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sexta-feira, 4 de março de 2022

CAP. 01/09 - fichamento do livro - HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA - autor: Historiador francês PIERRE CHAUNU (edição 1971)

CAP. 01/09            (leitura feita em fevereiro de 2022) 

         Alerto que a edição desse compacto livro de História da América Latina, de 130 páginas, data de 1971.   Por outro lado, como trata de quase cinco séculos de colonização da América Latina e pela formação do autor, achei que valia a pena a leitura e estando terminando de ler, veremos que muito do que hoje vemos no Brasil e no mundo se explica pelo conhecimento do nosso passado e a conjuntura das diferentes épocas.

         Vou recortar aqui uma biografia consolidada do autor francês Pierre Chaunu, tirada da popular Wikipedia da web.

         Pierre Chaunu, Belleville-sur-MeuseMeuse, na Lorraine, 17 de agosto de 1923 - Caen22 de outubro de 2009 [1] foi um historiador francês, especialista em estudos sobre a América espanhola e de história social e de história religiosa da França durante o Antigo Regime ( séculos XVIXVII e XVIII). Foi uma grande figura francesa da história quantitativa e serial. Foi professor emérito da Paris IV-Sorbonne, membro do Institut, e comandante da Legião de Honra. Protestante defendeu posições conservadoras, numa crónica que mantinha no periódico "Le Figaro" e num programa de rádio.

Recebeu o Prêmio Gobert em 1982.[2]

         Vamos  ao fichamento – Introdução.

         A América Latina se localiza entre as Latitudes 32 graus Norte a 54 graus Sul.   Área de 21.l73.000 km2 e corresponde a 16% das terras emersas do planeta.   (O Brasil tem ao redor de 7,5 milhões de km2)

         Corresponde a América Latina os países que foram colonizados por Espanha e Portugal, ficando de fora os USA e Canadá por terem sido colonizados por outros países da Europa.

         A.Latina em grande parte é tropical, não distante do Equador e por isso, bastante incidência de sol e bastante chuvoso.   Propício a florestas.

         Destaca-se que os colonizadores europeus vieram de clima temperado, ou seja, mais frio que o tropical.     Sentiram isso.

         Tirando a região dos pampas do sul, em geral são terras de planalto.

         Aqui neste livro também os povos originários são tratados como índios.

         Os índios de certas civilizações pré colombianas no Continente Americano, nos séculos XV e início do século XVI dominavam a metalurgia do cobre, ouro e prata, mas não dominavam a do ferro.

         Não tinham a tração de bois e do cavalo como havia na Europa e Ásia.

         O início  da colonização da América coincide com o povo da Europa saindo da Idade Média.   Europa de predomínio de cristianismo.   Oito séculos de ocupação árabe em Portugal e Espanha até quase o ano de 1500.

         O fim desse domínio árabe na região foi dia 01-01-1492 com a queda da cidade de Granada na Espanha.

         Cita Colombo descobridor da América dia 11-10-1492.   A chegada de Colombo foi no arquipélago das Bahamas na América Central.

         Primeira Parte -   A A. Latina Colonial   (1492 a 1808)

         Mistura em três séculos de três elementos, o europeu, o índio e o negro escravizado africano.     A A. Latina ....”virou a terra da economia destrutiva”.    Em apenas 50 anos os colonizadores vasculharam todas as regiões da A. Latina e depois um processo mais lento de ocupação e povoamento.

         Capítulo 1 – O século dos conquistadores  (1492 a 1550)

         Em 1492, os espanhóis em São Domingos, no caribe da América Central.   Era tempo dos Reis Católicos na Espanha.  Estes logo buscam se documentar com o Papa sobre as novas posses.  O Papa de então era espanhol em decorrência do poder dos reis cristãos da Espanha.  Papa Alexandre VI.    O Papa emitia a chamada Bula Papal que era o documento de posse das novas terras.

         O segundo tratado, o de Tordesilhas, de 1494 foi mais favorável a Portugal.    O Papa “doava” essas terras para os colonizadores cristãos e esperava em contrapartida a expansão da fé católica nas novas terras.

         O autor diz que no México as duas civilizações pré colombianas, os Maias e os Astecas, viviam em planalto com altitudes entre 2.000 e 3.000 metros acima do nível do mar.   Diz que os Maias eram mais requintados e que foram empurrados mais para o litoral no período da colonização.

         Cortés – com dez navios, 600 soldados, 16 cavalos e armas de fogo.  (destaca-se que antes não havia bovinos domésticos nem cavalos no Continente Americano de então)

         Dizimou os indígenas.    Nesse tempo o chefe dos Astecas era Montezuma.

         Na região do Peru foi Pizarro o pioneiro da ocupação.     Nada de expansão católica.   Era busca de riquezas, com foco no ouro dos Incas.

         Os Íncas eram uma potência sacerdotal, teocrática.     “... comunismo agrário de estado...”.    Os incas dividiam a terra de cultivo em três partes não iguais, a saber.  Uma parte para a produção para os deuses; uma para o ínca (o rei) e a terceira para o povo.   Cada família recebia um lote proporcional às suas necessidades.

         Pizarro era um bastardo analfabeto oriundo da Estremadura na Espanha.

         Os incas viviam em terras na faixa de altitude entre 3.000 metros e 3.500 metros acima do nível do mar.

         Na força de soldados, cavalaria e armas, Pizarro em dois anos consegue derrubar o império Inca.

         Antes de conquistarem o Peru e suas riquezas, os espanhóis fundaram em 1533 Buenos Aires.    Em 1550 a parte espanhola da América Latina estava conquistada.

         Segue no capítulo 02/09

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

RESERVAS EM DOLAR DA RUSSIA DIVULGADA EM FEVEREIRO DE 2022, BASE 30-06-2021 PELA FOLHA DE SÂO PAULO

 SOBRE AS RESERVAS MONETÁRIAS DA RUSSIA - fevereiro de 2022 (base 30-06-21)

Na página A15 da Folha de SP de hoje, 28-02-2022 saiu um gráfico mostrando onde estão depositadas as Reservas da Russia expressas em dolar, apesar de haver reservas em ouro metal.
Reservas totais 30-06-2021: 630,2 bilhões de dolares.
Assim distribuidas:
Ouro (metal) ............ 23%
China........................... 13%
França......................... 11%
Japão.......................... 09%
Alemanha................. 09%
USA,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, 06%
Bancos internac..... 05%
Reino Unido............. 04%
Outros........................ 21%
Em valores aproximados, tirados de um gráfico.
OBS - Ver que há países que irão bloquear o acesso a essas reservas nos respectivos territórios.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

CAP. 10/10 - fichamento - livro - O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS - autor moçambicano - MIA COUTO

capítulo 10/10

 

          O  Inspetor Óscar Campos escreve ao prisioneiro Adriano Santiago

                   Ano de 1973

         Sobre espionagem e agente infiltrada.   Almalinda era uma espiã disfarçada de prostituta.   “No calor dos prostíbulos as mulheres ganham a confiança dos nossos inimigos”.

         Arrancar confissão – despir a roupa do que vai ser interrogado.  O policial diz:   “a roupa atrapalha a sinceridade”...

         Carta da avó Laura ao Inspetor Campos – 1973

         “Quando um regime começa a prender os poetas é porque esse regime está perdido”.

         Uma senhora sobre as estratégias das mulheres de sua época:

         “Os senhores (policiais) não aprenderam com as mulheres da minha geração.    Era o que fazíamos no casamento.   Trazíamos o lobo para dentro de casa, que era onde ele se convertia num cachorro manso”.

         Capítulo 21 – Naufragadas Nuvens  - Inhaminga,     março de 2019

         O povo local ver os brancos nas piscinas e não poder entrar.       ...”e que deveríamos dar graças a Deus por poder ver a alegria dos outros”.

         O marido de Maniara é contratado como guarda do cemitério.   Logo lhe passaram uma pá para ele abrir covas.   Ele argumentou que era guarda e não coveiro.   O chefe retrucou:   “És guarda de noite... de dia vais abrir covas que é um trabalho em que os pretos são bons porque mal nascem já vão abrindo a própria sepultura”.

         Por lá eles consomem muito “peixe seco”.   (como leitor já ouvi que muitos povos africanos tem o hábito de consumir peixe seco e procuram a mercadoria mesmo em países distantes para os quais migram, como nos USA).

         Cubata é o nome que dão às choças que servem de moradia nas aldeias.   Cubata é coberta com folhas de palmeiras.

         Capítulo 22 – O amor e outras mentiras  - Os papeis da PIDE – 11

         Ano de 1973.    O da polícia política.

         “Retirei da minha maleta um livro que os nossos serviços de censura tinham recolhido na livraria Salema.    Tinha por título Capitães da Areia e o autor era um tristemente célebre comunista brasileiro chamado Jorge Amado”.   Neste tempo o livro citado era proibido em Portugal e em suas colônias.

         Dá pane no poeta ao receber o livro do policial.   Desmaia.  Chama-se um médico.        

         O médico puxa a orelha do poeta que andava fugindo de retornar à consulta e não andava bem de saúde.   O poeta argumenta:   “É verdade, doutor, ando com problemas de memória.  Tenho-me esquecido de ficar doente”.    O poeta defendia a necessidade de ter uma doença.  Justifica:

         “Há dois inimigos da inspiração poética:   o primeiro era ser saudável num mundo tão doente; o segundo era ser feliz num mundo tão injusto”.

         O por quê do não retorno ao médico:  Quando eu ia, lá só tinha pacientes da estrada de ferro, todos brancos.   Não se via negros.   “Se eles não adoecem, eu também quero ser negro”.

         O marido poeta já doente e não largava de fumar.   Tanto a mulher dele reclamou. Mas...   “A certa altura, deixei de me importar.   Era melhor o cheiro do tabaco que o perfume das amantes que ele trazia agarrado no corpo”.

         Capítulo 23 – O ciclone -    Beira, março de 2019

         Lá na região a cada uma porção de tempo ocorre ciclone que causa enormes estragos.    Em 2019 houve um que foi arrasador.

         Epílogo – O último interrogatório  - Beira – março de 2019

         O Inspetor velho recordando.    “...sempre me senti derrotado.   Comecei a perder vitória.   A minha mulher escapou-me, da pior maneira que pode suceder: desistiu de ser ela mesma.   Enlouqueceu...”

         A Vitória teve uma filha mulata, a Ermelinda.   Nome português e lá em Moçambique os nativos não tem a pronúncia do erre e então ficou como Almalinda.

         No passado o Inspetor desprezava Ermelinda.  Depois que ela morreu assassinada, ele mudou de comportamento.    “No dia que mataram Ermelinda, nesse dia ela nasceu como minha filha.   Pela primeira vez eu era pai”.  (fora do casamento)

         O velho inspetor confessa que no passado tinha uma atração pelo poeta Adriano.   E um dia visitou Sandro, filho de Adriano e teve um caso com ele sonhando com Adriano.

         O inspetor já em Portugal.   O exército nunca chegou a me prender.   “E não era necessário.  Eu já estava aprisionado no meu passado”.

         O antigo inspetor confessa e pede sigilo a Diogo, filho de Adriano.  Foi ele que pagou secretamente os estudos de Benedito Fungai.  No passado a polícia matou o pai dele por ter testemunhado o crime dos policiais ao matarem Almalinda.

         Liana, filha de Almalinda diz que como punição ao Inspetor vai escrever a história dele.   E ele tinha cedido a ela toda a papelada.  Ele diz à neta.    “Mas devo dizer-te uma coisa – avisei – Não é reproduzindo a minha história que te vais curar.  É escrevendo a tua história”.    Pela primeira vez Liana escutou o meu conselho.    O livro dela:    O Mapeador de Ausências”.   (este que estamos lendo).

         O desfecho -   “A história do que fomos e de quem somos”.    “Esses anônimos guardiões das histórias buscam, entre os escombros, a palavra redentora.   Eles sabem:   tudo o que não se converte em história se afunda no tempo”.

                            Fim.            Término da leitura dia 08-02-2022

                                                                                                                                                                 orlando_lisboa@terra.com.br 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

CAP. 09/10 - fichamento - livro - O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS - autor moçambicano - MIA COUTO

 capítulo 09/10                    leitura feira em fevereiro de 2022

 

 

         Logo que Almalinda voltou para Moçambique, foi trabalhar numa boate.   Dali dois meses, estava morta. (“caída” do quinto andar...)

         O jornalista vê Soraya e Liana se abraçarem e chorarem juntas o fim de Almalinda.  Ele:   “Por um momento sinto inveja daquela habilidade.   Chorar é um modo de falar.   O meu corpo não tinha acesso a esse idioma”.

         Capítulo 16 – A descida aos céus – Os papeis da PIDE -8

         No prédio da Beira, Almalinda, aos 22 anos, dançarina de boate, foi asfixiada com fita adesiva no pescoço e tem sinais de que ela lutou para se livrar.    Depois jogaram ela pela janela do prédio.   A colega dançarina também tinha morrido da mesma forma não fazia tempo.   Eram vizinhas de quarto no prédio.

         Sobre a morta atirada do quinto andar do prédio.   “Os moradores do prédio falaram todos ao mesmo tempo, parecia que tinham medo do silêncio que escapava da falecida”.

         Capítulo 17 - Os que escutam a pólvora.     Inhaminga  - março de 2019

         Em 2019 o protagonista Diogo, Liana e Benedito partindo de Beira para Inhaminga.   Benedito pede a Diogo que recite poesias enquanto dirige, como fazia Adriano, pai de Diogo no passado no mesmo percurso.   Diogo confessa a Benedito.   “Às vezes sinto vergonha de ter sido seu patrão”.

         Benedito a Diogo sobre o tempo sofrido da guerra (anos 70).    “Aceitar que toda nossa vida tivesse sido um inferno seria dar um prêmio aos opressores”.

         O povoado de Inhaminga feito frangalhos após duas guerras.   Casas sem telhado, paredes com marcas de balas, sem energia elétrica...   “Bendito Fungai sugere que não procuremos a vida nas casas.  Procurássemos Inhaminga nas pessoas, nos laços sociais que escampam a quem está apenas de passagem.

         Nesta visita de 2019 o pai de Benedito, o Sr Capitine já é falecido e o filho foi ao cemitério para reverenciar o pai.   Fala do coveiro, fala dos mortos nas duas guerras:   “A vida aqui é uma outra guerra – acrescenta”.   “A gente chega a ter vergonha de ser um sobrevivente – concluiu o coveiro”.

         Capitine foi assassinado dois dias após presenciar a morte suspeita da dançarina Almalinda.    Ele viu a polícia levar o corpo e apagar pistas para não levantarem suspeitas.    A boate era vizinha do cemitério e ele era coveiro.

         Em Inhaminga há o paredão de fuzilamento.    O Diretor da escola foi do pelotão de fuzilamento nos anos de guerra e não quer prosa sobre o passado.   Benedito também tem suas razões para não mexer mais no passado.   E fala a Diogo...    “vivemos em sentidos opostos.   Tu queres lembrar.   E eu quero esquecer”.

         Quarenta anos atrás, Benedito saiu de seu povoado Inhaminga para fugir da guerra.

         Capítulo 18 – O chão do corpo.  Apontamentos autobiográficos do Inspetor Óscar Campos  -  Os papeis da PIDE – 9

         Segundo fragmentos da autobiografia de Óscar Campos, de 1951.

         Voltamos a Inhaminga de 2019.

         O Inspetor da Polícia Óscar Campos era o pai de Almalinda, fora do casamento.

         Sobre as guerras e os que ficam e os que partem da terra por causa destas.     “A guerra tem costas largas.  Usamo-la para explicar o que sucedeu e para justificar o que não aconteceu”.

         A dedicatória do pai ao filho, fruto das escapadas do pai.          “Querido Sandro, escrevi livros porque nunca soube ser autor de minha vida.   Espero que sejas autor dos seus sonhos”.

         Árvore de casuarina.   Digo como leitor que essa árvore deve ser bem frondosa e de destaque em certas regiões da África porque a mesma é bem citada nos mitos dos povos originários.

         Capítulo 20 – A culpa dos inocentes  - Os papeis da PIDE – 10

         Ano de 1973  (tempo de guerra).

         Virgínia na Delegacia brava e o marido preso.   Ela quer que ele fique por lá preso mesmo.   “Se quiserem castiga-lo tirem-lhe tudo que é papel e caneta.   Ele que apodreça, mais a porcaria da poesia”.

         O filho falando com o pai infiel preso.

         - “Volta para casa, pai.   A mãe vai perdoar-te”. Ele responde:   - A mãe é uma mulher de paixões.   E a paixão não chama o perdão.   Atrai, sim, vingança.

 

         Continua no capítulo 10/10 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

CAP. 08/10 - fichamento - livro - O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS - Autor moçambicano MIA COUTO

 capítulo 08/10

  

         Os domesticadores de milagres   - cidade de Buzi, março de 2019

         Estão na vila do Buzi à margem do rio do mesmo nome.

         Na época da tentativa de suicídio da mãe de Liana, o pai de Almalinda (Ermelinda) ficou sabendo que ela foi salva por um pescador no distante rio Buzi e foi lá rever a filha.   Ela logo o acusou pela tentativa de suicídio e pelo suicídio do noivo dela (ele era preto), ela sendo mulata e o pai, branco.

         O pai resolve depois voltar para sua cidade e pagou para que os que a acharam se calassem.    A mãe de Almalinda teve que ser internada num hospício por conta da tragédia.

         O pai pensa em contar a ela que a filha não morreu e a esposa sararia e voltaria para casa.  “voltaria para casa para me atazanar o juízo”.

         Nos ventos que  prenunciam um furacão. “Há uma chuvinha que vai tombando sem saber onde cair”.

         Tradição local.   Enterrar as crianças perto do leito dos rios, em terras úmidas.    “Não se enterra em terra seca quem ainda não é pessoa”.

         “A vida é um percurso da água para a terra, do barro para o osso”.

         Capítulo 14    Os que nascem com raça.   (os papeis da PIDE-7)

         A PIDE é a polícia do colonizador.

         Anotações de viagem do meu pai a Inhaminga.   Viaja só Adriano e Benedito.   Diogo não foi daquela vez.   Benedito no banco da frente pela primeira vez.   O guarda da barreira (branco) fica bravo por causa do branco estar andando com um preto no banco da frente do carro.

         Deixou passar porque o motorista era jornalista, mas com muita má vontade por deixar um jornalista ir pra região do conflito e ainda essa de carregar um preto no banco da frente.

         Foram pra falar com Maniara, a madrasta de Benedito.

         A vizinhança da aldeia de Inhaminga onde vive Maniara e seu povo.

         “Havia ali tão pouca terra que a qualquer lagoa se dava o nome de mar.”    Ela exemplifica a vida de uma mãe na aldeia dela e os conflitos e riscos para os filhos.

         “Transitava de um filho morto para um outro que ia morrer”.    Maniara fala.   “Com esta mão abro a luz; com esta outra, fecho o escuro”.  O filho Benedito explicou:  - “Minha mãe está a dizer que tem dois serviços:  é parteira de  dia e enterradeira à noite”.

         O jornalista reparte o lanche com Benedito que estranha o gesto do patrão.   Depois vai lavar os pratos e Benedito, de novo, fica indignado.

         O jornalista avisa...  “hoje o teu serviço vai ser o de contares a história da sua mãe”.

         A mãe biológica de Benedito morreu ao pisar numa mina explosiva.  Daí ele ficou com a mãe adotiva, Maniara, com quem no passado o pai dele teve um caso.   Desse caso, nasceu um filho que já em seguida morreu.   Na casa de Maniara, o jornalista se reencontra com Sandro e este estava vestido de mulher e fazendo trejeitos femininos.

         Depois de breve conversa entre ambos, o jornalista resolve voltar para casa.   Vai dizer à esposa que Sandro se juntou à guerrilha da Frelimo Frente Nacional de Libertação de Moçambique.

         Capítulo 15 – Uma chaga na pele do tempo -  Beira, março de 2019

         Visitam a casa da cabeleireira Soraya em busca de pistas da mãe de Liana.   Ela vendo na TV a fala de um bispo protestante brasileiro.  Desliga a TV para falar com as visitas.  Diz que aprende português brasileiro com os pregadores e as novelas do Brasil.

         Soraya se gabando do corpo que ela julga em dia.  O segredo seria nunca beijar na boca os fregueses como as outras fazem.   E acrescenta o resultado negativo nas que beijam:   “Havia de as ver, andam com o corpo pendurado no pescoço”.

         Liana diz a Soraya que é filha de Almalinda, amiga e colega de prostituição de Soraya.   Do baú, Soraya tira um vestido que foi de Almalinda no tempo das danças na boate.

         Almalinda quando bebê foi enviada para um orfanato em Moçambique depois que a mãe dela morreu em um manicômio.   Em seguida foi enviada para Lisboa.   Aos 15 anos, ela resolveu voltar para Moçambique para morar com o pai.   Ela era linda.   O pai não teve os cuidados paternos com ela, apesar de lhe pagar os estudos.   Era linda e de pele escura e cabelos encaracolados.

         Voltou depois do afogamento para o orfanato em Lisboa.  Ao completar 18 anos, os enfermeiros do orfanato tocaram nela e lá havia uma prática de uma vez por mês uns homens virem escolher as “mulheres de aparência” e levavam sem volta, não se sabia para onde.     Voltou mais uma vez para Moçambique depois de ter uma filha em Portugal e de fazer Secretariado.

         Continua no capítulo 09/10

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

cap. 07/10 - fichamento - livro - O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS - Autor moçambicano - MIA COUTO

capítulo 07/10

 

         Papel 20 – Excerto do meu diário.  A avó, o mar e os fatos

         Diogo usava consumir flocos de aveia no café da manhã.

         Juliano, o preto velho que sempre foi empregado da avó Laura de Diogo.   A avó dizendo que o marido queria despedir o empregado porque ele estava muito velho e que por isso não ajudava em nada.    ...”este preto – que todos dizem não ser já de nenhum préstimo – todos os dias nos traz uma história”.   A patroa, avó Laura, vê isso como um grande serviço.

         “Não imaginas como preciso escutar essas histórias”.

          Capítulo 11 – Os domadores do caos   -  cidade da Beira, março de 2019

         O velho farmacêutico militante do passado, natural de Goa, que foi província portuguesa no sul da Índia.   Benedito levou o Diogo para visita-lo, estando então o velho acima dos noventa de idade.

         “Estou velho e tão magro que já tenho mais ossos do que palavras.”

         O velho Natalino que foi um dos agitadores da revolução e era comunista.

         Em 1962 a Índia tomou o governo de Goa e Natalino foi preso por uns tempos.   “Nunca Natalino disse uma palavra sobre o que tinha padecido no cárcere”.  Não há lamento mais digno que o silêncio.

         Era o que ele sempre dizia.     Em certo momento, Diogo esperando o barco.   – Que horas parte este barco?

         O marinheiro responde:   “O horário aqui, meu boss, é quando aparecer o último passageiro.  O barco fica cheio e nós arrancamos pontualmente”.

         O Diogo pergunta qual a lotação do barco e vem a resposta:   “O limite máximo pode chegar a uma média de vinte e tal pessoas.  Mas aguenta até cinquenta, dependendo da ventania”.    Esta viagem que vão fazer demora ao redor de três horas rio acima.    “No mar é como na caça: contam-se histórias”.

         Ventania, ondas fortes, água entrando no barco.   O piloto diz:   “Este barco é uma igreja flutuante, reza-se mais aqui que nas igrejas”.   “Um dia começo a cobrar o dízimo”.

         O guia que é da região da terra visitada vai parando para conversar com cada conhecido que não vê há tempos.  E a prosa tem assuntos de colheitas, saúde dos amigos etc.

         Na repartição pública “na parede lateral está suspenso um relógio antigo.   Está avariado, os ponteiros estão mortos”.

         Termo mizungo, equivale a mestiço.

         A viagem de barco foi de Beira até Buzi, sendo uma viagem por um rio e seu afluente.  Foram buscar informações sobre a mãe de Liana.    A que se atirou no mar junto com o namorado, ambos amarrados juntos para se suicidar porque os pais não deixavam eles se casarem.

         Capítulo 12 – Se os mortos não morrem.   Quem é dono do passado?

         Os papeis da PIDE – 6

         Adriano, pai de Diogo, era ateu.   “Estou a chegar aos cinquenta anos, altura em que a idade se vai tornando uma doença.”

         O desprezo da candidata a sogra portuguesa em relação a alguém (alguma pretendente) “de menor estatura”.    A sogra ao conhecer a futura nora:   “Tantas moças do nosso meio e foste buscar uma rapariga da aldeia!”

         A nora em carta à sogra depois de muitos anos.   Chorei e chorei muitos anos...  a senhora me obrigava a sentir vergonha de mim mesma”.

         Carta do Inspetor de Polícia – Óscar Campos

         O inspetor vê na rua protestos de brancos contra o exército que está supostamente lutando para defende-los.    “Alguém disse que a esperança alimenta multidões.”   Pois eu digo:  “O desespero cria exércitos alucinados”.   Estes protestos atingiram a honra da corporação. (do exército).

         “A Beira nunca foi nossa.   Eles elegeram o candidato da oposição.   O quase cego da família, um octagenário  ... “ser quase cego é pior que ser completamente cego...   “a cegueira total inspira compaixão.   Mas não ameaça ninguém.  A cegueira incompleta suscita meto.   Entre os da nossa família, nós nos indagávamos o que é que esse nosso tio era capaz de ver”.

     Um paralelo do militar.   Entre nós militares neste tempo de guerra.   Quem é o inimigo?

         Um dia o Inspetor devolveu o caderno de poesias inédito que tinha confiscado do poeta.   Ele não estava em casa e a esposa dele recebeu o caderno.    Estava sendo pintada a casa dela e ela, irada, pegou o caderno e enfiou dentro da lata de tinta.

         Continua no capítulo 08/10 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

CAP. 06/10 - fichamento - livro - O MAPEADOR DE AUSÊNCIAS - Autor moçambicano - MIA COUTO

 capítulo 06/10                    (leitura em fevereiro de 2022)

  

         Voz do comando das tropas:    “Se derem atenção aos pretos, eles desatam a contar-nos histórias e acontece como nas Mil e Uma Noites:   nunca mais vocês os matam”.

         “Ainda bem que eles falam outra língua, disse o capitão.   Se os entendêssemos, nesse momento deixariam de ser inimigos”...

         Sandro que é gay e soldado quer como soldado deixar a causa dos colonizadores e passar para o lado da guerrinha armada pelo seu povo.

         Sandro em carta fala ao seu tio adotivo Adriano Santiago que é jornalista e poeta:    “Quando pensa poeticamente o tio diz coisas acertadas”.

         Papel 17 – Excerto do meu diário  - Teatro de sombras – ano 1973

         ...................     Capítulo 9 – Os fintadores do Destino

         Cidade da Beira, março de 2019

         Liana pede para o jornalista Diogo falar com o padre Martens no telefone.    – Como você descobriu o padre Martens?   Resposta dela:  Milagre chamado internet.    “É uma seita com mais seguidores que qualquer religião.   E já tem fanáticos...”

         As fotos secretas que eram para Adriano, lá no passado entregar a um revolucionário.   Adriano se enganou e entregou fotos de mulheres bonitas no lugar das fotos relativas à revolução.

         Benedito agora, 2019, é do Partido que está no poder na Moçambique independente.   “O seu amigo agora é uma pessoa importante”.     O reencontro entre Benedito Fungai e Diogo depois de mais de quarenta anos.

         Diogo em reflexão:   “E vejo nele como eu próprio envelheci”.   Homens andando de mão na mão é costume em nossa terra.

         Benedito, no passado, criado por patrões portugueses, tinha vontade de ir para a guerrilha.    “Foi assim que aconteceu – diz Benedito – Em casa de portugueses aprendi que era moçambicano.”

         Mais adiante, Benedito já na guerrilha, comunica ao pai que passou a lutar pela liberdade.   O pai diz:   - Pobre do povo que é oprimido – vaticinou Capitine – E mais pobre o povo que tem que ser libertado”.

         Diogo e Benedito recordando em 2019 na infância e os tempos das peladas de futebol.   Entravam em campo em fila como se houvesse torcida.   O Diogo puxava a fila e os meninos o aplaudiam muito.   “Na altura eu não percebia:  não aplaudiam o jogador, mas o dono da bola”.

         Um dia receberam um time de meninos ricos, todos brancos.   O time do Diogo era de povo simples, mesmo todos brancos, menos o Benedito, que jogou no gol.

         Passados muitos anos, Benedito já autoridade na cidade, no campinho pede para o Diogo contar um causo da infância deles num jogo de futebol.   Contar para o jovem sobrinho de Benedito.    O jovem ouve o causo e depois volta ao jogo.  Benedito diz ao amigo:  “Tenho inveja de ti.  E não é a fama, não é o sucesso.    Imagino um escritor como alguém que vive a vida dos outros.

         Benedito conta ao amigo Diogo que Sandro era na verdade filho do pai de Diogo com uma amante.   E que ela era dançarina de cabaré.   Virgínia, mãe de Diogo inventou a história de acidente de automóvel dos pais de Sandro.   Isto foi para enganar os vizinhos sobre o caso.

         Sandro então, por parte de pai, era o único irmão de Diogo e ele não sabia.   Cresceram “primos” juntos.

         Capítulo 10 – A espera do fim do mundo

         Os papéis da PIDE – 5

         O Papa Paulo VI pediu aos padres que atuavam em Moçambique que não abandonassem o país quando este passou pela revolução de Independência.

         Parte 19 – Carta do Inspetor de Polícia – Campos

         Na rebelião popular  (anos 70) o exército prendeu todos os suspeitos em Inhaminga.  Era muita gente.    Mandavam os presos para trás do hospital.  Faziam os presos abrirem a própria cova e depois eram fuzilados.

         A família dos executados vinham à polícia em busca de informação e eram informadas de que os presos estavam “desaparecidos”.   Que tinham ido ao mato buscar lenha...

         Entre os executados...  “havia ali velhos, mulheres, rapazitos”.

         O agente em carta reclamou ao seu superior.   “Não poderíamos matar tanto e tão a eito”.

         As execuções começaram a causar mal estar nas tropas portuguesas.    Os soldados portugueses tinham colocado muitas minas terrestres na região do conflito em Moçambique.

        

         Continua no capítulo 07/10