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terça-feira, 19 de maio de 2026

Cap. 6 - fichamento do livro A FACE ESQUERDA DA CIDADE (MARINGÁ PR) - Autor Professor REGINALDO BENEDITO DIAS

capítulo 6

 

         “Em 1961, Bonifácio Martins foi um dos organizadores do II Congresso de Lavradores e Trabalhadores Rurais do Paraná, cuja abertura contou com a presença de líderes nacionais das lutas no campo como Francisco Julião, e de um representante oficial do presidente da república (João Goulart).

         Tinham o confronto da FAP Frente Agrária Paranaense, organizada pelo Bispo católico local, Dom Jaime Luiz Coelho   (que eu, leitor, conheci)

         A FAP organizou um evento para se contrapor na mesma data o II Congresso dos trabalhadores articulado pela base destes.    Houve confronto e uma verdadeira guerra campal entre as partes.

         Em 1960 a esquerda socialista concorreu com chapa completa na eleição municipal em Maringá, desde prefeito até vereadores.    Nesta eleição, Bonifácio foi reeleito vereador.   O candidato a prefeito que concorreu e não se elegeu pela esquerda foi o advogado Jorge Ferreira Duque Estrada ligado ao PTB.

         ... anos 60, tempos tensos...      ...”os debates sobre a expansão de direitos deparava com o os interesses dos proprietários rurais influentes... e se inseria no contexto da elevação da disputa ideológica daqueles anos da Guerra Fria, quando o discurso anticomunista era escudo para deter as reformas sociais”.

         A repercussão imediata do golpe de 1964.

         Anos 60, e o governo de João Goulart, de esquerda, buscando implantar as chamadas “reformas de base”.   Estas que eram rechaçadas pelos conservadores.

         “Na lógica da Guerra Fria, programas reformistas e nacionalistas eram suspeitos de encobrir objetivos comunistas”.

         Nesse contexto, o vereador Bonifácio era visto como o vereador comunista.   Ele constatou que havia manifestação de rua em Maringá hostil a ele.  Assim, resolveu se refugiar e proteger a sua família.   Tinha a esposa e duas filhas pequenas, uma delas ainda de colo.

         Em apoio aos golpistas que instituíram o regime militar de 1964, maringaenses chegaram a tentar colocar fogo na Radio Atalaia de Maringá “cujo proprietário era amigo do presidente João Goulart, o Jango.”

     Por ocasião do golpe civil-militar de 1964, até em Mandaguaçu PR, houve passeata do pessoal da direita em apoio ao golpe.    “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”.

         Em Maringá, passeata da direita tinha gente querendo e ameaçando atear fogo na residência do médico Salim Haddad.   Policiais de plantão protegeram o local e dispersaram os manifestantes.

         O então bispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho fez declarações no jornal Folha do Norte do Paraná, dia 02-04-1964 com o título:  “Patriotismo dos brasileiros sempre foi bafejado pela religião”.

         Pelo censo de 1960, na época da ditadura de 1964, Maringá teria 104.131 habitantes.    Antes mesmo da posse do primeiro presidente militar em abril de 1964, a junta militar instituiu o AI 1 Ato Institucional número um que retirava atribuições do Congresso Nacional.    “reduziram drasticamente os poderes do Congresso Nacional”.

         Cassaram mandatos de políticos eleitos e implantaram os IPM Inquéritos Policiais Militares para perseguir e prender quem eles achavam que fosse contra a ditadura.

         A Câmara Municipal de Maringá tentou cassar o mandato de Bonifácio, mas não encontrou amparo legal para isso.   Não efetivou a cassação, mas deu posse ao suplente dele, já que o vereador perseguido se evadiu para não ser preso.

         Bonifácio , que perdeu o mandato em 1964, se mudou para São Paulo para recomeçar a vida como contador.   Tinha firma aberta e atuante no ramo em São Paulo, porém em 1972  ... “quando já havia sido julgado como réu revel, foi preso e cumpriu pena”.

 

         Continua no capítulo 7

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