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sábado, 16 de agosto de 2025

Cap.6/12 - fichamento do livro - VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA _ autor: botânico francês - SAINT-HIRAIRE (anos 1816-1822)

 capítulo 6

        

         “A comarca de Curitiba contava em 1813 com 36.104 habitantes”.

         “Em 1838 ela se compunha de Curitiba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina, Vila Nova do Príncipe (Lapa) e Castro.”   Mais para o interior, a oeste era tudo não colonizado.  

         O povoado de Apiai (SP) no vale do Rio Ribeira era o mais próximo da província de São Paulo em relação a Curitiba.

         “Em 1818 a varíola devastou a região”.   O autor cita estatísticas das pessoas e das profissões da região na época.  (páginas 75 a 77)

         Ponta Grossa era um distrito de Castro (1820).   Em Curitiba, as mesmas culturas como milho, feijão, trigo, fumo etc.

         Destaca na região a produção de mate “que constituiu importante produto de exportação”.

         Produção de lã de carneiros.   Produzem cochonilhos para colocar em cima do arreio para cavalgar.   Vendiam muito na região e em Sorocaba que era um grande entreposto de vendas de tropas.

         Em 1820 já não se explorava mais ouro na região de Curitiba. 

         Muitos homens brancos, altos ...”e eles não mostram o menor sinal daquela bazófia que comumente torna insuportáveis os empregados e os comerciantes da capital do Brasil”.

         As mulheres...  “elas são menos arredias e sua conversa é agradável”

         Os imigrantes europeus, não portugueses dão apelido injurioso aos portugueses, chamando-os de emboabas.   Emboabas eram aves que tinham penas até nos pés.   Os portugueses usavam botas de cano alto e polainas e assim ganharam o apelido.

         Pessegueiros abundantes porque em certo tempo o capitão mor obrigou os agricultores a planta-los.

         “Tirania do Coronel Diogo...”    faz relato.

         ...”Passei nove dias em Curitiba”.

         Índios coroados de Guarapuava.   O termo coroado seria porque os índios com o cabelo comprido enrolavam o mesmo de forma a ficar coroado.

         Os índios faziam com o milho ou a mandioca, uma bebida chamada cauim que era alcoólica e causava embriaguez.

         Em Curitiba ficou hospedado pelo Sargento Mor José Carneiro.

         Capítulo VII   Paranaguá – Descida da Serra do Mar

         Logo após Curitiba no rumo da Serra, passa pela fazenda da Borda do Campo.   Esta foi dos Jesuitas e era produtiva e lucrativa.

         Depois que os Jesuítas foram expulsos do Brasil, a Coroa passou a administrar a citada fazenda e então esta ficou mal cuidada e deficitária.

         ...”São conhecidos o descaso e a má fé com que era administrado o Brasil, sob o governo de Portugal, tudo o que se relacionava com o serviço público.”

         Na época a distância de Curitiba a Paranaguá era pelas vias de então, ao redor de 110 km.

         Em Minas Gerais chamavam o mate de congonha.   Em MG usavam uma planta local parecida com o mate mas que era de outra espécie.

         O pesquisador observou que por aqui o preparo do mate na região era inferior ao sistema do Paraguai, sendo que neste o produto ficava melhor.

Melhorado, o mate era mais bem aceito em Buenos Aires e Montevideu.

         Na página 91 desta edição, o autor explica em detalhe o barbaquá que era uma estrutura de madeira para o sapeco do mate.   Depois de exposta ao fogo, era socada para virar pó.

         Cita a região de Curitiba produzindo por ano 300.000 a 400.000 arrobas de mate.   (uma arroba = 15 kg)

         Relata no trecho da Serra, o majestoso Pico Marumbi.

         O Bispo do Rio de Janeiro, José Caetano da Silva Coutinho.   Este teve a ideia de conhecer a sua imensa diocese.  Para isso, teve que descer a serra entre Curitiba e Paranaguá.   Levavam ele numa rede.   Em certo ponto os carregadores reclamaram de forma bruta, que o bispo era muito pesado.   Este ficou muito aborrecido e mandou parar a marcha, desceu da rede, pegou um bastão e apoiado nele desceu a Serra à pé.

         Por várias ocasiões o pesquisador conversou com o Bispo sobre as andanças de ambos por várias partes do Brasil.

 

                                      Continua no capítulo 7/12

domingo, 10 de agosto de 2025

Cap.5/12 - fichamento do livro - VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA - autor: Botânico francês SAINT-HILAIRE - (1816-1822)


         Lapa ou Vila do Príncipe.  Página 61

         Cita uma região de sertão entre a Lapa e Lajes.   O autor explica que particulares tinham concessão para cobrar com suas milícias os impostos das tropas que transitavam pela região.  Geralmente vindas do sul para Sorocaba-SP onde eram revendidas.     Concessão para cobrar imposto e para ter armazém para suprir os viajantes.

         Cap V – A Parte do Território de Curitiba situada entre a cidade e os Campos Gerais

         Sítio de Itaque, pertencente ao Capitão da milicia chamado Veríssimo.

         O autor cita que constatou que no geral os imigrantes portugueses eram menos laboriosos que os franceses e alemães.  Por outro lado os portugueses eram mais laboriosos que os brasileiros.

         Cita Campo Largo no roteiro dele.    Descreve as terras do Coronel da milícia Inácio de Sá e Sotomaior.

         As tentativas de fazer vinho em terras de lugar muito chuvoso e frio.  A falta de calor dava baixo teor de açúcar na uva e também retardava a fermentação para obter o vinho.

         O hospedeiro dele recebeu visitas em casa, compostas de homem, esposa e filhos.   Ele disse que esse tipo de visita não ocorria no interior de Minhas Gerais.   Geralmente só o homem visitava outras famílias vizinhas.

         As crendices absurdas do povo local: “almas-de-outro-mundo, duendes, lobisomens...”.  Todos acreditavam.

         Capítulo VI  - A cidade de Curitiba e seu distrito

         Curitiba em guarani – curii – pinheiro e tiba – reunião.    Diz que a cidade começou no passado a ser povoada mais perto da Serra do Mar com o nome de Vila Velha.   Depois, segundo uma lenda, a Nossa Senhora da Luz da capela local olhava sempre para outro lugar e assim o povo mudou o povoado para onde hoje em dia fica a cidade de Curitiba.   (página 70)

         São Paulo quando dividiu em duas comarcas, teve a do Norte, cujo ouvidor ficava em São Paulo e a comarca do Sul, cujo ouvidor ficava em Paranaguá.     (caminhos por terra eram raros e o Rei no Rio de Janeiro teria mais facilidade de administrar a região por via marítima, daí Paranaguá).

         Curitiba como sede de comarca:  “Dois juízes ordinários faziam os julgamentos de primeira instância e presidiam, de acordo com o costume, a câmara municipal.   (nesse tempo não havia prefeitura).

         Europeus chegaram a Paranaguá e não encontravam um clima salubre e propício para saúde e para seus cultivos usuais na Europa.    Mesmo tendo o difícil caminho da Serra do Mar, acabavam optando por morar em Curitiba onde o clima de altitude é mais ameno e o terreno é mais plano e propício para as culturas como peras, pêssegos, maçãs, uvas etc.

         “A cidade tem uma forma quase circular e se compõe de 220 casas no ano de 1820.   Casas pequenas e cobertas com telhas, quase todas de um só pavimento, porém um grande número delas, feitas de pedra”.  (página 71)

         Nos quintais, frutas como macieiras, pessegueiros e outras árvores europeias.

         A igreja paroquial é dedicada a Nossa Senhora da Luz.   Cidade geralmente com moradias de agricultores.    A cidade fica deserta durante a semana e os moradores vem nos domingos e dias santos para assistirem a missa.

         Poucos ricos na cidade e redondeza.   Geralmente na sala, apenas uma mesa e alguns bancos.

         Curitiba enviava para a cidade de Paranaguá produtos como toucinho, milho, feijão, trigo, fumo, carne seca e mate.

         Em 1820 os povoados longe do litoral do Brasil, pela precariedade das estradas, raramente chegavam aos portos marítimos.      Curitiba, apesar da dificuldade de caminhar pela Serra do Mar, conseguia negociar com o litoral e neste, com Paranaguá.

         Da Lapa em diante, rumo ao sul, 60 léguas (6 km cada) pelo sertão de Viamão.   Trecho precário e infestado de índios selvagens.

         Outro caminho de Curitiba rumo ao sul passava por São José dos Pinhais que já era paróquia em 1820.   Rota rumo a São Francisco do Sul no litoral de Santa Catarina.

         Apesar de menor, a povoação de São José dos Pinhais era mais antiga que Curitiba.

                            Continua no capítulo 6


quinta-feira, 7 de agosto de 2025

capítulo 4/12 - fichamento do livro - VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA - autor - Pesquisador francês - SAINT-HILAIRE - (anos 1816-1822)


  1. Chegou em Castro e o povo local estava em polvorosa por conta do recrutamento compulsório para a construção da estrada até Guarapuava. O severo coronel Diogo recrutando pessoas da região para abrir sem remuneração, a estrada para Guarapuava que era infestada de “índios bravios”.
  2. Os pais de família sumiam no mato para tentar escapar do recrutamento. Assim a vila de Castro ficou quase deserta. Muitas casas vazias.
  3. Capítulo IV - A cidade de Castro – Fim da viagem pelos Campos Gerais
  4. Castro antes se chamava Iapó, nome que faz referência a brejos.
  5. Em l788 Castro foi elevada a “a cidade ou arraial de Iapó”. Página 50
  6. Curitiba era a chamada Quinta Comarca da Província de São Paulo.
  7. Cita os frutos da planta cambui.
  8. Sobre Castro de então, “uma centena de casas em três ruas compridas.
  9. Sobre a igreja de Castro após o abandono do povo por conta do recrutamento forçado. “Depois que cheguei ao Brasil, vi poucas igrejas tão mal cuidadas quanto esta”.
  10. “Em 1820 a instrução pública era absolutamente inexistente em Castro e em todo o seu distrito”. Só passou a ter escola em 1830 ... só para meninos. Só em 1846, começou a ter escola para meninas.
  11. Ano de 1820 “Três ou quatro comerciantes, prostitutas e alguns artesãos constituíam praticamente toda a população de Castro”.
  12. Artesãos ligados a confecção ou reparo de arreios e apetrechos para cavalos de lida com gado. (seleiros)
  13. Castro – predomínio da pecuária e um pouco de lavoura. Milho, feijão, arroz e trigo.
  14. No sul de São Paulo já existia no Vale do Ribeira o povoado de Apiaí.
  15. Em 1839 Castro já tem cinco paróquias: Castro, Guarapuava, Belém, Jaguariaiba e Ponta Grossa.
  16. Em 1820, antes do recrutamento, Castro linha 5.000 habitantes entre brancos e escravos. (havia índios mas não eram computados)
  17. ...para 404 nascimentos num ano houve apenas 101 óbitos.
  18. Em Castro, se hospedou na casa do Sargento Mor José Carneiro, filho do Coronel Luciano Carneiro.
  19. Festa oferecida pelo anfitrião. Festa com música e danças, incluindo a chula. ... “belas modinhas... mas de um modo geral, nada é mais triste e monótono do que as cantigas populares das províncias que eu percorri”.
  20. O povo da atividade rural na festa declamava até poesias.
  21. Os chefes dos tropeiros evitam pousar perto dos povoados por causa das prostitutas. Estas deixam os peões desfalcados de dinheiro.
  22. Oito dias em Castro antes de seguir viagem. Segue depois até chegar à Fazenda Carambei. “carumbe” – tartaruga e “y” – rio na linguagem indígena.
  23. Sempre onde se hospedavam no trecho serviam refeições e chá mate.
  24. Numa fazenda onde se hospedou no trecho entre Castro e Curitiba, a dona da fazenda em conversa com ele perguntou se ele tinha mãe. Ela disse que uma mãe prefere ser bem pobre e ter o filho por perto do que ter riqueza e viver longe dos filhos. Ao ouvir isso, ele disse que encheu seus olhos de lágrimas.
  25. Após o pesquisador ouvir isso sobre mãe e filhos... “não segui os conselhos da minha bondosa hospedeira, e foi amargo o preço que paguei por isso”.
  26. ... na chamada Freguesia Nova, uma nova paróquia..... “o vigário se queixava da pouca vocação de seus paroquianos que não concordavam em fazer o menor sacrifício em favor da religião”.... e era a duras penas que o vigário os convencia a assistir à missa”.
  27. Nas outras andanças do pesquisador pelo interior do Brasil, sempre na missa ele via mais negros do que brancos. Já aqui nos campos gerais, ele via na missa mais brancos do que negros.
  28. Os fieis vinham a cavalo para assistir as missas. As mulheres para andar a cavalo usavam roupa especial.
  29. Destaca que nos campos gerais via muitas mulheres brancas bonitas.
  30. Cita ter passado por um lugar onde seria Palmeiras na região de Ponta Grossa.
  31. ...”o que me causava melancolia era a profunda solidão em que eu vivia habitualmente”.
  32. Fazenda Caiacanga. Pela língua indígena cai significa macaco e acanga, cabeça.
  33. Os da equipe dele apelidaram o pesquisador de Tenente Coronel e isso acabou abrindo portas para eles nos trechos. Chegam perto do Rio Iguaçu e cita que o rio nasce perto da Serra do Mar e segue para o lado oeste indo desaguar no Rio Paraná.
  34. Continua no capítulo 5/12 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Cap.3/12 - fichamento do livro - VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA - autor: Botânico AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE - (anos 1816-1822)

 capítulo 3                            agosto de 2025

 

         Pag. 31 das 210 -   Em Jaguariaiba (grafia da época) o autor diz que ficou na fazenda muito recomendada, pertencente ao Coronel Luciano Carneiro.   A casa que abrigou o pesquisador na fazenda era a menos precária de toda a rota dele desde Sorocaba-SP.   Por outro lado, era muito mais precária do que a maioria das casas do interior de Minas Gerais.

         Índios Coroados na região.  Numa ano de seca, matavam algumas vacas da fazenda de forma furtiva e eram caçados por soldados mandados pelo coronel fazendeiro.

         Os índios na região faziam casas coletivas.  Plantavam feijão e milho.

         Cita que nos campos gerais do PR a ocorrência do pequi de haste anã.  Eu, leitor, desconhecia o pequi por aqui.   Sabemos que o pequi de porte maior é bem utilizado no Centro Oeste brasileiro.

         ...  “em pleno sertão, de  repente me deparei com pastos cercados por valas”.     (eu, leitor, vi isso no atual Assentamento do Contestado no município da Lapa PR).     Pela citação do autor, era comum naquela época.

         O autor citando a casa onde ficou hospedado.   Era uma fazenda muito bem cuidada e a sede era de bom padrão.     Casa com amplo jardim, pomar e parreiras de uvas.  Nos pastos, capim-da-colônia, atual “colonião”.

         Isso na Fazenda Caxambu.   O dono tinha estábulo para os cavalos passarem a noite.   Os outros fazendeiros deixavam os cavalos nos pastos e cada vez que iriam usá-los tinha que usar laço para o acesso aos mesmos.

         Cana do Taiti, aqui chamada de cana caiana.  (Saccharum taitiense)

         Na Caxambu, pomar bem cuidado, laranjas até para fazer vinho.  Horta com couve, o que era raro na região, ter horta.

         Cada fazenda onde se hospedava o dono recomendava ele para a próxima acolhida.  Um guia do grupo dele ia na frente para ajustar o alojamento.

         Agora, na fazenda do Xavier da Silva.  Ele era português e cuidava bem da fazenda e dos seus escravos.  Um deles administrava a fazenda.  Os fazendeiros vizinhos não plantavam pomar mas quando recebiam visitas, iam buscar frutas na fazenda do Xavier da Silva.

         Capítulo II  -  Continuação da viagem pelos Campos Gerais – a Fazenda Fortaleza -  Ainda os índios Coroados.

         Sentiu ao deixar a Fazenda Caxambu.   A melhor hospedagem do trecho desde Sorocaba, como já foi dito.

         Página 38 -  “O Rio Caxambu contem muitos diamantes”.

         ...   Agora na fazenda do Tenente Fogaça.    Bem recebido pelos escravos mesmo o patrão não estando presente.

         O autor faz uma observação sobre os escravizados ao longo da viagem:

         “Se muitas vezes os negros tem um ar melancólico, sofredor e estúpido, e se chegam mesmo a se mostrar desonestos e imprudentes, é porque são maltratados”.

         Nove horas de caminhada por trilhas num só dia.   Se não tivessem a companhia de um guia local, teriam errado o caminho várias vezes.  Os caminhos são apenas trilhos e sempre cortados por muitos trilhos de gado nas pastagens, confundindo os viajantes.

         Nos campos gerais...    “ a gramínea vulgarmente chamada de capim frecha é a que mais ocorre na região de Jaguariaiba.

         Fazenda Caxambu, de José Felix da Silva, que é Tenente Coronel da milícia.   Famoso em São Paulo pela riqueza e pela avareza.    O pesquisador foi bem recebido e bem tratado na fazenda nos quatro dias que lá ficou.

         Na região, há as paróquias de Castro e de Tibagi.

         O autor cita a “língua geral” falada na época.   Nela tyba seria ponto de comércio.   (na minha terra natal da rota do tropeirismo próxima de Sorocaba, a expressão tiba significava algo cheio, abastecido).   Em tempo, sou natural de Cerquilho-SP.

         Local de nome Guartela.   “Não encontrei por aqui nos campos gerais nem mosquitos, nem carrapatos que proliferam nas regiões quentes, mas as baratas, infelizmente, são comuns aqui...”      ...”e as pulgas em quantidade sem igual...”

         Região de Guartela tinha a chamada Igreja Velha.   Os Jesuitas tinham estado por lá e se foram ao serem expulsos do Brasil.

         Cita o caminho difícil pela Serra das Furnas.  (há furnas ao lado de Vila Velha onde há os monumentos naturais de arenito perto de Ponta Grossa PR)

         Chegou em Castro e o povo local estava em polvorosa por conta do recrutamento compulsório para a construção da estrada até Guarapuava. 

 

         Continua no capítulo 4/12

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Cap.2 - fichamento do livro - VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA - autor - Botânico francês A. DE SAINT-HILAIRE (1816-1822)

capítulo 2

 

         Casas no trecho Sorocaba aos Campos Gerais do Paraná:   Casas com mobílias simples.   O mais requintado é o arranjo das camas.

         Gado manso e que se junta na hora que vem o sal para os cochos ou mesmo colocado no chão.

         Em MG o capim gordura é menos nutritivo e tem menos minerais do que os diferentes capins nativos dos Campos Gerais do Paraná.   Nestes, usam colocar sal pra o gado a cada dois meses ou em outros casos, até quatro vezes por ano.

         Comum o número de bezerros ser aproximadamente um quarto do número de vacas.   Há perda de bezerros por doenças, roubo, ataque de predadores silvestres etc.

         Como a grande maioria das gramíneas usadas nos pastos do Brasil, o capim gordura é também de origem africana.

         (1822-1826)  “Marca-se o gado com idade de dois anos e os touros são castrados para engorda aos quatro anos e após gordos, vendidos para o abate.

         O autor cita o método de castração dos bovinos na época.

         Página 18 -   Castração amarrando o animal derrubado ao solo, macetam os testículos deste, assim evitando sangramento e risco de pegar doenças ou ataque de larvas de insetos etc.

         Gado bovino e cavalos.   Cita de Jaguariaiva, a Fazenda do Coronel Luciano Carneiro que comprava tropas de burros do RS, domava e revendia na região ou no maior entreposto do ramo que era Sorocaba-SP.

         Página 19 -  Ele cita os detalhes de como se domava cavalos na região na época.

         Nos Campos Gerais era comum haver também rebanho de carneiros nas fazendas de gado.  Raro usarem a carne dos carneiros.  O uso destacado era da lã para uso em vestimentas em região fria como esta dos C. Gerais.

         O rebanho de carneiros é solto e à noite recolhido para um cercado para evitar predadores noturnos.

         Os carneiros procuram o sal mais que os bovinos.   Comumente fornecem aos carneiros o sal duas vezes por mês.

         Os pastos nativos dos Campos Gerais são bonitos mas menos floridos do que os do interior da França, terra do pesquisador.

         Usam fogo para queimar o pasto mais velho e esperam a rebrota mais verde e palatável para o rebanho.   Fazem isso em parte dos pastos para não faltar pasto para o rebanho.

         Os pastos da região recebem de passagem, tropas de burros que vem do RS na rota até Sorocaba-SP.  (Rota do Tropeirismo).    Tropas de 500 a 600 burros cada lote.

         “As tropas de burros chegam em fevereiro, depois de atravessarem o sertão de Viamão, entre Lapa e Lajes, onde perdem muito peso”.

         As tropas descansam até outubro nos Campos Gerais e depois seguem no rumo de Sorocaba.     Os peões que vieram do RS voltam para a origem e apenas uns dois seguem com outros peões contratados na região dos Campos Gerais.

         Página 21 -  Mata aqui cortada há dezoito anos, já está com exuberância próxima da original.

         O trigo na região já era afetado na época pelo fungo da ferrugem.

         O autor fala do manejo de lavouras, inclusive do tabaco (fumo).   Cita as culturas do cânhamo e do linho, plantas de fibras excelentes para fiação e tecelagem.

         Clima mais frio e mais chuvoso, certas frutas como as uvas dos campos gerais não são tão doces como as de clima mais quente e seco.

         Capítulo II -  página 25

         Começo da viagem pelos Campos Gerais – A Fazenda Jaguariaiba.

         Os índios Coroados.

         Fazenda de Caxambu.   Há o Rio Jaguariaiba nesta região.

         A cidade de Castro-PR.   Cita ainda no estado de SP o interior de Itararé com o rio do mesmo nome.  Rio que em certos lugares penetra no solo em região com cavernas.   O rio volta a correr na superfície mais adiante.

         A área dos distritos era enorme naquela época, há duzentos anos.

         O Rio Itararé separava os distritos de Itapeva com Castro.   Em outra direção, separava os distritos de Itu do distrito de Curitiba.

         Cita passar pelos rios Tibagi e Rio das Cinzas.  (conheço ambos).

         Na região de Jaguariaiva PR os campos tinham fazendas e certos lugares de morros, havia índios selvagens.    (os campos menos acidentados ficavam ocupados pelas fazendas e os índios eram alocados para lugares mais acidentados).

        

         Continua no capítulo 3 

sábado, 26 de julho de 2025

Cap. 1 - fichamento do livro VIAGEM A CURITIBA E PROVÍNCIA DE SANTA CATARINA - autor: Naturalista francês - AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE

 

                   26-07-2025

         Autor:  Auguste de Saint-Hilaire    (original de 1822)

        

         Faz pouco tempo que li e fiz resenha de outro livro dele que foi um grande pesquisador Naturalista com foco em Botânica.   Francês, andou por várias partes do Brasil nos tempos do lombo de burro em estradas precárias.

         As viagens dele se estenderam de 1816 a 1822.     O prefácio deste livro editado em 2020 numa das versões em português foi feita por um docente da USP, Mário Guimarães Ferri, datado de 1977.

         Cita a carta de Caminha na qual o escrivão de Cabral fala dos índios  e das demais riquezas do Brasil.   Cita o inhame como um dos itens de consumo pelos indígenas daqui quando da chegada de Cabral.

         Ferri cita uma série robusta de viajantes e pesquisadores que deixaram um legado importante sobre o interior do Brasil ao longo dos séculos.

         Destaca também a importância de Martius pelas viagens e relatos. Entre estes a publicação do livro Flora Brasiliae Meridionalis editada em Paris.  Período de 1824 a 1833...

         Sobre Saint-Hilaire...”O herbário aqui feito reúne 30.000 espécimes pertencentes a mais de 7.000 espécies, das quais cerca de 4.500 eram desconhecidas dos cientistas da sua época.

         Vamos ao autor e obra em si:

         Capítulo 1 -   Descrição dos Campos Gerais.

         Predominância de gente branca e poucos escravos.    Rebanhos bovinos numerosos.   Uso de fornecimento de sal ao gado poucas vezes por ano.     Culturas de milho, algodão, feijão, trigo, arroz, linho, fumo e frutas como banana, figos, uva, pêssego, cerejas, maçãs, romãs, peras etc.

         Solo e clima adequados a imigrantes Europeus de clima ameno.

         “Esses campos constituem inegavelmente uma das mais belas regiões que já percorri desde que cheguei na América”.

         Os campos são geralmente compostos de ervas baixas e poucas árvores.    Dá para criar gado sem fazer derrubada de mata.  Em geral terras cobertas por gramíneas dispersas.

         Poucas casas na zona rural, mas estas geralmente são bem cuidadas.   Rebanhos de gado requerem relativamente pouca mão de obra.

         Cita a exuberância das araucárias nos Campos Gerais.   O nosso pinheiro do Paraná que não é só daqui, mas de regiões mais ao sul e locais de altitude.

         Os pinhões das araucárias vem de longo tempo sendo importantes na alimentação dos indígenas e depois também dos colonizadores.

         Os indígenas chamavam os pinhões de “ibá” ou frutos por excelência.

         Pela utilidade da araucária o povo tem poupado a planta e só cortam em caso de real necessidade, constata o autor.

         Araucárias se dão bem em terrenos arenosos e isto indica que estas terras não são tão boas para a agricultura.

         Rios e riachos com pouco lodo.   Leito destes com pedras e água muito limpa.   Cita os rios Tibagi e Caxambu como lugares onde garimpavam diamantes.

         Nos Campos Gerais  (Região de Ponta Grossa, Castro, Jaguariaiva etc) o clima é temperado e nos tempos chuvosos estas são abundantes.   Diferente de MG e GO onde há longa temporada no ano que quase não chove.

         Clima ameno e agradável, sem as febres frequentes dos estados como MG e GO.   Cita o Vale do Rio Doce e do Rio São Francisco e as febres.

         Aqui há mais gente que alcança idade avançada.  As doenças mais comuns são bronquite, asma, hemorroidas e as famigeradas doenças venéreas, estas comuns nas demais regiões do Brasil visitadas.

         Brancos... mais altos... “tem os cabelos castanhos e as feições coradas, sua fisionomia traz a marca da bondade e da inteligência”.

         ...”as mulheres são geralmente muito bonitas,” ...  Os homens geralmente a cavalo, cuidando do gado.   Aprendem desde criança a cavalgar.  Geralmente são analfabetos, mas muito competentes na lida com o gado.

         ...”Encontrei por toda parte gente hospitaleira e boa, a que não faltava inteligência, mas cujas ideias eram limitadas que na maioria das vezes eu não conseguia conversar com as pessoas mais do que quinze minutos”.

         Quando conseguem algum capital, descem para o sul e compram tropas de burros chucros e trazem para amansar e revender na região ou em Sorocaba-SP que é o polo comercial de burros para lida com gado, agricultura e garimpo principalmente.

                   Segue no capítulo 2

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Cap.12 (final) - fichamento do livro 8/1 A REBELIÃO DOS MANÉS - autores - PEDRO FIORI ARANTES et alli (2024)

 capítulo 12 (final)             23-07-2025

 

         Os autores citam obra do pesquisador Theodor Adorno que descreve nos anos 50 o perfil de líderes fascistas.

         “Para Adorno, o líder fascista utiliza repetidamente técnicas...  anuncia a iminência de catástrofes...  adota a mentira e a distorção de forma planejada...  transforma a doutrina cristã em violência política...”

         ...

         “Também resta a alternativa de que Bolsonaro não seja esse líder poderoso e de perfil fascista, mas apenas um joguete nas mãos de militares, pastores, do agronegócio, mercado financeiro...”

         ... “Quem dá o sinal da troca de líder ou de pele é a aliança militares – pastores – empresários”.  (página 152)

         Pesquisador de Harvard Steven Levitski (do livro Como as Democracias Morrem) diz em entrevista que a ultra direita nos USA dependem mais de Trump do que a brasileira depende de Bolsonaro.

         “No Brasil há uma diversidade de forças, partidos e caciques da direita e extrema direita que diluem o poder de Bolsonaro – Por outro lado....   “A Ordem e o Capital seguem ganhando com Lula, afinal, ele está lá para barrar o fascismo e manter a confiança para os negócios, com algumas eventuais migalhas aos pobres”.

         Bolsonaro...  “Sua defesa pode alegar que no dia da insurreição ele estava fora do Brasil...”

         “Como já explicou o general-malandro Heleno:  Um golpe para ter totalmente sucesso, precisa de um líder principal, alguém que esteja disposto a assumir esse papel de liderar um golpe”.

           ... “Na hora h, todos os malandros recuaram e inclusive saíram do país...”   ...  Os manés  “estão pagando agora pelo recuo covarde e silencioso dos líderes”.

         Capítulo -  Punitivismo às Avessas

         ...”O sistema procura algum equilíbrio, reduzir tensões, dar anistia em troca de governabilidade, estabilizar e pacificar.”

         O sistema encara os manés...  “os manés seriam nóias, viciados em realidade paralela.”

         As penas pesadas (tipo 17 anos) podem ao invés de intimidar potenciais insurgências, deixar esse pessoal ver nos presos, mártires, assim se opor ao STF e se manterem radicais...

         “Fernanda Martins, diretora do Interlab, que monitora grupos extremistas nas rede (web) comenta...”Após a morte de um dos presos na Papuda, ele sendo diabético e mesmo tendo recebido os devidos cuidados médicos na prisão, veio a falecer na fase de preso aguardando o julgamento.  Para a direita ele é o primeiro “mártir” dos insurgentes.

         A turma da extrema direita que sempre criticou os defensores dos direitos humanos, agora vem com o discurso de requerer a defesa dos direitos humanos dos seus ativistas transgressores da lei.

         Os autores alertam que essas punições pesadas à ralé da extrema direita podem mais adiante serem usadas contra os movimentos sociais legítimos.

         ...”punições severas – todas elas aptas a criminalizar e condenar também revoltas e insurgências contra a opressão e a desigualdade social”.

         “as periferias, os sem teto, os sem-terra, os sem tudo não querem paz, mas transformação.  Quem quer a paz total e as multidões em casa é a Ordem e o Capital.”

         Os autores criticam o apoio da esquerda à lei aprovada que se torna a nova Lei Orgânica das PMs.   Na visão destes, inclusive no aspecto político, esta lei dá mais poder às PMs, inclusive no aspecto político e deixa as corporações mais fortes do que no tempo da ditadura militar.

         Capítulo – Emancipação Multitudinária

         Os autores olhando para o futuro e supondo insurgências na luta por direitos...   “Para além do 8/1 a Ordem vê na multidão sempre uma ameaça, pois é desestabilizadora e questiona estruturas do poder...”

         Capítulo – Pós – escrito

         Quando os autores estavam já para entregar o livro para a gráfica em fevereiro de 2024, o STF, após decisão do PGR Procurador Geral da República, Gonet, acionou a Polícia Federal para fazer buscas nos endereços dos militares de alta patente.  Então a novidade é que os peixes graúdos começam a ser acessados pela lei.

         Certos militares ou as Forças Armadas apoiando o golpe?

         Múcio, o atual Ministro da Defesa diz que certos  militares eram pelo golpe, mas não a instituição militar, as Forças Armadas.

         “A punição de Moraes dá margem a essa interpretação.  Nela há somente a distinção entre o grupo criminoso e as instituições militares.

         “Segundo o inquérito, o comandante do Exército, General Freire Gomes é quem estava impondo maiores limites aos golpistas”.   Em registros no inquérito...  “está dificultando a vida do presidente Bolsonaro ao se colocar contra o golpe.    “É chamado de cagão pelo General Braga Neto.  (há áudios provando isso)

         ...”Supostamente o único comandante apoiando a iniciativa era o da Marinha, o Almirante Garnier, golpista notório elogiado nas mensagens entre os golpistas”.

         Por outro lado, no caso do Freire Gomes...   “O próprio ‘legalista’ Freire Gomes era um defensor dos acampamentos... e barrou o desmonte do aquartelamento em Brasilia”.

         A ala dos endinheirados depois de ver os absurdos do governo Bolsonaro resolve se distanciar dele e apostar em Lula com Alkmin como vice.   “Com a eleição Lula e Alkmin, a Ordem já reconstruía uma normalidade política e de negócios a seu favor...”

         ...”a Pax Lulista 3.0 e seu regime de conciliação de classes pró mercado”.   

“A aventura como pária internacional, aberração sanitária, ambientalmente criminosa e progressivamente mafiosa, miliciana e militarista não seria saudável aos negócios a médio prazo...”

“A direita dita moderada, liberal, supostamente democrática, quer enfiar o gênio de volta na lâmpada, quer fechar a caixa de Pandora que ela mesmo abriu depois de 2014”.

O juiz Alexandre de Moraes que tem um currículo bem conservador, acabou sendo o baluarte da Democracia nos episódios recentes.

Pesquisa Alfa Intel realizada entre 8 e 9/2/24  .... entre eleitores de Bolsonaro só 2 a 3% acreditam que ele planejou o golpe.  Entre os eleitores lulistas, 86% acreditam que Bolsonaro planejou o golpe...”

         “E 99% dos bolsonaristas acreditam (fevereiro/2024) que ele está sendo perseguido injustamente”.

         “Por fim, 84% dos bolsonaristas consideram que vivemos uma ditadura, a ditadura do judiciário e 94% declaram que continuam apoiando Bolsonaro venha o que vier”.   (base fevereiro de 2024)

         “São números típicos do fanatismo messiânico ao líder populista/fascista”.

Os desafios de termos desde longa data um país com grande injustiça social ainda continuam.    Frase final do livro:

“Derrotar (temporariamente) o bolsonarismo foi só o primeiro round.  E agora?                             FIM.         Fim da leitura em 17-07-2025

(por motivo de viagem não pude postar antes este capítulo mais longo que fecha o tema).     Gratidão sempre aos que prestigiam estes resumões.