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domingo, 13 de setembro de 2026

Cap.15/18 - fichamento do livro OS RETIRANTES - autor JOSÉ DO PATROCÍNIO (Abolicionista) livro original é de 1879

         

         O novo presidente da província do Ceará, diante do tumulto nas regiões flageladas, resolveu suspender os recursos para o interior e concentrou o atendimento na capital ou nas cidades próximas da capital para poder ter mais controle do gasto e da efetividade da ajuda.

         Isso forçou os retirantes a longas jornadas.    No sufoco, os retirantes se rebelaram e saquearam armazéns de distribuição para ter com que partir como retirante em busca de socorro contra a fome.

         Num confronto com o bando de Pedro que buscava vingança, os dois líderes perderam a vida em combate.  Pedro e Onça, este que era um destacado membro do grupo de Virgulino que por sua vez era do bando dos Viriatos.

         Quando Virgulino ficou sabendo que sua companheira Maria, no desespero da fome matou um dos dois filhos e comeu parte da carne e alimentou o outro filho, ele decidiu que iria retirá-la da prisão e mataria ela a facadas.

         O companheiro dele ponderou.   Se matar ela, você vai ser preso e seu filho menor ficará sem proteção.  A decisão é sua.

         Virgulino e um companheiro montando um plano para retirar Maria da prisão e evitar o linchamento dela por conta da revolta que o caso criou na população local.    Ela afinal era a mãe que matou o próprio filho...

         O plano foi – disfarçados - incentivarem os abarracados que já estavam revoltados com a suspensão da ajuda do governo a se rebelarem e saquearem os armazéns de alimentos.  Que também invadissem a delegacia e soltassem os presos.

         Assim se fez.  Os retirantes saquearam os armazéns, soltaram os presos e colocaram fogo na delegacia.   Maria ficou muito queimada e Virgulino levou ela nas costas para longe da multidão.   O filho ficou ainda mais queimado e morreu ao lado do pai que nada pode fazer.   Nisso chega a polícia para prendê-lo e ele pega o resolver e dá um tiro no próprio ouvido.

         Unidos e abastecidos, os retirantes seguiram rumo a Baturité.   Para lá também seguiram Eulália e em seguida o vigário Paula.

         Região de serras e de menor efeito das secas.   Cita até cafeeiros, lavouras de cana, mandioca e áreas de pastagem de gado.

         Novo alento na caminhada.    – “Pode seguir em paz, daqui a Baturité ninguém morre de fome”, informou um morador desta região.

         Eulália animada com a esperança de reencontrar a família, mas veio o receio da tia Ana não aceita-la pela forma dela deixar a família e partir envergonhada pela gravidez com o vigário.

         Ela não consegue dormir direito pensando nos riscos que sua tia e suas irmãs viviam na marcha como retirantes diante das agruras da pobreza e desalento.

         Ela chegando em Baturité, pergunta ao que puxa o comboio.     “- Vou saber notícias da cidade”.   Ele responde:  - “Lá embaixo está uma pandemia... a doença tem atacado muita gente.   É onde a doença faz seu roçado.  É a fome”.

         Pela estrada a seguir depois de Baturité, só há para comer frutos do caraguatá e raiz de mandacaru.

         Eulalia ouviu a notícia de que mais de cem mil retirantes lotavam a capital do Ceará.   Em Baturité ela toma o trem para capital.

         ...  Pessoas miseráveis em volta do trem mendigando.   Meninas entre os retirantes, de doze a treze anos e já na perdição.   

         “- Aqui a perdição faz concorrência à fome”.

 

         Continua no capítulo 16/18

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