causou pavor nos caminhantes.
Os caminhantes já no escurecer, procuram alguma árvore para
se abrigar à noite. No abrigo debaixo
da árvore, uma maçaranduba, entre tantas pessoas adultas e crianças, uma
criança que só chorava pela fome. A
mãe ao lado desmaiada e a outra criança maior um pouco, tentando fazer a menor
mamar na mãe desmaiada.
Souberam que o pai dessas crianças tinha morrido no trecho e
era a carcaça que os urubus estavam devorando.
A mulher de Virgulino acudiu a criança que perdeu a mãe e
por estar também amamentando, passou a dividir a amamentação com a criança que
perdeu a mãe. E resolveu não seguir o
grupo e esperar que passasse por ali alguém que pudesse acudir nessa situação
de ter mais uma criança para cuidar e alimentar.
Na calada da noite uma velhinha que estava abrigada debaixo
da árvore se levantou escondida e foi na rede, retirou as duas órfãs e levou
para um local escondido e sufocou ambas nos panos que levou. Depois trouxe-as já mortas e colocou de novo
na rede.
A mulher de Virgulino que estava cuidando das órfãs ficou
indignada. Quando ela viu que as crianças estavam mortas, deu o alarme de que
alguém as matou por asfixia.
Todos se vigiavam para ter a parte que lhes cabia, incluindo
o acesso à água. Tudo bem racionado e
dois guardas com chicotes controlando os retirantes.
Mundica, a amante do vigário, ficava perturbando as
retirantes e vigiando para tretar com as pessoas. Um dia ela se atracou com uma senhora que
dividia sua pouca porção de água com as crianças que choravam de sede.
Os guardas pagos para manter a ordem no grupo, usavam
chicotes para bater em casos de desentendimentos.
Eles deram razão a Mundica numa briga dela fora da razão, porque
sabiam que ela tinha influência com o vigário que era um dos que controlavam a
ajuda do governo para os retirantes e pagavam os guardas.
Dona Ana, irmã do falecido professor Queiroz, seguia no
grupo com as duas sobrinhas e o cão Amigo.
Continua no capítulo 11/18
um exemplar da planta caraguatá citada neste capítulo. Conheço essa planta.
