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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Cap. 16/19 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO (abolicionista) - livro original de 1879

capítulo 16/19

         Terceira Parte do Livro – volume 2 –

         A capital

         “As mulheres estavam em tão completo estado de miséria que algumas delas mal podiam guardar a compostura e defender o pudor”.

         Enterros frequentes e o féretro segue em redes, não em caixões.  

         A amiga Irena e o pai moravam na capital em condição de retirantes e Eulália ainda não teve tempo de ir procurá-la.

         Eulália e o pensamento de que a Tia Ana não a perdoaria pelo caso com o vigário e o abandono do lar e sair na condição de retirante.

         Em certo momento ela pensou que a tia pudesse ponderar:  “Eulália errou, mas não era uma pessoa perversa”.

         A família de Eulália passando fome na capital e pedindo esmola nas ruas.

...............   

         Irena, super debilitada, caminhava com o velho pai oferecendo renda que ela fazia para tentar algum recurso para se alimentarem.  Pouco resultado nesse trabalho.  

         O único escravo que o pai dela, Rogério Monte tinha e que ia vender para pagar dívidas, acabou morrendo.   Assim ele ficou sem meios para pagar seus credores e ficou na miséria.   Na miséria, e agora, cego.   Ele acabou mudando de nome porque o acusaram no seu povoado de onde migrou, alegando que ele era o acusado pelo crime contra o Feitosa.

         Na viagem de barco para chegar até a capital, ainda ele e a filha foram furtados.  A tripulação do barco roubou a bagagem e piorou as condições deles.

         O pior dos mundos.   Pobre, cego, faminto, em terra estranha, tendo que defender a filha bem jovem e bonita da sanha contra os retirantes.

         Na capital Irena foi tentar vender renda para um cidadão que dava esmola aos retirantes.  Ele comprou as rendas mas não desconfiou que ela era sua ex namorada e filha do acusado pelo povo, de ter tentado assassiná-lo.

         Na verdade, como se sabe, quem tentou de fato matar Feitosa foi o vigário Paula, por ciúme, achando que Feitosa namorava escondido Eulália e não Irena.   Paula na calada da noite atacou Feitosa com um punhal na época e virou caso de polícia.

         Feitosa agora na capital ajudando os retirantes acampados pela cidade e passando fome.   Ajudando e procurando Rogério Monte por saber que o mesmo foi acusado injustamente e através de uma carta, ficou sabendo que o verdadeiro criminoso era o vigário Paula e que a polícia perseguia Rogerio por conta do engano.

         Feitosa desabafa    ...”tomarei contra o nosso algoz (vigário Paula) a mais terrível vingança”.

         O Vigário Paula, bem abatido, foi até a igreja na capital em busca de abrigo e o padre local não lhe deu muita atenção.  Só o atendeu quando soube que Paula era padre.   E queria falar com o Bispo.    O padre levou-o até o Bispo.

         O bispo ficou com pena do vigário Paula que estava bem maltratado pelo trecho percorrido como retirante.  O bispo não sabia do crime de Paula e deu abrigo a ele com conforto na sede do prelado onde morava o bispo.

         O vigário contou a mentira sobre o crime ocorrido na paróquia dele.  Disse também que ele, vigário, foi o primeiro a acusar o Rogerio Monte pelo crime.   O povo acreditou nisso na época porque Rogério, empobrecido, naqueles dias seguintes, foi para a capital, mas o motivo era se acertar com seus credores nos negócios.

         ..............    Eulália que ficou quinze dias internada na Santa Casa da capital depois de ter uma febre.   A freira do hospital segurou ela por mais uns dias lá até porque ela não tinha para onde ir e Eulália ajudava a cuidar de outros doentes pobres.

         Continua no capítulo 17/18 (ou 19) 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Cap. 5/9 - fichamento do livro RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO - Abolicionista - livro de 1879

 

     A filha tenta consolar o pai sugerindo que ele venda o sitio que não tem dado lucro.  Ele diz  que o sítio não tem dado lucro. Explica que por causa da seca o sitio nada vale e que ninguém pagaria um décimo do valor anterior à seca.
     Rogerio Monte iria para a capital tentar arranjar dinheiro e acertar as dívidas.
     "Estava tomada a sua resolução porque, apesar de não ser soberbo, não teria forças para pedir o lugar em que sempre dera".
     O vigário vai visitar Rogerio e mostrar o ofício do governo da província indicando que tem chegado do interior grande quantidade de retirantes fugindo da seca.    A carta nomeava o vigário, Francisco Queiroz e Rogerio Monte para  o cargo de comissários dos socorros públicos com verba que o governo ia enviar para o povoado.   Buscava assim o governo evitar que o povo fosse todo caminhar para a capital.
     Rogerio responde:   - "Não posso.   As minhas dívidas reduzem-me atualmente a precisar ser socorrido e não quero ser acusado de tirar do governo às ocultas o que ele manda ser dado às claras".
     Rogerio falando com a filha sobre a busca de apoio na cidade.
     - "A frieza dos desconhecidos doerá menos, minha Irena - Concluiu Monte - custará menos tristeza e humilhação".
     Não deixar a busca de solução para amanhã.   - Amanhã estará mais profundo e incurável: a ferida da infelicidade é mais fácil de gangrenar que de cicatrizar".
     O vigário foi levar o pedido do governador ao Professor Queiroz e este também recusou o encargo.   O vigário disse que iria procurar o Antão.
     O interlocutor disse que o viu bem alterado no dia anterior.   O dia após a noite do incêndio no Engenho onde se abrigavam os retirantes.   E acrescentou ao vigário:
     "- Esteve mal o pobre homem; dizia que você o tinha mandado incendiar o Engenho."
     O vigário corroído pela paixão ..."e ao passo que o seu andar rítmico devorava a distância, a celeridade desse turbilhão de formosura e pudor punha-lhe no cérebro a vertigem da perdição".
     "Eulália percebia o esforço do vigário para colocar-se ao seu lado, e por isso mesmo, esmerava-se em malográ-lo, acelerando seus passos."
     No percurso, Eulália passa perto da casa de Mundica, "a rainha da formosura aclamada pelo povoado inteiro" (e que tinha um caso com o vigário).
     Eulália chega na casa da amiga Irena e a encontra em lágrimas.   A amiga conta que o pai dela faliu e que a família vai se mudar para a cidade grande.
     "- Partir! - repetiu Eulália.   E confundiu as suas com as lágrimas da amiga".
     As amigas juntas e o sofrer.   Irena disse que Eulália sofre, mas é diferente dela.   Irena sofre por amor e não poder se unir com seu amado  (que é da família rival de morte com os Feitosas).  Já a amiga não ama o vigário que a ama.
...
     - "Mas então esse vigário continua a faze-la sofrer?
     - Muito, muito!!
     - Oh meu Deus! - ponderou Irena receosamente.   - Quer ver que você o ama!
     - Eu?! - interveio Eulália, profundamente enleada.     - Amo-o sim...como sua filha.   ( o vigario a conhecia desde que ela era uma criança).
     O vigário nomeou Antão como um da comissão para cuidar da distribuição da ajuda do governo aos retirantes.
     Depois o vigário foi procurar o Feitosa para compor a comissão.
     As moças do povoado, as de famílias mais aquinhoadas, foram requisitadas para amparar as crianças carentes e os enfermos.    "Entre essas graciosas belezas, a filha do professor, uma flor de carne que exala perfumes do céu".