capítulo 9 maio de 2026
Setores da AP Ação Popular se incorporaram ao PcdoB em 1973. Em 1968 quando a AP se articulou na base em
Maringá... “Vivia sob a égide da
afirmação da linha chinesa”.
...”Enfim, apesar da instalação em um centro urbano, o
objetivo era ramificar-se na zona rural e nas lutas aí localizadas”. (pág. 117)
... “Mas a região de Maringá tinha uma tradição de
organização e de lutas no campo”. “Já
na década de 1950, o PCB iniciara um processo de organização dos trabalhadores
no campo em toda a região Norte do Paraná”.
... O PCB deslocou para a região o destacado
líder pernambucano Gregório Bezerra.
As UGT União Geral dos Trabalhadores ainda não eram
entidades sindicais reconhecidas. No
Paraná só em 1956 é que surgiram os STR Sindicatos de Trabalhadores Rurais. No Paraná a formação de sindicatos foi
acelerada. Entre 1956 e 1964 se
formaram 86 sindicatos.
...Pauta das reivindicações no II Congresso dos Lavradores e
Trabalhadores Rurais do Paraná “realizada em 1961: reforma agrária; imediata aplicação da legislação
social aos trabalhadores do campo; efetivo salário mínimo; abolição do vale
armazém etc.”
A preparação da greve.
O militante Edésio Passos era um advogado trabalhista.
As condições da época e a organização da greve.
Foi visto que o governo militar promoveu arrocho salarial e
as leis trabalhistas eram desfavoráveis aos trabalhadores. Isto de certa forma tornava mais favorável às
lideranças rurais para puxar uma greve.
“Essa manifestação extrapolou as expectativas dos organizadores,
pois houve a participação de diversas entidades sindicais e a presença de cerca
de mil pessoas”.
Empregados do setor de alimentos e dos bancários foram os
mais mobilizadores na greve de outubro de 1968 em Maringá. Em junho de 1968 houve a 1ª Convenção
Estadual dos Bancários. Edésio Passos,
militante, se tornou assessor jurídico do Sindicato dos Bancários.
A AP capitaneada por Edésio Passos era de grande relevância
na estruturação das pautas da greve.
...”trabalho indigno...,
“ocorre que os operários, com os salários que recebiam, tinham que fazer
horas extras, atingindo jornadas de onze horas diárias”. Jornada alternada quinzenalmente, uma
quinzena trabalhando de dia e outra, à noite sempre revezando dessa forma.
Descanso semanal, duas vezes por mês.
Uma empresa grande do ramo de processamento de alimentos era
a mais visada pelos problemas com os empregados. A Cia Norpa Industrial, de propriedade de
Jutsuji Fujiwara.
Os sindicatos entraram com reclamações à empresa e à justiça
do trabalho. Nada de resultado. Só obtiveram ações policiais contra as
lideranças dos trabalhadores.
Houve reivindicação formal, os patrões se recusaram a
negociar e então se encaminhou para a greve.
Isto em 1968.
Greve iniciada em 1° de outubro. Dia e mês em que se comemora a Revolução
Chinesa (de 1949).
Dos relatórios do DOPS, a polícia do regime militar, sobre a
movimentação para a greve. ...”um
relatório avaliou que a situação requeria um policiamento mais ativo e
organizado para acompanhar os movimentos sindicais”.
A dinâmica da greve.
Maringá tinha agências de 17 bancos. Destes, 11 paralizaram totalmente. Pararam por um dia e anunciaram que era uma “greve
de advertência”.
A greve no setor de processamento de alimentos prosseguiu e
o patronato não aceitou negociação e começou a demitir grevistas.
O Bispo Dom Jaime se postou no acampamento dos grevistas e
depois conseguiu ser mediador. Foram
sete dias de greve.
Em 1968 a lei não autorizava sindicatos e os empregados
aderiam a uma Associação de direito civil que poderia a qualquer hora serem
tornadas ilegais pelo regime militar.
“Alguns dirigentes da Associação, além do assessor jurídico
Edésio Passos, foram denunciados por crime contra a segurança nacional, sob a
acusação de terem promovido greve ilegal em serviços essenciais ao Estado”. Naquele tempo, trabalhador lutando por
melhoria nas condições de trabalho era encarado como caso de polícia.
Continua no capítulo 10