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quinta-feira, 21 de maio de 2015

EVENTO PELOS 130 ANOS DA FERROVIA PARANAGUÁ – CURITIBA

                        crédito da foto - Google

     Dias atrás eu fui visitar o Museu Ferroviário de Curitiba que fica anexo ao Shopping Estação, este que ocupa boa parte que era a antiga Estação Ferroviária da cidade.   No contato que fiz lá, arranjei mais um amigo de Facebook, este que recentemente me convidou para o Evento dos 130 anos.
     Foi um bate papo com especialistas da área para um público que não era tão grande, mas composto em geral de gente que tem afinidade  e paixão pelas ferrovias.   Inclui pesquisadores científicos.
     O evento foi no Teatro Regina Vogue que fica dentro do Shopping Estação, no dia 19-05-15 a partir das 19 h.
     Compuseram a mesa as seguintes pessoas:
     Aimoré Índio do Brasil Arantes – Historiador da Coordenadoria de Patrimônio Cultural do Estado do Paraná.
     Henrique Paulo Schimidlin (Vitamina) – Curador do Patrimônio Natural do Paraná e Montanhista.
     Juliano Martins Doberstin – Historiador do IPHAN – PR  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
     Adonai Arruda Filho – empresário da Serra Verde (trem turístico Serra do Mar)
    
     Fala do Aimoré
     Havia em várias partes do BR cursos técnicos para formar mão de obra ferroviária.  Um dos cursos que chegaram mais perto dos dias atuais (extinta há dez anos) antes de ser fechado foi o de Mafra-SC.    
     Curso de Museologia – teve um aqui em Curitiba que formou 3 turmas e depois encerrou as atividades.
     Museu como espaço pedagógico e muito mais.   Para se ter um Museu há vários requisitos legais como pessoal com formação em História, Museologia, etc.
     Ferrovias -  no passado, transportando inclusive passageiros, foram importantes meios de encurtar distâncias, propiciar lazer, dentre outros.
     Havia vagões de primeira classe com bancos estofados e de segunda classe com bancos de madeira.  Eram de madeira, mas não deixavam de ser confortáveis.
     Quando um dos palestrantes era criança, fez uma viagem de trem para Ibiporã-PR que fica vizinha de Londrina-PR.   24 horas de viagem.   O trem ia rumo à divisa com São Paulo lá pelos lados de Ourinhos e de lá, seguia em “baldeação” para Ibiporã.
     A Dra.Vania, professora, é uma estudiosa da História das Escolas e dentre estas, pesquisa as escolas que davam formação para mão de obra ferroviária. 
     O historiador lembrou que a ferrovia Paranaguá-Curitiba trouxe do porto muito suprimento para Curitiba e o interior do Paraná e de outro lado, levou para o porto muita madeira nativa da mata atlântica do Paraná.   Hoje temos menos de 7% da mata nativa.  O café também foi desde longa data escoado em parte por ferrovia para o porto.
     O atual Paraná Clube é um sucessor do antigo Clube Atlético Ferroviário de futebol.   Não é por acaso que o estádio desse clube fique encravado na região da Estação e pátio ferroviário de Curitiba-PR.  (Estádio Lourival de Brito).
     Foi dito que a ferrovia, por ter se iniciado de Paranaguá (cidade mais antiga) rumo a Curitiba, poderia ser citada como Ferrovia Paranaguá-Curitiba, nessa ordem.

     Fala do Juliano – do IPHAN-PR
     Ele tem formação em História.    Falou da lei 11.483 de 31-03-2007 que extinguiu a RFFSA Rede Ferroviária Federal  S.A e colocou os bens e equipamentos de interesse histórico no “colo” do IPAHN.  
     Tratam a estrutura da estação e oficinas do trem em Curitiba com o nome de um dos engenheiros pioneiros – Teixeira Soares.  
     Mostrou fotos de parte do acervo.   Muitos sinos, relógios que ficavam nas estações, etc.     Disse que a UFPr vai utilizar parte do espaço do parque ferroviário de Curitiba para expansão da mesma.     A entrada para o complexo Teixeira Soares / estação Curitiba tem acesso pela Rua João Negrão.
     O IPHAN fez o inventário do acervo aos seus cuidados.    Há atualmente 8.125 peças ligadas à ferrovia aqui em Curitiba para Cessão a terceiros.    Entidades, que podem incluir Prefeituras que tenham a ver com a ferrovia na história das mesmas.
     Curiosamente, primeiro teria havido o povoamento de Paranaguá-PR e lá havia o porto e com o tempo surgiram dois caminhos para Curitiba.   O mais íngreme, o Caminho de Itupava, que pegava os trechos mais difíceis da Serra do Mar.    E havia lá pelos lados de Morretes e Antonina, o Caminho da Graciosa, que fazia um percurso menos íngreme.   
     Primeiro, havia trilhos para transporte de mercadorias no ombro das pessoas, no lombo de mulas.   Antonina tinha também seu porto e começou a se desenvolver mais por causa do caminho da Graciosa.     Quando foram construir a ferrovia, por pressão política (havia até Senadores que eram de Paranaguá) acabaram optando pelo caminho mais íngreme ligando Paranaguá a Curitiba.
     Os 110 km de ferrovia foram feitas em apenas cinco anos, sendo dois sob a batuta do engenheiro francês Ferruci, que teria projetado toda a ferrovia e tocado a obra lá na planície litorânea por dois anos.   O trecho mais desafiador da execução da obra ficou a cargo da engenharia brasileira com destaque para o engenheiro Teixeira Soares e os irmãos engenheiros Rebouças, que tiveram inclusive estudos na França.    Curiosamente ambos eram negros.    Perto da estação de Curitiba há uma rua que tem um nome incomum por homenagear duas pessoas.    Rua Engenheiros Rebouças.    Mais que justa homenagem.
     Teixeira Soares tem inclusive cidade no interior do Paraná em sua homenagem.
     No trecho de serra onde passa a Ferrovia, tinha a Estação Marumbi e no pequeno povoado próximo havia uma Escola de Cantaria – a arte de trabalhar/entalhar a pedra para edificações, pavimentação, meio fio, estátuas/monumentos, muros de arrimo, etc.
O profissional do ramo é o canteiro.
     Mostrada uma foto antiga de um casarão que foi amplo e servia inclusive de escritório de apoio da ferrovia na estação Ipiranga, no trecho da serra.   Atualmente o casarão, que era de alvenaria, sólido, não existe mais.

     Fala do Adonai -  Serra Verde – Trens turísticos

     Mostrado filme institucional da empresa com os passeios de litorina e trem de passageiros pela Serra do Mar.    Eles tem divulgado inclusive em feiras de turismo no exterior o passeio e tem tido boa resposta.
     Mostrou a foto da ponte São João – toda em estrutura de ferro.   A ponte no passado só se apoiava nos barrancos do rio, sem pilares intermediários.   Quando começaram a usar no trecho as locomotivas diesel com mais vagões, tiveram que reforçar a ponte e ela ficou com a feição atual.
     A mesma empresa tinha a concessão do trem de passageiro (Tem do Pantanal do Mato Grosso do Sul).  Começou a operar com turismo em 2009 e ele disse que entregaram a concessão em março deste ano.  Não compensava.
     Citou alguns estados nos quais tem trens turísticos como RS, SC (Piratuba), PR, MG, ES.
     Tem um site da BWT ligada à Serra Verde que busca divulgar e vender pacotes para várias ferrovias no Brasil.
     Eles procuram preservar o meio ambiente em sua atuação na Serra do Mar.  Tem certificação do Instituto Falcão Bauer de Sustentabilidade.     Costumam toda quarta feira dar 40% de desconto no trem turístico pela Serra do Mar.       Disse que o trecho deu prejuízo por nove anos seguidos, mas depois passou a trabalhar em azul.    Disse que a oficina das litorinas pode ser visitada e fica no início da Avenida Silva Jardim em Curitiba-PR.
     Convidou o público para um evento de ferromodelismo que ocorrerá nas dependências da Serra Verde (ao lado da Rodo-ferroviária de Curitiba), entrada franca no dia 20-06-15.    Seria o dia todo.
     Alguém do plenário lembrou que parece não ter um esforço em captar para a história os depoimentos dos ferroviários que estão idosos.   Quando estes se forem, teremos uma lacuna irreparável.   Foi algo bem lembrado, por sinal, como sugestão de iniciativa.

     Isto foi o que consegui destacar e espero que estimule as pessoas a visitarem o Museu Ferroviário de Curitiba.  Vale a pena.      Já fiz o passeio de trem pela Serra do Mar e é maravilhoso também.
    
                 Blog      www.resenhaorlando.blogspot.com.br



     

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