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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cap. 2/3 - FICHAMENTO DA PALESTRA DA ANTROPÓLOGA DRA MALU BRANT - POVOS DA NAÇÃO GUARANI DO OESTE DO PARANÁ 04/2026

 

     Lembrou que há Guarani em vários países da América do Sul, com destaque para o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.      Estudos dão conta de que há aproximadamente dois mil anos esses povos Guarani migraram da Amazonia para o sul do continente.

     Nos tempos recentes, um dos redutos dos Guarani é o Oeste do Paraná.

     Destacou o chamado Caminho de Peabiru que ligava a Cordilheira dos Andes ao litoral brasileiro nos tempos antes da chegada dos colonizadores europeus.

     O foco da fala dela será sobre os Guarani da chamada tríplice fronteira na região de Foz do Iguaçu, onde fazem divisa Brasil, Paraguai e Argentina.

     Na primeira década dos anos 2.000 a Malu participou dos trabalhos que duraram anos para a elaboração do Laudo Topológico sobre esse povo originário Guarani no Oeste do Paraná.   Isto por requisição do STF no qual tramitava o pleito desse povo originário.

     Antes de 1982 quando parte das áreas ocupadas pelos Guarani na região já vinham sendo apropriadas por agricultores, a situação dos Guarani já era bem precária e a barragem formada por Itaipu em 1982 tornou tudo muito pior.   Esses povos ficaram espremidos no que deveria ser área de mata na chamada APP Área de Preservação Permanente que é da lei brasileira.   E mesmo essa área que seria da APP foi sendo desmatada por agricultores.   Então os povos originários ficaram espremidos entre a água do lado e os agricultores.   Tinha a agravante do uso indiscriminado de agrotóxicos pelos agricultores, usando produtos inclusive trazidos contrabandeados do Paraguai, tornado a saúde local muito comprometida.

     Durante as pesquisas de campo, a Antropóloga e equipe constataram que a saúde pública costumava passar o chamado “fumacê” que era um veículo equipado com um pulverizador para pulverizar as casas visando controlar mosquitos portadores de doenças.    A praxe da época era retirar o povo das casas por três dias para amenizar o contato com o produto toxico no ar.   Mas no caso das moradias dos indígenas, foi observado que na época, início dos anos 2.000, passavam o produto nas casas com os moradores dentro.

     Em 1982 quando foi formado o lago da Hidrelétrica de Itaipu, esta não realocou os indígenas como deveria ocorrer, também não indenizou os posseiros que não tinham título de posse das áreas de lavouras.   A questão está na justiça há décadas.

     As autoridades do Brasil não solucionavam o problema dos indígenas afetados pela barragem alegando que muitos deles vinham do Paraguai.   Ocorre que a fronteira é coisa dos colonizadores e não dos povos originários para quem o território Guarani não tinha divisão como hoje há para países.

     Além do mais, muitos indígenas migraram forçosamente bem mais para o lado paraguaio por ocasião da barragem, mas transitavam do lado de cá da fronteira como rotina do seu povo.

     Nessa situação, a FUNAI Fundação Nacional do Índio, não emitia documento para os povos Guarani e a pessoa sem documento fica sem os direitos da cidadania.   Sem acesso à saúde, educação etc.

     Houve após a barragem, pesquisas Arqueológicas na região Oeste do Paraná, mas depois as pesquisas foram barradas e assim muitos territórios indígenas ficaram sem ser mapeados e estudados.

     Em 1542 quando o explorador espanhol Cabeza de Vaca chegou até as Cataratas do Iguaçu, o fez com orientação dos indígenas Guaranis que habitavam a região.    Boa parte do trajeto fizeram descendo pelo Rio Iguaçu até chegar bem próximo às Cataratas.   Lugar de grande concentração dos povos Guarani.

     Bem mais adiante, o bandeirante Raposo Tavares ateou fogo na maior parte das aldeias indígenas na região.  Haveria na época ao redor de 32 Missões Jesuíticas com aglomerados de indígenas que para estas foram agregados dentro do território ao qual já estavam de longa data e foram incendiadas e levados indígenas para serem vendidos como escravizados.

     Perto do final do século XIX, Dom Pedro II cede à Companhia Mate Laranjeira, uma imensa área de terras na região Oeste do PR e sul do atual Mato Grosso do Sul para esta explorar principalmente a erva mate nativa na região, além da exploração da madeira nativa.    Há relatos de que muitos indígenas foram utilizados na colheita da erva mate para a referida companhia e quando tentaram receber pelo serviço, muitos teriam sido assassinados.

         Amanhã, 23-04-26 eu publico o capítulo final.    Grato aos leitores.

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