capítulo
6
Repercussões
da Perda de Uma Identidade Comum
“Retornaremos
à ideia central do capítulo 2 deste livro...” .
A disposição em ajudar os outros é gerada pela combinação de três
narrativas: o pertencimento a um determinado grupo; a obrigações recíprocas dentro
do grupo; um vínculo entre uma ação e o
bem estar do grupo, que mostra que essa ação tem propósito. Por conseguinte, se a identidade comum se
esgarça, desgasta-se a disposição dos favorecidos em aceitar que tem obrigações
para com os menos favorecidos”.
“A
base da generosidade é a reciprocidade”.
...
queda da confiança.... “Evidentemente,
a grande diminuição na confiança desde os anos 1970 foi reforçada pela demonstração
de incapacidade da vanguarda em implantar políticas públicas que corrigissem as
novas clivagens”. (rupturas, por assim
dizer, esgarçando o tecido social).
Mais
um fator de desgaste da social democracia.
A falta de cooperação. Esta que
era forte no pós guerra para reerguer as nações.
Oportunismo. “Os qualificados chegam a ver o resto da
população como otários e se orgulham de sua habilidade em depenar os trouxas”.
Cita
os então bem sucedidos operadores do mercado financeiro antes da crise de
2008/2009 que buscavam empurrar para os otários, negócios que pareciam bons mas
não eram bons.
“O
modelo de negócios de Wall Street nos anos que precederam a crise financeira
2008/2009, como bem demonstrou Joseph Stiglitz, era encontrar otários”.
Por
que estamos cansados da Identidade Nacional em Comum
Dentro
da mesma nação... “nós somos definidos
como não eles e eles se convertem em objeto de ódio – desejamos-lhes mal”. “Tais identidades são opositoras”.
Essa
postura só tem o lado aceitável no caso dos torcedores de futebol, por
exemplo. O nós contra eles sem
hostilidades. “Mas em termos
históricos, as formas mais prejudiciais de identidade por oposição são as
identidades de grandes grupos, como a etnicidade, a religião e a nacionalidade. Levam a progroms, à jiradh e as guerras
mundiais.
...”Em
todas as sociedades modernas o poder político depende de um grau modesto de coerção
e de um grau elevado de aceitação voluntária.
A aceitação voluntária nos conduz ao senso da obrigação que converte o
poder em autoridade”.
O
esforço de tentar dar uma identidade para a União Europeia que tem inclusive
barreiras de línguas faladas... “Potencialmente,
a tentativa de transferir a autoridade pra uma autoridade central com a qual
poucos se identificam retira a autoridade ao poder abrindo espaço para a
fragmentação em entidades regionais e para a queda no individualismo: o inferno do homem econômico.”
Há
pelo mundo uma série de “identidades” nacionais buscando o separatismo para
deixar de lado a região mais fragilizada do país. O autor cita inclusive o Brasil onde Sul e
Sudeste olham outras regiões com menor potencial econômico com certo desprezo.
Mesmo
na Europa tem vários problemas desse tipo em diferentes países.
A
erosão da social-democracia: “o ressentimento
contra as obrigações recíprocas construídas por uma ampla identidade comum.”
...”narrativa
de ódio em ação contra pessoas que moram no mesmo país”. “As identidades oposicionistas resultantes
são letais para a generosidade, a confiança e a cooperação”.
“Na
média, em todas as economias modernas avançadas, cerca de 40% da renda são
recolhidos em impostos e distribuídos de várias formas tal como transferências
diretas para os mais pobres, gastos com saúde, educação etc.”
O
impasse
Na
era da tecnologia e o povo plugado no celular, o individualismo cresce mais e
mais. ...nossas sociedades vão se
degenerar, tornando-se menos generosas.
“A ascensão de novos nacionalistas divide amargamente a
sociedade... Marine Le Pen não uniu a
França: divide-a. ...Donald Trump polarizou profundamente a
sociedade americana...” (livro de 2018)
Continua no capítulo 7
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