Total de visualizações de página

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PARTE FINAL - RESENHA LIVRO - TEMPO BOM TEMPO RUIM - DO DEPUTADO JEAN WYLLYS

    119 – Sobre os comentaristas de TV em relação a  menores e violência:    “... trata a delinqüência com métodos de tortura ou execução sumária, ignorando o sistema que as produz.”
     119 – “Desacreditar o Estado Democrático de Direito em cadeia nacional de TV para defender o linchamento de um adolescente negro, pobre e supostamente delinqüente é apodrecer nossa época.   Isso, sim, é fazer do Brasil o cu do mundo.”
     122 – As drogas e o crime organizado.     “Existe quem usa droga (que faz uso recreativo dela) e existe quem abusa da droga...”
     “O tabaco é a droga que mais mata e ninguém vai preso por consumi-lo.”
     123 – Dados do Escritório da ONU para o Combate às Drogas e ao Crime  (ONUDC).   As drogas movimentam por ano no BR 1,5 bi de reais e no mundo, 320 bi de dólares por ano, mesmo com toda a repressão que há a isso tudo.
     124 – Ainda dados da ONU.     No mundo, ao redor de 210 milhões de pessoas que consomem drogas ilícitas; destas, 165 milhões consomem a maconha – o que faz da guerra às drogas, na prática uma guerra à maconha.     (Defende descriminalizar o uso em condições controladas e assim se desarma todo o mundo do crime ligado ao tráfico). Bom é ler toda a argumentação do autor no livro para não distorcer a posição dele.
     125 – “Mas a nossa função, como políticos, é assumir riscos, inclusive eleitorais, para defender idéias em que acreditamos e promover os debates que achamos necessários ao bem estar do país.  Este é um deles.”  (a questão das drogas).
     129 – Declaração Universal dos Direitos Humanos.    ONU 1948.
     “A conquista de direitos não se efetiva sem a luta...”
     131 – Na Câmara Federal tem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) que recentemente esteve comandada pelo Pastor Feliciano que batia de frente contra as Minorias e suas lutas.    O Bolsonaro também era dessa comissão e batia contra as minorias.  
     133 – Algumas pautas dos que defendem as minorias no BR
     Legalização do aborto em caso de gravidez indesejada; o casamento civil igualitário e a regulamentação do consumo da maconha.
     134 – BR e o Plano Nacional dos Direitos Humanos (de 1996).   Em 2014 a chamada Bancada Evangélica na Câmara dos Deputados estava em 170 deputados.      Em função das barreiras que os progressistas que lutam pelas minorias encontraram na Comissão de Direitos Humanos e das Minorias na Câmara, acabaram criando como alternativa a chamada Frente Parlamentar dos Direitos Humanos, esta que inclusive abre as portas para o debate inclusive para entidades defensoras de minorias e dos Movimentos Sociais de um modo mais abrangente.
     139 – Sobre a “união civil” e o casamento igualitário.    Diz que a chamada união civil não resolveria a questão da união de homossexuais.   Faz as explicações ao longo do texto.     Não pleiteiam um casamento religioso, trata-se de casamento no civil.
     140 – Cita trecho de sentença do Tribunal Supremo de Massachusetts, nos USA.  Sobre o casamento igualitário.     “Nossa obrigação é definir a liberdade de todos e não aplicar o nosso próprio código moral”.
     142 – Lutam para colocar na lei que a homofobia passe a ser crime, assim como é o racismo e outros crimes.    Defendem penas socioeducativas alternativas para crimes de homofobia, pois a prisão simplesmente não é solução.
     153 – Cita uma fala do Papa Francisco a integrantes da Jornada Mundial da Juventude.   “Se uma pessoa é gay e procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?   O catecismo da Igreja Católica explica isso de maneira muito linda.”
     Mas...
     “E o que o catecismo da Igreja diz?     ... os atos homossexuais são contrários à lei natural e não podem ser aprovados”.      Os homossexuais, segundo o texto, podem ser acolhidos pela Igreja com respeito e compaixão, mas se deve exigir, deles, o celibato.”
     Lidar com a (in) Visibilidade
     157 -  Os GLBT são invisíveis no mundo do trabalho: têm enorme dificuldade para serem aceitos nos empregos e, além disso, no caso das travestis, a sociedade parece acreditar que a prostituição é seu emprego “natural”, como se isso não fosse produto da discriminação que lhes impede o acesso a outras profissões.
     159 – Cirurgias para mudança de sexo.    “tratamentos garantidos por lei e já se realizam através do SUS.”
     160 – Fala de projeto de lei de 2012 tramitando no Congresso para legalizar a atividade dos(as) profissionais do sexo.
     “Na Atenas do século VI a.C  as meretrizes já eram regulamentadas e pagavam impostos ao Estado.”
     164 – Fala do termo orgulho GLBT.    Busca elevar a auto estima dos integrantes que costuma ser baixa.   Orgulho no sentido de que os integrantes não se sintam inferiores aos demais cidadãos (contraponto ao sentimento de vergonha no caso).     Nesse sentido não acham que cabe o contraponto de alguns que falam em criar o Orgulho  Hétero, se estes não são afetados na auto estima como cidadãos.
     166 – Cita a jurista brasileira Flavia Piovesan.    “... importa assegurar a igualdade com respeito à diversidade.”
     171 – Frase contra os fundamentalistas.   Aos bons... “Que estes se façam ouvir, pois nada mais danoso que o silêncio dos bons ante a tagarelice dos maus.”
     172 – Sobre a “cura gay”.   “... contrariando inclusive a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe tais terapias.”
     181 – Internet – O ódio no mundo digital.     “... levam para lá o que tem de pior – racismo, homofobia...   “a vontade de negar a humanidade do outro, o desejo de exterminar o diferente”.    

                                                     Fim                 (recomendo a leitura deste livro)
Resenha feita (de forma simples, sem pretensão acadêmica por Orlando Lisboa de Almeida                  orlando_lisboa@terra.com.br   )

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

RESENHA - LIVRO TEMPO BOM TEMPO RUIM - JEAN WYLLYS III

               PARTE III      (as outras partes, seguem em matérias anteriores aqui no blog) 
O Nome do Mal
     76 – “Homofobia é o nome que se dá ao medo, aversão ou ódio irracional que algumas pessoas nutrem em relação a gays, travestis e transexuais.”
     77 – “Nada livra um gay, lésbica ou travesti da homofobia: nem dinheiro, nem prestígio, nem fama.   Se ele for assumido ou não for enrustido o suficiente, em algum momento de sua vida será vítima dela.”
     77 – Conquista dos que lutam contra a homofobia.    17 de maio, Dia Mundial de Combate à Homofobia.     17-05-1990 a ONU aprovou a retirada do código 302.0 da Classificação Internacional de Doenças   (CID), declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.”
     A Palavra dos Mortos
     78 – “Como não pedir ao leitor que jamais se esqueça de que não só políticas públicas e identidades que estão em jogo, mas, antes afetos e vidas”.
     81 -  Sobre crime de homofobia que ele acha que deveria figurar no Código Penal Brasileiro.    “... e estou convicto de que os crimes motivados por homofobia devem receber o mesmo tratamento dispensado aos crimes motivados por racismo.”
     82 – As minorias...    “ – a necessidade de amar, viver, existir em sociedade.”      Reclama inclusive das igrejas fundamentalistas.
     86 – “... a um mesmo coletivo constituído pela mitologia judaico-cristã como pecador, doente, degenerado, antinatural, corruptor e anormal.”
     88 – “Não há espaço de convivência – da família ao local de trabalho, passando pelas escolas, igrejas, clubes, praças e shoppings – em que a homossexualidade não seja insultada ou sirva de motivo para injúrias e humilhações.”
     88 – “O que há é a reação legítima à violência que sempre foi praticada contra nós e a cobrança de respeito à nossa dignidade humana.”
     90 – Preconceito – médicos chamando o pessoal GLBT de “grupos de risco”.
     91 – Cita o filme Kids, de Larry Clark que trata do tema da homossexualidade.
     92 – Caso de gay soropositivo.   Dois estigmas, além da dor.
     93 -  “Como a doença conduz a uma morte social talvez mais dolorosa que a morte física e alimenta fantasias sinistras...”    Fala do livro do gaucho Caio Fernando de Abreu que se revelou ser soropositivo em livro.
     105 -  “Claro que sou a favor da reforma política.  ... em minha opinião, seu primeiro passo seria o financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais.”
     107 – “O financiamento público poderia ser combinado com o privado, desde que este fosse limitado a pequenas contribuições.”        ... “com limites às despesas de campanha, bem como sistemas de auditoria e controle...”
     108 – “A maioria dos parlamentares atualmente em exercício é representante de direito da sociedade, uma vez que foi eleita, mas não o é de fato.”
     O Luto Ausente    
     109 – “Se pensarmos bem, não fizemos também o luto do colonialismo nem da escravidão.”
     110 – Ele como deputado, fala das lideranças na Câmara.    “Diria que os que entendiam menos eram aqueles quase alheios à vida em rede trazida pelas novas tecnologias da comunicação e da informação.  Eles estranhavam a nova forma de fazer política e o novo ativismo que vêm emergindo.”
     O Retorno do Fascismo
     111 -  “As primeiras sombras do retorno do fascismo recalcado pela expansão da democracia já se levantaram no horizonte do Brasil.”  ...”expressaram-se abertamente em discursos de apresentadores de telejornais de grande audiência e de colunistas de revistas semanais importantes.”
     112 – Cita trecho de Veja com artigo sobre os relezinhos:  “São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização”.
     114 – (Os dos rolezinhos na visão do J.Wyllys)   “São criminalizados por ousarem cruzar as fronteiras simbólicas que os separam dos privilégios das elites e os distinguem destas.”
     115 -  “Ora, se estamos construindo uma sociedade não de cidadãos, mas de consumidores, regulada pelas regras do mercado e não por aquelas derivadas do direito e da dignidade da pessoa humana...”       ...”ostentando as grifes como signos do sucesso  na vida...”
     117 -   ...”afinal, como a antiga classe média e a classe alta brasileiras se comportariam se as elites americana e européia decidissem fechar suas fronteiras aos ‘rolezinhos’ que muitos membros dessas classes costumam dar em centros como Miami, Nova York e Paris”.

                                                                      (em breve, trecho final)

sábado, 10 de janeiro de 2015

RESENHA DO LIVRO TEMPO BOM TEMPO RUIM - JEAN WYLLYS

PARTE II       (resenha simples, de leitor, sem carater acadêmico) por este blogueiro

     40 – “... entendemos que  a telenovela é representação e, como toda representação, ela não apenas reproduz a realidade, mas também a produz, isto é, desencadeia reações nos telespectadores.”
     41 – “Há quem diga que as tramas das novelas são ‘abstrações’ e, como tais, inócuas.  Não é verdade.  As representações são a matéria-prima do pensamento.  E o pensamento é a ponte do corpo para o ato – no mínimo para o ato lingüístico que é o insulto ou a injúria.  O preconceito social, os discursos de ódio e os crimes contra os homossexuais são complementares.”
     42 – Cita casos de novelas específicas da Globo em que se inseriram “imagens positivas” para evitar o preconceito.
     44 – “De todos os autores da Globo, Aguinaldo Silva é aquele que seguramente representou mais homossexuais em suas novelas, talvez por ter sido, quando jovem, ativista do então incipiente movimento homossexual no Brasil.”
     48 – “Sempre acreditei que, como cidadãos, todos nós podemos intervir na vida política.  Esse é o cerne da democracia e significa pensar a sociedade e participar do debate social como cidadão e trabalhador.  Desde a minha adolescência, procurei atuar politicamente dentro da parte que me cabia: como estudante, jornalista, professor.”
     49 – “Não há socialismo sem a idéia de liberdade.”
     Armar-se em Palavras
     51 – “As palavras transformam o mundo e as pessoas. Tem o poder de machucar e humilhar, assim como de salvar, curar e devolver a dignidade.”
     52 - ...”Signo de Peixes, mas meu ascendente é Aquário, o dono da nova era.  Acho que estou na fronteira entre o amor e a razão.”
     53 – “Só o amor pode fazer com que o inevitável ‘clube da luta’ que é a vida se torne um lugar também de felicidade.”
     Consumir a Cidadania
     61 – “Ser esquerda, hoje, é priorizar as questões ecológicas, incluindo os direitos ambientais entre os direitos humanos, trabalhando em prol do ambiente saudável e sustentável.  É defender as florestas e restringir o agronegócio – não extingui-lo, mas controlá-lo”.    (ele alinha uma série de outras ações que ao modo dele tem a ver com o perfil de esquerda)
     O Lugar do Armário
     64 – “Ainda que o fato de se assumir publicamente não livre o homossexual de toda discriminação, somente a aceitação e a valorização de si mesmo pode servir de apoio a uma resistência eficaz contra as agressões e a estigmatização dos homossexuais em nossa sociedade.”
     65 – Falando de religião cita José Saramago, que era ateu.   “Bíblia é um desastre, cheia de maus conselhos, como incestos e matanças.”    
     66 – Cita frase de Jorge Amado em entrevista a Clarice Lispector:   “Eu escrevo como me agrada; não há escritor mais livre neste país.”
     68 – Santo ou Orixá.   Por pai, tem algo do Candomblé e pela mãe, do catolicismo, mas hoje ele tem uma religiosidade e não uma religião.
     Tempos de Luta
     73 – Sobre as ações dos “guardiões da ordem social”.     Se opõem às reivindicações das minorias.    “A atitude freqüente desses mantenedores da ordem e da moral majoritária consiste em desqualificar os movimentos das minorias por meio de acusações infames e falácias.”
     74 – Cita o filósofo Bordieu e a “dominação masculina”.
     75 – O autor, como Deputado Federal, esteve a convite em conclave no México para dar palestra.  IV Encontro sobre Dissidência Sexual e Identidades Sexuais e Genéricas.

Isto em 2013.

RESENHA LIVRO - TEMPO BOM TEMPO RUIM - JORNALISTA JEAN WYLLYS

PARTE I

RESENHA DO LIVRO – TEMPO BOM TEMPO RUIM
Autor do livro:   Deputado ativista Jean Wyllys
Resenha (simples, sem regra acadêmica) – por Orlando L de Almeida
(Editora Paralela, 1ª edição – 2014 – SP – 190 páginas)

     Ganhei este livro no dia que fui com minha filha Antropóloga assistir na UFPR a palestra com o autor do livro, que foi convidado para a Semana Acadêmica de Comunicação.     Diga-se de passagem, de casa cheia.

     O autor é baiano de Alagoinhas e teve uma infância muito pobre, filho de funileiro de automóveis.   O pai era alcoólatra.  Mãe lavadeira.   Passou fome na infância.
     Página 13 -  Lembra da frase do Maluco Beleza (Raul Seixas)    “É de batalhas que se vive a vida.  Tente outra vez.”  Vale para as batalhas dele ao longo da vida.   Formado em Jornalismo, com mestrado e está se doutorando em Antropologia do Consumo.
     15 – Falando sobre o ciclo da pobreza.   “O que me afastou desse fado foi a leitura, a escola, a educação.”
     15 – Foi coroinha na infância, inclusive para ter acesso ao que ler na biblioteca da igreja.    Foi menor estagiário da CEF Caixa Econômica Federal.
     16 – Estudioso e leitor, na adolescência passou num duro teste seletivo e foi para a Fundação José Carvalho, em Pojuca, região metropolitana de Salvador.  Colégio de excelência.
     16 – Fez Jornalismo na UFBA  Universidade Federal da Bahia.   Fez mestrado e ministrou aulas por bom tempo em universidades.
     17 – Foi para o RJ e continuou lecionando no ensino superior.
     17 – Atualmente (2014), faço doutorado em Antropologia do Consumo na Universidade Federal Fluminense.    (exerce mandato de Deputado Federal também)
     18 – Recordação da infância.    A mãe grávida dele, assistindo da janela da casa do único vizinho do bairro que tinha TV, a novela Carinhoso.    Uma pitada de quebra da dura rotina que ajudou sua mãe a enfrentar a dura realidade.
     20 – A igreja e a  Teologia da Libertação  (as CEBs – Comunidades Eclesiais de Base).   Sua família se ligou às CEBs.  Ele freqüentou a CEB, a Pastoral da Juventude e foi inclusive leitor de Frei Betto.  Militou na política estudantil.  Conheceu o Marxismo.
     20 – Teve influência da Teologia da Libertação.
     21 – Militância no Grupo Gay da Bahia e do Movimento Negro Unificado.
     21 – Algumas disciplinas que já ministrou: Cultura Brasileira, Estudos Culturais, Teoria do Jornalismo e outras.
     22 – Infância – só gostava de brincadeiras de meninas.
     26 -  “... imaginário equivocado acerca da homossexualidade, carregado de preconceitos e  confusamente ligado a noções como marginalidade, clandestinidade e travestismo”.
     26 - ...” num país preconceituoso como o nosso, há uma dificuldade maior para os homossexuais alcançarem a felicidade, todavia, parece-me mais difícil viver na vergonha, fechado no armário”.      (ele participou de um Big Brother -   BBB)
     29 -  O fascínio quando, após a vida de internato, ele entrou numa boate freqüentada pelos homossexuais da capital baiana.  Disse ao amigo:   “O paraíso é aqui”.
     29 – Fala do pertencimento que o público e o local passavam.
     31 – Sua religiosidade.   “lembro-me aqui de João Cabral de Melo Neto, o ateu mais convicto, que rezou no momento de sua morte.”
     31 – Pelo lado do pai, é adepto do Candomblé.  Reclama que os terreiros foram todos empurrados para a periferia por intolerância das pessoas.
     31 - ...” coloco-me contra todo fundamentalismo religioso.  Por isso repito:  tenho uma religiosidade e não uma religião.”
     33 -  Lá por 1980 no interior, ainda na ditadura militar, o povo não tinha consciência do problema da repressão, etc.   Ele leu na biblioteca do Salão Paroquial o livro Brasil Nunca Mais (organizado pelo Bispo Dom Paulo Evaristo Arns), livro que lhe abriu os olhos para o que estava ocorrendo no Brasil.
     34 – Um tal tenente Cruz (em sua terrinha) e a repressão – em Alagoinhas-BA.
     35 – “Sabemos hoje que, durante a ditadura militar, o perigo rondava o conhecimento.”...
     36 – Cita a Comissão Nacional da Verdade e cita a “tagarelice” do ultra direitista Jair Bolsonaro.
     37 – Ele defende o trabalho da Comissão da Verdade.   O povo tem o direito de saber o que se passou.

     38 – A importância da mídia e os riscos dela.               Continua na etapa II em breve

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER – PARTE FINAL


Autor do livro – Schopenhauer

Resenha por :   Eng. Agr. Orlando Lisboa de Almeida  (resenha simples, não acadêmica)

     Página 71 -   “Normalmente as resenhas são feitas no interesse dos editores e não no interesse do público.”
     77 – Sobre o crítico literário anônimo ou que usa pseudônimo.    A eles... “deveriam ser empregados epítetos como: O canalha covarde anônimo diz”...
     82 – Sobre os hegelianos... “Ou então eles tem em vista um modo de escrever espirituoso, com o qual parecem querer ficar loucos”.
     84 -  (ao escrever)  “... a simplicidade sempre foi a marca não só da verdade, mas também do gênio”.
     84 – A primeira regra para bem escrever... “... é que se tenha algo da dizer.”
     90 -  “... embora de fato se deva pensar como um grande espírito, sempre que possível, deve-se falar a mesma linguagem das outras pessoas.  Palavras ordinárias são usadas para dizer coisas extraordinárias.”
     106 – “Pois a língua alemã é a única em que se pode escrever quase tão bem quanto em grego e latim, característica que seria ridículo querer atribuir às outras principais línguas européias, que não passam de dialetos.   Comparado a elas, o alemão tem algo de extraordinariamente nobre e sublime.”
     110 – Criticando um tipo de escritor:   “... basta ao escritor saber o que ele quer e pretende dizer; o leitor que se arranje para acompanhá-lo”.
     112 – “Dizem que Platão redigiu a introdução de sua República sete vezes, com diversas modificações.”
     112 – (base 1850) -  “Até aproximadamente cem anos atrás, sobretudo na Alemanha, os eruditos escreviam em latim.”
     Sobre a Leitura e os Livros
     127 -  ...”os ricos que são ignorantes vivem apenas em função dos seus prazeres e se assemelham ao gado, como se pode verificar diariamente.  Além disso ainda devem ser repreendidos por não usarem sua riqueza e ócio para aquilo que lhes conferiria o maior valor.”
     127 – Parece paradoxal ele não ser contra a leitura, muito pelo contrário, mas num certo contexto coloca a frase para se pensar:     “Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar.  É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura.  No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta?”.
     129 – “Além de tudo, os pensamentos postos no papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos.”
     133 – Cita o epigrama de A.W.Schlegel:   “Leiam com afinco os antigos, os  verdadeiros e autênticos antigos: o que os modernos dizem sobre eles não significa muito.”
     137 – “Há duas histórias: a política e a da literatura e da arte.  A primeira é a história da vontade, a segunda, a do intelecto.   É por isso que a primeira geralmente é angustiante, mesmo terrível: medo, necessidade, engano e assassinatos horríveis, em massa.  A outra, em contrapartida, é agradável e jovial, assim como o intelecto isolado, mesmo quando descreve erros e descaminhos.”
     138 -   Epiciclos.   “Esse epiciclo partia da linha circular levada adiante por Kant até o ponto em que, posteriormente, eu a retomei para fazê-la avançar...”
     143 -   “Gostaria que alguém tentasse escrever um dia uma história trágica da literatura, na qual expusesse como as diferentes nações, cada uma das quais deposita seu maior orgulho nos grandes escritores e artistas que tem a exibir, trataram esses homens durante suas vidas.”    (negrito do resenhista aqui)
     Sobre a Linguagem e as Palavras
     145 – “Sabemos que, do ponto de vista gramatical, quanto mais antigas as línguas, mais perfeitas elas são, e pouco a pouco ocorre uma piora – partindo da elevação do Sânscrito até a baixeza do jargão do inglês, esse traje malremendado de pensamento, feito com retalhos de tecidos heterogêneos.”
     165 – Curiosidade.....   “... uma vez que o colibri só habita o continente americano.”
     166 – O alemão – vários ramos da língua – ramo gótico (um deles).      “O gótico,  proveniente do sânscrito, dividiu-se em três dialetos: sueco, dinamarquês e alemão.”
     166 -  Escavações...  “... em comparação com os achados alemães, que a cultura era muito mais elevada na Escandinávia, em todos os tempos.”          Fim.


sábado, 6 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO - A ARTE DE ESCREVER - SCHOPENHAUER

                 (Segunda, de três etapas)   
  37 -  Ele defendia que os alunos dos cursos superiores para juristas, teólogos e medicina, deveriam ter no primeiro ano, curso de Filosofia.  A partir do segundo ano, ter contato com as matérias específicas dos seus cursos, sendo então para os teólogos, mais dois anos, para os juristas mais três e para a medicina, mais quatro anos de estudos.
                 Pensar por Si Mesmo  - capítulo
     39 – “A mais rica biblioteca, quando desorganizada,  não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada.”
     ... “por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria do seu próprio saber e o domina.  Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sabe, por isso se deve aprender algo; mas também só se sabe aquilo sobre o que se pensou com profundidade”.
     39 -  “...podemos nos dedicar de modo arbitrário à leitura e ao aprendizado; ao pensamento, por outro lado, não é possível se dedicar arbitrariamente”.
     41 -  ...” o excesso  de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola.”   (ler e matutar)
     41- sobre ler sem matutar...  “...pobres de espírito... privando também seus escritos de todo e qualquer êxito.  Como disse Pope:  ‘Sempre lendo para nunca serem lidos’ “.
     42 - ...”que pensa por vontade própria, de modo autêntico, possui bússola para encontrar o caminho certo.”
    42 – compara ler, como conhecer um jardim via gravura, diferente de visitar o jardim ao vivo e a cores.
     43 – Há o pensador que cria e o erudito que “repete”, replica o conhecimento.
     44 – “Ler significa pensar com uma cabeça alheia em vez de pensar com a própria.”
     45 – Pesquisador científico.  “Só que ele precisa de muitos conhecimentos e, por isso, de muita leitura.”    (além da experiência de campo)
     56 – Um provérbio espanhol:   Honra e proveito não cabem no mesmo saco.
    
     Capítulo – Sobre a Escrita e o Estilo

      57 – Elenca três tipos de escritores.   Primeiro, os que escrevem sem pensar.  Segundo, os que pensam enquanto escrevem e terceiro, há os que pensaram antes de se pôr a escrever.   Escrevem apenas porque pensaram.  São raros.
     62 – “Encontro passagens de meus escritos geralmente citadas de modo falso, e apenas meus discípulos declarados constituem uma exceção.”

              Continuará no módulo 3, módulo final, em breve.     06-12-14



     

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER

RESENHA DO LIVRO – A ARTE DE ESCREVER                   (Primeira Parte)     01-12-2014
Autor:  Schopenhauer    (Arthur Schopenhauer – 1788 – 1860)

Resenha feita pelo Eng. Agr. Orlando Lisboa de Almeida
(critério pessoal, sem metodologia acadêmica)

Trata-se de uma edição de bolso da editora L&PM – Porto Alegre – RS – 2014

P.12 – O livro “O mundo como vontade e representação”.   “As principais referências do livro, que ele acabou de redigir em 1818, são Platão e Kant, mas seu pensamento é marcado também pelo estudo da tradição indiana e dos clássicos gregos e latinos”.   ...”foi praticamente ignorado na época...”
     12 -  Ministrou aulas (1820) na Universidade de Berlim e passou a dar aulas no mesmo departamento em que Hegel ocupava uma cátedra.  Hegel era da linha filosófica idealista, diferente da linha de Schopenhauer, que se viu quase sem alunos no final do ano letivo (terminou o turno com quatro alunos apenas).   Abandonou as aulas após esse revés.
     13 – Em 1851 lança o livro Parerga und Paralipomena  (Acessórios e Remanescentes) que lhe dá notoriedade.   Influencia artistas, escritores, filósofos das gerações seguintes como Nietzsche, Wagner, Horkheimer, Thomas Mann, Tolstoi e Sartre, entre outros.
     Sua influência foi marcante inclusive no desenvolvimento da  Psicologia.  Thomas Mann num ensaio sobre o filósofo chega a afirmar que “Schopenhauer, psicólogo da vontade, é o pai de toda a psicologia moderna; dele se vai, pelo radicalismo psicológico de Nietzsche, em linha reta até Freud”.
     14 – Este livro em pauta é parte do Parerga und Paralipomena.    “... diversos aspectos como a erudição, a escrita e o estilo, a leitura e os livros, a língua e as palavras, a filosofia livresca e o pensamento próprio.”
     19 – No capítulo Sobre a Erudição e os Eruditos: 
     “É com esse objetivo que tal geração freqüenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade.  Só o que é breve é novo!   Assim como é a nova geração, que logo passa a emitir seus juízos.”
     20 – A busca mais pela informação, não a instrução.    “Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução...”
     “Ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!”
     ...”sinto a necessidade de me perguntar se o homem tinha tanta falta de pensamentos próprios que era preciso um afluxo contínuo de pensamentos alheios.... (leitura).”
     21 - ...”da clareza e a profundidade do saber e da compreensão...”
     21 - ...”um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido.”
     21 – “elaborar novas e grandes concepções fundamentais aquele que tenha suas próprias idéias como objetivo direto de seus estudos, sem se importar com as idéias dos outros.”
     22- “Não é possível alimentar os outros com restos não digeridos, mas só com o leite que se formou a partir do próprio sangue.”
     23 – A ocupação -   ...”se ocupe dele com amor...”
     24 - ...”a inépcia é um direito de todos. Em compensação, comentar a burrice e a maledicência é um crime...”
     24 – “O grande público culto busca viver bem e se distrair, por isso deixa de lado o que não é romance, comédia ou poesia”.   (isto dito em 1851).  
     25 – “A pessoa que ensina a ciência não e a mesma que entende dela e a realiza com seriedade, pois a esta não sobra tempo para ensinar.”
     25 -  (negrito meu)   “...é uma obrigação dos governos, que pagam as academias, encarregá-las de investigar o assunto por meio de uma comissão, como ocorre na França com casos de muito menor importância”.     “Senão, para que existem essas academias que se tornam tão amplas e abrigam tantos imbecis sempre a se vangloriar?”
     27 – “Em todo o caso, o erudito alemão também é pobre demais para ser honesto e honrado”.      ...”qualquer coisa é melhor do que dizer a verdade e contribuir para o trabalho dos outros – são esses o seu procedimento e o seu método”.
     ...”sem nenhuma consideração pelo bem comum...”
....”única coisa com que todos estão de acordo é não deixar que desponte uma cabeça realmente eminente quando ela tende a se destacar....   representaria um perigo para todos ao mesmo tempo”.
     29 -  “...eruditos independentes tem...  vantagens relativas ao reconhecimento por parte da posteridade...  exige certo ócio e uma certa independência”
     29 – Para os medíocres da academia.     “.. a forragem da cocheira dos professores é a mais apropriada para esses ruminantes.”
     29 – “ Cada geração que passa rapidamente alcança, de todo o saber humano, somente aquilo que ela precisa.  Em seguida desaparece.  A maioria dos eruditos é superficial.  Segue-se cheia de esperanças, uma nova geração que não sabe nada e tem de aprender tudo desde o início; de novo ela apanha aquilo que consegue ou aquilo de que pode precisar em sua curta viagem, depois desaparece igualmente.”
     30 – Empreendimento científico - ...”deve-se dedicar apenas a um campo específico, sem dar importância para todo o resto”.   (ele faz ressalvas a isso)    “Com isso veremos eruditos que, fora do seu campo específico, são verdadeiras bestas”.
     31 – “Em contrapartida, a verdadeira formação para a humanidade exige universalidade e uma visão geral...”
     33 – “Isso mostra que os críticos também são uns ignorantes, ou estão mancomunados com os responsáveis pela publicação, ou então com os editores.”
     35 – O autor defende o conhecimento do Latim, do grego, etc.
     “... Bacon de Veralam traduziu ele mesmo seus ensaios para o latim...”
     36 – Ele propõe que deveria estar em lei...
     “A melhora da qualidade dos estudantes... deveria ser determinada...
     Nenhum deles teria permissão para freqüentar a universidade antes de completar vinte anos, idade em que passaria por um examen rigososum nas duas línguas antigas (latim e grego) antes de fazer a matrícula.