Autor – José do Patrocínio
(Abolicionista)
Eu estava fazendo um trabalho voluntário de organizar a
biblioteca do Sindicato do qual sou filiado e dentre os 400 livros que cataloguei
no padrão CDD Classificação Decimal de Dewey, o mais comum em bibliotecas,
encontrei um livro escrito pelo abolicionista José do Patrocínio.
Resolvi ler. Livro
publicado originalmente em 1879. Lendo a
edição de 1973 da Editora Três. Livro
com 233 páginas.
Na parte inicial, uma cronologia sobre o autor.
José do Patrocínio nasceu em Campos dos Goytacazes – RJ em
09-10-1853. Ele era filho de um cônego
(religioso católico) com uma escrava liberta.
Passou a infância na fazenda do pai.
Em 1868 passa a morar no Rio de Janeiro, então capital federal.
Foi bem jovem, aprendiz de farmácia... em 1871 escreveu seus primeiros artigos em
jornais. Fez faculdade de farmácia
entre 1872 e 1874.
Na época já escrevia e publicava em jornal estudantil,
versos abolicionistas. Já era um
militante da causa pela abolição.
Em 1874 entrou para o jornal A Reforma e dava aula para crianças
a troco de cama e comida.
Em 1877 atua pelo jornal Gazeta de Notícias. Faz sob pseudônimo, artigos satíricos sobre
política.
O primeiro romance dele:
Mota Coqueiro ou A Pena de Morte.
Livro baseado em fato verídico.
Em 13-05-1878 parte de navio rumo ao Ceará para fazer
reportagens jornalísticas sobre a seca que assolava a região nordeste.
Escreve artigos sobre a viagem ao Nordeste “e colhe material para seu segundo romance, O
Retirante, escrito em 1879”. Quem
faz esta apresentação sobre o autor, destaca algo relevante: Patrocínio foi o precursor dos escritores
que fizeram relato detalhado de uma seca no Nordeste. Depois vieram outros escritores também de
peso como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos
que abordaram a seca no Nordeste em livro. (li O Quinze da Rachel e Vidas Secas e outros
livros mais do Graciliano Ramos).
Agosto de 1880 ele, no Teatro São Luis no RJ, subiu à
tribuna pela primeira vez em defesa da campanha abolicionista. Nessa campanha, atuava ao lado de Joaquim
Nabuco, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa e outros adeptos à causa. Formaram a Confederação Abolicionista,
fundada em 12/05/1883.
Em 1881 se casou com uma ex aluna. Seu sogro era capitão e também era adepto das
causas abolicionista e republicana.
Em 1883 viaja com a esposa para a Europa, visitando Lisboa e
Paris.
Na época escreveu o romance Pedro Espanhol em 1887. Nesse ano, após algum tempo da morte da mãe
de Patrocínio, ele se candidata a vereador no RJ. Nesse ano de 1887 passa a circular seu
segundo jornal: Cidade do Rio. Insere neste jornal a luta pela abolição dos
escravos no Brasil.
Em 1888 ocorre a abolição da escravatura e 1889, a proclamação
da República. Não demora a nova
república e José de Patrocínio passa a criticar o novo regime.
Residiu em Paris de 1890 a 1892.
Novamente morando no RJ, é acusado de participar da
tentativa de golpe contra o presidente Marechal Floriano, é preso e deportado
para Cucuí no Amazonas. O jornal dele
é empastelado, destruído em seus equipamentos, o que era meio comum na época
quando jornais surgiam como bandeira de uma causa impactante. Era perseguido.
Mais adiante, de novo no RJ, chegou a criar um aeróstato,
pois era aficionado por voos. Mandou
vir de Paris um automóvel e teria sido o primeiro cidadão do Brasil a andar de
automóvel numa capital ainda cheia de buracos.
José
do Patrocínio morreu em 1905 de tuberculose.
Um pouco sobre a obra dele: Escreveu em prosa e poesia e traduziu
alguns livros do francês para o português.
O romance dele sobre Pedro Espanhol foi inspirado no passado quando em
1755 houve um terremoto que atingiu a Espanha.
Derrubou inclusive um presídio e os presidiários se evadiram e um deles
era o tal Pedro Espanhol, que depois teria vindo para o Brasil onde teria continuado
sua saga fora da lei. Por aqui teria
ficado afamado.
Agora, entrando na parte do livro Os Retirantes após a
introdução de um terceiro.
Procissão com a imagem de Nossa Senhora da Piedade. Cita o local como B.V. (talvez para deixar o lugar como genérico na
região assolada pela estiagem).
Ele está no Ceará e lá se desenvolve o tema do livro. Seca severa e mais demorada ocorreu entre
dezembro e março. ...”ouviam o ronco
dos macacos guaribas”... “Os dias
secos e ardentes continuam a devastar o gado, as plantações e as pastagens, ao
passo que os rios e os açudes empobreciam”.
...”o pânico feriu, de improviso, a energia das populações
do sudoeste, assim como a de toda Província do
Ceará”.
...”O templo substituiu a consolação pela ameaça, a esperança
pelo desconforto”.
Continua no capítulo 2/8

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