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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

CAP. 8/8 (final) - fichamento do livro - PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM - autora: CLARICE LISPECTOR

 capítulo 8/8 (final)                    Leitura em dezembro de 2023

 

         Capítulo – A víbora

         ...à noite, na casa.       ...”tinha consciência do resto da casa que se perdia na escuridão, os objetos sérios e vagos flutuando pelos cantos.”

         Na casa com Otávio, divagando...

         “Largassem-na no deserto...  Tomar uma trouxa de roupas, ir embora devagar.  Não fugir, mas ir.  Isso, tão doce:  não fugir, mas ir...”

         Joana diz para Otávio que quer ter um filho dele.   Ele acha estranho isso porque percebe que o relacionamento deles está na reta final.

         - “Só terminará quando eu tiver um filho, repetiu ela, obstinada.”

         Ela diz...   ... depois de um filho nada nos restará senão a separação...

         - “E o filho? – indagou ele.  Qual será o papel do pobre em todo este sábio arranjo?

         - Oh, ele viverá – respondeu.       ... ela ... cheia de piedade   ... apertou os lábios, confusa – um amor cheio de lágrimas.”

         - “Você bem sabe que não se trata disso.   Oh, Otávio... Murmurou depois de um instante, as chamas subitamente reavivadas – que nos acontece afinal, o que nos acontece?

         A voz de Otávio era áspera e rápida quando respondeu:   - Você sempre me deixou só.

         ... – “Não  .. assustou-se ela.   -É que tudo que eu tenho não se pode dar.  Nem tomar.   Eu mesma posso morrer de sede diante de mim.   A solidão está misturada à minha essência”...

         ... seguiu o diálogo todo truncado...

         “subitamente compreendeu que Joana iria embora.”  “Sim, ele continuaria.  Havia Lídia, o filho, ele mesmo”.

         ...” A indefinível sensação de perda quando Joana o deixasse.”

         Ele em pensamento:  “Minha, minha, não partas!” – implorou do fundo do seu ser”.

         “Mas ele não pronunciaria tais palavras porque desejava que ela partisse, não saberia o que fazer de Joana se ela ficasse”.

         - Quer mesmo um filho? – perguntou ele porque, medroso da solidão em que avançara, quis subitamente ligar-se à vida, apoiar-se em Joana até para poder em Lídia, como quem quer atravessar um abismo agarra-se às pedras pequenas até galgar a maior”.

         - Nós não saberíamos como faze-lo viver... veio a voz de Joana.

         Otávio, transtornado, ferve os nervos:  - Foi tua tia quem te chamou de víbora.  Víbora, sim!  Víbora! Víbora! Víbora!

         Depois ele se acalmando.   “Os dois mergulharam em silêncio solitário e calmo”.

         Capítulo  -  A partida dos homens

         Joana após a partida de Otávio.    “Tomou consciência da solidão em que se achava no centro de uma casa vazia”.

         Otávio estava com Lídia, grávida...

         ... Haveria de reunir-se a si mesma um dia, sem as palavras duras e solitárias.

         Capítulo – A viagem

         Aceitou sua parte na herança.   Viajando de navio.   Joana sempre em suas elocubrações...

         “Deus meu, eu vos espero, deus, vinde a mim, deus brotai no meu peito, eu não sou nada...”    ... não tenho alegria e minha vida é escura como a noite sem estrelas”...    “esse orgulho de viver me amordaça, eu não sou nada...”

         “Porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte – sem – medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo”.                             FIM

 

         No Postfacio do livro há o comentário de Nádia Battella Golflib

         Ela discorre sobre a autora e esta obra e no contexto coloca um perfil:

         “Joana é uma personagem intensa e pautada pela complexidade.   Múltipla.  Quer e não quer.  Pode tudo.  Mas não pode.  Segue.  Mas não chega.  Deseja.  Mas não deseja mais.  Não seria esse o próprio risco do intrincado bordado da vida, com avanços e recuos?”

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