cap. 5 15-05-2026
Novas manifestações de sindicalismo
“No início de agosto de 1979, radiograma da polícia civil de
Maringá comunicava à Secretaria de Segurança Pública: Imprensa anuncia vinda esta cidade dia 22 de
setembro próximo Luiz Inácio da Silva, vulgo Lula, líder sindical do ABC”.
... a convite do Sindicato dos Bancários de Maringá. Tempos do chamado “novo sindicalismo”. Vieram para Maringá expoentes do
sindicalismo de São Paulo como Luiz Gushiken e Jacob Bittar. O Lula acabou não vindo porque surgiu
demanda no Congresso Nacional e ele teve que atender e não pode estar em
Maringá naquela ocasião.
Houve congresso de sindicalistas na época e desaguou em 1983
na fundação da CUT Central Única dos Trabalhadores. Os sindicatos de trabalhadores do Paraná
praticamente não aderiram à CUT. (Nos
anos 80 eu, leitor, atuava no BB em Umuarama
PR e lá já nessa fase inicial da CUT, a oposição sindical cutista se elegeu
para o sindicato dos bancários local e tem permanecido por décadas nessa linha).
Capítulo 2 Maringá
no nascimento da ditadura civil-militar de 1964: análise do processo movido
contra o Vereador Bonifácio Martins
Preâmbulo: Em 1964
a ditadura causou a cassação do mandato
do Bonifácio e ele se evadiu para não ser preso.
Em 2014, após o trâmite da Comissão da Verdade, pautada em
lei, os integrantes da Câmara Municipal de Maringá em ato simbólico, restituiu
o mandato do vereador Bonifácio Martins para a legislatura da qual ele foi
cassado.
Na época da cassação o vereador chegou a ser condenado e
preso. Ele bem depois de ser solto, em 2011
aos 88 anos de idade veio a falecer.
Itinerário Político
Bonifácio era natural de Taquaritinga SP e aos 33 de idade,
veio para a então “cidade menina” que era a Maringá de 1955. Ele tinha parentes em Mandaguari PR e veio a
passeio em 1953 e se encantou com a região e a pujança da cafeicultura local.
Era contabilista e exerceu essa profissão em Maringá até o
fim da vida.
Ele foi eleito em dois mandatos consecutivos. Estava ainda na fase de se estabelecer em
Maringá, mas já em 1956, recebeu um convite do líder comunista Gregório Bezerra,
pernambucano, para se candidatar a vereador.
Gregório Bezerra ficou um ano em Maringá, sendo que três
meses morou na casa de Bonifácio Martins.
Gregório Bezerra era no Recife e região um ativista comunista
que se tivesse ficado por lá, teria sido preso.
“Há vestígio da presença do PCB Partido Comunista do Brasil
em Maringá desde 1947, ano da fundação oficial da cidade”.
O PCB teve logo após a II Guerra Mundial um período, no
Brasil, de relativa liberdade. Uma janela
de 1945 a 1947 quando a URSS União Soviética tinha se aliado de forma marcante
ao Ocidente para derrotar a Alemanha na fase do nazismo.
Nesse intervalo 1945 a 1947 os adeptos do comunismo focaram
suas ações no campo via formação de associações e sindicatos de trabalhadores.
O chamado Levante de Porecatu-PR está nesse contexto e
época. “Nesse período o PCB voltou à
legalidade”. Bonifácio, então estudante
em São Paulo, antes da vinda para Maringá, que era simpatizante do socialismo,
atuou na política estudantil. Foi
Secretário da União Paulista dos Estudantes Secundaristas.”
“Participou das lutas pela nacionalização do petróleo e
assessorou algumas lutas de trabalhadores rurais por direitos”.
Quando ele veio para Maringá, Bonifácio já era “fichado” na
DOPS Delegacia da Ordem Política e Social.
(o agente de repressão do regime)
...”foi denunciado pelos Correios em 1952, acusado de
receber propaganda comunista”.
Bonifácio jovem, chegou a participar de eventos com o
escritor Caio Prado Júnior, respeitado intelectual de esquerda da época.
Veio o tempo da chamada Guerra Fria. Comunismo contra capitalismo e no governo
Dutra, o Brasil passa a perseguir os militantes e os líderes sindicais e dos
demais movimentos populares.
Bonifácio se elegeu vereador pelo PR Partido Republicano mas
certamente sua campanha teve ajuda de integrantes do PCB que na época era
ilegal no Brasil.
Na vereança, sua profissão de contabilista ajudava
muito. No mandato, cuidou também das causas
populares incluindo a organização sindical.
Foi vice presidente da UGTM em Maringá, a União Geral dos
Trabalhadores de Maringá.
Na época os trabalhadores rurais tinham relação de emprego
muito precária. Era rotina receberem “vale
armazém” como parte do salário. O vale
era aceito em determinados armazéns, sem chance de escolha. Apelidavam os vales de boró. (mais adiante em certas regiões eram
chamados de orelha de jegue)
Continua
no capítulo 6
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