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sábado, 13 de junho de 2026

Cap. 13/20 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - autor Professor REGINALDO B. DIAS - UEM

 capítulo 13/20                                junho de 2026

 

A reforma oficial buscou  reduzir de 1/3 para no máximo 1/5 a participação dos estudantes no colegiado das universidades.   Tirar força dos estudantes e muito mais do que isso.

...”aos Diretórios Acadêmicos, firmou-se a necessidade de submeter os seus regimentos e acertos de contas à aprovação da respectiva administração universitária”.

Em dezembro de 1968, foi editado o draconiano AI5 que aumentava a repressão.   Em seguida vem se somar o Decreto Lei 477 de fevereiro de 1968 que era arrasador em relação aos estudantes e professores...  proibia passeatas, paralizações, movimentos...

Punição de professores poderia chegar a desligamento da universidade por até cinco anos e no caso de alunos, por até três anos em caso de infração.

Na época do golpe de 1964 os estudantes secundaristas tinham à frente da UPE União Paranaense dos Estudantes, lideranças conservadoras.  O Centro Acadêmico Roberto Simonsen (o CARSI) de Maringá PR apoiou o golpe de 1964 e fez moção escrita do apoio em assembleia.

Em 1965, no jornal Folha Econômica do Departamento de imprensa do CARSI, artigo com elogio à política do presidente Castello Branco, “que proporcionava ao país ingressar no equilíbrio, na disciplina e na restauração”.

O CARSI mudou o estatuto e passou a ser DARSI, se subordinando ao colegiado da faculdade.

Há dados registrados do DARSI aplaudir o AI5 da ditadura.     ...”damos nosso crédito às autoridades federais pelo procedimento”.

         Dos três diretórios estudantis criados em Maringá entre 1961 e 1967, respectivamente das áreas de Economia, Direito e Filosofia, Ciências e Letras, os dois primeiros que surgiram nos anos 60 na linha conservadora.  Já o Diretório Acadêmico David Carneiro, da área de Filosofia, Ciências e Letras, teve lideranças de esquerda e que participaram inclusive do evento da UNE em Ibiuna SP e foram presos.   Na época a UNE estava proscrita e fez o congresso de forma clandestina.

Foram lideranças do Diretório de Filosofia, Ciências e Letras, que somaram com os demais movimentos populares na greve de 1968 em Maringá.

Os primórdios do movimento estudantil em Maringá nos anos 60.

Núcleo surge no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal.   Tempos do professor padre Lebret.

“Não se tratava de uma organização política, mas de um trabalho que, visando à promoção humana, debatia a origem das desigualdades sociais e da miséria e temas afins”.

(como leitor, me faz lembrar dos anos 80 e a Teologia da Libertação e as CEBs Comunidades Eclesiais de Base, sendo que participei destas iniciativas no interior do Paraná, mais especificamente em Umuarama PR)

Nas CEBs, era o Ver, Julgar e Agir.     Incomodou toda a classe política da época e esta pressionou a Igreja Católica ocasionando um recuo desta.

         Voltando ao tema de Maringá.     “Uma ação prática dos estudantes do Colégio Dr Gastão Vidigal foi o levantamento sociológico na Vila Mandacaru, uma das mais pobres da cidade”.

         Outro grupo da cidade composto de lideranças jovens, se articulou na que chamavam de “Organização” que incluía estudos focados no marxismo.

         Os estudantes e a formação da UEM Universidade Estadual de Maringá.

         Maringá e a acelerada urbanização e modernização, traz no bojo a criação da UEM.    Em 1969 é criada a UEM.    No projeto do governo militar, a busca do crescimento da economia.   Havia capital e matéria prima e faltava mão de obra qualificada  “inclusive para elaboração de projetos para esse rumo”.

         Em 1969, o mesmo ato do Governo do estado que criou a UEM, criou também a UEL de Londrina e a UEPG de Ponta Grossa PR.

         As universidades citadas, surgiram já no período da ditadura e o perfil era de atender às metas do capital, sem levar em conta o debate com a comunidade.

         Lei em vigor, extingue os Centros Acadêmicos da UEM e transforma os mesmos de DA Diretórios Acadêmicos, submissos às universidades.

         ...”cujos regimentos deveriam ser aprovados pelos órgãos de deliberação competentes da universidade.    Prescreveu ainda o caráter cívico, assistencial e cultural dos diretórios e vedou as ausências coletivas aos trabalhos escolares”.

         “As eleições dos Das deveriam ser dirigidas pela administração da UEM.”

         O rigor das normas...    “eram bastante reduzidos os espaços regulamentados para a participação estudantil”.

         Quando a UEM foi fundada, o regime militar tinha desarticulado a UNE e as UPEs estudantis dos secundaristas.

 

         Continua no capítulo 14/20

sábado, 9 de maio de 2026

Cap.4 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor: Prof. REGINALDO BENEDITO DIAS

 Cap. 4

 

       No setor estudantil era forte na época o movimento dos estudantes secundaristas na região. Faziam passeatas contra a ditadura além de outras pautas ligadas ao ambiente escolar. Um destes grupos era o MEL Movimento Estudantil Livre.

Teve dirigente do MEL preso por discurso contra o sistema em Maringá durante a visita do governador do estado Paulo Pimentel.

Havia movimentação de professores, mas estes por lei severa da ditadura, não podiam ser sindicalizados nem fazer greve. Buscavam fazer “paralização coletiva” para reivindicar. (greve com outro nome)

Outubro de 1968 e a luta dos professores, destacando que dia 15 de outubro é o Dia do Professor. Maringá esteve mobilizada e liderança dos professores esteve presente em evento classista em Curitiba. Mesmo em tempos de repressão policial, após oito anos de luta, os professores conseguiram conquistar um quadro de carreira para a categoria pela aprovação do Estatuto do Magistério do Paraná.       

         Relatório do DOPS faz um perfil da forma que os delegados deles enxergavam o ambiente, citando o vice prefeito Renato Bernardi.   Seria uma pessoa bem articulada e de bom trânsito inclusive com os ativistas.

         “Um espaço público nevrálgico era a Biblioteca Municipal de Maringá, qualificada pelo relatório do DOPS como ponto de encontro entre os comunistas dito intelectuais e outros da velha guarda”.

     “O agente do DOPS mapeou os frequentadores e fichas de leitura da biblioteca.... e pelas companhias dessas pessoas”.    Página 60

     A Operação Marumbi e os inquéritos contra o PCBR e o POC

      POC Partido Operário Comunista.   Envolvia inclusive lideranças estudantis e andaram lançando à noite, panfletos com o título de Ação Camponesa.

         Um líder do POC, Geraldo Magela, com sede em Apucarana, deu depoimento ao livro Resistência Democrática bem após o fim da repressão.

         Em 1971 continuam as ações dos militantes de esquerda contra a ditadura civil-militar.   

         Panfletos....  “Abaixo a ditadura militar de traição nacional!  Por um governo independente, democrático, popular”.

         Os panfletos foram catalogados nos registros da repressão do regime militar.   Em 1975 Maringá sofre mais ação da repressão militar na forma da Operação Marumbi.

         “A literatura especializada informa que o aparato repressivo após a vitória do MDB Movimento Democrático Brasileiro nas eleições de 1974, desencadeou uma ofensiva contra o PCB, partido que curiosamente havia optado pela resistência pacífica e não havia se envolvido em ações armadas contra o regime militar”.

         A chamada Operação Marumbi estava ligada ao IPM Inquérito Policial Militar 745.   “A operação envolvia detenções em 12 cidades do Paraná com dezenas de indiciados”.   Entre estes, cinco de Maringá:  Laercio de Figueiredo Souto Maior, Leonor Urias de Mello Sousa, Antonio Elias Cecilio, Salim Haddad e Gregório Parandiuck.

         Em 1977 os cinco acusados foram absolvidos.     O MDB era marcante na resistência democrática contra a ditadura.   Em Maringá, foi no período um município destacado não embate contra a ditadura.   Destaque para o deputado federal local, Renato Celidônio que antes da ditadura era filiado ao PTB, lembrando que quando ocorreu a ditadura (1964), os militares extinguiram todos os partidos e criaram dois:  a ARENA Aliança Renovadora Nacional e o MDB Movimento Democrático Brasileiro.  A ARENA de apoio aos militares e o MDB, de oposição.

         Em 1969, o deputado federal do MDB, Renato Celidonio foi cassado com base no AI 5 da ditadura, criado em 13-12-1968.    Renato Celidonio “engenheiro agrônomo e cafeicultor em Maringá, era homem de estilo político moderado”.

         De 1968 em diante, o MDB, de oposição à ditadura, venceu três das quatro eleições municipais para prefeito.

         Nessa época o político Silvio Magalhães Barros atuava na política em Maringá.

         UEM Universidade Estadual de Maringá.   Criada em 1970.  Em 1972, mesmo sendo pública, cobrava mensalidade dos alunos.   Após anos de luta dos estudantes, conseguiram que o ensino na universidade pública fosse gratuito.   Essa gratuidade na UEM foi conquistada só em 1988.


continua no capítulo 5