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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Cap.8/8 do volume 1. Fichamento do livro OS RETIRANTES - José do Patrocínio (Abolicionista) livro de 1879

 

         O sacristão em conversa com o vigário.  Diz que o povo local percebe que a “doença” de Eulália vai acabar dentro dos nove meses.   O vigário ficou indignado.   Mas é o que o povo local percebe.    .... “É, fala-se muito neste lugar, senhor vigário:  mas neste caso basta a gente ter olhos e ouvidos”.

         Eulália foi conversar com o vigário para tentar entender seus males e o azedume da tia dela.    Era a gravidez dela o problema.

        ...    O vigário... “Amo-te  ... mais que nunca...

         Mas quero compartir teu sofrimento, amargurar-me na mesma angústia, porque o dia em que todos saberão do teu erro e do meu crime está próximo, Eulália, muito próximo!”

         “- Vou então ser mãe?    .... quanta desgraça, santo Deus!”

         O vigário indica como uma saída para ele no caso, pedindo para Eulália matar a criança.    Ela responde indignada:  “Nunca! Nunca!  ... não cometerei mais este crime.   E saberei defender meu filho contra todos”.

         Ela cogita mudar do povoado.

         “Doida, não vê que a tua ausência não basta para salvar a minha honra?

Ela retruca:   -       E importou o senhor com a minha?    ... não quero ser a assassina do meu próprio filho.   Deixe-me passar...   ... ficou perplexo a ver a jovem afastar-se apressada e altiva”.

         Eulália em casa pega o canivete do crime e no qual há gravado no cabo o nome do vigário Paula.

         Um tropeiro que chega traz notícia de que o Imperador não vai mais mandar ajuda para os retirantes da região.  Isto por conta de falcatruas de pessoas que eram encarregadas de distribuir os socorros aos flagelados.

         E o tropeiro recebe a novidade da barriga de Eulália e sobre a parte do vigário no caso.

         Mundica (Raimunda), filha do sacristão e amante do vigário pede para ele fazer com que Eulália deixe o povoado.   Ele diz que isso é difícil.

         Mundica ameaça o vigário dizendo que se ele não fazer Eulália deixar o povoado, ela espalha para todos que ele é o pai da criança de Eulália.

         “E eu – respondeu o vigário contrariado – hei de reduzir vocês a não ter o que comer, percebeu?”

         O pai de Mundica diz à filha que acha que o vigário, sabendo que não vem mais ajuda aos retirantes, pode ir embora com Eulália.

         Dona Antonia, empregada da casa de  Eulália, espiou na noite e viu o crime do vigário.   Resolveu agora ir pedir pouso na casa do sacristão e contou do crime.    Ela colocou o vigário numa situação complicada.

         Os retirantes famintos se juntaram em frente à casa de Antão e tentavam arrebentar a porta em busca de alimentos para aplacar a fome.

         O vigário mandou bater o sino da igreja e foi lá dispersar a multidão com argumentos sagrados.

         Descobertos os erros e o crime do vigário, o povo foi até a igreja para escorraçá-lo.    Ele se escondeu num compartimento atrás do altar.

         Altas horas da noite, saiu e foi se juntar aos retirantes no engenho.   Foi lá na verdade buscar a proteção dos retirantes que até então recebiam uma migalha de ajuda do povoado e da província.

         Disse ao povo loca que o que tinham contra ele era calúnia.    “É uma falsidade, juro-o à face de Deus – exclamou o vigário...”

         ... eu serei vingado pelo castigo do céu sobre os que não correrem em minha defesa”.

         O vigário tentou jogar os retirantes contra os poderosos do povoado.  Veio a resposta:   - “Não podemos tirar-lhes isto; Deus é mais poderoso para com eles”.

         O vigário fez um discurso para as mulheres e as crianças.  Aí conseguiu o que queria.  Se vingar dos graúdos do povoado.

         ...”a grande massa de andrajosos gritou por uma só voz:   -  “Ao povoado!”.      O vigário orientou...    “a cerca do cemitério fica em caminho, os seus mourões servirão para arrombar as portas”.

         No meio do conflito e do sangue, o vigário pegou um cavalo e saiu a galope em fuga.   Ao passar perto do cemitério, o louco que perdeu a filha por causa da gravidez com o vigário, cercou-o e este caiu do cavalo e entraram em luta.

         Houve no povoado o saque, muitas mortes e feridos de ambos os lados e os feridos abandonaram o povoado em peso.   Os retirantes também depois disso abandonaram o engenho.

 

         Fim deste volume 1.       Continua no volume dois que terá capítulos a seguir.      Gratidão aos que tem acompanhado a leitura.      18-08-2026

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