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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cap. 14/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - baseado em livro de 1879

 

         Mundica denuncia Eulália que queria dividir a provisão para socorrer a família dela, seria pagar o bem com o ódio.

         Amália, irmã de Mundica, diz que sabe que sua irmã não roubou o dinheiro do socorro aos retirantes e sabe que Eulália também não o fez.

         No Quixadá-CE a justiça interrogando Maria, companheira de Virgulino.  Ela e os filhos passando o rigor da fome acabou num momento de desespero cometendo um crime.    No interrogatório diz que foi ela que matou o filho mais velho, mas que foi a fome que matou o filho.  O desespero da fome.

         Maria diz à autoridade:   - “Para mim é um benefício morrer, contanto que amparem aquele infeliz que está lá dentro”.

         No interrogatório...  “Vossa mercê não sabe o que é para um coração de mãe ouvir chorar os filhos com fome – exclamou a desventurada”.

         No delírio da fome, Maria se lembrou do caso de uma mãe no Crato que numa situação extrema de fome, matou e comeu um dos filhos e alimentou os outros filhos.   Era perder um para poupar os outros filhos.

         Foi a situação de Maria.  Salvar da morte  por fome adotando uma medida extrema.

         Na audiência do delegado, Maria confirmou como foi o ato de matar o filho por estarem prestes a morrerem de fome.  Cortou dois gravetinhos, um maior e outro menor.  Fechou os olhos, jogou-os no chão e pegou um dos dois.  Se fosse o maior, sacrificaria o filho maior.   Pegou de olho fechado do chão o graveto maior e o sacrifício foi no filho maior.

         Os curiosos que assistiam a sessão pediam a morte de Maria.   Nisso aparece Eulália no meio dos revoltosos com o outro filho de Maria e disse ao povo.   Se matarem ela, matam o filho dela que fica no desamparo.  Isto fez o povo recuar.   A frase de Eulália:  “- Não matem essa desgraçada, porque matam com ela um inocente”.

         O povo foi se espalhando.   Nisso entra em cena Mundica, agarrando Eulália pelos braços e acusando ela do roubo do dinheiro do comissário para atendimento aos retirantes.    Mundica achava que o dinheiro foi roubado por Eulália ou que ela recebeu  ajuda do vigário Paula.   Acusações sem provas.

         O delegado viu o gesto nobre de Eulália apresentar o filho de Maria e evitar que o povo a linchasse e perguntou a Mundica.   – “Qual prova você tem de que essa mulher roubou o dinheiro?”.   Mundica não tinha prova.  Por outro lado, Eulália não queria citar que o dinheiro veio pela ajuda do Virgulino que era do bando dos Viriatos.    Virgulino cuja família no passado foi acudida na fome pelo pai de Eulália e que fez a ajuda a ela por gratidão.

         Eulália tentando dormir numa pensão de duas mulheres da prostituição por falta de oportunidade na vida.   Foi o único lugar onde deixariam ela pousar, por ser uma mulher sem um companheiro.

         Eulália tentando dormir na pensão e recebe a inesperada visita do vigário Paula, o que a deixou perplexa.   Ele implora para que ela corresponda ao amor que ele diz ter por ela.    –“Perdoe-me, Eulália, o meu arrependimento é sincero...”.     Ela responde: ... “Deixe-me em paz:  eu tenho vindo bem na miséria, não me queira perverter de novo.   As minhas aflições são outras”.

         - “Mas de repente o castelo de areia dourado se esboroa, em vez da amante apaixonada de outrora, encontra com uma mulher ultrajada, com a mãe ameaçada, que não recua diante da sua cólera explosiva...”

         - “Quem tem razão é a senhora – bradou Paula; eu sou quem é o culpado.  Adeus!”

         Eulália queria no outro dia ir embora do povoado mas não teria onde pousar, mesmo tendo recurso para pagar.  Ninguém daria abrigo a uma mulher desacompanhada.

 

                            Continua no capítulo 15/18

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