(capítulo final um pouquinho mais longo...)
Um certo dia a Mundica, rival da Eulália, passou ao lado da
janela do bordel sabendo que Eulália estava lá e gritou palavras de ódio contra
ela. Gritou e se foi, mas deixou Eulália
estupefata e sabendo que poderia haver outras investidas da tal.
Eulália e a dona da casa sabendo que Mundica voltaria com
suas provocações, resolveram se mudar, tendo consciência de que pela mudança
perderiam clientes, mas não podiam se indispor com os vizinhos.
Elas na mudança apesar de até então se manterem de bem com a
vizinhança. As moças da vizinhança
tinham ciúme de ver os trajes bonitos das colegas de prostituição de Eulália,
sem saber da condição delas.
- “Vão bem vestidas.
- E sérias
- Parece boa gente.
- Mas não levam homem consigo.
- Talvez seja gente de fora, mulheres de engenheiros que tem
chegado.
- Tem ar.
Procurando casa, Eulália e a companheira andavam pela
cidade. No meio do povo apareceu
Mundica e pegou-a pelo braço e partiu para agressão. Juntou gente, deu polícia e elas foram
detidas. Depois disso a dona do bordeu
que procurava discrição para não afetar seus negócios dispensou Eulália. Esta que não teve jeito de consertar o que
estava decidido. Ficou sem teto e sem
emprego.
Cap XIII
Feitosa não abandonou a vontade de eliminar o vigário Paula
mas havia um problema. Pelos artigos que
ele postou em jornais sobre seu desafeto, todos sabiam da rixa entre
ambos. Se algo acontecesse ao Paula que
era do clero, seria fácil saber que era a mando de Feitosa.
.....
Surge na capital a narrativa de que a grande cruz na praça
da capital estava minando água, o que indicaria o milagre do Céu e a volta das
chuvas.
Foi um reboliço na capital.
Romarias, rezas, procissões e tudo o mais.
Só que as chuvas mesmo não vieram
por longo tempo a mais.
...
Feitosa após muita procura encontrou Rogerio Monte e sua
filha Irena, esta que era sua paixão.
Queria pedir perdão por ter perseguido Rogerio injustamente
porque o povo da paróquia, incitado por
Paula que acusou Rogério pelo crime contra Feitosa. Crime na verdade, do próprio vigário Paula
por ciúme.
Rogério estava muito doente e foi levado para a serra para
tratamento. Irena também estava muito
doente, mas apoiada por Feitosa, recebeu tratamento médico.
Rogério Monte, antes rico, morreu na miséria. Irena reencontra, hospitalizada e frágil,
seu antigo amor – Feitosa.
No mesmo dia, Rogerio teve um enterro digno com apoio do
Feitosa e Irena se reencontrou com seu amado.
Capítulo XIV
Mundica, no mais baixo degrau da perdição, acabou levando as
irmãs dela para o mesmo lodo. E vivia
procurando Eulália para tirar o sossego dela e indispor ela contra a
vizinhança.
Eulália, mal de saúde e quase sem clientes, antes que não
pudesse mais sustentar as irmãs, conversou com elas e as encorajou a migrarem
no primeiro navio que partisse de Fortaleza.
O sonho da maioria que partia era o Rio de Janeiro onde chovia e parecia
ser o paraíso na terra.
Povo da capital vendo retirantes migrando, embarcando em
navios precários. ...”entochá-los a
marchar”. (se mandarem)
- “Mesmo porque, se houver um naufrágio, ninguém sente...
tanto faz que eles morram de fome ou afogados, no fim é sempre morrer”.
Na embarcação precária embarcava a família de Eulália sem
ela ter a chance de se despedir.
Capítulo XV
Eulália com forte febre e as três colegas da casa
preocupadas. Umas pensam em se livrar
dela. Uma pondera:
- “Mas não se morre assim como um cão, sem mais nem menos”.
Preocupação inclusive com a voz do povo... o que diria este sobre o caso.
“Mas por isso não havemos de por na rua uma companheira que
arde em febre”. Resolveram levar
Eulália carregada nos braços na calada da noite e deixá-la na porta da Casa da
Misericórdia.
Antes de Eulália ter a febre, ela foi avistar de longe a
partida do navio com sua família, o que a deixou tão triste que a febre a pegou
com força.
No dia do embarque, Eulália ouviu uma conversa entre dois da
capital conversando sobre a solução para se livrar dos retirantes. Que fossem embora.
Apostaram dez contra um que o navio sucateado alugado pelo
governo para embarque dos retirantes não aguentaria a viagem e iria a pique.
Disseram que o governo alugava navios para isso, por preço
alto, sempre dos amigos dos poderosos que tinham influência no governo.
As colegas de Eulália carregando ela nos braços para a Casa
de Misericórdia são avistadas por policiais que as abordaram e exigiram
explicação. Depois determinaram que era
para elas largarem a doente deitada na praça e que se ela conseguisse
sobreviver, durante o dia alguém a levaria para o socorro.
No outro dia cedo, no meio do povo circulando, passam pela
praça o vigário Paula e seu amigo padre.
Ambos fazendo planos para arranjar uma paróquia para Paula que estava
bem cotado por ser pronto a dar unção aos enfermos nas praças. Teria uma paróquia e boa renda e até os
dois combinaram que Paula daria uma porcentagem como comissão ao amigo.
........................
Marcado o casamento de Irena com Feitosa. Irena tinha o forte desejo de rever sua
amiga de infância, Eulália, que ela nem sabia se estava viva ou não.
Irena pede ao noivo duas tarefas e ele aceita por amor, mesmo
sem saber quais eram. A primeira era
que ele procurasse Eulália até a encontrar e a segunda era que ele perdoasse o
vigário Paula, evitando inclusive que Feitosa cometesse um crime por vingança.
Ela alegou sobre o perdão a Paula: “Que a consciência de Paula o punisse pelos
males que fez. Assim o casal poderia se
unir e viver feliz e em paz.
A resposta dele: - “Tu
assim queres, seja feito”.
Irena: “Como eu seria
feliz se pudesse hoje ver Eulália”. Era
o dia do casamento de Irena.
..... No palácio, o
presidente da província batendo papo com um amigo político e vendo o povo na
praça. E o presidente diz: “Sua Majestade só quer o bem do país. Verá; não entra um conservador para a nova
Câmara...”
O casamento foi na igreja da capital e os noivos, após a
cerimônia, saíram por outro lado porque há a tradição local segundo a qual,
voltar pelo caminho que fez para ir se casar não deve ser o mesmo da volta para
não dar azar.
No caminho, na praça, viram um defunto sendo amarrado à vara
de transporte para o enterro de indigente.
O defunto era Eulália.
Reconhecida a pessoa, Irena ajoelhou e ficou em prantos ao lado do cadáver.
Descobriram que Eulália ainda carregava consigo o punhal com
as iniciais do vigário Paula gravadas no cabo.
Era a prova do crime dele.
....................
E no jornal do dia na capital, a notícia de que Paula como
bom vigário, foi agraciado com uma paróquia na região como prêmio por ele se
dedicar a dar unção a muitos retirantes...
Fim 07/10/2026
resenhaorlando.blogspot.com.br
Próxima resenha:
CHAT GPT EXPLICADO – Autor: Helbert Costa
(“O guia definitivo sobre esta e outras
inteligências artificiais) conta na
capa. Prefácio do
palestrante Clóvis de Barros Filho
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