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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Cap.1/8 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO


 

         Autor – José do Patrocínio   (Abolicionista)

 

         Eu estava fazendo um trabalho voluntário de organizar a biblioteca do Sindicato do qual sou filiado e dentre os 400 livros que cataloguei no padrão CDD Classificação Decimal de Dewey, o mais comum em bibliotecas, encontrei um livro escrito pelo abolicionista José do Patrocínio.

         Resolvi ler.   Livro publicado originalmente em 1879.  Lendo a edição de 1973 da Editora Três.   Livro com 233 páginas.

         Na parte inicial, uma cronologia sobre o autor.    

         José do Patrocínio nasceu em Campos dos Goytacazes – RJ em 09-10-1853.    Ele era filho de um cônego (religioso católico) com uma escrava liberta.   Passou a infância na fazenda do pai.    Em 1868 passa a morar no Rio de Janeiro, então capital federal.

         Foi bem jovem, aprendiz de farmácia...   em 1871 escreveu seus primeiros artigos em jornais.     Fez faculdade de farmácia entre 1872 e 1874.

         Na época já escrevia e publicava em jornal estudantil, versos abolicionistas.    Já era um militante da causa pela abolição.

         Em 1874 entrou para o jornal A Reforma e dava aula para crianças a troco de cama e comida.

         Em 1877 atua pelo jornal Gazeta de Notícias.   Faz sob pseudônimo, artigos satíricos sobre política.

         O primeiro romance dele:  Mota Coqueiro ou A Pena de Morte.   Livro baseado em fato verídico.

         Em 13-05-1878 parte de navio rumo ao Ceará para fazer reportagens jornalísticas sobre a seca que assolava a região nordeste.

         Escreve artigos sobre a viagem ao Nordeste  “e colhe material para seu segundo romance, O Retirante, escrito em 1879”.       Quem faz esta apresentação sobre o autor, destaca algo relevante:   Patrocínio foi o precursor dos escritores que fizeram relato detalhado de uma seca no Nordeste.   Depois vieram outros escritores também de peso como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos  que abordaram a seca no Nordeste em livro. (li  O Quinze da Rachel e Vidas Secas e outros livros mais do Graciliano Ramos).

         Agosto de 1880 ele, no Teatro São Luis no RJ, subiu à tribuna pela primeira vez em defesa da campanha abolicionista.   Nessa campanha, atuava ao lado de Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa e outros adeptos à causa.    Formaram a Confederação Abolicionista, fundada em 12/05/1883.

         Em 1881 se casou com uma ex aluna.   Seu sogro era capitão e também era adepto das causas abolicionista e republicana.

         Em 1883 viaja com a esposa para a Europa, visitando Lisboa e Paris.

         Na época escreveu o romance Pedro Espanhol em 1887.    Nesse ano, após algum tempo da morte da mãe de Patrocínio, ele se candidata a vereador no RJ.    Nesse ano de 1887 passa a circular seu segundo jornal:   Cidade do Rio.   Insere neste jornal a luta pela abolição dos escravos no Brasil.

         Em 1888 ocorre a abolição da escravatura e 1889, a proclamação da República.    Não demora a nova república e José de Patrocínio passa a criticar o novo regime.

         Residiu em Paris de 1890 a 1892.

         Novamente morando no RJ, é acusado de participar da tentativa de golpe contra o presidente Marechal Floriano, é preso e deportado para Cucuí no Amazonas.    O jornal dele é empastelado, destruído em seus equipamentos, o que era meio comum na época quando jornais surgiam como bandeira de uma causa impactante.   Era perseguido.

         Mais adiante, de novo no RJ, chegou a criar um aeróstato, pois era aficionado por voos.    Mandou vir de Paris um automóvel e teria sido o primeiro cidadão do Brasil a andar de automóvel numa capital ainda cheia de buracos.

         José do Patrocínio morreu em 1905 de tuberculose.

         Um pouco sobre a obra dele:    Escreveu em prosa e poesia e traduziu alguns livros do francês para o português.    O romance dele sobre Pedro Espanhol foi inspirado no passado quando em 1755 houve um terremoto que atingiu a Espanha.   Derrubou inclusive um presídio e os presidiários se evadiram e um deles era o tal Pedro Espanhol, que depois teria vindo para o Brasil onde teria continuado sua saga fora da lei.   Por aqui teria ficado afamado.

         Agora, entrando na parte do livro Os Retirantes após a introdução de um terceiro.

         Procissão com a imagem de Nossa Senhora da Piedade.   Cita o local como B.V.   (talvez para deixar o lugar como genérico na região assolada pela estiagem).

         Ele está no Ceará e lá se desenvolve o tema do livro.    Seca severa e mais demorada ocorreu entre dezembro e março.     ...”ouviam o ronco dos macacos guaribas”...    “Os dias secos e ardentes continuam a devastar o gado, as plantações e as pastagens, ao passo que os rios e os açudes empobreciam”.

         ...”o pânico feriu, de improviso, a energia das populações do sudoeste, assim como a de toda Província do  Ceará”.

         ...”O templo substituiu a consolação pela ameaça, a esperança pelo desconforto”.

                            Continua no capítulo 2/8

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