Cap. 4
No setor estudantil era forte na época o
movimento dos estudantes secundaristas na região. Faziam passeatas contra a
ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar. Um destes grupos
era o MEL Movimento Estudantil Livre.
Teve dirigente do MEL
preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador
do estado Paulo Pimentel.
Havia movimentação de
professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser
sindicalizados nem fazer greve. Buscavam fazer “paralização coletiva” para
reivindicar. (greve com outro nome)
Outubro de 1968 e a luta
dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor. Maringá
esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento
classista em Curitiba. Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de
luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a
categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.
Relatório do DOPS faz um perfil da forma que os delegados
deles enxergavam o ambiente, citando o vice prefeito Renato Bernardi. Seria uma pessoa bem articulada e de bom
trânsito inclusive com os ativistas.
“Um espaço público nevrálgico era a Biblioteca Municipal de
Maringá, qualificada pelo relatório do DOPS como ponto de encontro entre os
comunistas dito intelectuais e outros da velha guarda”.
“O agente do DOPS mapeou os frequentadores
e fichas de leitura da biblioteca.... e pelas companhias dessas pessoas”. Página 60
A Operação Marumbi e os inquéritos contra
o PCBR e o POC
POC Partido Operário Comunista. Envolvia inclusive lideranças estudantis e
andaram lançando à noite, panfletos com o título de Ação Camponesa.
Um líder do POC, Geraldo Magela, com sede em Apucarana, deu
depoimento ao livro Resistência Democrática bem após o fim da repressão.
Em 1971 continuam as ações dos militantes de esquerda contra
a ditadura civil-militar.
Panfletos.... “Abaixo
a ditadura militar de traição nacional!
Por um governo independente, democrático, popular”.
Os panfletos foram catalogados nos registros da repressão do
regime militar. Em 1975 Maringá sofre
mais ação da repressão militar na forma da Operação Marumbi.
“A literatura especializada informa que o aparato repressivo
após a vitória do MDB Movimento Democrático Brasileiro nas eleições de 1974,
desencadeou uma ofensiva contra o PCB, partido que curiosamente havia optado
pela resistência pacífica e não havia se envolvido em ações armadas contra o
regime militar”.
A chamada Operação Marumbi estava ligada ao IPM Inquérito
Policial Militar 745. “A operação
envolvia detenções em 12 cidades do Paraná com dezenas de indiciados”. Entre estes, cinco de Maringá: Laercio de Figueiredo Souto Maior, Leonor
Urias de Mello Sousa, Antonio Elias Cecilio, Salim Haddad e Gregório
Parandiuck.
Em 1977 os cinco acusados foram absolvidos. O
MDB era marcante na resistência democrática contra a ditadura. Em Maringá, foi no período um município
destacado não embate contra a ditadura.
Destaque para o deputado federal local, Renato Celidônio que antes da
ditadura era filiado ao PTB, lembrando que quando ocorreu a ditadura (1964), os
militares extinguiram todos os partidos e criaram dois: a ARENA Aliança Renovadora Nacional e o MDB
Movimento Democrático Brasileiro. A
ARENA de apoio aos militares e o MDB, de oposição.
Em 1969, o deputado federal do MDB, Renato Celidonio foi
cassado com base no AI 5 da ditadura, criado em 13-12-1968. Renato Celidonio “engenheiro agrônomo e
cafeicultor em Maringá, era homem de estilo político moderado”.
De 1968 em diante, o MDB, de oposição à ditadura, venceu três
das quatro eleições municipais para prefeito.
Nessa época o político Silvio Magalhães Barros atuava na
política em Maringá.
UEM Universidade Estadual de Maringá. Criada em 1970. Em 1972, mesmo sendo pública, cobrava
mensalidade dos alunos. Após anos de
luta dos estudantes, conseguiram que o ensino na universidade pública fosse
gratuito. Essa gratuidade na UEM foi
conquistada só em 1988.
continua no capítulo 5