Mundica denuncia Eulália que queria dividir a provisão para
socorrer a família dela, seria pagar o bem com o ódio.
Amália, irmã de Mundica, diz que sabe que sua irmã não
roubou o dinheiro do socorro aos retirantes e sabe que Eulália também não o
fez.
No Quixadá-CE a justiça interrogando Maria, companheira de
Virgulino. Ela e os filhos passando o
rigor da fome acabou num momento de desespero cometendo um crime. No interrogatório diz que foi ela que matou
o filho mais velho, mas que foi a fome que matou o filho. O desespero da fome.
Maria diz à autoridade:
- “Para mim é um benefício morrer, contanto que amparem aquele infeliz
que está lá dentro”.
No interrogatório... “Vossa
mercê não sabe o que é para um coração de mãe ouvir chorar os filhos com fome –
exclamou a desventurada”.
No delírio da fome, Maria se lembrou do caso de uma mãe no
Crato que numa situação extrema de fome, matou e comeu um dos filhos e
alimentou os outros filhos. Era perder
um para poupar os outros filhos.
Foi a situação de Maria.
Salvar da morte por fome adotando
uma medida extrema.
Na audiência do delegado, Maria confirmou como foi o ato de
matar o filho por estarem prestes a morrerem de fome. Cortou dois gravetinhos, um maior e outro menor. Fechou os olhos, jogou-os no chão e pegou um
dos dois. Se fosse o maior, sacrificaria
o filho maior. Pegou de olho fechado do
chão o graveto maior e o sacrifício foi no filho maior.
Os curiosos que assistiam a sessão pediam a morte de
Maria. Nisso aparece Eulália no meio
dos revoltosos com o outro filho de Maria e disse ao povo. Se matarem ela, matam o filho dela que fica
no desamparo. Isto fez o povo recuar. A frase de Eulália: “- Não matem essa desgraçada, porque matam
com ela um inocente”.
O povo foi se espalhando.
Nisso entra em cena Mundica, agarrando Eulália pelos braços e acusando
ela do roubo do dinheiro do comissário para atendimento aos retirantes. Mundica achava que o dinheiro foi roubado
por Eulália ou que ela recebeu ajuda do
vigário Paula. Acusações sem provas.
O delegado viu o gesto nobre de Eulália apresentar o filho
de Maria e evitar que o povo a linchasse e perguntou a Mundica. – “Qual prova você tem de que essa mulher
roubou o dinheiro?”. Mundica não tinha
prova. Por outro lado, Eulália não queria
citar que o dinheiro veio pela ajuda do Virgulino que era do bando dos
Viriatos. Virgulino cuja família no
passado foi acudida na fome pelo pai de Eulália e que fez a ajuda a ela por
gratidão.
Eulália tentando dormir numa pensão de duas mulheres da
prostituição por falta de oportunidade na vida.
Foi o único lugar onde deixariam
ela pousar, por ser uma mulher sem um companheiro.
Eulália tentando dormir na pensão e recebe a inesperada
visita do vigário Paula, o que a deixou perplexa. Ele implora para que ela corresponda ao amor
que ele diz ter por ela. –“Perdoe-me,
Eulália, o meu arrependimento é sincero...”.
Ela responde: ... “Deixe-me em paz:
eu tenho vindo bem na miséria, não me queira perverter de novo. As minhas aflições são outras”.
- “Mas de repente o castelo de areia dourado se esboroa, em
vez da amante apaixonada de outrora, encontra com uma mulher ultrajada, com a
mãe ameaçada, que não recua diante da sua cólera explosiva...”
-
“Quem tem razão é a senhora – bradou Paula; eu sou quem é o culpado. Adeus!”
Eulália queria no outro dia ir embora do povoado mas não
teria onde pousar, mesmo tendo recurso para pagar. Ninguém daria abrigo a uma mulher
desacompanhada.
Continua no capítulo 15/18
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