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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Cap.19;19 (final) - um pouco mais longo. OS RETIRANTES - autor: JOSÉ DO PATROCÍNIO - abolicionista - 1879

          (capítulo final um pouquinho mais longo...)

         Um certo dia a Mundica, rival da Eulália, passou ao lado da janela do bordel sabendo que Eulália estava lá e gritou palavras de ódio contra ela.  Gritou e se foi, mas deixou Eulália estupefata e sabendo que poderia haver outras investidas da tal.

         Eulália e a dona da casa sabendo que Mundica voltaria com suas provocações, resolveram se mudar, tendo consciência de que pela mudança perderiam clientes, mas não podiam se indispor com os vizinhos.

         Elas na mudança apesar de até então se manterem de bem com a vizinhança.     As moças da vizinhança tinham ciúme de ver os trajes bonitos das colegas de prostituição de Eulália, sem saber da condição delas.

         - “Vão bem vestidas.

         - E sérias

         - Parece boa gente.

         - Mas não levam homem consigo.

         - Talvez seja gente de fora, mulheres de engenheiros que tem chegado.

         - Tem ar.

         Procurando casa, Eulália e a companheira andavam pela cidade.   No meio do povo apareceu Mundica e pegou-a pelo braço e partiu para agressão.  Juntou gente, deu polícia e elas foram detidas.   Depois disso a dona do bordeu que procurava discrição para não afetar seus negócios dispensou Eulália.   Esta que não teve jeito de consertar o que estava decidido.  Ficou sem teto e sem emprego.

         Cap XIII

         Feitosa não abandonou a vontade de eliminar o vigário Paula mas havia um problema.  Pelos artigos que ele postou em jornais sobre seu desafeto, todos sabiam da rixa entre ambos.   Se algo acontecesse ao Paula que era do clero, seria fácil saber que era a mando de Feitosa.

.....

         Surge na capital a narrativa de que a grande cruz na praça da capital estava minando água, o que indicaria o milagre do Céu e a volta das chuvas.

         Foi um reboliço na capital.  Romarias, rezas, procissões e tudo o mais.

           Só que as chuvas mesmo não vieram por longo tempo a mais.

         ...

         Feitosa após muita procura encontrou Rogerio Monte e sua filha Irena, esta que era sua paixão.

         Queria pedir perdão por ter perseguido Rogerio injustamente porque o povo da paróquia,  incitado por Paula que acusou Rogério pelo crime contra Feitosa.    Crime na verdade, do próprio vigário Paula por ciúme.

         Rogério estava muito doente e foi levado para a serra para tratamento.   Irena também estava muito doente, mas apoiada por Feitosa, recebeu tratamento médico.

         Rogério Monte, antes rico, morreu na miséria.   Irena reencontra, hospitalizada e frágil, seu antigo amor – Feitosa.

         No mesmo dia, Rogerio teve um enterro digno com apoio do Feitosa e Irena se reencontrou com seu amado.

         Capítulo XIV

         Mundica, no mais baixo degrau da perdição, acabou levando as irmãs dela para o mesmo lodo.  E vivia procurando Eulália para tirar o sossego dela e indispor ela contra a vizinhança.

         Eulália, mal de saúde e quase sem clientes, antes que não pudesse mais sustentar as irmãs, conversou com elas e as encorajou a migrarem no primeiro navio que partisse de Fortaleza.   O sonho da maioria que partia era o Rio de Janeiro onde chovia e parecia ser o paraíso na terra.

         Povo da capital vendo retirantes migrando, embarcando em navios precários.    ...”entochá-los a marchar”.    (se mandarem)

         - “Mesmo porque, se houver um naufrágio, ninguém sente... tanto faz que eles morram de fome ou afogados, no fim é sempre morrer”.

         Na embarcação precária embarcava a família de Eulália sem ela ter a chance de se despedir.

         Capítulo XV

         Eulália com forte febre e as três colegas da casa preocupadas.  Umas pensam em se livrar dela.  Uma pondera:

         - “Mas não se morre assim como um cão, sem mais nem menos”.

         Preocupação inclusive com a voz do povo...  o que diria este sobre o caso.

         “Mas por isso não havemos de por na rua uma companheira que arde em febre”.   Resolveram levar Eulália carregada nos braços na calada da noite e deixá-la na porta da Casa da Misericórdia.

         Antes de Eulália ter a febre, ela foi avistar de longe a partida do navio com sua família, o que a deixou tão triste que a febre a pegou com força.

         No dia do embarque, Eulália ouviu uma conversa entre dois da capital conversando sobre a solução para se livrar dos retirantes.  Que fossem embora.

         Apostaram dez contra um que o navio sucateado alugado pelo governo para embarque dos retirantes não aguentaria a viagem e iria a pique.

         Disseram que o governo alugava navios para isso, por preço alto, sempre dos amigos dos poderosos que tinham influência no governo.

         As colegas de Eulália carregando ela nos braços para a Casa de Misericórdia são avistadas por policiais que as abordaram e exigiram explicação.   Depois determinaram que era para elas largarem a doente deitada na praça e que se ela conseguisse sobreviver, durante o dia alguém a levaria para o socorro.

         No outro dia cedo, no meio do povo circulando, passam pela praça o vigário Paula e seu amigo padre.   Ambos fazendo planos para arranjar uma paróquia para Paula que estava bem cotado por ser pronto a dar unção aos enfermos nas praças.     Teria uma paróquia e boa renda e até os dois combinaram que Paula daria uma porcentagem como comissão ao amigo.

         ........................

         Marcado o casamento de Irena com Feitosa.    Irena tinha o forte desejo de rever sua amiga de infância, Eulália, que ela nem sabia se estava viva ou não.

         Irena pede ao noivo duas tarefas e ele aceita por amor, mesmo sem saber quais eram.   A primeira era que ele procurasse Eulália até a encontrar e a segunda era que ele perdoasse o vigário Paula, evitando inclusive que Feitosa cometesse um crime por vingança.

         Ela alegou sobre o perdão a Paula:  “Que a consciência de Paula o punisse pelos males que fez.   Assim o casal poderia se unir e viver feliz e em paz.

         A resposta dele:   - “Tu assim queres, seja feito”.

         Irena:   “Como eu seria feliz se pudesse hoje ver Eulália”.  Era o dia do casamento de Irena.

         .....   No palácio, o presidente da província batendo papo com um amigo político e vendo o povo na praça.    E o presidente diz:   “Sua Majestade só quer o bem do país.  Verá; não entra um conservador para a nova Câmara...”

         O casamento foi na igreja da capital e os noivos, após a cerimônia, saíram por outro lado porque há a tradição local segundo a qual, voltar pelo caminho que fez para ir se casar não deve ser o mesmo da volta para não dar azar.

         No caminho, na praça, viram um defunto sendo amarrado à vara de transporte para o enterro de indigente.   O defunto era Eulália.   Reconhecida a pessoa, Irena ajoelhou e ficou em prantos ao lado do cadáver.

         Descobriram que Eulália ainda carregava consigo o punhal com as iniciais do vigário Paula gravadas no cabo.   Era a prova do crime dele.

....................

         E no jornal do dia na capital, a notícia de que Paula como bom vigário, foi agraciado com uma paróquia na região como prêmio por ele se dedicar a dar unção a muitos retirantes...

 

                            Fim                           07/10/2026

                                                         resenhaorlando.blogspot.com.br

 

         Próxima resenha:    CHAT GPT EXPLICADO – Autor: Helbert Costa

    (“O guia definitivo sobre esta e outras inteligências artificiais)   conta na capa.                     Prefácio do palestrante Clóvis de Barros Filho

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