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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

CAP. 17/35 - fichamento - livro - HUMANOS DE NEGÓCIOS - Histórias de homens e mulheres que estão (re)humanizando o capitalismo. Autor: RICARDO V. CUNHA - Editora Voo - ano 2020

capítulo 17/35 

         Bate papo com Paula Dib

         Um dos projetos – Comunidade da Juréia (litoral paulista) que era extrativista na Mata Atlântica.   Os moradores tiveram que ser removidos com a criação da Reserva Ecológica.   Foram removidos para Peruibe-SP a contragosto.   As mulheres passam a trabalhar em casas de veraneio para sustentar a família.    Com o projeto, voltaram a usar seus saberes e fazer peças dentro da cultura deles e melhorar a renda e autoestima.

         “Aquela peça que é feita ali não é apenas um produto, mas é uma história de resistência vendida pelo Brasil inteiro”.

         Em geral o poder público quer gente para  ensinar o povo a “gerar renda” e daí todo foco fica nessa pessoa que vem para articular as ações, a que vem para “salvar” a comunidade.  Não é esse o caminho.      “Nesse caso, o projeto deixa de ser o da Comunidade e a única forma dele seguir em frente é se o motor for a própria comunidade”.

         Qual é a intenção desse tipo de trabalho?

         “A intenção é sempre ativar as forças do lugar”.   Não ficar obcecado pela geração de renda.    “Eu acho que esta visão vale também para  minha vida, na forma como me envolvo com os projetos”.

 

         Outra Humana de Negócios – Ilona Szabó    - “Guerreira sem armas”

         Ela é descendente de húngaros.   Ela cresceu em Nova Friburgo no interior do RJ.   A mãe dela é jornalista.

         Nos anos 90, economia do Brasil em crise, a jovem Ilona conseguiu fazer um intercâmbio na Letônia.   Esta que há pouco tempo tinha deixado de pertencer à URSS com o fim do comunismo local.   A Letônia é um pequeno país com pouco mais de dois milhões de habitantes.  A capital é Riga, cidade portuária do Mar Báltico.   Chegou a enfrentar frio de trinta graus negativos por lá.

         Ela terminou o curso de Relações Internacionais em 1997.  Fez o curso na Universidade Estácio de Sá, uma das três no Brasil que tinham o curso na época e a única no estado do RJ.

         Trabalhou por quatro anos no Banco Icatu.   Nesse tempo, ela que é do interior do RJ, passa a circular pela capital e vê mais a miséria e a violência no dia a dia da cidade.

         Atuando no mercado financeiro ela reflete:  O que eu quero?    ... não quero deixar o rico mais rico.   É o que ocorre com quem trabalha no mercado financeiro por exemplo.

         Ela queria fazer mestrado na Europa sobre Conflito e Paz.     “A América Latina vive uma epidemia de violência com apenas 9% da população mundial, na região ocorrem 39% de todas as mortes violentas do planeta”.    O pior índice é em El Salvador com a média de 60 mortes para cada grupo de 100.000 habitantes. (ano 2017)

        O Brasil fica em 13º lugar nesse ranking com 27,8 mortes por grupo de 100.000 habitantes.    Em termos absolutos, o Brasil é destaque negativo com 60.000 mortes violentas intencionais por ano.   Mortes intencionais – quando o agressor tem o propósito de matar a vítima.

         A maior parte das vítimas no Brasil desse tipo de crime são jovens entre 15 e 29 anos, sexo masculino.

         Ilona fez seu mestrado na Suécia.

         Mais adiante, em 2011 ela funda a Ong Igarapé.   Também atuou na Ong mais antiga, a Viva Rio, fundada em 1993 por Rubem Cesar.

         A Viva Rio foi criada para pesquisar e formular políticas públicas para promover a cultura da paz e do desenvolvimento social.   Ela trabalhou no Viva Rio com o Antropólogo britânico Downey.

         O Rubem Cesar do Viva Rio colocou Ilona na Coordenação da Campanha de entrega voluntária de armas de fogo.   Os postos de entrega comumente eram em igrejas, quarteis, associações.

         Ela disse que seu trabalho incluía contatos com os quatro pês: padres, pastores, policiais e políticos.   Envolvia muita mobilização e comunicação.

         Essa onda ajudou a criar o Estatuto do Desarmamento.   Segundo dados do Ministério da Justiça, na Campanha do Desarmamento, foram recolhidas 443.000 armas de fogo.   Foi quase seis vezes a meta inicial da Campanha.

         No começo da Campanha, 80% dos entrevistados se colocavam contra civis com armas de fogo.   Em 2005 o governo federal lançou um referendo popular para a população votar sim ou não aos civis terem acesso a armas de fogo.   No debate público as coisas foram desiguais.   De um lado lideranças contra as armas e sem recursos para levar as ideias e de outro o lobby das armas com dinheiro à vontade como um rolo compressor.

         Nesse clima,  o Não às armas ficou com 36% dos votos e o Sim ficou com 64%.    Ela ficou bastante decepcionada com essa reviravolta.

         Ela andou viajando por vários países para tentarem colocar na Declaração de Genebra sobre Violência Armada e Desenvolvimento, a questão da  redução da violência nos ODMs Objetivos  do Desenvolvimento do Milênio da ONU.    Nessas viagens e tratativas, ela conheceu no Panamá o economista Robert Muggah, com quem depois se casou.

         Drogas e violência – mobilização de alguns governos sobre o caso.   Brasil, Colômbia e México puxam uma ação articulada contra drogas e violência.   Criam a Comissão Latino Americana sobre Drogas e Democracia.   Ilona se torna Secretária Executiva dessa Comissão.  No contexto dos debates, surgiu a certeza de que os USA estavam adotando no combate às drogas uma política equivocada.   Apesar disso, essa política era adotada até então pelo mundo todo.

         A Comissão secretariada por Ilona em seu ousado relatório de 2009 pediu a descriminalização da cannabis.     A Comissão Latino Americana deu origem à Comissão Global de Políticas sobre drogas formada pela ONU com participação de dez chefes de estado, incluindo Kofi Annan, ex secretário geral da ONU.    Ilona foi Coordenadora dessa Comissão Global de 2011 a 2016.   Em 2016 a sede da Comissão Global se mudou do RJ para Genebra e ela deixou o cargo.

         Anteriormente, em 2010 ela começou a articular o Instituto Igarapé para atuação contra a violência.   Igarapé em tupi – caminho da canoa.