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domingo, 4 de outubro de 2026

Cap. 18/19 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - original de 1879


         Na visita do comissário, ele pediu vinho a dona Ana e esta disse que não tinha.   Ele falou que era para ela mandar uma das sobrinhas ir pegar no depósito no abarracamento.   Lá ele atendeu Chiquinha e arrastou a asa pra ela, que ficou indignada e se retraiu.   Ele percebeu e disse que aquilo era só um teste para ver a reação dela.  Pediu para ela não contar o ocorrido à tia dela.

         O comissário fez questão de levar dona Ana para percorrer o abarracamento onde ela viu horrores da miséria.  Fome, doenças e mortes.  Depois disso ele pretendia, a troco de proteção, seduzir as sobrinhas dela.

         Dona Ana arranjou um jeito de evitar o pior, mentiu dizendo que sua sobrinha não era mais virgem e tinha um amante e isto fez ele perder o interesse por ela.   Depois disso, durante a noite ela e as sobrinhas fugiram do abarracamento.

         Capítulo X – página 255.

         Estavam no ano de 1878 convivendo com a seca feroz.    Troca de governo e a província ficou sem sintonia com o novo governo.  Assim sem verba, o presidente da província do Ceará resolveu jogar para o governo federal a responsabilidade sobre os retirantes que eram dezenas de milhares.

         O caos aumentou em muito e as mortes por fome e doenças escalou.

         ...”desdobraram-se cenas as mais pungentes. A morte era a menos horrorosa de todas elas”.

         “O leilão da honra tornou-se um fato comezinho entre os desgraçados”

     ...”No meio da onda geral de perdições, que inundava a cidade, aparecia agora a mísera Eulália”.

         ...”O primeiro pensamento que ocorreu a ela foi atirar-se ao mar:  a morte apareceu-lhe como o último desforço, porque dela sobreviria a Paula o remorso”.

         Pensando em seguida na tia e nas irmãs mais novas, mudou de ideia.

         “Quis viver para elas e para a sua vingança”.

         Enfim Eulália conseguiu encontrar a tia e suas irmãs.  Mas a tia não a perdoou e disse que se Eulália queria ficar junto das irmãs, ela se retiraria do convívio da família.   Nessa situação, Eulália resolveu ela mesma se retirar e arranjar jeito de ajudar a família se mantendo à distância.

         Na miséria, pousando debaixo dos cajueiros da capital, dormindo em rede, Eulália teve um dia pelas ruas a acolhida de uma senhora que se mostrou solícita.    No desenrolar da conversa a mulher deixou claro que ali se vivia da prostituição.    E que Eulália sendo jovem e bonita, poderia viver bem do ofício e ter meios de pagar o sustento da família que estava no risco de ser despejada da casa que lhe dava pensão e que estava com os pagamentos atrasados.

         Eulália não viu saída e foi aderir à proposta da dona do prostíbulo.  Tudo para proteger as irmãs da fome e do risco da prostituição.

         Cap.   XI

         Feitosa entrou na igreja e contou para o padre agora amigo do vigário Paula, que este tentou assassiná-lo na paróquia onde moraram.  Os dois padres em confidência anterior revelaram que seduziram moças.   Mas o padre chamou Paula para uma explicação do relato de Feitosa.    Concordou que ambos, ele e o Paula, erraram no passado, mas só Paula tentou um assassinato.

         Paula pegou na mão da imagem de Cristo e jurou com a mão na chaga que esse relato não era verdadeiro.    O padre amigo de Paula, repetiu o gesto dele, jurou e riu pela forma banal que ambos encaravam os fatos.  Ambos da mesma laia.

         O padre alertou Paula que Feitosa um dia poderia entrar no Palácio Episcopal para ajustar contas com ele.

         Cap. XII.  Página 271

         Eulália num momento de ódio e desejo de vingança pensou em pegar o punhal de Paula, que ela carregava escondido desde que achou o mesmo caído no chão na noite em que Paula atacou à traição Feitosa.    Ela pensou em ir à igreja e cravar o punhal em Paula seguidas vezes.  Mas pensou nas irmãs que dependiam dela e mudou de ideia.

         - “Não, eu não as condenarei a tal sorte, serei infame para lhes salvar a vida.”

         A dona do prostíbulo combinou como seria o lado financeiro entre ambas.   A dona fornecia casa e comida e do que Eulália faturasse na prostituição, seria dividido em três partes.   Duas para a dona da casa e uma parte para Eulália.   

         Eulália era muito solicitada pelos clientes, o que deixava a patroa feliz com o ganho, mas ela continuava triste com essa vida.

 

         Continua no capítulo 19/19 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cap.17/19 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - escrito em 1879

                                                 01-10-2026 

         Eulália estava na praça e vê uma velha em trapos e que seria agora viciada em cachaça e ruim da memória.

         As pessoas da rua zombavam dela e Eulália reconhece que se tratava da dona Antonia, que no passado foi cozinheira do vigário Paula e que ela conhecia os detalhes do crime cometido por ele.

         Antonia nas ruas, conta aos transeuntes que sabia de tudo, do crime do vigário Paula e que este acusava Rogério Monte pelo crime, que depois o povo ficou sabendo que o criminoso era Paula e ele teve que fugir da paróquia.

         A velha procurava na capital, por Feitosa que foi vítima da tentativa de assassinato e que prometeu recompensa a quem achasse o criminoso para ele se vingar.   Um conto de reis de recompensa.

         Eulália ficou comovida ao ver o estado atual de Antonia.    Se esta encontrasse Paula na capital, o que seria dele?

         Eulália andando pela capital e avista o vigário Paula conversando com o vigário da capital.    Ficou em dúvida sobre abordá-lo ou não.        

         ... “o principal responsável pelas desgraças de sua família e de seus amigos”.

         Os vigários em diálogo.  O da capital tinha lido no jornal sobre o crime de Paula e do caso dele com Eulália e disse ao Paula.   Este que respondeu que tudo aquilo era mentira contra ele.

         O vigário da capital viu Eulália que estava por perto observando mas que não tinha chegado até eles.   O vigário disse ao colega que a moça que estava ali perto era uma bela morena.   E que ela seria retirante.    “As palavras do companheiro transpassaram como punhais e faziam com que o remorso sangrasse-lhe o coração”.

         Paula, tendo perto de si Eulália, sem abordá-la, fica no terror:   será que ela o acusou à polícia?

         O vigário  percebeu que Paula ficou muito impressionado ao ver Eulália e desconfiou que ele a conhecia.

         Paula se retirou de perto de Eulália e dobrou a esquina se esquivando dela.   Eulália deixou-o ir...

         “ – Deixá-lo ir, há de parar diante da sua própria ingratidão”.

         Eis que perto do palácio episcopal, Paula, tendo por perto Eulália que ele evitou  encarar, encontra agora a desvairada Antonia que foi cozinheira dele e conhecia o crime dele.    

         Daí Eulália joga na cara dele a pergunta diante de Antonia.    “- Não a conhece também, sr vigário?”.     A agora doida Antonia não reconhecia mais Eulália nem Paula, devido ao estado atual dela.

         Eulália cercou Paula para confrontá-lo pelos crimes e ele, sabendo que Antonia não se lembrava mais de nada e não era ameaça a ele, disse a Eulália que ela poderia ter furtado o punhal dele e oferecido o mesmo para alguém cometer o crime atribuído a ele.  Eulália ficou sem chão.  Desolada.

         Ele jogou umas moedas de cobre aos pés dela dizendo que era para pagar o que ele a ela devia e se retirou.  Terrível humilhação.    “E afastou-se tranquilamente, deixando Eulália imóvel de indignação.”

...    A tia Ana e as irmãs de Eulália foram aceitas num abarracamento para retirantes na capital, ainda sem encontrar com ela.

         O comissário local se postava como chefe de família exemplar e falava sempre em nome da fé em Deus e o amor aos irmãos...    Assim, alegando lotação nos alojamentos, mandou alojarem Ana e as sobrinhas num local melhor e mais reservado.   Não por bondade, mas com segundas intenções.  Os próprios retirantes que já conheciam a má fé do comissário zombavam da sorte das novas alojadas porque já conheciam as intenções do comissário.

 

         Continua no capítulo 18/19

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Cap. 16/19 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - livro original de 1879

capítulo 16/19

         Terceira Parte do Livro – volume 2 –

         A capital

         “As mulheres estavam em tão completo estado de miséria que algumas delas mal podiam guardar a compostura e defender o pudor”.

         Enterros frequentes e o féretro segue em redes, não em caixões.  

         A amiga Irena e o pai moravam na capital em condição de retirantes e Eulália ainda não teve tempo de ir procurá-la.

         Eulália e o pensamento de que a Tia Ana não a perdoaria pelo caso com o vigário e o abandono do lar e sair na condição de retirante.

         Em certo momento ela pensou que a tia pudesse ponderar:  “Eulália errou, mas não era uma pessoa perversa”.

         A família de Eulália passando fome na capital e pedindo esmola nas ruas.

...............   

         Irena, super debilitada, caminhava com o velho pai oferecendo renda que ela fazia para tentar algum recurso para se alimentarem.  Pouco resultado nesse trabalho.  

         O único escravo que o pai dela, Rogério Monte tinha e que ia vender para pagar dívidas, acabou morrendo.   Assim ele ficou sem meios para pagar seus credores e ficou na miséria.   Na miséria, e agora, cego.   Ele acabou mudando de nome porque o acusaram no seu povoado de onde migrou, alegando que ele era o acusado pelo crime contra o Feitosa.

         Na viagem de barco para chegar até a capital, ainda ele e a filha foram furtados.  A tripulação do barco roubou a bagagem e piorou as condições deles.

         O pior dos mundos.   Pobre, cego, faminto, em terra estranha, tendo que defender a filha bem jovem e bonita da sanha contra os retirantes.

         Na capital Irena foi tentar vender renda para um cidadão que dava esmola aos retirantes.  Ele comprou as rendas mas não desconfiou que ela era sua ex namorada e filha do acusado pelo povo, de ter tentado assassiná-lo.

         Na verdade, como se sabe, quem tentou de fato matar Feitosa foi o vigário Paula, por ciúme, achando que Feitosa namorava escondido Eulália e não Irena.   Paula na calada da noite atacou Feitosa com um punhal na época e virou caso de polícia.

         Feitosa agora na capital ajudando os retirantes acampados pela cidade e passando fome.   Ajudando e procurando Rogério Monte por saber que o mesmo foi acusado injustamente e através de uma carta, ficou sabendo que o verdadeiro criminoso era o vigário Paula e que a polícia perseguia Rogerio por conta do engano.

         Feitosa desabafa    ...”tomarei contra o nosso algoz (vigário Paula) a mais terrível vingança”.

         O Vigário Paula, bem abatido, foi até a igreja na capital em busca de abrigo e o padre local não lhe deu muita atenção.  Só o atendeu quando soube que Paula era padre.   E queria falar com o Bispo.    O padre levou-o até o Bispo.

         O bispo ficou com pena do vigário Paula que estava bem maltratado pelo trecho percorrido como retirante.  O bispo não sabia do crime de Paula e deu abrigo a ele com conforto na sede do prelado onde morava o bispo.

         O vigário contou a mentira sobre o crime ocorrido na paróquia dele.  Disse também que ele, vigário, foi o primeiro a acusar o Rogerio Monte pelo crime.   O povo acreditou nisso na época porque Rogério, empobrecido, naqueles dias seguintes, foi para a capital, mas o motivo era se acertar com seus credores nos negócios.

         ..............    Eulália que ficou quinze dias internada na Santa Casa da capital depois de ter uma febre.   A freira do hospital segurou ela por mais uns dias lá até porque ela não tinha para onde ir e Eulália ajudava a cuidar de outros doentes pobres.

         Continua no capítulo 17/18 (ou 19) 

domingo, 13 de setembro de 2026

Cap.15/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) livro original é de 1879

         

         O novo presidente da província do Ceará, diante do tumulto nas regiões flageladas, resolveu suspender os recursos para o interior e concentrou o atendimento na capital ou nas cidades próximas da capital para poder ter mais controle do gasto e da efetividade da ajuda.

         Isso forçou os retirantes a longas jornadas.    No sufoco, os retirantes se rebelaram e saquearam armazéns de distribuição para ter com que partir como retirante em busca de socorro contra a fome.

         Num confronto com o bando de Pedro que buscava vingança, os dois líderes perderam a vida em combate.  Pedro e Onça, este que era um destacado membro do grupo de Virgulino que por sua vez era do bando dos Viriatos.

         Quando Virgulino ficou sabendo que sua companheira Maria, no desespero da fome matou um dos dois filhos e comeu parte da carne e alimentou o outro filho, ele decidiu que iria retirá-la da prisão e mataria ela a facadas.

         O companheiro dele ponderou.   Se matar ela, você vai ser preso e seu filho menor ficará sem proteção.  A decisão é sua.

         Virgulino e um companheiro montando um plano para retirar Maria da prisão e evitar o linchamento dela por conta da revolta que o caso criou na população local.    Ela afinal era a mãe que matou o próprio filho...

         O plano foi – disfarçados - incentivarem os abarracados que já estavam revoltados com a suspensão da ajuda do governo a se rebelarem e saquearem os armazéns de alimentos.  Que também invadissem a delegacia e soltassem os presos.

         Assim se fez.  Os retirantes saquearam os armazéns, soltaram os presos e colocaram fogo na delegacia.   Maria ficou muito queimada e Virgulino levou ela nas costas para longe da multidão.   O filho ficou ainda mais queimado e morreu ao lado do pai que nada pode fazer.   Nisso chega a polícia para prendê-lo e ele pega o resolver e dá um tiro no próprio ouvido.

         Unidos e abastecidos, os retirantes seguiram rumo a Baturité.   Para lá também seguiram Eulália e em seguida o vigário Paula.

         Região de serras e de menor efeito das secas.   Cita até cafeeiros, lavouras de cana, mandioca e áreas de pastagem de gado.

         Novo alento na caminhada.    – “Pode seguir em paz, daqui a Baturité ninguém morre de fome”, informou um morador desta região.

         Eulália animada com a esperança de reencontrar a família, mas veio o receio da tia Ana não aceita-la pela forma dela deixar a família e partir envergonhada pela gravidez com o vigário.

         Ela não consegue dormir direito pensando nos riscos que sua tia e suas irmãs viviam na marcha como retirantes diante das agruras da pobreza e desalento.

         Ela chegando em Baturité, pergunta ao que puxa o comboio.     “- Vou saber notícias da cidade”.   Ele responde:  - “Lá embaixo está uma pandemia... a doença tem atacado muita gente.   É onde a doença faz seu roçado.  É a fome”.

         Pela estrada a seguir depois de Baturité, só há para comer frutos do caraguatá e raiz de mandacaru.

         Eulalia ouviu a notícia de que mais de cem mil retirantes lotavam a capital do Ceará.   Em Baturité ela toma o trem para capital.

         ...  Pessoas miseráveis em volta do trem mendigando.   Meninas entre os retirantes, de doze a treze anos e já na perdição.   

         “- Aqui a perdição faz concorrência à fome”.

 

         Continua no capítulo 16/18

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cap. 14/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - baseado em livro de 1879

 

         Mundica denuncia Eulália que queria dividir a provisão para socorrer a família dela, seria pagar o bem com o ódio.

         Amália, irmã de Mundica, diz que sabe que sua irmã não roubou o dinheiro do socorro aos retirantes e sabe que Eulália também não o fez.

         No Quixadá-CE a justiça interrogando Maria, companheira de Virgulino.  Ela e os filhos passando o rigor da fome acabou num momento de desespero cometendo um crime.    No interrogatório diz que foi ela que matou o filho mais velho, mas que foi a fome que matou o filho.  O desespero da fome.

         Maria diz à autoridade:   - “Para mim é um benefício morrer, contanto que amparem aquele infeliz que está lá dentro”.

         No interrogatório...  “Vossa mercê não sabe o que é para um coração de mãe ouvir chorar os filhos com fome – exclamou a desventurada”.

         No delírio da fome, Maria se lembrou do caso de uma mãe no Crato que numa situação extrema de fome, matou e comeu um dos filhos e alimentou os outros filhos.   Era perder um para poupar os outros filhos.

         Foi a situação de Maria.  Salvar da morte  por fome adotando uma medida extrema.

         Na audiência do delegado, Maria confirmou como foi o ato de matar o filho por estarem prestes a morrerem de fome.  Cortou dois gravetinhos, um maior e outro menor.  Fechou os olhos, jogou-os no chão e pegou um dos dois.  Se fosse o maior, sacrificaria o filho maior.   Pegou de olho fechado do chão o graveto maior e o sacrifício foi no filho maior.

         Os curiosos que assistiam a sessão pediam a morte de Maria.   Nisso aparece Eulália no meio dos revoltosos com o outro filho de Maria e disse ao povo.   Se matarem ela, matam o filho dela que fica no desamparo.  Isto fez o povo recuar.   A frase de Eulália:  “- Não matem essa desgraçada, porque matam com ela um inocente”.

         O povo foi se espalhando.   Nisso entra em cena Mundica, agarrando Eulália pelos braços e acusando ela do roubo do dinheiro do comissário para atendimento aos retirantes.    Mundica achava que o dinheiro foi roubado por Eulália ou que ela recebeu  ajuda do vigário Paula.   Acusações sem provas.

         O delegado viu o gesto nobre de Eulália apresentar o filho de Maria e evitar que o povo a linchasse e perguntou a Mundica.   – “Qual prova você tem de que essa mulher roubou o dinheiro?”.   Mundica não tinha prova.  Por outro lado, Eulália não queria citar que o dinheiro veio pela ajuda do Virgulino que era do bando dos Viriatos.    Virgulino cuja família no passado foi acudida na fome pelo pai de Eulália e que fez a ajuda a ela por gratidão.

         Eulália tentando dormir numa pensão de duas mulheres da prostituição por falta de oportunidade na vida.   Foi o único lugar onde deixariam ela pousar, por ser uma mulher sem um companheiro.

         Eulália tentando dormir na pensão e recebe a inesperada visita do vigário Paula, o que a deixou perplexa.   Ele implora para que ela corresponda ao amor que ele diz ter por ela.    –“Perdoe-me, Eulália, o meu arrependimento é sincero...”.     Ela responde: ... “Deixe-me em paz:  eu tenho vindo bem na miséria, não me queira perverter de novo.   As minhas aflições são outras”.

         - “Mas de repente o castelo de areia dourado se esboroa, em vez da amante apaixonada de outrora, encontra com uma mulher ultrajada, com a mãe ameaçada, que não recua diante da sua cólera explosiva...”

         - “Quem tem razão é a senhora – bradou Paula; eu sou quem é o culpado.  Adeus!”

         Eulália queria no outro dia ir embora do povoado mas não teria onde pousar, mesmo tendo recurso para pagar.  Ninguém daria abrigo a uma mulher desacompanhada.

 

                            Continua no capítulo 15/18

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Cap. 13/18 - fichamento do livro - OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista)

                                             07-09-2026

         O vigário Paula avisou o anfitrião que partiria em dois dias.

         Após a missa, o comissário fez uma reunião reservada só com o vigário e nem o sacristão pode participar.    O povo ficou sabendo que houve a reunião e imaginou que seria algo grave, mas não sabia que era sobre o sumiço do dinheiro para acudir os retirantes.

         Na voz do povo...  “enquanto a Mundica estiver aqui, o povo inteiro repetirá que ela é a senhora do comissário”.

         O vigário depois da reunião contou de forma reservada o caso ao sacristão.   Disse que o comissário acusa a Mundica do roubo e que vai no abarracamento fazer ela confessar e devolver o dinheiro.

         O vigário Paula, que quer prejudicar Mundica, está faceiro e disse que vai para o abarracamento para ver a cena.   Diz:  “Eu é que não perco a festa”.

         Depois dos guardas, por ordem do comissário, revistarem tudo e nada encontrarem, este perguntou a Mundica que estava em pranto, onde estava a latinha com o dinheiro.  Ele antes tinha mostrado a latinha a ela.

         Ela negou saber onde estava o dinheiro.  Disse que não roubou.

         “Bem – bradou ele – dirigindo-se aos guardas – panham-me para fora a chicote esta ladra”.

         A multidão vaiando ela.  Por ordem do comissário, a família dela também foi posta pra fora do abarracamento.  Tinham que tomar algum rumo.

         Eulália perguntou aos retirantes por sua família e avisaram que haviam partido fazia uns quatro dias.

         O cenário da seca.    “A nudez substituira a vegetação, e o verão deixara um rastro negro sobre os lugares outrora cultivados, como se fora uma lápide sobreposta aos mortos plantios”.

         Com parte do dinheiro que ganhou de Virgulino, Eulália contratou um guia.  Eram vinte léguas a percorrer à pé.  (120 km) até Quixadá-CE.

         A tia Ana de Eulália e suas irmãs mais novas estavam sofrendo no trecho.   Chiquinha lembra o caso da família que no aperto pela fome, matou a besta que carregava as cargas para servir de alimento para aplacar a fome.

         Dona Ana lembrou que elas não tinham uma besta.   Chiquinha olhou para o cão fiel companheiro, o Amigo.  O cão abaixou o olhar ao ouvir seu nome.

         ...”É uma necessidade, exclamou Chiquinha, enxugando as lágrimas.

 - Não é verdade, Amigo?    ... O cão soltou um latido festivo.    “Dir-se-ia que neste movimento o Amigo fazia um oferecimento da sua vida à família e que lhes suplicava até a honra desse holocausto”.

         ... a sobrinha menor, de quatro anos acorda.     – “Não posso mais, eu morro de fome”.

         Chiquinha amarrou uma corda no pescoço  do cão e pendurou ele na casa abandonada e logo ele estava morto por enforcamento.   O jeito foi matar a fome com a carne do cão Amigo.

         Eulália e seu guia chegam perto de uma casa abandonada e decidiram tentar o pouso no local.   O guia foi até a casa e lá encontrou Mundica e a família dela derrotada pela fome.

         O guia reconheceu Mundica e pela miséria, percebeu que ela não tinha roubado o dinheiro do socorro aos retirantes.    Ela falou para o guia, ao retornar ao povoado, para ele explicar isso para o povo.

         O guia recomendou a Eulália para não chegar à casa por saber do ódio de Mundica por ela.   Mas Eulália por compaixão, pediu ao guia par dividir ao meio o que tinham para poder socorrer a família de Mundica.  

         Mundica responde ao guia de Eulália, chamando-a de camborça e recusa com veemência ajuda dela.

         Mundica achava que o dinheiro de Eulália teria sido dado pelo vigário Paula, ex amante dela e daí o ódio.    Não imaginava que o dinheiro veio pela gratidão de Virgulino que era do bando dos Viriatos mas que no passado foi amparado na fome pela caridade do professor, pai de Eulália.

         Mundica conversando com a irmã Amélia diz que ao chegarem em Quixadá, por vingança ela vai denunciar Eulália para ela explicar onde conseguiu o dinheiro para essa caminhada com provisões e guia.

 

                            Segue no capítulo 14/18

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Cap.12/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) - original de 1879

                                                      04-09-2026

         Inácio da venda poderia ser atacado pelo bando do Pedro ou se o povo soubesse que ele tinha relação com o bando dos Viriatos, seria desmoralizado pelo seu povo.

         Diante disso tudo, o bando dos Viriatos decidiu que a venda do Inácio tem que desaparecer dali e que ele poderia mais tarde voltar a ter uma venda em outro povoado onde ele fosse desconhecido.

         O bando dos Viriatos decidiu que iria tentar liquidar com o bando do Pedro que levou uma surra por ter desviado produtos de saque quando estava no bando dos Viriatos.   Pedro declarou guerra ao bando antigo.

         Os erros do Pedro incluíam o desvio de parte dos saques e depois se descobriu que foi ele quem atacou Eulália na estrada como retirante.

         “Mais de sessenta companheiros do bando dos Viriatos seguiram com Pedro e declararam guerra ao bando rival”.

         Inácio recebeu a visita de um emissário do bando de Pedro.  Depois o chefe do bando dos Viriatos, ao saber disso, alertou Inácio:

         - “Eu não o poupava.  Quem ao inimigo poupa, nas mãos lhe morre.  Cabia-lhe bem um tiro nas costelas”.

         O emissário foi amarrado e ficou prisioneiro do Inácio.  Depois de muita prosa, Inácio serviu a ele um jantar, só que adicionou veneno que logo matou o emissário de Pedro.

         Virgulino tratando na Venda de Inácio os preparativos para partir e como ficaria a situação de Inácio que estaria na mira do grupo de Pedro.

         Virgulino acertou que levaria Eulália, sua protegida porque a família dela no passado ajudou a família dele quando era retirante.  Questão de gratidão.

         Eulália estava fora da vista dos que conversavam mas ouviu a prosa.  Apesar dos riscos, estava contente por partir em breve.   Assim foi, partiu Virgulino a cavalo com Eulália na garupa.

         ...”estou pronto a servi-la até a morte”.

     Virgulino diz para Eulália que todos viram as costas para o retirante necessitado e o desespero muitas vezes leva o pai de família a entrar no mundo do crime para sobreviver.

         Ao fim, na despedida, ele completa...  “diga aos meus filhos, se algum dia os vir, que o seu pai comete crimes, porém nem por isso deixa de ser agradecido a quem teve piedade dele”.

         Ao se despedir, Virgulino deu uma bolsinha com moedas de alto valor para Eulália poder sobreviver na caminhada.

         Naquela situação de retirante “deixar a esmola de Virgulino era o mesmo que se suicidar”.  Era fome e risco de vida por todo lado.

         No abarracamento à noite, o povo retirante dormia e Mundica ficava lá.  Tarde da noite, com um agente do comissário, ela ia até a casa do amante comissário.   Voltava com a mesma escolta antes de clarear o dia.

         Numa noite foram seguidos pelo vigário Paula que queria se vingar de Mundica, sua ex amante.   Ele entrou escondido na casa do comissário e roubou a lata com o dinheiro que era para atender os retirantes.  A culpa iria para Mundica que tinha naquela noite visto a lata e soube que era dinheiro para atender os retirantes.

         O vigário Paula escondido  tinha escutado a prosa do casal e ficou sabendo da lata com o dinheiro e roubou para ficar ela como praticante do crime.  Assim ele punia a ex amante.

         O vigário Paula depois disso avisou o colega que o hospedava, que dali a dois dias iria partir para outro povoado.   O anfitrião, de boa fé, lhe cedeu um cavalo e um ajudante para a caminhada.

 

                            Continua no capítulo 13/18