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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Cap. 2 - fichamento do livro - GUIA DO OBSERVADOR DE AVES - Reserva Natural Salto Morato (PR) - janeiro 2025

   Capítulo - Como observar pássaros?

     Para o observador de aves, as regras mais importantes: SPP Silêncio, Paciência e Perseverança.
     O que levar a campo.    Inclusive capa de chuva e embalagem à prova d´água para proteger os equipamentos como binóculo, celular, caderneta de anotações  e câmera fotográfica.
     Binóculo para observar aves (ver página 22 do livro) recomenda entre 7 e 10 de aproximação e a objetiva que capta a imagem com uma abertura que não seja tão grande (regula a entrada de luz).   Recomenda as seguintes relações entre aproximação x abertura:  7x35 ou 8 x40 ou 8x 42 ou 10 x 42.
     Na página 23 do livro há dica de regulagem do binóculo.   Costuma-se fechar um olho e ajustar para o olho direito que seria o guia.   (eu fiz exame recentemente e o Oftalmo disse que meu olho guia é o Esquerdo)   Curiosamente se faço mira com qualquer objeto, é sempre com o olho esquerdo.
     Página 24 - No final da página há indicação de cuidados com as lentes, pois estas contém película ou películas delicadas para evitar reflexo.   Se não limpar com cuidado, pode danificar essas películas e prejudicar o equipamento.   Pano seco limpo é uma alternativa e há produtos específicos para limpar lentes do gênero.
     Já abordando hábitos das aves, na página 31, falando das aves de chão.  Há aves que andam e outras que saltitam na caminhada.  Observar isso também ajuda na descrição para conhecer de que ave se trata ao comparar com o Manual.
     A ave estando em galho, ela pousa em galho mais na horizontal ou em galho mais vertical ou de forma mista?
     Atitude da ave.   Há as mais ativas e as mais pacatas.
     Os ouvidos do observador são meios de obter importantes informações para identificar a ave avistada ou ouvida pelo seu canto.    É muito comum primeiro ouvirmos o canto de uma ave e irmos no rumo para procurar avista-la.
     Muito importante estar sempre ouvindo com atenção e fazendo silêncio.   Aves tem seus "cantos" e tem seus "chamados".  Canto para atrair parceiro etc.   Canto para se comunicar entre si e piados de alerta.
     Pessoa que tem formação musical e entende de partituras, pode transformar o canto de uma ave em notas musicais com boa aproximação.
     Capítulo -  Anotando, pesquisando e dando nome à ave.
          Espécie / gênero / família /   Tudo isso pode ser anotado na caderneta de campo junto com as demais anotações.
     Importante:  citar o nome do lugar onde a ave foi avistada e a data e horário.    Honestidade ao anotar o avistamento.
     Se a pessoa avistar uma ave e não conseguir uma descrição correta, ficando dúvida, não "chutar" um nome para a ave porque pode dar um dado enganoso para terceiros.
     Há quem desenhe o pássaro avistado e cite no desenho as cores nas partes do corpo do pássaro.  Ajuda a depois confrontar com os pássaros que constam do Manual impresso.
     Os observadores de aves são muitos e interagem pelas redes sociais e criam verdadeiras confrarias do setor.

     continua no capítulo 3                                         resenhaorlando@gmail.com

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Cap. 1 - Fichamento do livro - GUIA DO OBSERVADOR DE AVES - Reserva Natural Salto Morato (PR)

 Capitulo 1 - fichamento do livro - Guia do Observador de Aves  (janeiro/25)

 
    O livro bem fundamentado e ilustrado, escrito por biólogos que atuam na área, foi patrocinado pela Fundação Boticário de Proteção à Natureza.   Livro editado em Curitiba PR em maio de 2013
     Adquiri o livro numa feirinha de um evento estadual da Agroecologia aqui em Curitiba.
     A citada fundação conta com o Projeto Oasis e tem duas RPPN Reserva Particular de Proteção à Natureza, sendo uma na Mata Atlântica no litoral do PR (em Guaraqueçaba) e outra no Cerrado Brasileiro chamada Reserva Natural Santo do Tombador.
     A da Mata Atlântica se chama Reserva Natural Salto Morato.   (Salto Morato é uma cachoeira com mais de 100 m de queda d´água e fica nessa Reserva).   Recebe visitantes com agendamento pelo site deles.
     A Fundação é membro fundador do Forum Curitiba sobre Mudanças Climáticas.   Este que apoia o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação da Natureza.
     Na apresentação do livro a Fundação dá seus contatos inclusive com site e páginas nas redes sociais.
     O prefácio do livro é do Biólogo Phd Fábio Omos e este é membro do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
     Na fala dele:    O Brasil conta com mais de 1.800 espécies de aves.
     A Reserva Salto Morato no litoral do PR conta com 324 espécies de aves.   Os três co-autores deste livro conseguiram o record local de avistarem/observarem 164 espécies de aves num só dia.
     O primeiro capítulo explica sobre Observação de aves.   Como ver e buscar reconhecer a ave. Página 13 
     Diz que o observador de aves coleciona lembranças.   Vê, anota, fotografa, grava som.   Pesquisa um pouco sobre as aves e passa a ser um defensor da natureza.
    Capítulo sobre a Reserva Salto Morato em si
     É uma RPPN Reserva Particular de Preservação da Natureza, isto registrado em cartório e que segue as regras legais de proteção.    Tem a área de 2.253 hectares  (cada hectare equivale a 10.000 m2).   Tem um perímetro de 22,14 km.    Foi criada legalmente em 1994 e registrada nos orgãos competentes.
     Se localiza a 20 km da cidade de Guaraqueçaba-PR que fica no litoral norte do PR.   Distante 170 km. de Curitiba.   Acessos principais:  Por rodovia, seguindo a Paranaguá/Morretes/Antonina/Guaraqueçaba.    Ou de Paranaguá por barco até Guaraqueçaba e desta até a reserva, por via terrestre.
     A região da reserva tem índices de chuvas em média o dobro do que ocorre em Curitiba.   Em Curitiba a média fica em torno de 1.250 mm de chuvas por ano e lá são de 2.000 a 2.500 mm por ano.   Maior ocorrência em Fevereiro, mas as chuvas são frequentes.
     A flora se classifica como Floresta Ombrofila Densa.    A área, antes de ser uma reserva, pertencia a particulares que exploravam a pecuária (mais comum com búfalos).   Também culturas de subsistência e extrativismo de madeira de lei, palmitos (mais comum da palmeira juçara) da mata etc.
     Capítulo - O que observar?     Seguem fotos dos pássaros descritos e a descrição de nome científico de cada um, seguido de nomes populares e dos hábitos dos mesmos.   É um verdadeiro manual para quem vai fazer desse lazer uma prática a mais.
     O pássaro da capa do livro é o Tangarazinho, que é bem colorido.   Este também é descrito na página 97 do livro.
     Estima-se que no mundo haja ao redor de 10.000 espécies de aves.   Destas, 3.500 na América do Sul.  Destas, 1.832 no Brasil.    Na Reserva Salto Morato, que em termos geográficos é um pingo no mapa, tem 324 espécies, ou seja, é uma concentração elevada de espécies numa área relativamente pequena.
     Há na reserva várias espécies que são chamadas de endêmicas, por ocorrerem numa região bem específica em função de condições de solo e clima.
      
     Segue no capítulo 2

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Cap. 4/4 - fichamento do livro - O CULTIVO DAS DESMEMÓRIAS - Autor: FLÁVIO AUGUSTO - 2024

 capítulo final 4/4                                     leitura Dezembro de 2024

        

         O autor coloca num dos capítulos do livro uma epígrafe dedicando ao que foi professor de história dele (e meu também) Professor Reginaldo Benedito Dias.    Professor da UEM Universidade Estadual de Maringá-PR onde por volta de 2007/2008 fiz uma Pós em História e Sociedade.

         ...  O velho pai do autor pertence ao rol dos pioneiros de Maringá-PR.  Há muitas ruas na cidade com homenagem aos pioneiros.   O autor lembra que também há nomes de vias públicas não só, mas também em Maringá que homenageiam batalhas e “heróis” do passado que nem sempre defendiam a Nação, mas sim os interesses das elites dominantes das respectivas épocas. 

         ...”Por quê menos de dez por cento das ruas de todas as cidades do Brasil rural e profundo são batizados com nome de mulheres?   Será que esse fato contribui para o apagamento do feminismo na sociedade machista e patriarcal?”

         Capítulo...    Burrinus brasiliensis

         O velho pai também escrevia poemas e publicava no jornal local.  Usava o pseudônimo de Burrinus brasiliensis.   Fazia versos com sátiras até

aos militares que estavam no governo do regime militar de 1964.

         O velho pai era filatelista e numismata.   Colecionador de selos e moedas e cédulas de dinheiro.

         O autor militou quando jovem na política estudantil e era tempo da Ditadura Militar.   Período perigoso para militantes.     Escrevia poesias inclusive de cunho político e nunca mostrava seus escritos para o pai que era poeta.

         O velho pai usava o rigor da forma nas poesias e o filho preferia usar em suas poesias o sistema de versos livres.

         Cita que em Maringá-PR onde o velho pai foi um dos pioneiros da cidade, há rua com o nome dele como forma de homenagem.

         Capítulo - Descaminhos Ibéricos

         Quando o velho pai estava com oitenta anos, o autor levou-o para rever a cidade de Divisa Nova em MG, berço do pai e de muitos antepassados.

         ...”Quando eu era ainda adolescente e sonhava cursar a faculdade de jornalismo em São Paulo...”

         ...    Uma mágoa do autor:  Ele sabia que o velho pai sonhava em conhecer o Marrocos, Portugal e a cidade espanhola de Toledo que na história conviveu com os mouros, cristãos e judeus.

         O velho pai aprendeu cedo com os mais velhos, lá nas Minas Gerais, a tomar uma cachacinha no cotidiano.

         O velho pai, já idoso, foi atropelado na rua e foram semanas de UTI e veio a falecer em seguida.

 

         FIM.        (em tempo – paulista que sou, atuei profissionalmente como Engenheiro Agrônomo sediado em Maringá – PR entre os anos de 2001 a 2011 onde fui colega de trabalho do autor).                       Dezembro de 2024

domingo, 29 de dezembro de 2024

Cap. 3/4 - fichamento do livro - O CULTIVO DAS DESMEMÓRIAS - Autor - FLÁVIO AUGUSTO - 2024

 capítulo 3/4            leitura em dezembro de 2024

 

         ... Festas de fim de ano.... empresários.... “cidadãos de bem”...   beber na festa com seus colaboradores e contar piadas preconceituosas de bêbado, português, preto, gay, loira burra...

         ...  O velho pai e tarefas domésticas.  Dentro do patriarcado mineiro...

         “Não era dado a dividir tarefas domésticas com minha mãe ... nem ela consentiria que ele o fizesse..”

         Meu velho pai... “nem nunca se deu ao trabalho de aprender.   Sua maneira de ajudar era não atrapalhando.”    Quem administrava o dinheiro da casa era a mãe.

         A mãe...  “na organização da casa ninguém podia dar palpite”.

         Nada é tão ruim que não possa ser piorado.    Hoje a mulher está no mercado do trabalho e acaba ficando com tríplice tarefa entre o emprego, atender o marido e cuidar da casa.

         Capítulo – Os diversos tons de cinza do arco-íris

         O velho pai pedia respeito a todos.  Lembrava inclusive de passagem no primeiro livro de Samuel onde consta o amor dedicado por Jonatas a Davi.

         Capítulo – A descontinuidade da matéria

         O velho pai deixou um romance manuscrito abordando inclusive experiências sensoriais de seres espaciais do futuro.

         No centenário do nascimento dele, já falecido, os filhos pensaram em publicar o livro dele mas os tempos mudam e o chamado politicamente correto iria causar atrito aqui e ali com a obra.  Optou-se por não publica-la.

         ...  O velho pai sobre religiões    ... “ a melhor dentre as religiões é aquela que nossos pais nos deram ao nascermos, seja ela qual for”.

         Na política, o velho pai “defendia suas posições progressistas...”

         Se o velho pai chegasse a viver esta fase das redes sociais, ele seria taxado de comunista vagabundo só por buscar justiça social.

         Capítulo – Matando um leão por dia

         Os filhos mais velhos receberam do velho pai, nomes de parentes.  Prática comum naqueles tempos.    O autor, mais novo escapou dos nomes de parentes.   Se chama Flávio Augusto, autor deste livro e que tem uma filha com o nome de Flávia, nome escolhido por consenso do casal.

         Continua no capítulo final 4/4

sábado, 28 de dezembro de 2024

Cap. 2/4 - fichamento do livro - O CULTIVO DAS DESMEMÓRIAS - autor - FLÁVIO AUGUSTO DE CARVALHO - Edição 2024

capítulo 2/4                    leitura em dezembro de 2024

        

         O velho pai tinha os dois pés atrás com religiões e mesmo assim conhecia bem a bíblia.    Ele comenta de Jacó que passou pra trás o irmão e ganhou a posição de primogênito e adquiriu direitos especiais por isso.  E mais adiante virou destaque do povo judeu.

         O velho pai, agnóstico, levava os filhos à missa todos os domingos...

         Ele era vascaíno.   Em 1950 quando o Brasil perdeu a final para o Uruguai em pleno Maracanã, no que ficou sendo o Maracanazo, o povo jogou toda a culpa no nosso goleiro que era negro.   O velho pai não se conformava com tamanha injustiça.

         Em 1970 em tempos de Ditadura Militar, nossa seleção ganhou mais uma copa do mundo.   O governo de então se “apossou” da nossa seleção, buscando surfar no sucesso do nosso futebol.   O velho pai ficou indignado.

         Os tempos recentes e a direita com o seu deus/pátria/família e o sequestro do verde/amarelo pela turma partidária da direita.   Se estivesse neste plano, o velho pai teria mais uma vez ficado indignado com isso.

         “Meu velho pai não tinha aptidão para o êxito nos negócios”.   Talvez por isso que não gostava de falar sobre dinheiro na hora das refeições nem em hora nenhuma na maior parte da vida dele.

         O tio formado médico e a segunda guerra terminada, este ouviu o comentário sobre as terras férteis do norte e noroeste do Paraná.   Conseguiu um pedaço de terra e trouxe os familiares de Minas Gerais para Maringá-PR.

         Cita o caso dos trilhos de trem que chegaram à região norte do Paraná.  Ferrovias com bitola estreita, fora do padrão, que não se ajustava a se articular com outros trechos e parece que foram feitas para amarrar o desenvolvimento do país e não para deslanchar nossa economia.      Algo semelhante ocorreu em muitas partes do Brasil, infelizmente.

         O velho pai, pai de quatro filhos, na Ditadura Militar de 1964 se colocou contra o regime, mas só manifestava isso em família para esclarecer os familiares.

         Sabia ele que a pior democracia seria melhor do que uma ditadura.

...       No livro de Josué, na bíblia... sequência natural do pentateuco de Moises...    “às vezes me pergunto:  Que deus justo e igualitário escolheria um povo em detrimento dos demais seres viventes?    Que deus misericordioso poderia consentir em guerras de conquistas que deixariam como saldo milhares de mortos e refugiados?...”

 

         Continua no capítulo 3/4

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Cap.1/4 - fichamento do livro O CULTIVO DAS DESMEMÓRIAS - autor FLÁVIO AUGUSTO DE CARVALHO

leitura em dezembro de 2024    (exemplar autografado)

Autor:  Flavio Augusto de Carvalho – Editora Urutau – 2024

 

         O autor é paranaense, graduado em Letras e Direito.   Meu amigo pessoal, foi Gerente do Banco do Brasil no Paraná e está aposentado.

         Vamos ao fichamento do livro dele no meu jeito de leitor.

         O avô dele perdeu a esposa cedo.    Ele gostava da literatura.    Viuvo, se casou de novo e os filhos do primeiro casamento foram para colégio interno no interior de Minas.   Eram mineiros da Divisa Nova.

         Pelas normas do colégio, a menina foi para um colégio de meninas e os meninos, a outro só para meninos.

         A irmã se formou professora e um dos irmãos se formou em medicina na UFPr Universidade Federal do Paraná.

         O pai do autor narrador estudou num colégio interno em Alfenas MG.

         A avó morreu cedo de tuberculose que era de ocorrência elevada pelo interior do Brasil naquela época.    Período duro, entre Guerras Mundiais com turbulência na Europa e mundo afora.

         Tempos do nazismo, fascismo e por aqui o getulismo.   Autocratas.

         Tempo de ditaduras de Franco, Salazar, Getúlio e segue uma lista.

         O pai do autor serviu o Exército mas não se animou com a instituição.

         Estudou contabilidade não por gostar, mas na esperança de se sustentar com um ofício.   E ele herdou da mãe o gosto pela leitura.

         A madrasta do pai dele, católica raiz, por assim dizer, participante do Apostolado da Oração, todo dia acompanhava a missa pelo rádio de Aparecida do Norte.   Morreu nonagenária e quase cega, mas mesmo enxergando muito pouco, continuava fazendo seus trabalhos em crochê.

         O avô morreu cedo e o pai do narrador voltou para casa afim de ser o arrimo da família e ajudar  a educar os irmãos.

         A avó morreu com Alzheimer, mas ainda não se conhecia essa doença e o povo dizia que a pessoa estava caduca.

         Capítulo II – Poesia Alienígena

         O velho pai, descendente de portugueses, ficava indignado quando os filhos eram crianças e separavam o cravo da índia dos doces caseiros da família.    Dizia  que seus ancestrais portugueses, os das grandes navegações e descobertas, se sacrificaram muito para achar o caminho marítimo para as Índias, inclusive atras das famosas especiarias.    Assim sendo, que os netos apreciassem as tais especiarias que valiam ouro no tempo das descobertas.

Chega a citar que naquele tempo, por volta de 1500, para comprar 1 kg de cravo da Índia na Europa, se pagaria sete gramas de ouro.

         Os heróis do velho pai eram os poetas.

         ...      Cita parte do soneto que o velho pai gostava     ....”sete anos de pastor, Jacó servia, Labão, pai de Raquel, serrana bela...”    Consta que estes versos são de autoria de Camões, o grande poeta português.

        

         Continua no capítulo 2/4 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Cap. final - fichamento do livro - A VEGETARIANA - autora coreana - HAN KANG - Prêmio Nobel de Literatura 2024

capítulo final

 

            No caso da traição do marido com a irmã dela doente...   “A única coisa certa é que não perdoaria o marido por nada neste mundo”.

            Depois dessa traição, a vida dela nunca voltou a ser a mesma.

            No flagrante, a esposa chamou os bombeiros socorristas.   Ela cunhada ficou internada num sanatório e ele, após exames constatarem que ele não tinha problemas mentais, foi levado preso.

            A família se afastou da doente mental e do causador de tudo aquilo.    Se afastou e não ajudou nas contas com o internamento dela.

            Ficou tudo por conta da irmã da vítima que teve que continuar a visitar a irmã, acompanhar o tratamento, pagar as contas do tratamento e tudo o mais.    E ficou também sem o marido depois daquilo tudo. 

            Na mudança de hospital, o enfermeiro, dentro do protocolo de segurança para evitar tentativa de suicídio da paciente, revistou a bagagem dela para ver se haveria algo cortante ou algo que pudesse ser improvisado para um enforcamento.

            A interna, neste caso, costuma ficar de cabeça para baixo tentando imitar uma árvore da floresta.   Acha que vai tirar a nutrição da terra e não precisará de mais nada além de água.

            Gesto que ela já fazia de vez em quando na fase em que era criança.

            Pacientes no sanatório.   Olhar fixo e demorado para as pessoas é recorrente.

            Se aproximar e ficar ali ao lado do outro também é recorrente.

            “Alguns tem o olhar vazio típico de quem vive encerrado no próprio mundo”.

            A doente definhando na cama, só pele e osso.  Acamada.

            As irmãs dela quando eram crianças foram muito castigadas pelo pai que batia nelas e era violento.    Veterano da guerra do Vietnã.

            Um dia, quando crianças, elas duas se perderam na mata.   A irmã mais nova, agora doente, quando se perderam não queria mais voltar para casa.   Já o irmão quando criança, apanhava em casa e podia descontar na rua.    As irmãs não tinham essa alternativa.

            A irmã, casada com o fotógrafo que aprontou com a cunhada, viveu com ele por oito anos.   Se separaram após o episódio da traição.

            Depois do casal separado, ele uma noite ligou querendo ver o filho.   Ela nada respondeu e desligou o telefone.  Após desligar ela murmurou para si mesma.   “Eu não te conheço.   Não preciso te perdoar, nem precisa me pedir perdão, porque não te conheço”.

            Ela cuidando da loja, do filho, das suas dores e sem achar um sentido para a vida.

            “Outra vez passou a vista pelos objetos da casa.  Não pertenciam a ela.  Do mesmo modo que sua vida nunca tinha sido sua”.

            “Foi nesse dia que percebeu que estava morta havia muito tempo.”

            Ela, mãe do menino Jiu só conseguia rir quando o filho fazia graça para ve-la rindo.

            No sanatório tentando se comunicar com a irmã que segue de mal a pior.  Não aceita refeição nem por sonda.     É transferida para um hospital na capital.

            O livro se encerra com as irmãs na ambulância a caminho do hospital da capital.     Fica implícito que os dias finais da doente estavam muito próximos.     Livro com final aberto.     A vida tem dessas coisas.

FIM.                  18-12-2024                        resenhaorlando@gmail.com