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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Cap.14/20 ´- fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)

 capítulo 14/20                junho de 2026

 

“Na segunda metade da década de 1970 houve, em âmbito nacional, a articulação da sociedade civil e o desencadeamento de mobilizações em favor da redemocratização do país”.     Reação... 

No fim da década de 70, houve a revogação do AI5; restabelecido o pluripartidarismo.   Lembrando (como leitor) que na ditadura só permitiram dois partidos, a ARENA Aliança Renovadora Nacional, de apoio aos militares e o MDB Movimento Democrático Brasileiro, de oposição e que era a junção dos partidos antigos que eram contra a ditadura militar.

Conquistamos também na época a Lei da Anistia.   Nesse contexto “o movimento estudantil voltou à cena política em 1977”.

...”Importante desdobramento foi a reconstrução da UNE (1979) e UPE (1980)”.

Nos Diretórios Acadêmicos da UEM  esta   “referendou o limite máximo de 1/5 para a representação dos alunos nos colegiados acadêmicos”.

No ano de 1978 ainda se cobrava mensalidade e taxas dos estudantes e esta era uma das lutas destes.   Luta pelo ensino gratuito.

O governador Ney Braga  (indicado pelo governo militar – sem voto popular) em visita oficial a Maringá e os estudantes com faixas de reivindicações em 1979.  Faixas:   “Abaixo o aumento, queremos congelamento”; “Temos cursos mas não temos recursos”...

,,,estudantes dialogando, conseguiram apoio na Câmara dos Vereadores local.   Entre os líderes estudantis de então está o Umberto Crispin de Araujo que depois seguiu carreira política na cidade.

Alguns dos líderes estudantis da época:   Crispim, Silvio S. Iwata...

3 – Da criação do DCE Diretório Central dos Estudantes à conquista da gratuidade.     Primeiros anos do DCE da UEM.   Influência dos estudantes de esquerda.    “A hegemonia foi disputada, principalmente, entre estudantes ligados ao PCB, PC do B, aos chamados autênticos do PMDB e ao PT”.

Entre as pautas, ensino gratuito e redemocratização do Brasil.

1981:  Gestão – “Vibração”

Mesmo bem depois da revogação do DL 477 que a ditadura criou com foco na repressão ao movimento estudantil e professores, a direção da UEM manteve em vigor termos que permitiam ser usados para punir lideranças estudantis.

1982 – Gestão  “Travessia”

“Em 1982, na escala ampla da sociedade, o calendário da abertura política teve como capítulo mais importante a eleição direta para governadores dos estados e presidente, suspensa desde o pleito de 1965 pela ditadura”.

Escolha do reitor por lista sêxtupla e homologada pelo governador.

1983 – Gestão:  “Outras Palavras”

Em 1983, entre outras lutas estudantis, estes buscaram construir centros acadêmicos por curso, o que a lei na época não permitia.   Criaram de fato, vários Centros Acadêmicos na UEM em 1983.   

Se consolidou a prática de atuação nos Centros Acadêmicos e se fortaleceu a política estudantil local.    Em 1983 os estudantes de vários cursos se articularam e conseguiram eleger chefes de vários Departamentos da UEM.

1984 – Gestão – “Próximos Passos”

Os estudantes da UEM se engajaram na campanha nacional pelas Diretas Já.  Busca de eleição no voto popular para presidente e governadores dos estados.

Na busca de congelamento do preço das refeições no RU Restaurante Universitário e na busca da gratuidade do ensino, os estudantes chegaram a ocupar a Reitoria da UEM após decisão em assembleia.   Houve ameaça de ação policial para desocupação, mas as negociações acabaram por resultar na desocupação da Reitoria e na conquista de verba estadual para manter congelado o preço das refeições no RU.

...”ocupação do RU pelos estudantes....  (página 208) “Para não perder seu principal instrumento de pressão, os grevistas passaram a pernoitar nas instalações ocupadas.   Vivendo o processo integra, os estudantes debatiam política, realizavam assembleias, dividiam tarefas e responsabilidades, preparavam refeições, namoravam e dormiam no espaço”...

Visando, antes dessa desocupação, desmobilizar os estudantes, a UEM tinha decretado um recesso temporário e assim buscava desarticular os grevistas.     ...”teve o efeito contrário paradoxalmente de reservar ao movimento todo o território convertido em uma grande comunidade estudantil”.

continua no capítulo 15/20

sábado, 13 de junho de 2026

Cap. 13/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor REGINALDO B. DIAS - UEM

 capítulo 13/20                                junho de 2026

 

A reforma oficial buscou  reduzir de 1/3 para no máximo 1/5 a participação dos estudantes no colegiado das universidades.   Tirar força dos estudantes e muito mais do que isso.

...”aos Diretórios Acadêmicos, firmou-se a necessidade de submeter os seus regimentos e acertos de contas à aprovação da respectiva administração universitária”.

Em dezembro de 1968, foi editado o draconiano AI5 que aumentava a repressão.   Em seguida vem se somar o Decreto Lei 477 de fevereiro de 1968 que era arrasador em relação aos estudantes e professores...  proibia passeatas, paralizações, movimentos...

Punição de professores poderia chegar a desligamento da universidade por até cinco anos e no caso de alunos, por até três anos em caso de infração.

Na época do golpe de 1964 os estudantes secundaristas tinham à frente da UPE União Paranaense dos Estudantes, lideranças conservadoras.  O Centro Acadêmico Roberto Simonsen (o CARSI) de Maringá PR apoiou o golpe de 1964 e fez moção escrita do apoio em assembleia.

Em 1965, no jornal Folha Econômica do Departamento de imprensa do CARSI, artigo com elogio à política do presidente Castello Branco, “que proporcionava ao país ingressar no equilíbrio, na disciplina e na restauração”.

O CARSI mudou o estatuto e passou a ser DARSI, se subordinando ao colegiado da faculdade.

Há dados registrados do DARSI aplaudir o AI5 da ditadura.     ...”damos nosso crédito às autoridades federais pelo procedimento”.

         Dos três diretórios estudantis criados em Maringá entre 1961 e 1967, respectivamente das áreas de Economia, Direito e Filosofia, Ciências e Letras, os dois primeiros que surgiram nos anos 60 na linha conservadora.  Já o Diretório Acadêmico David Carneiro, da área de Filosofia, Ciências e Letras, teve lideranças de esquerda e que participaram inclusive do evento da UNE em Ibiuna SP e foram presos.   Na época a UNE estava proscrita e fez o congresso de forma clandestina.

Foram lideranças do Diretório de Filosofia, Ciências e Letras, que somaram com os demais movimentos populares na greve de 1968 em Maringá.

Os primórdios do movimento estudantil em Maringá nos anos 60.

Núcleo surge no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal.   Tempos do professor padre Lebret.

“Não se tratava de uma organização política, mas de um trabalho que, visando à promoção humana, debatia a origem das desigualdades sociais e da miséria e temas afins”.

(como leitor, me faz lembrar dos anos 80 e a Teologia da Libertação e as CEBs Comunidades Eclesiais de Base, sendo que participei destas iniciativas no interior do Paraná, mais especificamente em Umuarama PR)

Nas CEBs, era o Ver, Julgar e Agir.     Incomodou toda a classe política da época e esta pressionou a Igreja Católica ocasionando um recuo desta.

         Voltando ao tema de Maringá.     “Uma ação prática dos estudantes do Colégio Dr Gastão Vidigal foi o levantamento sociológico na Vila Mandacaru, uma das mais pobres da cidade”.

         Outro grupo da cidade composto de lideranças jovens, se articulou na que chamavam de “Organização” que incluía estudos focados no marxismo.

         Os estudantes e a formação da UEM Universidade Estadual de Maringá.

         Maringá e a acelerada urbanização e modernização, traz no bojo a criação da UEM.    Em 1969 é criada a UEM.    No projeto do governo militar, a busca do crescimento da economia.   Havia capital e matéria prima e faltava mão de obra qualificada  “inclusive para elaboração de projetos para esse rumo”.

         Em 1969, o mesmo ato do Governo do estado que criou a UEM, criou também a UEL de Londrina e a UEPG de Ponta Grossa PR.

         As universidades citadas, surgiram já no período da ditadura e o perfil era de atender às metas do capital, sem levar em conta o debate com a comunidade.

         Lei em vigor, extingue os Centros Acadêmicos da UEM e transforma os mesmos de DA Diretórios Acadêmicos, submissos às universidades.

         ...”cujos regimentos deveriam ser aprovados pelos órgãos de deliberação competentes da universidade.    Prescreveu ainda o caráter cívico, assistencial e cultural dos diretórios e vedou as ausências coletivas aos trabalhos escolares”.

         “As eleições dos Das deveriam ser dirigidas pela administração da UEM.”

         O rigor das normas...    “eram bastante reduzidos os espaços regulamentados para a participação estudantil”.

         Quando a UEM foi fundada, o regime militar tinha desarticulado a UNE e as UPEs estudantis dos secundaristas.

 

         Continua no capítulo 14/20

terça-feira, 9 de junho de 2026

Cap. 12/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Professor REGINALDO BENEDITO DIAS - UEM

 

capítulo 12/20                        junho de 2026

  O movimento estudantil na gênese da UEM Universidade Estadual de Maringá PR Da origem do movimento estudantil de Maringá ao golpe de 1964. Diversas faculdades locais tinham três diferentes Centros Acadêmicos criados em 1961, 1966 e 1967.

A mudança da geografia humana local em apenas duas décadas: Na região de Maringá, em 1960, 70% da população vivia na zona rural com predomínio da lavoura cafeeira que ocupa bastante mão de obra. Duas décadas depois em função do declínio da cafeicultura e do avanço de culturas mecanizadas como soja, trigo, milho etc, 78% da população da região já vivia na zona urbana.

Especificamente em Maringá PR, o evento foi ainda mais marcante segundo a pesquisadora France Luz. Em 1960 a população urbana era 45,7%. Em 1970, saltou para 82,47% e em 1980, para 95,51%. Essa urbanização mudou as demandas da população e nesse contexto surgem as diferentes faculdades e depois, a universidade em Maringá. Anos 60 e o Brasil politicamente conturbado.

O presidente Janio Quadros renuncia. Pela legislação deveria assumir o vice João Goulart mas este sofria restrição da elite e do setor militar. Tentou-se impedir que ele assumisse e criaram um casuísmo, mudando o sistema de governo para o Parlamentarismo. Isto retirou poderes do presidente e assim João Goulart assumiu. Ele veio com as propostas sintonizadas com os movimentos sociais pela reforma agrária e reforma universitária, que eram o arcabouço do que chamou de reformas de base. Foi derrubado pelo golpe civil-militar em 1964.

Antes disso, em 1962 a UNE fez uma greve reivindicando ter ao menos 1/3 de integrantes estudantes nas decisões da congregação das Universidades.

O movimento estudantil diante da consolidação da ditadura. 

Contra os movimentos populares e os estudantes, que apoiavam as reformas de base de Joao Goulart, o “Jango”, foi perpetrado o golpe citado. “A ditadura militar então instalada sustentou um modelo de desenvolvimento baseado na associação do grande capital nacional com o internacional e na concentração de renda”. (e arrocho salarial). 

A ditadura fez a “Operação Limpeza”, destituindo dos cargos, professores universitários que fossem contra o golpe, assim como pesquisadores etc. Estas e outras arbitrariedades sepultaram o sonho das reformas de base com apoio popular e estudantil.

O governo militar criou lei que restringiu a UNE e a UEE, esta dos estudantes secundaristas.   Foram criadas novas entidades com freios e atreladas ao poder público.   (lei 4.464 de 09/11/1964).    Mais adiante houve um plebiscito em 1965 que buscava a aprovação popular da lei 4.464, mas o resultado foi a mobilização dos estudantes que foram perseguidos pela ditadura e o plebiscito derrubou a lei e uniu os estudantes e suas entidades.

No bojo do golpe militar, o Brasil assinou de forma sigilosa o acordo MEC-USAID com os USA.   USAID  Unit States Agency for International Developement.

“O ápice do processo de enfrentamento com a ditadura militar deu-se em 1968, ano em que houve grandes mobilizações estudantis em todo o mundo”.

1968 ...  recrudescimento do regime aqui no Brasil.    “O ano não terminou, no entanto sem o recrudescimento do regime.   Em outubro, o XXX Congresso da UNE União Nacional dos Estudantes, realizado clandestinamente em Ibiuna-SP, foi desmantelado, com a prisão de líderes e participantes.   A detenção atingiu cerca de setecentos estudantes”.

...a repressão sufocou o movimento estudantil.   Em contraponto aos anseios dos estudantes, o governo impôs uma reforma universitária buscando seus propósitos.  Isto em 1968.

 

         Continua no capítulo 13

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cap.11/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ - PR) - Autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

 capítulo 11/20

 

         ... “O próprio assessor, padre Orivaldo Robles, colaborou na articulação de um comitê de apoio aos operários em greve”.

         O AI-5 de dezembro de 1968 dispersou o grupo de articulação dos movimentos sociais e da greve.

         Templos da Igreja Popular e a Teologia da Libertação

           Convocada pelo Papa Paulo VI, houve em 1968 a Conferência Episcopal de Medelin “para sistematizar os ensinamentos do Concílio Vaticano II na América Latina”.

         Vários militantes de Maringá que atuaram na defesa dos trabalhadores e acabaram sendo fichados pelo DOPS por essa causa eram oriundos de entidade criada pela Igreja Católica para fazer contraponto aos ativistas da ala socialista.

         Sobre o PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário

         Dissidências do PCB formado pós 1964, criam em 1968 o PCBR.

         O PCBR em Maringá.    Comitê zonal deste em Maringá surge em 1969.   No contexto cita Tereza Urban, “destacada líder estudantil paranaense”.  Ela foi dirigente do POLOP.

         Sobre a Guerrilha de Porecatu – PR, o autor cita o historiador Angelo Priori, Professor da UEM, que defende que no caso não se caracterizava como guerrilha pois a luta era pela posse da terra e não pelo poder político.

         A chamada “Organização” que congregava os militantes de Maringá tinha minipolos em Paranavai, Ourizona, Paiçandu e Marialva.

         “Apolônio de Carvalho tinha a mística de ex-combatente no levante comunista de 1935 na guerra civil espanhola e na resistência na França.

         A repressão

         ... militantes muito jovens em Maringá.    “Moacir Pozza, Licinio Lima e Deisi Feffuni, aos quais seria atribuída a condição de líderes, tinham 23 anos de idade.

         No período da ditadura, os considerados culpados iam a julgamento com ritos que tentavam disfarçar a arbitrariedade.

         “A violência foi disfarçada sob uma capa jurídica, uma máscara, um simulacro da lei”.

Em defesa de vários réus no caso, atuou como advogado Horácio Raccanello Filho, que também era Professor de Direito em Maringá PR

Deisi Deffune apresentou no processo, como parte da sua defesa, documentos que atestavam seu desempenho no colegial, depois no curso de Economia e a condição de funcionária de carreira do Banco do Brasil.

No curso dos processos ficou claro que se havia intenções revolucionárias nos jovens enquadrados, nada se efetivou na prática e por isso foram inocentados.

Com os processos a que respondiam os principais militantes “em 1970 houve a desorganização do núcleo de ativismo político local, tanto na órbita do PCBR quanto na esfera da chamada Organização.

Ruth Ribeiro Lima se doutorou em história e deixou um robusto material editado.  A saber:  “Nunca é Tarde para Saber Histórias da Vida”, tese defendida na USP.   Aborda a história da guerrilha e coloca a figura da mulher no contexto.

Considerações finais deste capítulo

Próximo capítulo – 5 – O movimento estudantil da UEM e a luta pela universidade pública, democrática e gratuita.

Preâmbulo

A UEM foi fundada em 1969.    Veio a ser criada no auge da ditadura, sob os tempos do AI5 e do Decreto Lei 477.  Tempos da repressão.

A UEM só em 1987 conquistou o status de gratuita.

...  “a pressão de baixo, exercida por estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos, foi decisiva para promover mudanças qualitativas na UEM”.

“A memória das lutas investigadas por este capítulo nem sempre está presente para as atuais gerações, apesar de sua importância para o estabelecimento de reflexões acerca da história e dos destinos da instituição”.

“O movimento estudantil mantém precário contato com sua história.   A própria dinâmica do estudante estar numa etapa transitória da vida, ora como estudante e ora buscando o mercado de trabalho...”     Há descontinuidade da política acadêmica ao longo do tempo.    Mesmo com  as descontinuidades, houve frutos colhidos das lutas dos estudantes”.

         Continua no capítulo 12/20

segunda-feira, 1 de junho de 2026

10/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ - PR) autor Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS (UEM)

 capítulo 10/20                        junho de 2026  (postagem)

        

         A greve no caso se restringiu a duas indústrias de alimentos, uma greve curta dos bancários  ...”pode-se falar em ensaio, mas não de uma greve geral propriamente dita”.

         Nesse tempo (1968) a SANBRA, que atuava na industrialização do algodão principalmente na região, tinha em sua fábrica de Maringá, 1.300 empregados.  Havia preocupação no caso dos empregados dela aderissem à greve.  Isto não ocorreu.

          Considerações finais

         ...”Em Maringá, viu-se que a luta transitou fundamentalmente, pelas vias institucionais”.    Greve... “essa forma de luta era uma afronta maior aos detentores do poder.”

         Capítulo 4  - Juventude, revolução e repressão:  Maringá PR nos anos de chumbo da ditadura.

         Preâmbulo  -    Em 1970 foram indiciadas 15 pessoas moradoras em Maringá, todas como militantes do PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário.

         Houve prisões e os presos foram remetidos para o Quartel da 4ª Companhia de Infantaria em Apucarana PR.  (60 km de Maringá)

         A rearticulação das forças da esquerda nos primeiros anos da ditadura de 1964.   O golpe derrubou o governo João Goulart (Jango), este que era filiado ao PTB.

         Dado o golpe, “o plano imediato era abortar qualquer possibilidade de radicalização à esquerda, real ou presumida pelos detentores do poder”.

         “Operação Limpeza” -  “Como regra, embora o pano de fundo fosse a alegada infração à legislação de segurança nacional, as acusações eram caracterizadas pela criminalização da participação na luta cidadã por direitos”     ...”promoveu a desarticulação da luta social”.

         Após o golpe militar de 1964, as esquerdas tentam avaliar a caminhada e as falhas ocorridas.   “O PCB assumiu a avaliação de que ocorrera um “desvio esquerdista antes de 1964, ou seja, uma radicalização sem bases concretas”.

         Houve bastante divisão da esquerda após o Golpe civil-militar.

         “Em Maringá, a radicalização política de militantes locais abriu espaço para interseção com duas dessas organizações, a AP Ação Popular e o PCBR Partido Comunista Brasileiro Revolucionário”.

         A AP  sobre a liderança de Edésio Passos e Zélia Passos, focou suas ações na organização sindical a partir de 1967.

         A dialética da radicalização da juventude de Maringá

         Vários jovens da política estudantil de Maringá que atuaram na esquerda nos anos 60 e 70 eram oriundos do curso secundário do Colégio Estadual Dr Gastão Vidigal.   Alunos do Curso Clássico do citado colégio.

         Entre os fichados pelo DOPS na época, se destacaram pessoas que estudaram no referido colégio.

         Eu, leitor fiz ligeira busca na IA sobre o que foi o curso Clássico.

         Focado em Humanidades:   línguas e literatura portuguesa, latim e grego.

         Línguas estrangeiras – inglês e francês.

         Humanidades -  História Geral e do Brasil; Geografia Geral e do Brasil; Filosofia e Sociologia.

         Exatas e Biológicas – Matemática, Ciências Naturais, Física, Química e Biologia.

         Artes e Outros – Educação Física, Educação Artística, Desenho.

         No curso do citado colégio tinha padre e freira entre os professores.  Destaques para o padre francês Lebret e pela freira Jeanne Gaudin.    “Não se tratava  de um agrupamento político, mas um trabalho de promoção humana.   De concreto, o coletivo realizou um levantamento sociológico na Vila Mandacaru, uma das mais pobres de Maringá na época.   Mediante estudos, pesquisa e ação social, pretendiam entender os problemas que geravam a miséria”.

         A freira adoeceu e voltou para a França e quem a substituiu foi o padre Orivaldo Robles  (que eu, leitor, conheci em Maringá inclusive em missas na Paróquia Maria Goretti perto da UEM, isto já nos anos 2010)

 

                   Continua no capítulo 11/20

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cap. 9/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Professor REGINALDO B. DIAS - UEM

 capítulo 9                            maio de 2026

 

         Setores da AP Ação Popular se incorporaram ao PcdoB em 1973.    Em 1968 quando a AP se articulou na base em Maringá...  “Vivia sob a égide da afirmação da linha chinesa”.

         ...”Enfim, apesar da instalação em um centro urbano, o objetivo era ramificar-se na zona rural e nas lutas aí localizadas”.   (pág. 117)

         ... “Mas a região de Maringá tinha uma tradição de organização e de lutas no campo”.       “Já na década de 1950, o PCB iniciara um processo de organização dos trabalhadores no campo em toda a região Norte do Paraná”.

   ... O PCB deslocou para a região o destacado líder pernambucano Gregório Bezerra.

         As UGT União Geral dos Trabalhadores ainda não eram entidades sindicais reconhecidas.   No Paraná só em 1956 é que surgiram os STR Sindicatos de Trabalhadores Rurais.    No Paraná a formação de sindicatos foi acelerada.   Entre 1956 e 1964 se formaram 86 sindicatos.  

         ...Pauta das reivindicações no II Congresso dos Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná “realizada em 1961:  reforma agrária; imediata aplicação da legislação social aos trabalhadores do campo; efetivo salário mínimo; abolição do vale armazém etc.”

         A preparação da greve.    O militante Edésio Passos era um advogado trabalhista.

         As condições da época e a organização da greve.

         Foi visto que o governo militar promoveu arrocho salarial e as leis trabalhistas eram desfavoráveis aos trabalhadores.   Isto de certa forma tornava mais favorável às lideranças rurais para puxar uma greve.

         “Essa manifestação extrapolou as expectativas dos organizadores, pois houve a participação de diversas entidades sindicais e a presença de cerca de mil pessoas”.

         Empregados do setor de alimentos e dos bancários foram os mais mobilizadores na greve de outubro de 1968 em Maringá.     Em junho de 1968 houve a 1ª Convenção Estadual dos Bancários.   Edésio Passos, militante, se tornou assessor jurídico do Sindicato dos Bancários.

         A AP capitaneada por Edésio Passos era de grande relevância na estruturação das pautas da greve.

         ...”trabalho indigno...,   “ocorre que os operários, com os salários que recebiam, tinham que fazer horas extras, atingindo jornadas de onze horas diárias”.    Jornada alternada quinzenalmente, uma quinzena trabalhando de dia e outra, à noite sempre revezando dessa forma.

         Descanso semanal, duas vezes por mês.

         Uma empresa grande do ramo de processamento de alimentos era a mais visada pelos problemas com os empregados.   A Cia Norpa Industrial, de propriedade de Jutsuji Fujiwara.

         Os sindicatos entraram com reclamações à empresa e à justiça do trabalho.  Nada de resultado.   Só obtiveram ações policiais contra as lideranças dos trabalhadores.

         Houve reivindicação formal, os patrões se recusaram a negociar e então se encaminhou para a greve.  Isto em 1968.

         Greve iniciada em 1° de outubro.  Dia e mês em que se comemora a Revolução Chinesa (de 1949).

         Dos relatórios do DOPS, a polícia do regime militar, sobre a movimentação para a greve.    ...”um relatório avaliou que a situação requeria um policiamento mais ativo e organizado para acompanhar os movimentos sindicais”.

         A dinâmica da greve.

         Maringá tinha agências de 17 bancos.  Destes, 11 paralizaram totalmente.  Pararam por um dia e anunciaram que era uma “greve de advertência”.

         A greve no setor de processamento de alimentos prosseguiu e o patronato não aceitou negociação e começou a demitir grevistas.

         O Bispo Dom Jaime se postou no acampamento dos grevistas e depois conseguiu ser mediador.  Foram sete dias de greve.

         Em 1968 a lei não autorizava sindicatos e os empregados aderiam a uma Associação de direito civil que poderia a qualquer hora serem tornadas ilegais pelo regime militar.

         “Alguns dirigentes da Associação, além do assessor jurídico Edésio Passos, foram denunciados por crime contra a segurança nacional, sob a acusação de terem promovido greve ilegal em serviços essenciais ao Estado”.      Naquele tempo, trabalhador lutando por melhoria nas condições de trabalho era encarado como caso de polícia.

 

         Continua no capítulo 10

terça-feira, 26 de maio de 2026

Cap. 8 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor da UEM - REGINALDO B. DIAS

 capítulo 8                                maio de 2026

 

         .     O PCB  ...”fazia a defesa dos métodos legais e eleitorais para a consolidação das mudanças estruturais.    ...”seu objetivo de se integrar ao sistema partidário vigente no Brasil”.

         Outras iniciativas como o mais radical, o PC do B Partido Comunista do Brasil.   

         Outras forças da esquerda da época.    Organização Revolucionária Marxista – Política Operária – POLOP.

         AP Ação Popular; PSB Partido Socialista Brasileiro

         A AP tinha origem na radicalização da JUC Juventude Universitária Católica.

         A POLOP e a AP defendiam que a mudança de regime não deveria ser por etapas, mas direto para o socialismo.

         O PC do B discordava dos métodos do PCB pois.... “defendia a luta armada como principal caminho de mudanças”.

         Dos radicais, a que teve mais penetração nos movimentos estudantis e sociais na região foi a AP Ação Popular.   Esta que inclusive participou da fundação da CONTAG.  Confederação dos Trabalhadores da Agricultura.

         “Instaurado o golpe civil-militar (1964), a ditadura militar tornou-se instrumento de efetivação de um programa de desenvolvimento excludente, baseado na associação do capital nacional com o multinacional e na concentração de renda”.    (arrocho salarial)

         Na constituição de 1946 havia a lei de greve.  A ditadura endureceu as leis de greve. Proibiu greve do funcionalismo público; dos setores “essenciais” (transporte etc), assim como as de natureza política e social”.

         A ditadura fez a “Operação Limpeza”.    O próprio Estado foi atingido em todos os níveis por meio das cassações de mandatos e “depuração” da burocracia civil e militar.   Incluiu pesquisadores, professores universitários que eram vistos como de esquerda.   (Até o professor sociólogo FHC Fernando Henrique Cardoso saiu do país por conta disso)

         Tudo feito sem critério objetivo...

         “A simples acusação num IPM Inquérito Policial Militar bastava para desencadear uma série de perseguições que podiam incluir prisão e tortura”.

         Antes da ditadura de 1964, empregados com mais de dez anos no mesmo emprego, tinham estabilidade no emprego.   O novo regime criou o FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e assim caia a estabilidade no emprego e isso facilitava a vida dos patrões inclusive para promoverem o arrocho salarial.   Empobrecer ainda mais os mais pobres.

         Segundo o DIEESE Departamento de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicos, órgão de assessoria aos Sindicatos, o achatamento salarial foi muito forte.   Entre 1964 e 1968, o salário real perdeu 30%.    Concentrou a renda para as mãos dos mais ricos.

         O general presidente Médici, na década de setenta “definiu de forma sintomática o chamado milagre econômico quando afirmou que a economia ia bem, mas o povo ia mal.”.

         Tempos do convênio MEC-USAID com os norte-americanos no qual uma reforma no ensino preconizava a expansão do ensino pago e cerceamento dos espaços democráticos.     Inclusive o “desmonte” dos Centros Acadêmicos nas universidades, tirando força do movimento estudantil.

         Anos 50, 60...  “Os paradigmas internacionais, especialmente aqueles oriundos das revoluções chinesa (1949) e cubana (1959) influenciaram essas organizações da esquerda brasileira”.  

         “Se é preciso ter em conta a conjuntura mais ampla da década para entender as opções da esquerda brasileira, deve-se reconhecer que ela se movia no terreno da problemática nacional.”

         As esquerdas não conquistaram certos objetivos revolucionários, mas fizeram frente à ditadura militar.   Houve importantes greves de trabalhadores em Osasco SP e Contagem MG... em Maringá PR, que também tentou uma greve geral em 1968.

         A AP Ação Popular e a definição de Maringá como região estratégica

         ... após o golpe militar... “A AP iniciou um processo de definição por uma linha nitidamente marxista.

         “A AP em 1968, após um tenso processo de disputa interna, optou por uma estratégia inspirada no maoismo e no legado da Revolução Chinesa”.

         ...”O fato é que o marxismo se caracterizava pela valorização do camponês, não só como principal ator na luta pela tomada do poder, mas também como a vanguarda no projeto de construção do socialismo”.

 

         Continua no capítulo 9