capítulo 16/19
Terceira Parte do Livro – volume 2 –
A capital
“As mulheres estavam em tão completo estado de miséria que
algumas delas mal podiam guardar a compostura e defender o pudor”.
Enterros frequentes e o féretro segue em redes, não em
caixões.
A amiga Irena e o pai moravam na capital em condição de
retirantes e Eulália ainda não teve tempo de ir procurá-la.
Eulália e o pensamento de que a Tia Ana não a perdoaria pelo
caso com o vigário e o abandono do lar e sair na condição de retirante.
Em certo momento ela pensou que a tia pudesse ponderar: “Eulália errou, mas não era uma pessoa
perversa”.
A família de Eulália passando fome na capital e pedindo
esmola nas ruas.
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Irena, super debilitada, caminhava com o velho pai oferecendo
renda que ela fazia para tentar algum recurso para se alimentarem. Pouco resultado nesse trabalho.
O único escravo que o pai dela, Rogério Monte tinha e que ia
vender para pagar dívidas, acabou morrendo.
Assim ele ficou sem meios para pagar seus credores e ficou na
miséria. Na miséria, e agora,
cego. Ele acabou mudando de nome porque
o acusaram no seu povoado de onde migrou, alegando que ele era o acusado pelo
crime contra o Feitosa.
Na viagem de barco para chegar até a capital, ainda ele e a
filha foram furtados. A tripulação do
barco roubou a bagagem e piorou as condições deles.
O pior dos mundos.
Pobre, cego, faminto, em terra estranha, tendo que defender a filha bem
jovem e bonita da sanha contra os retirantes.
Na capital Irena foi tentar vender renda para um cidadão que
dava esmola aos retirantes. Ele comprou
as rendas mas não desconfiou que ela era sua ex namorada e filha do acusado
pelo povo, de ter tentado assassiná-lo.
Na verdade, como se sabe, quem tentou de fato matar Feitosa
foi o vigário Paula, por ciúme, achando que Feitosa namorava escondido Eulália
e não Irena. Paula na calada da noite
atacou Feitosa com um punhal na época e virou caso de polícia.
Feitosa agora na capital ajudando os retirantes acampados
pela cidade e passando fome. Ajudando e
procurando Rogério Monte por saber que o mesmo foi acusado injustamente e
através de uma carta, ficou sabendo que o verdadeiro criminoso era o vigário
Paula e que a polícia perseguia Rogerio por conta do engano.
Feitosa desabafa
...”tomarei contra o nosso algoz (vigário Paula) a mais terrível vingança”.
O Vigário Paula, bem abatido, foi até a igreja na capital em
busca de abrigo e o padre local não lhe deu muita atenção. Só o atendeu quando soube que Paula era
padre. E queria falar com o Bispo. O padre levou-o até o Bispo.
O bispo ficou com pena do vigário Paula que estava bem
maltratado pelo trecho percorrido como retirante. O bispo não sabia do crime de Paula e deu
abrigo a ele com conforto na sede do prelado onde morava o bispo.
O vigário contou a mentira sobre o crime ocorrido na
paróquia dele. Disse também que ele,
vigário, foi o primeiro a acusar o Rogerio Monte pelo crime. O povo acreditou nisso na época porque
Rogério, empobrecido, naqueles dias seguintes, foi para a capital, mas o motivo
era se acertar com seus credores nos negócios.
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Eulália que ficou quinze dias internada na Santa Casa da capital depois
de ter uma febre. A freira do hospital
segurou ela por mais uns dias lá até porque ela não tinha para onde ir e Eulália
ajudava a cuidar de outros doentes pobres.
Continua no capítulo 17/18 (ou 19)